Wednesday, May 30, 2007

Novo irmão, SAPPE, sequilhos, tese... e Rubem Braga

Então. Eu fui almoçar com minha mãe e meu irmão no sábado, e perguntei do novo irmão. Minha mãe visitou um abrigo de uma cidadezinha pequena, do sul do estado, divisa com o Paraná. Ela foi pra lá porque seu namorado tem um sítio lá, e conhece algumas pessoas da cidade, incluindo o juiz, que adotou uma menininha desse mesmo abrigo.
Minha mãe levou lanchinhos pra todos, presentinhos, essas coisas. A casa, segundo ela, é muito boa, construída para essa finalidade, e por ser cidade pequena, as crianças são muito bem cuidadas: três mulheres cuidam delas full-time, e o promotor é a figura paterna, vamos assim dizer. Enfim, as crianças conversaram com ela, interagiram e tal, mas ela se encantou com uma pequena criatura por nome Samuel, dois anos. Este Samuel estava com febre, tomando seu mingau sozinho no refeitório. Viu minha mãe e o namorado, se empolgou, e mostrou pessoalmente seu berço e seu ursinho de pelúcia, que ele rouba na cara dura da maiorzinha, chamada Paula. Ou seja, um cara de iniciativa! Finalmente alguém de iniciativa entraria nessa família! Minha mãe ficou envorvida com essa pessoa. Mas meu irmão, imitando a iniciativa do Samuel, veio pessoalmente do Rio, largando as plataformas da Petrobrás, pra dissuadi-la do projeto Bebê Vermeersch 2007. O almoço na minha mãe foi uma guerra de trincheiras: meu irmão já tinha feito o serviço de desestimulá-la a seguir em frente ( porque o processo de adoção demora meses... inclui muitas visitas, entrevistas, o caramba a quatro) e eu entrei dando um Chuck Norris, falando pra continuar e tal e que esse Samuel estava dando bobeira de ser tão fofo assim, e impunemente! Não pode!
Hoje vou almoçar de novo com minha digníssima genitora, que aniversariou inclusive, e continuarei minha campanha de reforço ao supracitado projeto. Digo a vocês que isso incendiou minha eterna vontade de ser mãe, e se minha mãe demorar muito, eu vou lá e pego o Samuel pra mim. E fica tudo em família, né verdade?
Na segunda-feira, enfrentei uma entrevista no SAPPE, o serviço de atendimento psicológico da universidade. Eu tô na luta por uma terapia há tempos; tentei ir num profissional listado pelo meu convênio, mas o tosco, além de me falar barbaridades, queria cobrar os olhos da fuça. O que causou uma depressão da qual ainda padeço. Faz umas três semanas, batendo papo com uma amiga, ela me conta que faz terapia no SAPPE, e que era muito bom e tal. Ela me convenceu e foi comigo até lá. Assinei a lista de espera e segunda-feira, entrevista.
Na semana que o Celo estava no hospital, vocês imaginam que eu estava muito mal, e fui duas vezes numa coisa muito, muito legal que tem no SAPPE: pronto-socorro! Sim, pronto-socorro de maluquinhos ( o que mais tem na Unicamp)... em dois horários por dia, sempre tem profissionais muito bons lá. A minha experiência foi muito positiva, pelo menos. E depois da entrevista de segunda, eu consegui uma vaga no SAPPE! Fiquei feliz ( pra vocês verem o tamanho do buraco da toca da panda, ficar feliz porque conseguiu terapia!) e me senti muito melhor.
Tanto me senti melhor que fui dar uma caminhada ontem, e parei no Pão de Açúcar. Fiquei duas horas na parte dos temperos ( a minha parte favorita), e fiz sequilhos. Ficaram bons os meus sequilhos, eu peguei a receita de uma senhora que trabalha no IEL. A única hora em que me atrapalhei foi pra cortar, eu passo a receita pra vocês, tem que cortar como nhoque. Comprei Earl Grey e Ahmad English Breakfast, e os sequilhos ficaram bons com o chá com leite.
Pra terminar, peguei emprestado e agora leio um volume com 200 Crônicas do Rubem Braga. É interessante, no início o velho Rubem era muito simbolista... todo mundo morria e/ou sofria nas crônicas, uma fixação por morte bem século XIX. Depois o bichão pegou o jeito e é aquele esplendor que todos conhecem. Isso me salvou da notícia horrível da morte da moça grávida e seu bebê, baleada em Santo André. Muita bala perdida, vocês não acham? Muita arma por aí. Um minuto de silêncio pela Flávia Silveira e seu bebê, diria o velho Rubem.

