Segundo Michel Foucault, falar sobre sexo é uma maneira de evitar fazer sexo. Se for verdadeira essa máxima, nunca se fez tão pouco sexo, na história da humanidade, quanto nessa pós-revolução sexual.Você tá na fila do supermercado, e na gôndola de coisas inúteis mas que todo mundo acaba comprando, lá está uma moça lindíssima de vestido transparente, pose provocante, na capa da revista Nova. As chamadas são explícitas: "240 novas posições", "Lamba seu gato com técnicas surpreendentes", "Vá às alturas com cubos de gelo e algemas de pelúcia"...Em outra revista, a Vip, outra moça lindíssima, em pose provocante, mas mais vestida do que na capa da Nova ( o que é engraçadíssimo, vocês hão de convir), e outras chamadas: "Enlouqueça as mulheres com a técnica do canguru perneta invertido", e la nave va.
Na internet, sites e sites pornôs funcionam e trazem, 24 horas por dia, as imagens de uma grande orgia, inesgotável, uma transa que nunca acaba,mas que sempre é a mesma, se renovando ad infinitum.
E eu, do fundo da minha pandice e catolicismo mal digerido, me pergunto: seremos mais felizes, na cama, do que nossos avós? Tudo leva a crer que sim.As mulheres podem tomar a iniciativa, podem morar sozinhas. Apesar do meu cristianismo, eu não me escandalizo com nada.Estranhamente, eu, vinda de uma família bem conservadora, machista e católica, herdei do meu avô holandês e das minhas tias birutinhas uma atitude muito liberal nesses quesitos.Não concordo com o discursinho "O sexo está banalizado, voltemos às origens, ao romantismo, ao significado profundo da subjetividade do eu expresso na emotividade do ser". Mas que nada.
Como dizia o guru máximo Serge Gainsbourg, tem hora que todo mundo, todos os seres humanos depois de uma certa idade e da chuva de hormônios da puberdade, enfrentam o transversal dos anos eróticos.Tem hora que o tempo ruge, e o bicho pega mesmo. Daí meu ceticismo diante de todas as tentativas de repressão sexual, menos as que vão direto à práticas criminosas, obviamente ( pedofilia e violência, abaixo da linha da miséria).O tio Freud tava certo, a pulsão e é isso. Repressão dá neurose, histeria, sensação de morte iminente, inveja, ressentimento, vida cinza, mania de perseguição e chatice generalizada. Certo que todo mundo também passa por períodos de baixa, entressafra, mas não tem nada mais chato que gente que fica controlando a vida do alheio, nesse aspecto.Não concordo com o machismo da "mal comida", tem homem que também é histérico e pé no saco. Gente não nasceu pra passar fome, e sim pra brilhar. E como diria Gainsbourg de novo, e como brilham a ilha nua, e as vagas do mar, no amor físico.

3 comments:
I couldn't agree more.
By the way, eu preciso pôr as musiquinhas do Gainsbourg aqui.
E vamos soltar as frangas que o diabo gosta!! eheheh
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