Sunday, June 10, 2007

E a chuva de novo...

Ouço Eurythmics, Here Comes the Rain Again. Sou uma oitentista incorrigível. Já babou, datou, e como eu mesma disse um tempo atrás, até reportagem da Veja virou. E eu aqui de novo, ouvindo a Lennox pedindo pro cara falar com ela "like lovers do".
Esse feriado foi estranho. Eu tive muita, muita, muita cólica, e tinha muito, muito, muito trabalho a fazer. E o telefone tocando sem parar. Amigos, mãe, Celo, por increça que parível, querendo a companhia da velha, rabugenta e cada vez mais panda panda. Não tô exagerando na parte do trabalho. Eu peguei uns por fora, pra pagar minhas contas e o tratamento dentário. Esses por fora são trampos de tradução, parecer pra livro. O nobre idioma de Dante, falado por mim à la Adoniran Barbosa, tá me salvando, gente. Me sinto meio picareta porque nunca fiz um curso de italiano como se deve ( apesar da minha professoressa, Maria, ser muito boa, eu que era um traste), mas enfim. E a minha mesa da sala transborda das coisas da tese.
Revi uma grande e queridíssima amiga, que tá muito dodói. Isso foi triste. Revi a casa dela, muito querida por mim, porque há dez anos eu morei lá, e foi meio dolorido ver minha amiga abatida, preocupada, linda como sempre, mas abalada. Saímos, fomos almoçar em Joaquim Egídio, num lugar lindo, uma comida ótima, ontem eu comprei um bolo que ela gosta, umas flores, chamei um amigo que anda meio ausente porque também tem problemas. E minhas amigas me deram um LP. Uma obra de José Joaquim Emérico Lobo de Mesquita, o mais importante músico do XVII mineiro. É uma gravação de 1978, regida por José Siqueira. Negócio patrocinado pelo Banco do Brasil, e a capa é branca, com o rosto do Cristo da Crucificação, das Capelas de Congonhas. Outras amigas me emprestam a vitrola.
E eu ando atrapalhada. Confesso pra vocês, ando atrapalhada, tem horas que eu sinto uma dor, de não saber como agir, como crescer, melhorar, abarcar o que preciso. Renunciar a hábitos nocivos pra ir pra frente. Não sinto segurança em mim mesma, as mãos me dóem, tendinite. Não sei onde enfiei o tubo de pomada de arnica, rodo o armário atrás da luvinha indefectível, tenho medo do tratamento de canal que encaro essa semana, tive medo do tubo de Diabo Verde que tive que comprar, mas no final deu tudo certo. No final a chuva virá de novo. E eu pedirei o "like lovers do".

3 comments:

Leo said...

Dica para a ida ao dentista: peca anestesia dupla. Ninguem merece sentir o dente morrer. Sobre a dor de viver, nao se se ha conselho possivel.

Maria said...

Não há.

Mas obrigada pela anestesia dupla. Me faz pensar num whisky duplo, sem gelo. Ninguém merece sentir o coração morrer.

Beijo de início de semana, Leo.

Elisa Mueller said...

Flor... fiquei sabendo pela Raka da nossa grande amiga.. :(.. que coisa...vou entrar em contato com ela..bjss