Nem parece. Mas os cabelos brancos, a falta de assunto e um jeito meio triste de ver as coisas, já apareceram faz tempo.
A crise veio, o returno de Saturno existe e é bravo, aviso aos navegantes. E ainda mais essa, um mês de inferno astral, ninguém merece, depois de uns dois anos de crise absoluta, total e irrestrita.
De repente, 30. Teve épocas que eu pensava, gente de 30 já tem que ser respeitável. Gente mais velha é madura, decidida, equilibrada. E eu, no meio do turbilhão dos 20, pensava, aos 30 terei meus filhos. Aos 30 serei um mulherão. Aos 30, o emprego, a estabilidade. O barco vai atracar no cais, mas que nada. Aos 30, uma certeza, enquanto temo, no espelho, pela primeira ruga: sou a mesma garota looser de sempre. Só que agora, com fartos cabelos brancos, muito drama, pé na estrada e coração um tanto quanto empoeirado. As músicas de sempre. Os amigos de sempre. Play it again, Sam.

4 comments:
uh, mas na parte de ser um mulherão vc acertou! :)
Uma vez eu tava no ônibus. E tinha um casal de velhinhos na minha frente.
Ela era a típica velhinha fofa: cabelo fofo, bochecha vermelha fofa, vestidinho de florzinha e sacola de feira.
E ele era o típico senador romano: o nariz enorme, o queixo quadrado e calvo. Um retrato do Museu do Capitólio.
Eu fiquei olhando pro velhinho e fiquei imaginando milhÕes de coisas; todas impublicáveis.
Mas uma coisa é certa, está comprovado que senador romano é galanteador! Brigada, Pictor!!!!!!!
Maria, você ainda não viu nada. Senadores são homens de posses e refinamentos. Ainda te levo pra itália para passearmos "trans Tiberium in hortis"...
Não seria má idéia cruzar o Tibre não. Não seria não, meu bravo Pictor! Beijos!
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