Sunday, September 09, 2007

Algo de bom

Esses dias, baixei a trilha sonora de The Sound of Music, no Brasil A Noviça Rebelde ( tradução boa taí). Já disse, em algum lugar do Meio, o sucesso que esse musical, gravado de uma sessão da Globo pelo meu pai, aficcionado, fazia lá em casa. Lembro de sessões e sessões que a Fraulein Maria entoava The Sound of Music, ou a minha parte favorita, o The Lonely Goatherd ( oreleiiiii, cantavam os fantoches de sonho).
Eu só não entendia uma parte. Quando a Fraulein Maria e o Capitão Von Trapp ficavam juntos, cantavam uma canção intitulada Somethig Good.Não entendia porque a freirinha tinha que lembrar da infância pobre, da juventude desolada, e de algo bom que ficou no passado e que havia causado a felicidade daquele momento.
Evidente que se trata de licença poética, das mais baratas. Se houvesse um pouco de justiça, de equivalência no mundo, ninguém estava na situação que está. Isso eu penso hoje, mas nos últimos dias eu tive a impressão que algo de bom eu fiz, pra merecer a felicidade que tive.
Fui pro velho Piratininga a convite de Flávio, agora exilado nas terras uspianas. Uma caminha preparada para essa que vos fala num quarto de um franciscano, no CRUSP, amigos de verdade, felicidade de verdade. Revi o Fauno do Trianon, e conheci a nova Livraria Cultura, no Conjunto Nacional ( estranhíssima, na minha opinião). Só em São Paulo uma ladeira vira livraria, com pufes coloridos e um dragão imenso, gigante, de madeira, pendurado no meio. Mas tudo bem. Revi a USP. A Consolação, a Paulista. Eduardo e Verônica. Conheci gente nova, legal, que me tratou muito bem, que se interessou de verdade por mim, pelo tiozão narigudo e pelo tiozinho barrilzinho.
A maior emoção foi ver, pela primeira vez, uma ópera. Fomos, eu e o anjo Flávio, nos postar na entrada da Sala São Paulo, na Estação Júlio Prestes, e conseguimos um ingresso grátis para a Elektra, de Richard Strauss. Há uns anos, eu assisti na casa do Flávio um DVD com uma encenação alemã dessa louquíssima ópera da Viena fin-de-siècle. Como na tragédia, tudo é alto, paradoxal e extremamente belo. Entrei encantada naquele mundo de sonho, naquela sala que tudo brilha, pensando: pra neta de zelador holandês do Cambuci, me dei bem.
Apesar de triste, cansada, com todos os meus defeitos e problemas, vou completar 30 anos refletindo se fiz algo de bom. Assistindo à ópera, almoçando com os meus amigos, sendo tão querida, amada e cuidada, acho que sim.

2 comments:

Thaíse said...

Eu também achei a livraria do conjunto muito estranha! Mas aos poucos fui me acostumando e, de repente, estava me sentindo em casa. Talvez seja uma livraria para um outro tipo de consumidor mesmo, que pode dar-se esse tempo.
Chuchu, você é um bom coração!
Ah, e tem posts novos no meu blog, finalmente!
Beijo, linda.

Maria said...

Segundo um amigo meu, livraria pra intelectual de verdade é moquifo. Nao tem pufe colorido nem dragão de madeira nem ladeira, e sim uma mesinha e um cantinho meio escuro, pra se ler à vontade. E um cafezinho com uma velhinha chata num canto.

Chuchuzetes, finally! Beijooooo!