Sempre fui melancólica, sentimental eu sou. Difícil eu cortar a pessoa da minha vida, tem que acontecer um desastre completo pra isso acontecer. Mas devo reconhecer que tem gente que se esforça em te magoar, gente que faz muita besteira com o sentimento dos outros.
Eu estava muito incomodada com uma figura, porque tivemos uma conversa meio assim, digamos, chata, e eu mandei um email, aquele clássico, de oi, duas semanas depois. Nada. Continuei incomodada. Hoje resolvi acabar com essa chateação, e escrevi o também clássico "que que há", porque não vejo essa figura muito freqüentemente. Gostaria de saber se dei mancada, se posso pedir desculpas, se posso dizer que minha intenção foi a melhor possível ( não é justificativa, mas é o que posso fazer).
Nisso, vejo uma terrível troca de emails com aquela moça que tanto me fez sofrer no ano passado. Uma coisa tenebrosa. A cidadã cobra da outra coisas que ela própria não fez por ninguém, fala que não dá pra ter "amizade superficial"e que ela, muito nobre e fantástica, não é falsa. A mesma pessoa que dizia que eu era interesseira e depois sentava do meu lado, na minha casa, comendo a minha comida. A mãe de outra amiga, querídissima, (a que tá meio dodói mas que logo, logo, sara), observou que a pior coisa que se pode fazer no século XXI, em termos de convivência humana, é o julgamento sumário, sem recursos por parte do suposto réu; o fim do relacionamento por telefone, por email, por sinal de fumaça, ao invés dos olhos nos olhos. Ao invés do carinho, da coragem, o egoísmo, a grosseria, a falta de noção. O falar mal, o desprezar, o menosprezar. Eu vou começar uma campanha séria aqui no Meio: se você tem problema com alguém, converse. Saia pra tomar um chá. Olhe nos olhos do outro, não saia da vida de ninguém sem antes dizer o porquê, de forma sensata, pessoalmente. Seja elegante. Seja gente.
Se o seu coração está um pote até aqui de mágoa, escreva uma carta. Sim, pegue uma caneta e escreva, e guarde numa gaveta uns dois dias, enquanto isso dê uma volta num parque, faça feliz uma criança. Quando ler a carta de novo, vai achar meio ridículo a entonação da raiva, do desamor. E vai ser o início do teu esquecimento e do teu processo de perdão. Se continuar concordando com aquilo ( olha, pouquíssimas vezes na minha vida eu continuava concordando com a carta da gaveta), mande. Mas dispense o correio.
( créditos: Comunidade MPB MP3)




