Quer dizer, a confusão começou antes de ontem. Um amigo muito querido me ligou e a gente conversou. Ele me contou que há dois anos atrás, mais ou menos, sofreu um acidente de carro e quase morreu. Detalhe, o cara nunca me disse nada. Fiquei atrapalhadíssima, tive uma insônia do cão neste frio infernal ( segundo Dante, nunca é demasiado repetir, no fundo do Inferno faz um frio da porra).
Ontem acordei mal, mal, mal, meio-dia. Paulo me liga e diz que estava do lado de um urubu ( sim, um urubu) e do piquete da greve no IA. Celo me liga e diz que Cássio e Ângela, queridíssimos, estavam no Desencontro ( ops), Encontro de História da Arte, com Helena e André ( as pessoas boas se multiplicando, com a graça de Deus). Helena vestida de vermelho querendo ver tia Paula.
Deitei e rezei. Levantei e fui me arrumar. Um desastre fashion ( como diz Jujuba, estou fashion- fashion os olhos), troco e troco de roupa e nada fica bom. Troquei de roupa n vezes. Meus casacos uma mixaria, os pulôveres desbeiçados e a gordurinha da panda, uma derrota. Mas a derrota maior veio depois: eu consegui perder as chaves de casa e do carro DENTRO de casa. Sim, meus caros: eu tirei o chaveiro da porta, e enfiei no bolso de um dos casacos, que foi rejeitado e jogado no armário. Derrota máxima da esquadra canarinha. Duas horas, e eu baixei a casa, e nada da chave. Chorei desesperada.
Cheguei atrasada, Helena não estava mais lá ( e pra minha derrota me contaram que minha amiguinha subiu no carro reclamando da tia panda). Chorei, chorei. Fui pro Celo. Ligo no Eduardo e ele me dá as piores notícias possíveis do Piratininga, que nunca é lá essas coisas, mas agora superou. Fui nas meninas, o point casa amarela, e chorei, chorei. Natalinha como sempre aponta a questão, e Jujuba contribui para o debate acertadamente. Panda no divã, vai ser a nova moda do momento. Não posso querer correr a maratona com as duas pernas quebradas.
Mas hoje eu estou mais calma. Sabe, gente, eu tenho alguns problemas emocionais sérios, como todo mundo, questões mal resolvidas, e algo muito dolorido, quebrado, no fundo de mim. Mas hoje fazia um céu azul tão aveludado, e fui almoçar a comidinha da minha mãe ( carne moída, arroz integral, feijão, farinha por cima, brócolis e cenoura... e doce de mamão-verde de sobremesa, tudo feito por ela), e voltei e o velho mestre Johann Sebastian, sua mente devota e radiosa, seu amor à vida e sua alegria, sua delicadeza e engenho, me trazem até vocês. Sei que é pecado misturar Bach e doce de mamão verde, céu azul e tristeza, trauma e felicidade. Hoje farei morangos com creme no jantar.

6 comments:
Acho que não é pecado não Budubu, porque ruim é quando a gente só enxerga preto ou branco, e não o colorido da mistura. Preto e branco fica lindo na fotografia, no guarda roupa, mas na vida não dá não... Por isso o segredo é descobrir e perceber que onde tem preto tem branco também, e vice-versa, para que a gente possa ver o mundo azul aveludado, amarelo agasalhado, vermelho acompanhado e verde tudo arrumado. Você não acha gatinha?
Beijos do dudu...
AAAA que picaretagem! Olha a picaretagem, hihihihi! Beijos!
Que bom que comida caseira, bom tempo e boa musica ja aliviam o sofrimento.
Nem me fale, Leo! Beijos pra vc de final de domingo.
Paulinha, que crise é essa? Se você, que estuda Boticelli, ficar deprimida, que esperança teremos nós que fazemos análise estatística???
Celso, eu vou tomar um chá e te escreverei. Assunto não falta e o senhor deu a deixa. Beijos!
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