Tuesday, May 29, 2007

La maravigliosa inventione

Hoje voltei pra minha velha companheira, a tese. E mais um trechinho pra vocês, do segundo capítulo:


"No dia 30 de agosto de 1481, um livro terminou de ser impresso, na prensa de um editor que se assinou Nicholo di Lorenzo della Magna, em Florença. Era a primeira edição florentina da Comédia de Dante, denominada de Divina por Giovanni Bocaccio e lida com devoção nos quatro cantos da Itália, em dois séculos de ampla divulgação, estudo e comentário.
No caso, a iniciativa editorial de Nicholo della Magna era dupla: o livro também era a primeira edição do Comento de Cristoforo Landino ao poema de Dante, e de uma carta laudatória de Marsilio Ficino. Outro fator diferencial eram as ilustrações que sairiam, acompanhando Canto por Canto, em calcografias, tornando o incunábulo a primeira edição ilustrada da obra de Dante e de um seu comentário.
Porém, a oficina de Nicholo della Magna encontrou dificuldades nas tarefas, e só conseguiu imprimir as duas primeiras gravuras nas páginas correspondentes; até o Canto XIX do Inferno, as demais foram impressas separadamente e o conjunto era colado aos exemplares, em espaços em branco.
Dos exemplares que existem, a maior parte não possui as gravuras coladas[1], como é o caso do existente na Newberry Library, em Chicago. Já o depositado na Biblioteca da Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, é um desses raros exemplares completos.
A edição florentina de 1481 correspondeu a uma operação múltipla: lingüística, política, cultural, artística, da república medicéia. Florença acalentava pretensões de hegemonia, e como se sabe, uma hegemonia não se constrói com palavras, mas com ações: centro financeiro da Europa,a cidade abrigava projetos políticos ambiciosos, tanto nas mãos dos Medici quanto nas de seus opositores internos e externos[2]."

[1] Os dois exemplares consultados para esta tese.
[2] Da família Medici sairam dois papas e duas rainhas da França; e nunca é demasiado lembrar que Nicolau Maquiavel era um desses opositores.

Monday, May 28, 2007

La Vie en Rose

Uma vez, uma amiga muito querida que agora está em Paris, e estudava francês com afinco, me disse que ficava meio farta de Edith Piaf. Posso entender. Mas como eu não sei falar nada de francês, e tenho uma certa antipatia relativa pela nação da Marselhesa ( digamos que na Guerra dos Cem Anos eu ficaria com o povo da ilha), antipatia que demoraria muito pra explicar e que é totalmente subjetiva e nó-cega, eu hoje vou da vida em cor-de-rosa.
Quando era criança, não gostava de nada rosa. As fotos da minha infância, que repousam hoje na estante bagunçada da minha sala, nos álbuns, atestam que a pequena e então jovem panda não usava nada, nada, rosa. É interessante, porque já faz alguns anos que a indústria da moda decidiu que, para menininhas, tudo vai em rosa: roupinhas, sapatos, brinquedos, tudo, tudo vai do pink ao rosa esmaecido. Seria meu pesadelo.
Mas agora, esse ano, como diz Nenem, é o meu début na literatura francesa. Virarei personagem de Balzac. E começo a entender as minúcias de sentimento do rosa, e gostaria de ver a vida em rosa. Hoje eu vi a vida no azul profundo do céu invernal campineiro, vi o verde e as tonalidades da terra roxa do Oeste paulista, vi cinza, mas senti uma coisa rosa dentro de mim. Me espanta que alguém ainda me leia, eu ando tão sem imaginação que sempre uma música detona o post. Um beijo a todos, cor-de-rosa, como um algodão-doce em Montmartre, com alguém especial ao lado, na primavera de Paris.

Saturday, May 26, 2007

Concerto de Bradenburgo, no.2 in F, BWV 1047, Allegro

Ontem foi péssimo.

