Gostaria de me fazer entender, melhor, pela notável platéia. Seguinte: eu escrevi uma monografia, duas dissertações de mestrado, alguns artigos, trabalhos de final de curso, e agora, segundo palavras do prof. José Arthur Gianotti, ex-chefe meu e do Celso, escrevo o último trabalho escolar da minha vida, uma tese de doutorado. Em todos esses momentos, sempre me senti privilegiada por poder estudar e escrever, em meio à aulas, serviços gerais ( livraria, faxinas), e à vida, enfim. Aliás, sei que os meus temas são duzentas milhões de vezes mais fascinantes do que eu e do que eu possa vir a escrever. Me sinto feliz de poder ficar em casa e escrever, porque na maior parte dos dias preciso sair e ganhar meu pão, meu leite e meu arroz com feijão.
Agora, tem momentos que a gente se sente meio Atlas, com o peso de um mundo nas costas. Eu me olho no espelho e vejo a cara de maluca... eu deixo de tomar água, crise renal. Deixo de me agasalhar, bronquite e sinusite na Toscana; escovo os dentes pensando no Gerião e nos monstros na Antigüidade, perco metade de um dente de cárie fulminante, e la nave va. Ferrei algumas relações amorosas e de amizade por conta de textos pra escrever, sério mesmo. Eu tava escrevendo, ficava maluca, e saía correndo atrás do cara que estava a fim, até o cara cansar da minha fuça e me mandar pro quinto círculo do reino de Lúcifer. Eu amo o que faço, amo muito tudo isso, demais, e por isso mesmo fico possuída por um daimon. Mas não quero ferrar nada dessa vez, porque a tese já me rendeu um acidente de carro, um câncer no estágio inicial, uns dois ou três amores postos pra escanteio, a paciência da minha santa mãe e a de vocês. Fecha parênteses.

4 comments:
Paulinha,
Eu sei que você adora esse negócio, tava brincando. Eu faço, bem ou mal, exatamente a tese que eu sempre quis fazer, sem sacanagem, exatamente ela. E não aguento mais essa porra.
A propósito, dependendo de como for o seu brigadeiro, a gente começa a escrever falando mal da sua tese que é pra ver se você vira doceira.
Pra terminar, de outro sujeito que viu a vida dar várias voltas só pra fazer barulho e me encher o saco enquanto eu estava fazendo a tese: o grande Yoda absoluto fodão da balaxita (o Josué) me disse antes do doutorado que seria uma vida em quatro anos. É mesmo.
PS: o que estará fazendo o Giannotti?
Não, flor, eu não me senti nem um pouco incomodada com seu comentário, eu fiquei incomodada comigo mesmo, depois que escrevi o negócio "cara de maluca", porque eu vi que ficou tosco mesmo. Eu tô muito tosca, não repare.
Sobre o Josué. Eu preciso escrever um post sobre a vez que fui pra ANPOCS com o mestre. Foi engraçadíssimo, ele contou na viagem a vida dele, e a vida dele dava livro, né? E eu também tô de saco cheio.
O Gigio me aprontou uma, no início do ano. Fui sondar a possibilidade de fazer o pós-doc lá, e ele me mandou catar coquinho, literalmente. Falou que se eu me apresentasse ele me vetava, porque eu era muito da interesseira e só aparecia pra pedir dinheiro (????) e que trabalhar de graça eu não queria, e isso era um absurdo (???). Mais uma da coleção do tio. Vai fazer o quê? Outro post, o calabrês.
O Giannotti é muito doido! O cara é brilhante, e gente boa, mas é panqueca, mesmo, hehe. Agora, alguém precisava escrever um livro sobre ele (eu, não, alguém). Aliás, alguém deveria escrever um livro sobre o Josué, também.
Olha, e eu vou mandar outro post por conta daquele grupo de Teoria Social que a gente tinha. Primeiro foi Elias, depois Giddens, depois Habermas, e aí o Celso da Antropologia queria que fosse ele, e o grupo tomou Doril. Ótemo!!!!!
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