E o Meio fez dois anos. O blog da panda também aniversariou, assim como o sr. Na Prática. A tendinite passou pra outra mão, consertei o vaso e hoje li um texto que trouxe de Pisa, pra tese.
Na qualificação, apanhei do Luiz ( Marques, ex-curador do MASP e ex-orientador dessa que vos fala) por conta de uma menção desastrosa da relação entre a chamada arte flamenga ( mais especificamente, a arte da corte do ducado da Borgonha, unidade política autônoma que correspondia à partes das atuais França, Holanda e Bélgica- leia-se Jan van Eyck) e a arte florentina, no século XV ( leia-se Fra Angelico, Fra Fillipo Lippi, tio barrilzinho, dentre outros). Como diria meu amigo Luís Fernando, o único Flamengo que ouvi falar foi o do Rio, no Carioca. Mas enfim, dentre outros temas tratados de forma desastrosa pela minha tese emperrada, um deles é o cruzamento da pintura à óleo que neguinho fazia ali por Bruges e a velha têmpera ( feita de gema de ovo, pigmento e cuspe) da italianada. Daí quando cheguei em Pisa, corri atrás de alguém que me salvasse desse pântano; achei dois belos livros sobre o tema, devidamente xerocados na velha abadia de San Matteo, que hoje é o Instituto de História das Artes da Universidade de Pisa.
Fiquei na cantina do IEL, porque a greve come solta, o dia estava muito bonito e eu fiquei lendo sobre os retábulos dos Medici e de como os narigudos resolveram copiar a arte de parte dos meus ancestrais. Aliás, outro dia por distração consultei, na BC, o Dicionário das Famílias Brasileiras. Os Vermeersch não constavam na relação ( família de imigrante, ali, tem no mínimo quatro gerações) mas a família da minha avó paterna, os Esmeraldo, sim. E pasmem, meus queridos amiguinhos, o patriarca dessa família foi Jan van Esmenaut ( flamengo de quatro costados), que em 1480 passou a viver na Ilha da Madeira, e a ser chamado, obviamente, João Esmeraldo. Os Esmenaut-Esmeraldo vieram dar no velho São Paulo do Piratininga, e meu bisavô, devidamente mulato, era funcionário da Leopoldina em Campos dos Goytacazes. Na narrativa de minha avó, esse pai aparecia pouco e eu tenho a impressão, hoje, de que ele não era de Campos ( provavelmente fosse filho de um Esmeraldo paulistano com uma escrava). Ou seja, a pequena panda seria conterrânea de Van Eyck e Vermeer de qualquer jeito.
Tudo isso pra dizer que estou melancólica pra burro, meu blog fez dois anos e eu amo arte flamenga.

6 comments:
Feliz Aniversário, Paulinha! Pode dizer pro cara da sua banca que a arte flamenca que realmente importa é o Zico batendo falta, muito embora o Vermeer, nos seus melhores momentos, fosse quase um Obina. Bobeiras à parte, Vermeer é realmente um negócio apavorante, na minha opinião, o melhor pintor depois do Leonardo. O cara do barrilzinho também é razoável.
Mas, vem cá, pra que essa melancolia toda?
Feliz Aniversário! É nóis na fita!
Depois do mestrado, do doutorado, e principalmente do grupo de Teoria Social e de passar pelos Gianotti's Golden Boys, o blog! A Terra gira novamente!
Sabe que na segunda-feira, na terapia, lembrei do primeiro dia que fui ao Cebrap, com Vossa Senhoria. Como a vida passa rápido, né?
E a melancolia em parte é circunstancial e em parte é da minha pessoa, começo a achar. Beijos!
Paulinha, se eu tivesse Orkut chamaria você para entrar em uma comunidade "O CEBRAP marcou minha vida muito mais do que seria proporcional para duas ou três reuniões semanais e uma bolsinha muito merreca". Eu gostei de tudo naquela porra: a entrevista foi divertidíssima, a defesa do paper foi uma das melhores discussões que eu já tive na vida, eu gostava de praticamente todo mundo, e tudo no meio foi maravilhoso. Inclusive por conseguir cooptar você e o Alex pro negócio, é raríssimo na minha vida que eu consiga convencer as pessoas que eu acho legais a fazerem o que me parece obviamente bacana (e é raríssimo que eu consiga convencer o Alex do que quer que seja). No momento em que eu estava deixando de ser marxista, passei seis meses discutindo Marx com o Giannotti, o que já foi espetacular. E a turma era realmente um negócio jamais visto. E o pastel de gorgonzola do gloriosamente nomeado Bar Charéu (ou Xaréu?) era o melhor de tudo.
Pensando nessas coisas, às vezes da uma melancolia (como dizia um personagem do Roth, "my life was huge"), mas achar que não dá pra ser "huge" de novo é miopia dos trinta anos (que eu também tive).
Qualquer dia desses estaremos todos de novo arrebentando as fuça dos manés.
Agora, eu não vou te enganar, não, melancolia tá beleza, mas tendinite é uma merda.
Filhote, é arte FLAMENGA, flamenca é outra coisa, hihihihi!
Sobre isso, da miopia dos trinta anos. Você pegou o ponto. Sinto que não vou mais fazer nada de legal, que acabou a fase da Paulinha descolada e convivia com gente interessante. Bobagem. Na época eu não aproveitava um monte de coisa por imaturidade, chatice, birra... sei lá.
Sobre convencer o Alex, isso é difícil pra qualquer um, o homi é parada dura. Eu que o diga, a gente quase se matava naquele Cebrap maledetto.
Vou postar algo sobre os Golden Boys.... rs, aguarde!
Não, olha, o tratamento de canal foi fichinha, mas a tendinite é algo de lascar. Beijos, querido!!!!!
É mesmo, falei flamenco, foi mal. Bom, flamengo, flamenco é tudo Mengão. É pelo mesmo motivo que não simpatizo pelo estilo Basco.
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