Friday, August 10, 2007

O fenômeno

Assim como Ronaldinho, o Meio do Caminho virou fenômeno.


Vou explicar. Faz tempo que tô pra postar aqui, pra vocês, a respeito do sucesso que, pro meu espanto, o Meio do Caminho faz por aí. Quando comecei a postar, há um pouquinho mais de dois anos, nem saber mexer no troço sabia. Por isso que ficou preto, e sem acessório nenhum, o Meio do Caminho. Meus leitores, três. E eu era feliz assim.
Nunca pensei que, ao pôr o link do blog no meu perfil do Orkut, receberia cada vez mais visitas. E visitas trazem visitas. E inesperadamente, cada vez mais visitas. E Chicago, e Pisa, e problemas, e a autora que vira panda, e figurinhas, musiquinhas e essa transa toda.
Ao contrário de muita gente na blogosfera, eu nunca tive grandes problemas, quiproquós pessoais, devido ao Mezzo, tirando um ou dois mal entendidos de leitores afoitos em saber a verdade por trás do pretume virtual. E hoje eu tenho plena consciência que muita, muita, muita gente me lê.
Fui descobrindo isso aos poucos; ia contar ou comentar alguma coisa com conhecidos, e a pessoa dizia, puxa, isso eu já sei, li no seu blog; ou quantas vezes a pessoa não fala nada e te olha com a cara eu-leio-seu-blog-mas-não-vou-te-falar; e tem gente que não fala comigo pessoalmente, até não vai nem um pouco com a minha cara, ou não gosta de mim mesmo, mas virtualmente me lê, analisa e acha isso tudo uma babaquice, mas acabei sabendo na fofoca ou no acaso. E gente que eu não conheço/conhecia pessoalmente, e que apareceu na minha vida graças ao blog dantesco. Engraçadíssimo.
Daí, esse ano, em que o blog teve seu boom mais prolongado, eu tomei decisões que as pessoas nem perceberam, mas hoje queria falar sobre elas.
É uma opção minha hoje, consciente, deliberada, em não utilizar nenhum tipo de controle sobre a visitação do blog. Não, eu não vou fechar o blog, porque simplesmente eu posso compartilhar muito da minha vida aqui, mas não sou exibicionista a ponto de postar algo muito íntimo. Tudo que eu ponho aqui todo mundo pode saber. E é por isso que me divirto a valer, nas muitas vezes que percebo que tem gente que acha o máximo poder me ler escondido. Dou esse gostinho ao meu leitor, porque sei que é gostoso espiar a vida do alheio.
Também não vou quantificar quanta gente me visita, até pra não ficar na paranóia e perder a naturalidade de um cantinho infernal, escondido, pretinho básico, sem nada, que dá pra mexer, ler, detestar ou curtir, sem o cara virar um número ou cair num mecanismo de identificação de visita. Sim, pessoinhas, podem me visitar à vontade, não sei mesmo quem me visita nem quero saber. Isso não me incomoda, eu escrevo porque não sei viver sem escrever.
E outra coisa. Cada post é fruto de uma deliberação. Sim, é crônica, um gênero literário, exercido de forma canhestra e modesta, mas é crônica, não é reality-show. A panda comentadora de Dante, a Maria, são eus líricos. Sim, o Meio é literatura. De má qualidade. Mas literatura. E a gente vive nessa cultura da literalidade, daí a pessoa lê no teu blog e acha que aquilo é Big Brother. Claro que eu dou tratamento literário, e que escondo 99,9% das coisas. E que finjo que ninguém me lê pra todo mundo ficar tranqüilo e me ler à vontade. Me sinto feliz, muito feliz com o Meio: ele é o melhor meio do caminho que eu poderia querer. Eu escrevo pro blog: ele virou uma coisa querida pra mim, um amigo lindo e discreto, gentil e generoso. E, no frigir dos ovos, a alegria é sempre a prova dos nove, ao contrário de tanta paranóia, neurose e chatice no mundo virtual.

3 comments:

Giàcomo said...

Gostei muito do seu blog, "Maria, uma pessoa". Vou adicionar à lista de poucos blogs do meu porque vale a pena conferir.
Abraço

Skywalker said...

Como sempre, um prazer em te ler Budu... Continue firme e forte.

Te amo,

Budu

Maria said...

Brigada, Bernardo, uma honra ser "linkada". Não linko ninguém porque não sei mexer nessa coisa, mas sei que muitas pessoinhas me "linkaram", e isso é uma honra pra mim.

E vc, ursinho, não falo mais nada.... hihihhihii! Falo pessoalmente!