
Ontem, onze da noite, tomando um belo banho quente, dei com o finalzinho da maledetta. Ei-lo:
"Saio desse texto, as minhas forças, que já não eram muitas, me faltam e o sofrimento me ensinou que, mais do que autora destas páginas, fui apenas a inventariante de tantos sonhos, de tantas camadas de sentimentos e idéias presentes nas linhas tênues da ponta de prata do antigo mestre, que as portas desse labirinto se abriram, e não posso calar. Devo prosseguir nas minhas tentativas, por mais que os entraves institucionais, nessa hora da defesa e do acolhimento dessa tese na estante da biblioteca do Instituto, no meio a tantas teses, façam que minha voz fique inaudível, até para mim mesma".
Acima: Canto X, Inferno ( Punição dos hereges- eternamente encerrados em túmulos de fogo, e diálogo com Farinata). Sandro Botticelli, 1480-90. Lápis, ponta de metal e têmpera sobre pergaminho. Roma: Biblioteca Apostólica Vaticana.

9 comments:
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!
acabou a maldetta???????´
Uau! parabéns!
Paula, sinceramente acho que esta meio depre. Nao precisa falar da falta de forcas, dos entraves institucionais. Pior ainda dizer que a sua tese vai ser so mais uma entre muitas na estante. Deixa as partes mais bonitas e da bola pra frente. Nada de dizer que esta cansada, que e' so mais uma tesezinha. Isso voce diz pros amigos e pra vc mesma. Pode ter um toque pessoal, mas nao tao rebaixante assim, vai.
Querido Anônimo,
Eu estava pensando nesse trecho e resolvi publicá-lo aqui, porque simbolicamente, e de fato, ele é o fim da tese.
Tava pensando em tirá-lo, mas diante da tua recepção, resolvi deixá-lo, e te explico o porquê:
1) não posso deixar de falar da minha tristeza, da minha depressão, porque essa tristeza, essa melancolia, fizeram a tese surgir. Vide Walter Benjamin e algumas considerações sobre a melancolia base do trabalho do historiador;
2)Estou exausta. Sim, e vou dizê-lo. Mas digo isso depois de 250 páginas lotadas de considerações do mais alto valor, e digo isso sem nenhum constrangimento, porque rodei bibliotecas daqui e do exterior e consultei tudo sobre o assunto. Ou seja, quem leu a tese inteira vai compreender perfeitamente o significado e a extensão do meu cansaço;
3) Eu escrevi isso ontem na plena certeza que ao mesmo tempo que minha tese é mais uma dentre tantas, e ainda bem que é assim, mas que é uma tese muito, muito, muito boa ( modéstia às favas, eu ralei e me destruí pra isso). Então, não estou me rebaixando, estou afirmando o que é de mais digno em mim nesse momento!
Agradeço tuas considerações, de coração, porque me fizeram reafirmar o que escrevi. E no momento, era disso mesmo que eu precisava!
Ah, e uma última coisa. Ontem eu também deparei com a solução do último problema da tese. Ou seja, Ariadne jogou o último fio. E o Minotauro ficou dormindo no meio do Labirinto!
Paulinha, ficou bonito, mas deprê demais. Eu se fosse você faria o seguinte:
"Aha, seus merdas, eu agora fiz doutorado sobre Boticelli e vocês são um bando de ignorantes sem-título! Eu sou fodona e vocês não são! La-la-ra-la-la-la, La-la-ra-la-la-la (dançando zombeteiramente)! Eu vou viajar pelo mundo que nem o Amiano Marcelino e vocês vão ficar aqui assistindo TV Gazeta! Quaquaraquaqua! Levanta a mão quem fez doutorado sobre Boticelli aqui! Ninguém? Eu fiz, seus vagabundos!!!! HAHAHAHAHAHAHAHA"
Uau, isso e' que e' fazer valer bem uma critica. Mas entendo perfeitamente que tenha de haver um lado pessoal nas conclusoes de teses de literatura/arte. Parece consumir mais que a do cientista. No fundo, acho que ha a mesma busca em tentar explicar a realidade, seja fisica ou artistica. Meus parabens. E voce sabe quem eu sou, ne?
Olha, o Celsinho inventou o Celso Traduzaitor Tabajara: você escreve uma frase e o homi traduz pra você.
E eu não sei quem você é, meu anjinho anônimo... pior que não sei mesmo...
Hihihi, descobri e não conto pra ninguém... beijos, anônimozinho...
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