Então. Eu fui almoçar com minha mãe e meu irmão no sábado, e perguntei do novo irmão. Minha mãe visitou um abrigo de uma cidadezinha pequena, do sul do estado, divisa com o Paraná. Ela foi pra lá porque seu namorado tem um sítio lá, e conhece algumas pessoas da cidade, incluindo o juiz, que adotou uma menininha desse mesmo abrigo.
Minha mãe levou lanchinhos pra todos, presentinhos, essas coisas. A casa, segundo ela, é muito boa, construída para essa finalidade, e por ser cidade pequena, as crianças são muito bem cuidadas: três mulheres cuidam delas full-time, e o promotor é a figura paterna, vamos assim dizer. Enfim, as crianças conversaram com ela, interagiram e tal, mas ela se encantou com uma pequena criatura por nome Samuel, dois anos. Este Samuel estava com febre, tomando seu mingau sozinho no refeitório. Viu minha mãe e o namorado, se empolgou, e mostrou pessoalmente seu berço e seu ursinho de pelúcia, que ele rouba na cara dura da maiorzinha, chamada Paula. Ou seja, um cara de iniciativa! Finalmente alguém de iniciativa entraria nessa família! Minha mãe ficou envorvida com essa pessoa. Mas meu irmão, imitando a iniciativa do Samuel, veio pessoalmente do Rio, largando as plataformas da Petrobrás, pra dissuadi-la do projeto Bebê Vermeersch 2007. O almoço na minha mãe foi uma guerra de trincheiras: meu irmão já tinha feito o serviço de desestimulá-la a seguir em frente ( porque o processo de adoção demora meses... inclui muitas visitas, entrevistas, o caramba a quatro) e eu entrei dando um Chuck Norris, falando pra continuar e tal e que esse Samuel estava dando bobeira de ser tão fofo assim, e impunemente! Não pode!
Hoje vou almoçar de novo com minha digníssima genitora, que aniversariou inclusive, e continuarei minha campanha de reforço ao supracitado projeto. Digo a vocês que isso incendiou minha eterna vontade de ser mãe, e se minha mãe demorar muito, eu vou lá e pego o Samuel pra mim. E fica tudo em família, né verdade?
Na segunda-feira, enfrentei uma entrevista no SAPPE, o serviço de atendimento psicológico da universidade. Eu tô na luta por uma terapia há tempos; tentei ir num profissional listado pelo meu convênio, mas o tosco, além de me falar barbaridades, queria cobrar os olhos da fuça. O que causou uma depressão da qual ainda padeço. Faz umas três semanas, batendo papo com uma amiga, ela me conta que faz terapia no SAPPE, e que era muito bom e tal. Ela me convenceu e foi comigo até lá. Assinei a lista de espera e segunda-feira, entrevista.
Na semana que o Celo estava no hospital, vocês imaginam que eu estava muito mal, e fui duas vezes numa coisa muito, muito legal que tem no SAPPE: pronto-socorro! Sim, pronto-socorro de maluquinhos ( o que mais tem na Unicamp)... em dois horários por dia, sempre tem profissionais muito bons lá. A minha experiência foi muito positiva, pelo menos. E depois da entrevista de segunda, eu consegui uma vaga no SAPPE! Fiquei feliz ( pra vocês verem o tamanho do buraco da toca da panda, ficar feliz porque conseguiu terapia!) e me senti muito melhor.
Tanto me senti melhor que fui dar uma caminhada ontem, e parei no Pão de Açúcar. Fiquei duas horas na parte dos temperos ( a minha parte favorita), e fiz sequilhos. Ficaram bons os meus sequilhos, eu peguei a receita de uma senhora que trabalha no IEL. A única hora em que me atrapalhei foi pra cortar, eu passo a receita pra vocês, tem que cortar como nhoque. Comprei Earl Grey e Ahmad English Breakfast, e os sequilhos ficaram bons com o chá com leite.
Pra terminar, peguei emprestado e agora leio um volume com 200 Crônicas do Rubem Braga. É interessante, no início o velho Rubem era muito simbolista... todo mundo morria e/ou sofria nas crônicas, uma fixação por morte bem século XIX. Depois o bichão pegou o jeito e é aquele esplendor que todos conhecem. Isso me salvou da notícia horrível da morte da moça grávida e seu bebê, baleada em Santo André. Muita bala perdida, vocês não acham? Muita arma por aí. Um minuto de silêncio pela Flávia Silveira e seu bebê, diria o velho Rubem.