Quer dizer, a confusão começou antes de ontem. Um amigo muito querido me ligou e a gente conversou. Ele me contou que há dois anos atrás, mais ou menos, sofreu um acidente de carro e quase morreu. Detalhe, o cara nunca me disse nada. Fiquei atrapalhadíssima, tive uma insônia do cão neste frio infernal ( segundo Dante, nunca é demasiado repetir, no fundo do Inferno faz um frio da porra).
Ontem acordei mal, mal, mal, meio-dia. Paulo me liga e diz que estava do lado de um urubu ( sim, um urubu) e do piquete da greve no IA. Celo me liga e diz que Cássio e Ângela, queridíssimos, estavam no Desencontro ( ops), Encontro de História da Arte, com Helena e André ( as pessoas boas se multiplicando, com a graça de Deus). Helena vestida de vermelho querendo ver tia Paula.
Deitei e rezei. Levantei e fui me arrumar. Um desastre fashion ( como diz Jujuba, estou fashion- fashion os olhos), troco e troco de roupa e nada fica bom. Troquei de roupa n vezes. Meus casacos uma mixaria, os pulôveres desbeiçados e a gordurinha da panda, uma derrota. Mas a derrota maior veio depois: eu consegui perder as chaves de casa e do carro DENTRO de casa. Sim, meus caros: eu tirei o chaveiro da porta, e enfiei no bolso de um dos casacos, que foi rejeitado e jogado no armário. Derrota máxima da esquadra canarinha. Duas horas, e eu baixei a casa, e nada da chave. Chorei desesperada.
Cheguei atrasada, Helena não estava mais lá ( e pra minha derrota me contaram que minha amiguinha subiu no carro reclamando da tia panda). Chorei, chorei. Fui pro Celo. Ligo no Eduardo e ele me dá as piores notícias possíveis do Piratininga, que nunca é lá essas coisas, mas agora superou. Fui nas meninas, o point casa amarela, e chorei, chorei. Natalinha como sempre aponta a questão, e Jujuba contribui para o debate acertadamente. Panda no divã, vai ser a nova moda do momento. Não posso querer correr a maratona com as duas pernas quebradas.
Mas hoje eu estou mais calma. Sabe, gente, eu tenho alguns problemas emocionais sérios, como todo mundo, questões mal resolvidas, e algo muito dolorido, quebrado, no fundo de mim. Mas hoje fazia um céu azul tão aveludado, e fui almoçar a comidinha da minha mãe ( carne moída, arroz integral, feijão, farinha por cima, brócolis e cenoura... e doce de mamão-verde de sobremesa, tudo feito por ela), e voltei e o velho mestre Johann Sebastian, sua mente devota e radiosa, seu amor à vida e sua alegria, sua delicadeza e engenho, me trazem até vocês. Sei que é pecado misturar Bach e doce de mamão verde, céu azul e tristeza, trauma e felicidade. Hoje farei morangos com creme no jantar.

Wednesday, May 23, 2007

Begin the Beguine

E hoje eu lembrei da noite no Green Mill, em Chicago. O bar da amante do Al Capone.


As luzes vermelhas no moquifo sem restauração. E no fundo, espremida num espaço mínimo, uma big band endemoniada. E velhinhos contemporâneos do Capone rodopiando no salão, enquanto eu fiquei na mesa, tomando uma Guiness e morrendo de vontade de dançar.
E um velhinho daqueles bem velhinhos tirou uma senhorinha pra dançar. O swing rolando e o velhinho pra lá e pra cá, no ritmo, sem perder nenhum movimento nem momento daquela transa toda. E eu ali olhando, lembrando dos velhinhos que ensinavam a gente a dançar forró na Cooperativa, os senhores alagoanos simpaticíssimos que não deixavam a gente parada, que tinham pegada e olho certo no lance.
O velhinho fez uma coisa inacreditável, um carinho lindíssimo nas costas dela, uma delicadeza de gesto, e eu pensei que os homens são admiráveis, quando tratam bem uma mulher. E dá-lhe Porter, e tudo isso pra dizer que hoje pensei que existem coisas muito, muito, muito, muito boas na vida.

Ágora

E hoje é a paralisação estadual das universidades paulistas.

Acompanhei a situação meio de longe. Sim, o atual governador é uma figura autoritária e quer derrubar o modelo de universidade pública paulista. É necessário o posicionamento, a luta, a oposição, e sim, momentos de paralisação e greve.

Mas o debate anda concentrado nisso e ponto. Vi os emails de colegas da pós-graduação do IFCH, e um colega insiste no fato de que a greve é legítima. Sim, é legítima e não funciona, podem me dizer, você é uma burguesa alienada e idiota. Mas não funciona mais. A festa libertária dos anos 60 e 70 já acabou. É necessário reinventar as formas de fazer política.
Seria uma, ao invés de fechar a biblioteca, abri-la 24 horas. Pegar um ônibus, encher de gente da cidade, quem quisesse, e fazer aulas pro público, explicando o que se faz na universidade, de forma aberta, original, colorida. É necessário ler, estudar, conversar. Maquiavel, Hobbes, Marx, Gramsci, Hannah Arendt, Camões, sem preconceito, sem barreiras. Grupos de estudo, muitos grupos de estudo. Revidar na argumentação, piquete na frente do Palácio dos Bandeirantes, pressão na Assembléia Legislativa. Mas eu acho muita coisa esquisita. Sou uma burguesa alienada.

Monday, May 21, 2007

Um cafuné na cabeça, malandro, eu quero até de macaco

Tô sonada aqui, no CPD do IEL, e daqui a pouco saio.

Chega ao fim o Sentinela, do Milton. E lá no fim tem essa canção, com voz da Leila Diniz. E me veio à consciência sobre o que eu queria escrever, hoje.


