Friday, July 20, 2007

Sândalo de Dândi

E o ACM morreu. Mas não quero falar sobre isso. Inimigo político desse calibre, quando morre, o mais elegante a se fazer é manter silêncio.

Também não quero falar sobre o videozinho do Marco Aurélio Garcia e do Bruno ( ver no http://napraticaateoriaeoutra.blogspot.com/ ) . Como bem disse o Celso, evidente que os caras não tão comemorando o acidente. Mas essa coisa truculenta é bem da esquerda. Hoje discuti no msn e um amigo me bateu a janelinha na cara, porque eu disse que o governo precisa fazer alguma coisa, qualquer coisa. Meu amigo me disse que "morre um monte de moto boy em SP e ninguém faz nada". E que eu era "burguesa"por pensar em acidente de avião. Como diria um cara da Arena, a esquerda tem razão mas é tão chata. E eu sou de esquerda, no sentido Norberto Bobbio.
Tristeza, frio. E eu fiquei pensando numa dessas madrugadas, ouvindo Sândalo de Dândi, do Metrô. A gente vive uma situação inédita. Durante séculos e séculos, os músicos viveram, compuseram, fizeram sucesso entre as garotas. E a gente só tem partituras, e em cada concerto eles revivem. Mas no século XX, tudo ficou registrado. Além dos músicos viverem, comporem e fazerem sucesso entre as garotas, a gente conhece tudo tim tim por tim tim. A primeira gravação de samba, 1917, Pelo Telefone, tá lá, a evolução inteira de um gênero. E gêneros que surgiram depois da vitrolinha e do i-pod: por isso que historiador atual gosta tanto de rock. Tem um professor amigo meu, que sonha em oferecer uma disciplina de História do Rock.
E todos esses registros, essa super abundância de informações, dá a impressão de saturação no ouvinte, no crítico. Que tudo já foi feito, inventado, que tudo passou, e que é coisa de gente nostálgica. Dá essa impressão. Mas não; tudo começa. Tem tanta coisa nova pra acontecer. E mesmo com tanta informação, tanta coisa do passado permanece embaixo da poeira. Tem historiador que se irrita um pouco com o fato de que 90% das coisas escapam ao seu olhar de antiquarista. Eu, ontem, depois de umas doses a mais de conhaque, fiquei tão feliz por as coisas serem assim, infinitas, infinitas.

4 comments:

Na Prática said...

Desculpe a ignorância, mas o que é Sândalo de Dandi?

Anonymous said...

Seu amigo deveria era ficar feliz. Assim como ninguém faz nada pelos motoboys ninguém fez nada pelos "burgueses" do avião, o governo absolutista ignora a todos, sejam motoboys ou "burgueses".

Aliás, ele devia se filiar ao PT, o hábito de "não fazer nada" ele já tem, assim como a cara de pau de dizer que os tripulantes da TAM são burgueses.

Provavelmente ele dirá que as minhas vaias pra ele são "coisa orquestrada".

Maria said...

Ô tio, Sândalo de Dândi é uma musiquinha dum grupo que só gravou um LP, 1984, chamado Metrô. Tinha outros hits: "Johnny Love" ( "grito seu nomeeeeeeee.. Johnny Loveeeeeee, chamo seu nome... Johnny Loveeeeeee" ) e a "Beat Acelerado" ( "minha mãe me mandou casar/ pois eu já fiquei mocinha"). Tem na pastinha das músicas 80 que eu postei abaixo.

Maria said...

Pictor, os que vão escrever ( mal) sobre Virgílio te saúdam.

Sim, vossa reverência tirou as palavras da minha boca.



Beijos pros dois!