Tuesday, September 18, 2007

Morgana, a Fada


Eu tenho um problema antigo, que nesses últimos dias se intensificou. Os leitores do Meio que me desculpem, mas é um desabafo, um descarrego mesmo. Tenho uma coisa que se dizia antigamente, crise de angústia. Algo detona, uma ligação não atendida, um encontro frustrado, e logo me falta o ar, vem uma ânsia, uma falta de sentido no mundo. Um absurdo, um vazio. Um escuro. The dark side of the moon, onde habitam selenitas-demônios, vampiros de energia que me acorrentam e me dizem que não valho nada, que não sou ninguém, que tudo que eu sinto é errado, horrível, que tudo que eu penso é idiotice e que tudo tem que ser destruído, devastado.



Nesses últimos dias, sofridos, encalorados, atarefados e loucos dias que antecedem meu aniversário, eu nunca enfrentei meu lado negro tantas vezes, nunca fui parar no meio de tanta neura. Um amigo sinceramente preocupado comigo me sugeriu remédios, um médico. Tá certo ele. Não tenho nada contra o substrato biológico que nos forma. Devo estar com o cérebro pifado de tanto Dante.


Mas eu tive um sonho, um dos sonhos mais pirados da minha vida. Eu sonhei que um oceano saía de mim. Foi uma verdadeira epifania. Não vou narrar detalhes do sonho, muitos íntimos e óbvios, mas eu no final flutuava sobre um mar tempestuoso, belo, completo em seu terror e energia. O oceano saíra de mim, destruíra muitas coisas, mas era justo que assim o fosse. Era necessário. Todas as coisas estavam no seu lugar,ou melhor, o lugar original havia retornado pleno. Eu flutuava sobre as águas, serena, em paz, em profunda paz comigo mesma, com o passado e o futuro, vestida de negro, com estrelas nos cabelos, e uma espada na cintura do vestido longo, negro como a noite e o oceano. E a lua brilhava naquela atmosfera úmida, sombria, fascinante.


Acordei com muita energia, no meio da noite, com assuntos pendentes na cabeça. Escrevi pra um amigo querido que tá longe, e tentei me acalmar. Bom, acordei muito cedo e atarantada vim dar à praia do msn, onde Dani Mônica me atende de Maceió. Eu contei do sonho pra ela, do dia terrível que tive ontem, e tal. E falei, mas quem é essa figura de preto, no mar? Iemanjá não é. Nem Afrodite. Que estranho, uma Iemanjá de negro, falei, e Dani, mas claro que não é Iemanjá, é Morgana, a Fada.


Morgana, a Fada meio-irmã de Arthur, o Rei. Em algumas fontes, Morrigan, a deusa da morte dos celtas; em outras fontes, a Dama de Avalon, a ilha, ou o reino sub-aquático da Boa Morte, o portal dos elementais, dos seres banidos pelo cristianismo. Eu era Morgana no sonho, com Excalibur e tudo, o mar do Norte e a Irlanda perto de mim, os mortos e os vivos, os Cavaleiros da Távola Redonda, o Merlin.
Acima, a Fada Morgana, num baralho de deusas, por Susan Eleanor Boulet, a mais bonita, na minha opinião, no Google Images.

3 comments:

Skywalker said...

Também queria um sonho desses... É legal quando a gente sonha com coisas desse tipo, como se fossemos parte da natureza, tudo no seu lugar, como não poderia deixar de ser, sempre natureza. E por sermos natureza vem uma serenidade e uma paz, uma sensação de ordem, mesmo no meio da tempestade, que é natureza também. Belo sonho... E obrigado por ser essa deusa tão bela, amore... A Morgana, na minha opiniào, sempre foi uma incompreendida. Quem me dera poder ser um Merlin para você...

Beijos linda,

Celo

Anonymous said...

Que sonho ótimo... só faltou o Lancelot né rss

Maria said...

Beijo Celo.... ebeijo pra quem lembrou do Lancelote.