Fiquei sabendo que uma figura que simpatizo demais está meio doente, no sábado. Achei triste. Porque tem pessoas que me deixam sem chão, porque tem pessoas que me são muito queridas, e ponto. É uma coisa sem lógica, eu simpatizo com alguém, eu me simpatizo. Se a pessoa tem um olhar, um jeito de franzir o nariz. Tem pessoas que são uma delícia, né? Gente que eu gostaria de chegar e dizer, você pra mim é um bolo de fubá! Com café preto bem forte! Você pra mim é um biscoito de polvilho bem torradinho! Chegar na pessoa e dizer na lata, meu filho ( minha filha), eu tenho vontade de você, como tenho vontade de chupar manga na beira de um rio! Na verdade, isso pode ser uma plataforma política. Chegue em quem você simpatiza e diga, você pra mim é isso. Leila Diniz diria.

Prioridades

Hoje acordamos cedo e viemos pra Unicamp. Os meninos, pro Encontro, e eu pra tese. Chegando lá, na correria, as meninas da História da Arte me pedem uma ajuda, pra coordenação das mesas.
Não costumo falar não, tento sempre arrumar um jeito de ajudar, mas dessa vez, não deu. Eu larguei o espanhol definitivamente, não fui fazer a prova nem nada, porque essa semana eu tenho duas prioridades. Uma nem precisa dizer que é a tese. Hoje, aqui no IEL, ouvindo o Sentinela, do Milton, pego no breu e termino a arrumação da bibliografia, passando pra reconstrução do segundo capítulo. São seis capítulos, com quatro itens cada. Dois capítulos ainda estão no chão, e os outros já estariam, vamos dizer, na fase do acabamento.
A outra prioridade é meu tratamento dentário no CECOM. Preciso arrumar meu dente quebrado. Sei que é esdrúxulo botar tratamento de dente na frente de Encontro da disciplina, mas é que realmente é uma emergência. Sei que é de um prosaico atroz priorizar tratamento de dente, faxina, cozinhar, coisas que permeiam o blog aqui, mas fazer o quê?
Queria fazer mais. Hoje fui atrás do povo na BC ( o Encontro tá rolando lá) e passei pela livraria. Tanto tempo não ia numa livraria. Vários lançamentos me chamam a atenção, estou bem desatualizada em tudo. Pego um livro por acaso, um livro de historiador, e sinto que minha tese é muito, muito ruim, perto do trabalho do cara. Ingênua, ruim, não vai interessar a ninguém; por um instante penso em mudar tudo, em fazer tudo do zero, diferente.
Depois, me chama a atenção uma biografia do Leminski. No meu primeiro ano de Unicamp, comprei o La vie en close, uma coletânea póstuma linda, linda, da Brasiliense, com capa amarelo-ovo, na banquinha de livros do IEL. A cantina do IEL era onde hoje está o Centro de Afasia: era uma delícia esperar a carona da minha mãe ali, lendo Leminski. Talvez foi o cara que mais me fez a cabeça, em poesia; leio na biografia a luta dele contra o alcoolismo, a morte por cirrose, o destrambelhamento e a largueza de alma. E fiquei pensando, ler Leminski era uma prioridade máxima pra mim, do meu primeiro ano lembro mais do Leminski do que as coisas que eu lia pro curso de Sociais. Na época, eu queria fazer mais, tinha uma sede de viver maior que as pernas; na manhã de hoje isso me incomodou, eu que havia guardado vontades e desejos no fundo das gavetas, na faxina do sábado.

Sunday, May 20, 2007

Tese, Encontro de História da Arte... e faxina

Os últimos dias foram engraçadíssimos.

