Wednesday, August 15, 2007

A Cúpula de Brunelleschi e a memória


Tapando os buracos da maledetta, que continua uma rodovia Rio-Bahia, esburacada e desajeitada, mas no fim.


E um buraco: a menção, feita pelo poeta florentino Alessandro Parronchi, que os desenhos do tio-barrilzinho eram estudos para a decoração do colossal, espetacular e causador de ataques de asma em pandas Duomo de Florença. E eu por desencargo de consciência, aborrecimento misturado com dever profissional, pus no Google de forma desleixada o nome do homem que escreveu o tal documento, citado por Parronchi, atestando o desejo de Filippo Brunelleschi em adornar o interior da cúpula, obra-prima da arquitetura e malandragem renascentistas, com mosaicos.
Uma geração pra frente, Parronchi diz que o tio barrilzinho ia pintar afrescos com cenas da Comédia no Duomo. Enfim, a hipótese é assim, uma coisa de louco, e não é citada no catálogo italiano ruim dos desenhos. O fato é que achei, no site da Catedral ( que tem o lindo nome de Santa Maria del Fiore, Santa Maria da Flor é demais) todos os documentos da construção da cúpula, e todos os documentos da construção do prédio. Fiquei felicíssima, e me lembrei que quando comecei o doutorado, as fontes na Internet eram pouquíssimas. Hoje, você pode consultar com todo conforto e segurança todos os vinte e poucos comentadores renascentistas da Comédia, quatro, cinco tomos cada às vezes, pelo portal que meu ídolo, o prof. Robert Hollander, de Princeton, preparou nesses anos. Tanta coisa se pode acessar hoje.
E me lembrei do que senti quando vi o Duomo: ataque de asma. E dos dias em Florença, tanto frio, e os dias em Chicago, e os dias aqui, o cheiro nos finais da tarde de Campinas, em 2007, na minha cozinha na hora do chá. E lembrei da dor extrema que senti, assistindo uma aula do André sobre o Duomo, e pressentindo a doença do Celo.

2 comments:

Anonymous said...

Eu vi um programa sobre esse domo no history channel, recentemente. Parece que a torre ficou uns 200 anos sem telhado porque ninguém sabia fazer um domo (bárbaro é foda!), até que o Brunelleschi, meio amargurado com uma licitação perdida, resolveu passar uns tempos em Roma investigando a técnica dos antigos. Voltou e fez o Domo! Way to go, Brunelleschi-sama!

Maria said...

Isso aê. Brunelleschi rules!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


E vc tava sumido. Longas temporadas na Anatólia, né? Beijo pro meu senador favorito, rsrs!