Tuesday, July 10, 2007

O Continente, Carlos Gardel, Dizionario Portoghese-Italiano e memórias

Esses dias li de uma sentada O Continente I, o primeiro tomo da série do Tempo e o Vento, do Veríssimo.

Tão bonitas as sagas de Ana Terra e do capitão Rodrigo... eu li Incidente em Antares há muitos anos, adorei, e lá está Martim Terra, o sociológo que abala as mentes de Antares, da família dos Terra Cambará de Santa Fé, e seu sobrado antigo, com um recém-nascido enterrado no porão, e a magra e de olhos azeviche Maria Valéria, com seus bolinhos de coalhada. Tanto em Antares quanto em Santa Fé, Proust aparece o tempo inteiro, nos cheiros, sabores e no vento que acaricia os pampas. Bonito à beça. Não vi a minissérie da Globo, mas colocar o Tarcísio Meira de capitão Rodrigo é covardia, apesar da música da abertura ser a linda Passarim. Enfim, não pude parar de ler. Foi engraçado, eu tive vontade de ler O Tempo e o Vento, cheguei na casa do Celo, dona Ana ia levar pra um sebo a coleção inteira, meio sujinha por ter ficado esquecida na estante. Quem sabe depois do Veríssimo me animo a ler Proust, outro projeto antigo, ou termino de ler Os Sertões, há tantos anos esperando o fim.
Estou em outra tradução italiano-portoghese, daí só dá eu com il vecchio Carlo Parlagreco pra cima e pra baixo. Fico tão envergonhada, porque meu italiano é de miséria, mas no final sou tradutora sempre com trabalho à vista, e publicada. Vai entender, a pequena neta de holandeses no final fala e entende a língua da nonna emprestada, da querida dona Ofélia, lá do Cambuci.
Alguém na comunidade da Antena Um, do Rio, lembra de Por Una Cabeza, do Gardel. Tão lindo Perfume de Mulher, assisti os dois. Gostei mais do original com o Gassman, claro, mas o Al Pacino não faz feio. Lembrei de um amigo querido, gaúcho ( esse de Vacaria), que não vejo há muitos anos, ele próprio personagem da saga do Tempo e o Vento. Esse meu amigo, ex-seminarista, estava na Argentina, trabalhando como vigia num hospital psiquiátrico e estudando Sociologia. E na madrugada do dia 24 de abril de 1976, ouviu no rádio a notícia do golpe militar, na guarida do hospital, sentindo frio. Eu tenho em mim tanta memória, e não só minhas.

2 comments:

Thaíse said...

Propagandaaaaaa!!!

Maria said...

Bonitinha duma figa, vou fazer o post-propaganda, hihihihihi!!! Beijos!!!!!!!