Monday, May 21, 2007

Prioridades

Hoje acordamos cedo e viemos pra Unicamp. Os meninos, pro Encontro, e eu pra tese. Chegando lá, na correria, as meninas da História da Arte me pedem uma ajuda, pra coordenação das mesas.
Não costumo falar não, tento sempre arrumar um jeito de ajudar, mas dessa vez, não deu. Eu larguei o espanhol definitivamente, não fui fazer a prova nem nada, porque essa semana eu tenho duas prioridades. Uma nem precisa dizer que é a tese. Hoje, aqui no IEL, ouvindo o Sentinela, do Milton, pego no breu e termino a arrumação da bibliografia, passando pra reconstrução do segundo capítulo. São seis capítulos, com quatro itens cada. Dois capítulos ainda estão no chão, e os outros já estariam, vamos dizer, na fase do acabamento.
A outra prioridade é meu tratamento dentário no CECOM. Preciso arrumar meu dente quebrado. Sei que é esdrúxulo botar tratamento de dente na frente de Encontro da disciplina, mas é que realmente é uma emergência. Sei que é de um prosaico atroz priorizar tratamento de dente, faxina, cozinhar, coisas que permeiam o blog aqui, mas fazer o quê?
Queria fazer mais. Hoje fui atrás do povo na BC ( o Encontro tá rolando lá) e passei pela livraria. Tanto tempo não ia numa livraria. Vários lançamentos me chamam a atenção, estou bem desatualizada em tudo. Pego um livro por acaso, um livro de historiador, e sinto que minha tese é muito, muito ruim, perto do trabalho do cara. Ingênua, ruim, não vai interessar a ninguém; por um instante penso em mudar tudo, em fazer tudo do zero, diferente.
Depois, me chama a atenção uma biografia do Leminski. No meu primeiro ano de Unicamp, comprei o La vie en close, uma coletânea póstuma linda, linda, da Brasiliense, com capa amarelo-ovo, na banquinha de livros do IEL. A cantina do IEL era onde hoje está o Centro de Afasia: era uma delícia esperar a carona da minha mãe ali, lendo Leminski. Talvez foi o cara que mais me fez a cabeça, em poesia; leio na biografia a luta dele contra o alcoolismo, a morte por cirrose, o destrambelhamento e a largueza de alma. E fiquei pensando, ler Leminski era uma prioridade máxima pra mim, do meu primeiro ano lembro mais do Leminski do que as coisas que eu lia pro curso de Sociais. Na época, eu queria fazer mais, tinha uma sede de viver maior que as pernas; na manhã de hoje isso me incomodou, eu que havia guardado vontades e desejos no fundo das gavetas, na faxina do sábado.

4 comments:

Leo said...

Acho que o incomodo, nesse caso, e' um bom sinal.

Maria said...

Diria Leminski, distraídos venceremos.

Skywalker said...

Dudu, eu diria que infelizmente vc é só uma para tanta coisa legal que pinta na sua vida. Não dá para abraçar o mundo assim. Muitas coisas ficam de lado. Essa semana por exemplo, eu tinha o EHA para participar, tradução para fazer, dudu para amar e greve para debater. Imagina o que eu fiz... Fiz mal tudo, mas o que me dói mais ter feito mal foi em não conseguir cuidar de você direito, de não te dar atenção suficiente. O problema é que isso não foi só culpa minha, porque quando a gente consegue ficar aqui juntinho, você (desculpe a franqueza...) sai para cuidar de outra pessoa que está com problemas também, e esquece completamente que meia hora atrás vc estava dizendo que precisava de atenção e ajuda. Então eu tento tento mas não consigo ficar com você e te dar atenção, porque vc não se deixa cuidar. E eu fico aqui confuso, sem saber se algo está acontecendo que eu não sei, enfim, pensando as besteiras que a gente pensa e tentando entender o que raios foi que eu fiz de errado mais uma vez.

Com relação ao livro que vc viu na livraria e que você achou melhor que a sua tese, isso tem uma explicação: porque primeiro a pessoa defendeu uma tese como você, depois fez um monte de coisas, e depois ainda de um tempo de amadurecimento voltou à tese e corrigiu e melhorou um monte de coisas que sempre tem para melhorar. Ai, depois de mais um tempo, a pessoa mudou mais algumas coisas, por sugestão de outras pessoas, porque a pessoa pelo menos saiu do casulo e mostrou o trabalho para as outras para que essas pudessem dar as sugestões necessárias com base em algo palpável, e ai depois finalmente, se é que não foi bem depois, a pessoa conseguiu publicar um trabalho que deixou a muito de ser simplesmente a tese dela, porque entre o livro que vc pegou na sua mão na livraria e a tese tem um bom chão. Maldita hora em que a gente acha que tese é coisa para vender em livraria. Tese é tese, é coisa fruto de um esforço específico, que raríssimas vezes se identifica com o livro, que é coisa de um esforço muito maior, que começa pela tese defendida mas vai mais além disso, pois passa por mais mãos, que lêem - realmente - o texto e fazem comentários pertinentes ao seu texto, e assim te permite construir um trabalho mais denso, mas que começou naquela tese que a gente não botava fé. Se neguinho escreveu um tesão foi só porque a pessoa já tinha anos na frente de estrada, já tinha amadurecido e tal. Não adianta brigar com quem a gente é no momento. É só gostando de quem a gente é no momento, no presente, que a gente consegue evoluir. É por aceitar e reconhecer esse alguém como realmente alguém válido, ainda que imperfeito, incompleto, que a gente tem algo a partir do qual construir uma evolução. Se a gente fica só sonhando em ser quem a gente não é, toda vez que a gente tenta construir uma evolução a gente acaba usando como alicerce só nuvens, que são lindas e tal, mas não são reais. Evolução se dá a partir da realidade.

Sem a realidade não tem evolução, e sem a gente gostar da gente mesmo, e aprender a cuidar e respeitar os nossos limites reais, não tem como evoluir e fazer a tese virar livro na prateleira da livraria, com capa bonita assinada pelos amigos artistas e tudo.

O dudu te ama muito, vai continuar te amando, e muita gente te ama também, mas se vc não aprender a se gostar, não tem base para ser amada. Você é uma pessoa linda, amore, não deixe vc de lado mais...

Dudu que te ama muito.

P.S.: Desculpe o desabafo, mas o dudu não consegue ver vc sofrendo...

Maria said...

Ai Senhor, eu vivo atrapalhada das idéias. Post acima sobre isso. Beijo coisa fofa.