Tuesday, May 15, 2007

Balada do Louco

E hoje, tese o dia inteiro. Sozinha em casa, acordo tarde, 11 hs. Resolvo tomar banho e por uma roupa ( pulôver furado e calça rasgada). Começo na tese. A minha bibliografia, sério gente, tem 30 páginas e estava toda revirada. Tô quase no final do trabalho hercúleo de separar temas, autores, citações. Eu não consigo escrever sem antes terminar a bibliografia, sei que é uma coisa esquisita, mas é como se eu tivesse com a casa desarrumada.

Vou almoçar. Como dois pasteizinhos de queijo, cenoura e brócolis. Volto pra casa, sem antes deixar um recado non sense na secretária de um amigo. A sorte é que o Eduardo se doutorou em Dante, 600 páginas. Ontem eu vi um colega parado no carro, com cara de psicopata, na ladeira do IFCH. Adivinhem que fase do doutorado o cidadão se encontra.
Continuo empacada. Vou deitar um pouco, a dor no ciático tá foda. E me olhei no espelho várias vezes no dia, e sim, eu estou com cara de psicopata, maluca, doida, lelé da cuca, zarolha, só falta a luva cirúrgica na cabeça e ficar em cima de um muro ( lembrem desse doidinho que o Renato Aragão às vezes encarnava?). Reviro textos e livros. Um tijolão trazido de Pisa não havia sido incluído. Cadê a data da edição dos textos de Americo Vespuccio? Mas onde enfiei o CD com o Comentário ao Dante do Cristoforo Landino? E a frase do Leonardo, cadê?
Converso com as pessoas e me sinto inadequada, feia, burra, chata, ninguém me ama, ninguém me quer. E ainda preciso escrever 150 páginas, começar um tratamento de canal, consertar outro dente quebrado, e fazer traduções do nobre idioma de Dante pra sobreviver. Dizem que sou louco, por eu ser assim. Mais louco é quem me diz?

5 comments:

Leo said...
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Anonymous said...

Believe it or not, desejei ficar em casa. Foi um dia daqueles que nao queria sair, mas tive de. Tarde, atrasado, mas sai. A sorte e' que encontrei uma pessoa especial que redimiu o dia. Nao tenho tese, so projeto de tese, mas que me ocupa as horas que sobram do trabalho. E cara de psicopata nao e' o fim. Nofuckingbody looks good all the time.

Maria said...

É isso aí. É que a cara de louca tava de lascar, mesmo!

Na Prática said...

Paulinha, tese de doutorado só se faz quando não se tem noção do que vai ser.

Agora, seu post me lembrou um diálogo que testemunhei entre dois colegas doutorandos, um de História Antiga (o Amiano Marcelino) e outro de zoologia (o Wladimir). O Historiador reclamou, "Porra, to exausto, passei a manhã inteira fazendo anotações sobre as estátuas de Roma". E o outro respondeu: "Ah, vasefoder. Eu fiquei a manhã inteira observando mosquito pra ver se o bicho morria!"

É só pra dizer que poder estudar Leonardo (que eu considero o mestre supremo de tudo), Boticelli, etc. é um privilégio, mesmo que escrever a tese no final seja chato (e deve ser, mesmo).

Maria said...

Vc nao acredita. Eu pensei em vc com intensidade, hoje de manhã! E pensei, aquele viado enrustido, onde anda?

Hahahaha, essa sua história me lembrou outro ditado: a grama do vizinho sempre é mais verde! Hahahahah!

Não, eu só tô aguentando o tranco porque é Leonardo e Botticelli, porque se não fosse eu já tinha desistido e virado doceira! Juropordeus!