E essa semana deu zica no Ira. Mari, esposa do Mário que toca com os caras, falou que o Nasi se arrombou com o irmão, mas que ninguém da banda tá ligando muito pra isso. It's rock and roll, all this... bullshit. Whatever. Mas desde a minha remota juventude não entendia Envelheço na Cidade. Agora entendo.
Corta pro Minhocão. No Fusca volto pra casa, no Cambuci. Corta por pátio do Divino, em Jundiaí, venta muito em Jundiaí e as vidraças de casa não tem vidros, meu tio roubou dinheiro do meu pai. Corta pra eu olhando a serra. E corta pra eu olhando o Lago Michigan. Nunca pensei que iria geograficamente tão longe, sendo exatamente eu mesma. Nunca pensei que aos nove anos começaria a roer as unhas e a ter sinusite, e eu com 30 e as unhas roídas e a cabeça atravessada pelo mesmo peso. Mas o lado bom é que não me dou tanta importância assim, de modo que sei que os cabelos brancos vão aumentar, e me sinto livre, leve, como há muito tempo não me sentia. Quando a gente é muito jovem, a gente acha que sabe quem é. Mas não sabe. Depois percebe que você é um monte de coisas das quais fugiu durante muito tempo. E pára de fugir. Corta pra mim em Madri, me olhando no espelho. Ou corta pro dia em que perdi um filho, sem o saber. Que perdi meu pai. Que conheci meu grande amor. Que enfrentei meu medo, e que deixei minha angústia me dominar. Que ganhei minha geladeira e meu fogão de brinquedo, de lata. E um Ursinho Carinhoso, o rosa com um arco-íris na barriga. Corta pro momento em que falei demais. E pros que falei de menos. Que escolhi o tema da minha tese andando no estacionamento da pós do IFCH com o Luiz, indo e vindo. Corta pros amigos, zoom no meu coração.

2 comments:
Lindo o filme.
Feliz aniversário, flor.
Nesses dias de inferno astral, eu é que ganhei o presente da sua companhia.
Seja feliz! Tudo de muito, muito bom pra você.
Beijo grande!
Danis, eu sem você sou só desamor, estrela sem céu e jardim sem flor. E tenho dito!
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