Wednesday, July 04, 2007

Dante e seus comentadores

Hoje vim para a biblioteca do IEL, atrás do Comentário a Comédia, do Bocaccio, da tese do meu amigo e mestre dantista ( além de mestre-cuca, sua principal especialidade) Eduardo Sterzi. Parei na duas pequenas prateleiras consagradas ao tiozão narigudo, com os volumes essenciais ao estudo da vida e obra do supracitado narigudo cidadão, e consultei o The Cambridge Companion to Dante.

Lá dentro, um textinho de um de meus autores favoritos na selva oscura que são os Dante Studies, Robert Hollander, professor em Princeton e autor, dentre outros, de um lindo livro sobre o personagem Virgílio na Comédia ( que Hollander informa ser a figura da tragédia, em Dante): "Dante and his commentators". Por ser curtinho, mais informativo que analítico, li rapidinho e corri ao terceiro andar da biblioteca, anotar algumas coisitchas.
Hoje, depois de enfrentar o tratamento de periodontia no CECOM, às sete da matina, permaneci um pouco na cantina do IFCH, pra me recuperar de tão traumático evento ( inventaram uma maquininha infernal de limpar gengivas. Terrível!) e comentei sobre alguns acontecimentos recentes com Marcão, Maria e Luís Fernando. E pensei em meu amigo Sterzi, no início do meu doutorado e de como Eduardo foi 200% comigo, me emprestando textos, indicando bibliografia, dando força moral junto com Verônica, e principalmente fazendo uma lasanha espetacular. Peguei a tese do Eduardo e na lista de agradecimentos consta meu nome, como pequena seguidora-mirim dos estudiosos de Dante, os dantistas ( dantesco é um adjetivo utilizado para personagens e situações à la Dante, o que eu já vivi/ vi de monte, assim como messer Sterzi). A amizade e o amor por Dante.
Nas considerações sobre os atuais comentadores do tiozão, Hollander afirma que escolhe, como melhor, o também meu favorito Francesco Mazzoni, professor da Universidade de Florença, falecido no início desse ano, e autor do texto sobre Guido da Pisa que anda me encantando e tirando o chão. E o no final: " And last of all, I would hope that, in the next century, students of Dante will give up the intelectual arrogance and simple egotism that, I am afraid, mark so much humanistic scholarship. Scientists have long ago learned to work together, not because they are particularly nice people, but per necessitatem. They understand that complex and difficult problems require collaboration. Collaboration is not a word that may be used to describe the first six hundred years of Dante scholarship". E termina citando mais uma vez Mazzoni e sua colaboração na Enciclopedia Dantesca ( dada de presente pelo governo da Itália a Lula, e depositada na Biblioteca Nacional). E pensei, que sorte tenho eu, pequena panda-comentadora mirim e fã do tiozão!

2 comments:

QVINTVS FABIVS PICTOR said...

É Paulinha, eu também tive e tenho a felicidade de conviver com pessoas muito bacanas e abertas, mas não desconheço que pululam aberrações de caráter no nosso mundinho de humanas. Talvez seja porque como diz Edward Carr, no meu ramo (história) abundam picaretas para quem as letras clássicas são difíceis demais e a matemática é séria demais, então tudo que eles têm é a vaidade. Produção científica, nem tanto.

Maria said...

Olha, essa definição do Carr é perfeita. No meu caso ( Teoria Literária/ História da Arte) às vezes parece que abundam picaretas que gostariam de ter talento pra serem escritores e artistas, e para quem Sociologia e outros ramos das Humanas seriam sérios demais. Dureza. Por isso fiquei tão feliz com a citação do Hollander, e do cara falar tão bem do Mazzoni, e de eu ser amiga do cara que mais entende de Dante no Brasil, amiga do peito irmã camarada. Isso me deixa muito feliz mesmo, Pictor.