Na quinta-feira eu mostrei a fuça do Dante pro Sterzi, o cara que mais entende de Dante na terra brasilis, e ele rolou de rir. Na sexta-feira, falei de Leonardo da Vinci pro primeiro ano das Plásticas. Falei pros meninos que sempre se diz, Leonardo gênio do Renascimento. Pois então, gênio é um conceito do século XVIII alemão e Renascimento pressupõe o estudo dos autores e da arte antiga ( Leonardo não cita nenhum autor antigo nos seus escritos e rejeita terminantemente a escultura).
Fui no supermercado sexta-feira à noite. Estava pensando na fragilidade da vida e na perda da inocência, e o que me salvou dessas reflexões doídas foi ficar na frente da TV de plasma, com o carrinho, vendo um clipe do U2 ( os velhos irlandeses... como se eu estivesse reencontrando parentes). No sábado, acordo com a vozinha da Natália, num orelhão. As meninas foram operar o Alfredo Volpi, o gatinho bola-de-neve que adotaram, numa clínica aqui perto. Um monte de gatinhos esperando adoção ( a crueldade das pessoas com os bichinhos é impressionante). Quase trouxe um pra casa, um simpático, todo branco com o rabo preto ( que eu chamaria de Adoniran, seguindo o esquema paulistano-tosco-artista-esse sim gênio). As meninas vieram, veio Ema, e no meio liga dona Meire, minha genitora, chorando desesperada porque ia no abrigo escolher o meu novo irmão.
Depois, encarei uma das piores faxinas que o apartamento 53 deste edifício já conheceu. Nove da noite e eu em pleno lerê lerê, esfregando azulejos e dando um Chuck Norris na cozinha. Acordo hoje, com dor no ciático e na lombar, detonada, termino de arrumar a toca, vou pra Barão comer o risoto de rúcula e tomate seco da dona Ana Maria. Deito, um pouco, e chegou Juam, de Mariana, pro Desencontro (ops!) de História da Arte, que acontece, apesar da greve, essa semana no IFCH. Chá, depois pizza e vinho, e aqui vão dois links.
Primeiro pro blog do Juam, http://descontinuados.blogspot.com/, bonito e sensível, como ele, que orgulhosamente apresento como meu primeiro orientando ( por vontade própria dele, olha que fenômeno). Depois pro Encontro, http://maccouto.sites.uol.com.br/. O Encontro é anual, não foi desmarcado por conta da greve no IFCH porque é nacional e gente do país inteiro aparece. Eu quero postar sobre a situação política atual, da universidade pública paulista, mas agora essa dor no ciático tá me matando. Ou seja, vita brevis, meus caros, vita brevis.

Thursday, May 17, 2007

Onde o sonho mora

E a semana passou rápido, tese, tese, passou rápido, encontramos o Leo hoje na cantina do IEL e eu me espantei por já ser quinta-feira.

Cheguei em casa, tocou o telefone. Era minha mãe. Eu havia combinado de almoçar com ela, essa semana, mas tudo passou rápido. E ela, eu queria te ver pra te contar uma coisa.

Desde que eu sou muito pequena, ouvia minha mãe contar de um desejo forte, imenso, de adotar uma criança. Ela dizia que queria um menininho, pra completar o casal que quis ter e teve. Bom, os anos se passaram, tantas coisas aconteceram na nossa família, coisas lindas e coisas muito tristes, como em toda a família. E esse desejo da minha mãe continuava, de vez em quando ela falava disso, para ataques de ciúme do Celo, meu irmão.
No Natal passado, ela montou uma árvore de dois metros, cheia de enfeites da Kopenhagen, e de novo, pro desespero do meu irmão, falou do baby que queria trazer pra casa. Pois bem. Minha mãe achou um abrigo, com seis crianças, à espera de adoção. Essas crianças estão lá, esperando. E minha mãe está esperando em casa. Não consegue dormir direito, não sabe o que pensar, só pensa nas seis vidinhas lá, longe, num abrigo, sem família, esperando uma mãe. E quem sabe uma irmã de trinta anos, panda-comentadora de Dante.
Eu falei pra minha mãe, hoje, vai lá, mãe. Quem sabe, lá nessa cidadezinha do sul do estado, uma estrelinha espera o lar, o nosso lar.

Iuste et rationabilites optat autor...

Tese. Hoje mais uma vez, enfrento a falação dos nobres colegas da graduação do IEL, na sala de micros, e de Leonardo passo a outro personagem.


