Segunda-feira, fui pra Unicamp. Encontrei alguns colegas sentados na cantina do IFCH, conversando com meninos da graduação, do movimento grevista. Daí, apareceu o Demônio, uma figura daquelas tipo figuras antigas da Unicamp, ou seja, totalmente doido. O cara tem um Landau cor de tijolo, interaço, e um Ray Ban legítimo anos 70, banhado a ouro. Papo vai, papo vem, fui pra minha terapia.
O SAPPE ( Serviço de Atendimento Psicológico e Psiquiátrico) da Unicamp fica na frente do prédio do Ciclo Básico II, onde era a DAC antigamente. A nova DAC, Diretoria Acadêmica, fica em frente. Entrei no CBII pra ir ao banheiro. Tinha uns neguinhos ali. Fui pra minha terapia. Quando saí, tinham invadido a DAC. Um grupo foi pra Reitoria, segundo eles, pra despistar a segurança, mas invadiram a DAC mesmo. E deu no portal Terra.
Ontem, parece que foi a assembléia dos funcionários, e eles em peso resolveram pela continuidade. Os professores voltaram. Os alunos querem pôr de novo barricadas no IFCH, Celo me informa pelo telefonema que todos os dias me acorda ( sim, todo dia acordo com alguém me ligando). Conversando com os meninos do IFCH na segunda-feira, percebi o que já havia mais ou menos sacado: reinvidicações justíssimas, idéias superficiais e um completo desconhecimento da chamada arena política. Uma combinação que pode ser perigosa, pra eles mesmos.
Continuo na posição que o que pedem é justíssimo, mas gente, invadir a DAC não vai fazer o reitor pressionar o governador. O Serra quer isso mesmo, baderna, pra poder se justificar perante a opinião pública, no próximo ataque via decretos, que não vai ser agora. Ele vai esperar a poeira baixar, e quando ninguém estiver vendo, assina mais um petardo contra a cidadela universitária. Eu sou da sincera opinião que precisamos arrumar outros jeitos de protestar. Chamar a Vai-Vai e fazer um desfile na frente do Palácio dos Bandeirantes é mais proveitoso, porque o Serra odeia samba. Eu tô falando sério.

7 comments:
Ahaha. Oi mocinha. Respondendo a sua pergunta, sou historiador. Mas como todo romano que tinha tempo livre para escrever história, também sou de ranking senatorial com alguma experiência militar. Sou mais famoso por ter servido de fonte à historiadores romanos como Tito Lívio. Este último aliás fala que o senado me mandou para a grécia fazer oferendas ao oráculo de Delphos para ver se o apolíneo deus tirava o Aníbal da Itália. Como você pode ver, não sou Raul Seixas nem Paulo Coelho mas nasci há dez mil anos atrás.
E quem dizia delenda est Cartago não era o Cícero (coitado) mas o viado do Catão. Um babaca que se vivo fosse falaria mal do Tinky Winky pelo seu homosexualismo. O Cícero tá mais pra Roberto Jefferson que pra Rev. Fawell.
Ah sim. Vou ficar aqui pelo meio do caminho. Exceto se o Frodo gritar "get off the road" porque eu tenho medo de Nazugul.
Sim, sim, claro, eu sei que romano com tempo livre é senador e militar, latifundiário na Sicília e bem servido por suas cinco escravas da Namíbia. Mas o Cícero também não queria ferrar com Cartago? Não repare minha falta de erudição, porque está falando com uma pequena escravinha hebréia de um de seus pares!
Beijos e o Frodo, faz tempo que não aparece...
adorei o latifundindio na Sicília e as escravas da Namíbia! Mas não, o Cícero não queria ferrar com Cartago pelo simples motivo que Cartago não mais existia à sua época. Quem fazia os infames discursos que terminavam com delenda est cartago era Catão. O negócio do Cícero era ferrar com os populari (a facção polular (populista?) da república).
Rapaz, historiador é tudo doido. Bom, voltando ao assunto do post, eu também acho que a ocupação é uma estratégia ruim. O que falta não são novos meios de luta: falta propostas viáveis. Se bem que a da Vai-Vai é completamente viável, contem comigo.
Quem de ocupar se ocupa
desocupado é
quem ocupado desocupa
ocupado é.
essa rima infeliz
funcionou por um triz
só pra completar
menciono meu nariz.
Sobre a notícia off-blog de que os alunos tentaram invadir o antigo prédio da DAC, onde funciona hoje o SAPPE: acabei de descobrir por orelhada comprida que na verdade nesse prédio, que por acaso é também o prédio do CLE, vulgo Centro de Lógica e Epistemologia, que tinha um certo professor do IFCH dando aulas lá escondido... Se é verdade ou não eu não sei, afinal a noticia foi colhida, para falar de historiadores romanos, de orelhada comprida, que se perguntarem eu vou dizer que foi sem querer, craro.....
Depois de interessante discussão, via telefone, com o Celo, chegamos às seguintes conclusões:
1) de boas intenções o Inferno tá cheio, quer dizer, os moleques tem razão mas invadir por invadir, dá no poeminha do nosso querido senador;
2)o artigo, saído nesse domingo, da dupla Foot-Pécora ( ver no site daUnicamp:
http://www.unicamp.br/unicamp/divulgacao/BDNUH/NUH_8433/NUH_8433.html)pegou o ponto. Disse bem Celsinho aqui, e Celo no telefone: as reivindicações também estão difusas, no meio do palavrório ( esse sim populista) de grupos na universidade, versados em atrair os estudantes em lutas sem sentido. Quem se pretende afetar, com a invasão da DAC? No caso da reitoria da USP, a coisa tinha um objetivo. Aqui, ficou descolado o discurso da prática.
3)Enfim, o fato é, depois fica tudo essa meleca. Concordo com o Foot ( eu sempre acho que tudo tem a cara mais do Foot que do Alcir) aí em cima, o povo acaba gastando bala em alvo errado. O negócio agora seria reinventar certas premissas da sociabilidade na universidade. Melhor dizendo: chamar a Vai-Vai, grupos de estudo, essas coisas que ninguém mais faz na cidadela de Zeferino Vaz. E tchururu pra vocês!
Post a Comment