Eu procurei a origem da iconografia do poeta Virgílio, utilizada por Botticelli nos seus desenhos para a Comédia, feitos entre 1480 e 1490. Pois bem, rodei manuscritos ilustrados, capitéis de igrejas, outras obras, moedas, e os fantásticos cassoni, os lindos baús decorados com pinturas e marchetarias, que faziam parte do dote das noivas italianas. Cada cassone vinha com uma história da Antigüidade, ou figuras alegóricas.
Bom, o tio barrilzinho imaginou o autor da Eneida como um senhor de barbas longas, manto bizantino, e chapeuzinho exótico, ou seja, tudo o mais distante possível da retratística romana ( não sobraram retratos identificados de Virgílio da Antigüidade, mas o homem que pintou o Nascimento da Vênus tinha no jardim dos Medici muitos bustos de imperadores e podia imaginar Virgílio de outro jeito). A história disso tudo é longa, mas o fato é que no primeiro manuscrito ilustrado da Comédia, datado de 1327, Virgílio está com as mesmas roupinhas.
Esse manuscrito, que hoje pertence ao Museé Condé, em Chantilly, contém o Comento a Comedia, escrito pelo senhor de hoje, o frade carmelita Guido da Pisa, um dos primeiros estudiosos da obra de Dante ( Dante morreu em 1321, no exílio, e seu primeiro comentador foi seu filho mais novo, Jacopo). Guido da Pisa, ao que tudo indica, teve uma iniciativa editorial inédita, o da reprodução, comentário e ilustração, por meio de lindas aquarelas, do poema de Dante. E era pisano. É bonitinho procurar o nome de Guido nas enciclopédias e obras de referência sobre Dante: os autores informam com severidade "ser um personagem de difícil identificação, porque havia muitos Guidos em Pisa"...
Minha hipótese é que Botticelli leu partes do comentário de Guido da Pisa, e viu com certeza as ilustrações do Manuscrito de Chantilly, e isso o fez se opor à interpretação que Christoforo Landino, reitor da Universidade de Florença, deu à Comédia, em 1481. Legal, né? Mas o fato é que Guido da Pisa amava, e muito, Dante. E isso é incrível, porque Dante, no Canto XXXIII do Inferno, solta uma invectiva terrível contra a cidade da torre torta, por conta do nefando caso do conde Ugolino della Gherardesca, encerrado com os filhos na torre, e condenado ao canibalismo ( o caso é escabroso mesmo).
A torre da fome, como é conhecida, era nada mais nada menos que o meu lar em Pisa, porque é a torre da Biblioteca da Scuola Normale Superiore, lugar freqüentado com freqüência, rs, vamos dizer assim, pela panda-comentadora mirim de Dante. Guido da Pisa não só concorda e desce mais a lenha ainda na pátria, num exercício alto de dignidade intelectual, raro hoje em dia e em todos os tempos.
Aliás, falando nisso, os desocupados de Bologna pegaram o retrato do tiozão feito pelo tiozinho barrilzinho, e o crânio do cara, nas medidas tiradas quando da abertura da cripta em Ravenna, em 1920. E taí a cara do cidadão: http://www.bbc.co.uk/portuguese/especial/1630_dante/page5.shtml

Vivi e a torneira

Nesses anos que perambulei pelo IA, o glorioso (???) Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas, aconteceu uma coisa muito incrível.

Eu, nos meus anos de graduação, gostava muito de alguns professores. Gostava mesmo, admirava, mas tudo de longe. Sempre fui muito tímida, e nunca gostei de puxa-saquismo, então fiquei mais amiga dos meus mestres na pós-graduação.
Pois então, eu achava que uma distância intransponível existia entre professores e alunos. E na hora que virei professora, que por acaso foi no IA, conheci algumas turmas de pequenos pandas-pintores, desenhistas, cartunistas, louquinhos em geral. E alguns desses pequenos pandas se tornaram amigos no orkut, no msn, na vida.
A Vivi foi um desses casos ( Mário, Filipe, Júlia, Natália...). Ela era quietinha, quando assistia o famoso Paula e Paulo Talk Show ( a aula pro primeiro ano que, fenômeno, dou junto com o Paulo). E ela entrou no meu orkut. E depois no msn. E ontem eu conheci a toca da pequena panda-artista-leitora-companheira de msn.
Pra começar, eu me atrasei uma hora, porque fiquei perdida em meio a emails, telefonemas, tese. Liguei e me desculpei, e ela rindo. Saí de casa correndo e parei no McDonald´s na Norte-Sul( panda momento trash! Que vergonha!), e cadê a carteira? Volto pra casa. Ligo de novo, e explico, flor, são três da tarde e eu não almocei ( pois é, pois é) e esqueci a carteira ( ai!) e vou chegar atrasada. E ela rindo.
Bom, cheguei na casa da Vi, numa rua com um nome lindo, de artista muito famoso, na frente do mardito bufê que ela trampou. E a Meg, linda, fofa, esperta, vem me ver. Bom, foi maravilhoso, teve São José, teve fofoca, papo cabeça, a gente conversou horrores, agora ao vivo, e eu zureta. E a Vi tinha feito um lindo bolo de fubá pra mim, e eu emocionada e zureta peço um café. Vamos pra casa da mãe dela, na frente, e ela me abre a torneira errada.
Gente, a Vi quase causa o segundo dilúvio universal! A torneira não fechava, não fechava, a mãe dela ainda dodói, super fofa, de rosa e fita no cabelo, tenta estancar a cachoeira que cai sem parar, a torneira era dessas que vem direto da caixa. E eu do lado, na minha mais completa inutilidade pra coisas domésticas ( torneira? dã?) e a Vi chama o véio dono do bufê, que pra nossa vergonha arruma o trem em cinco segundos ( ai! homens, bah!). Ou seja. E o bolo de fubá tava excelente, o café também, e quase que eu fiquei pra janta! Olha só que horror! E não precisa dizer, Vi, te adoro muito!!!!!

Wednesday, May 16, 2007

Expressas do Neguinho do Pastoreio

Neguinho do Pastoreio é meu mp3 player, que trouxe das margens do Michigan. Ele é um personagem muito importante no meu dia-a-dia. Há dois anos, me acompanha pacientemente, o que já lhe rendeu alguns arranhões, vários tombos e mergulhos no tanque, saindo ileso de tais aventuras. Algumas reflexões, de momento, suscitadas por Neguinho:
1)Hoje, estendendo a roupa no varal, toca "I Don't feel like dancing", do Scissors Sisters. E lembrei que vi o Duomo de Florença ouvindo essa música. Frio, vitrines elegantes, saudades, asma, e "Cities come and cities go just like the old empires/ When all you do is change your clothes and call that versatile/ You got so many colours make a blind man so confused./Then why can’t I keep up when you’re the only thing I lose?". Fiquei envergonhada de ouvir música pop no momento que entrava em Florença, mas não.
2)Oitentismo, "Eva", Rádio Táxi, me faz rir sem parar durante horas. O cara tem um sotaque ordináaaario da Mooca: só sobrou ele e a nega dele, numa astronave. Primeira coisa que o parmeirense vê destruída: a cidade do Rio de Janeiro. O mundo acabou na Radial Leste. Eu, do velho Cambuci, porta da nobre Zona, dou risadas dias do fato do cara da úllllllltima astronaveeee falar que nem o pasteleiro da minha infância.
3)Sento pra escrever, "Joe le Taxi", Vanessa Paradis. Outro dia, pensando no ofício do tradutor, pensei, "Joe le Taxi" vira "Vou de Táxi", e tive um ataque de riso de três dias. Tradução é isso aí, o resto é conversa!

Sobre a cara de louca

O post abaixo suscitou comentários. Resolvi aprofundar o assunto.

Gostaria de me fazer entender, melhor, pela notável platéia. Seguinte: eu escrevi uma monografia, duas dissertações de mestrado, alguns artigos, trabalhos de final de curso, e agora, segundo palavras do prof. José Arthur Gianotti, ex-chefe meu e do Celso, escrevo o último trabalho escolar da minha vida, uma tese de doutorado. Em todos esses momentos, sempre me senti privilegiada por poder estudar e escrever, em meio à aulas, serviços gerais ( livraria, faxinas), e à vida, enfim. Aliás, sei que os meus temas são duzentas milhões de vezes mais fascinantes do que eu e do que eu possa vir a escrever. Me sinto feliz de poder ficar em casa e escrever, porque na maior parte dos dias preciso sair e ganhar meu pão, meu leite e meu arroz com feijão.
Agora, tem momentos que a gente se sente meio Atlas, com o peso de um mundo nas costas. Eu me olho no espelho e vejo a cara de maluca... eu deixo de tomar água, crise renal. Deixo de me agasalhar, bronquite e sinusite na Toscana; escovo os dentes pensando no Gerião e nos monstros na Antigüidade, perco metade de um dente de cárie fulminante, e la nave va. Ferrei algumas relações amorosas e de amizade por conta de textos pra escrever, sério mesmo. Eu tava escrevendo, ficava maluca, e saía correndo atrás do cara que estava a fim, até o cara cansar da minha fuça e me mandar pro quinto círculo do reino de Lúcifer. Eu amo o que faço, amo muito tudo isso, demais, e por isso mesmo fico possuída por um daimon. Mas não quero ferrar nada dessa vez, porque a tese já me rendeu um acidente de carro, um câncer no estágio inicial, uns dois ou três amores postos pra escanteio, a paciência da minha santa mãe e a de vocês. Fecha parênteses.

Tuesday, May 15, 2007

Balada do Louco

E hoje, tese o dia inteiro. Sozinha em casa, acordo tarde, 11 hs. Resolvo tomar banho e por uma roupa ( pulôver furado e calça rasgada). Começo na tese. A minha bibliografia, sério gente, tem 30 páginas e estava toda revirada. Tô quase no final do trabalho hercúleo de separar temas, autores, citações. Eu não consigo escrever sem antes terminar a bibliografia, sei que é uma coisa esquisita, mas é como se eu tivesse com a casa desarrumada.

Vou almoçar. Como dois pasteizinhos de queijo, cenoura e brócolis. Volto pra casa, sem antes deixar um recado non sense na secretária de um amigo. A sorte é que o Eduardo se doutorou em Dante, 600 páginas. Ontem eu vi um colega parado no carro, com cara de psicopata, na ladeira do IFCH. Adivinhem que fase do doutorado o cidadão se encontra.
Continuo empacada. Vou deitar um pouco, a dor no ciático tá foda. E me olhei no espelho várias vezes no dia, e sim, eu estou com cara de psicopata, maluca, doida, lelé da cuca, zarolha, só falta a luva cirúrgica na cabeça e ficar em cima de um muro ( lembrem desse doidinho que o Renato Aragão às vezes encarnava?). Reviro textos e livros. Um tijolão trazido de Pisa não havia sido incluído. Cadê a data da edição dos textos de Americo Vespuccio? Mas onde enfiei o CD com o Comentário ao Dante do Cristoforo Landino? E a frase do Leonardo, cadê?
Converso com as pessoas e me sinto inadequada, feia, burra, chata, ninguém me ama, ninguém me quer. E ainda preciso escrever 150 páginas, começar um tratamento de canal, consertar outro dente quebrado, e fazer traduções do nobre idioma de Dante pra sobreviver. Dizem que sou louco, por eu ser assim. Mais louco é quem me diz?

Monday, May 14, 2007

La luna, densa e grave, densa e grave, come sta, la luna?

Retomo a tese. De manhã, depois de uma noite sofrida ( febre, angústia, pensamentos apocalípticos, besteiras, arrependimentos e lembranças terríveis), pego os dois volumes dos escritos de messer Leonardo.
Tento me concentrar no meio da barulheira do cpd do IEL, com alunas da graduação falando sem parar, ouvindo Bob Dylan, Jokerman. O velho curinga do Renascimento me salva. Passo os olhos nas páginas dos Scritti Letterari, e lá está a seguinte história, que traduzo do toscano do mestre pra vocês:
" No dia 6 de junho de 1505, uma sexta-feira, no estalar das treze horas, comecei a colorir no Palazzo. No exato momento em que pousava o meu pincel o tempo mudou, e os homens ao redor se indagavam do porquê. O desenho se rasgou, o vaso de água que eu havia comigo se rompeu. E lá fora, o tempo escureceu, e choveu muitíssimo até a noite, e durante todo o dia esteve escuro como noite".
Bom, Leonardo foi pintar um afresco, sobre uma batalha vencida pelos florentinos, numa das paredes do Palazzo Vecchio, em Florença. Para se fazer um afresco, passa-se uma demão de gesso na parede, e com o reboco ainda úmido, decalca-se o desenho, feito no tamanho final num papel bem fino. Colore-se rápido, e pra mudar, se algo dá errado, é necessário raspar tudo. Segundo um comentador aqui da minha edição ( é a do IEL, Leonardo da Vinci, Scritti Letterari, Milano: Rizzoli, pg.155) Leonardo parece corresponder o temporal e a destruição do desenho ao triste fim do afresco ( inacabado, muitos anos depois seria destruído por Giorgio Vasari, o biógrafo dos artistas renascentistas, discípulo de Michelângelo e homem forte da corte dos Medici, responsável pela remodelação arquitetônica de Florença).
Nessa segunda-feira triste, pra mim isso foi um bálsamo. Tem época que é difícil, mesmo quando se é Leonardo da Vinci. Imagina então para pequenas pandas pós-modernas, estudiosas do messer! E o versinho do título é dele, ovviamente.

Saturday, May 12, 2007

Cosmos

E no sábado de manhã, passava Cosmos.

Eu me lembro dos meus sábados de manhã, quando, ao invés do Globinho, e depois do Balão Mágico, entrava o Carl Sagan explicando quasares, buracos negros, missões para Júpiter, o solo de Marte e citando os homens da biblioteca de Alexandria. Nem precisa dizer que Cosmos era o meu programa favorito, junto com o Lanterna Mágica ( gente, quem lembra?), um programa de animação que passava na TV Cultura, domingo à noite, desenhos poloneses, tchecos, russos, japoneses, uma maravilha pros olhos e pro coração.


Quando entrei na universidade, anos depois, peguei o livro na Biblioteca Central e devorei. Alguns outros anos, trabalhando na livraria do IFCH, trouxe pra casa o livro da série, e aí descobri que o esforço de divulgação científica do Sagan ( que pode ser discutido, e muito) baseava-se no extremo ceticismo dele, e que só o conhecimento das descobertas das pesquisas poderia alertar as pessoas sobre crenças errôneas. Dessa postura iluminista, racionalista, surgiu a série que eu assistia nos meus sábados no Cambuci, esperando o arroz com ervilha e presunto da dona Meire ou o almoço com seu Pedrão no Espetão, na Frei Caneca.
A trilha sonora da série foi composta pelo Vangelis, e um ex-namorado meu tinha o vinil, bacanérrimo. Essa semana o Celo conseguiu baixar as músicas, e eu pus aí embaixo a mais famosa delas, a Alpha. De tanto ver Cosmos, eu fiquei com um amor irrestrito por temas de Astronomia.

http://www.4shared.com/file/15796100/fbd4ca6e/02Alpha.html

Time goes by, so slowly, and time can do so much

Essa semana foi marcada por retomada da tese, encontros rápidos, desencontros, aborrecimentos imensos, alegrias definitivas e uma crise renal. Depois de litros de água, sopa de legumes, me reestabeleci e dei aula e tudo. Essa semana revi amigos, eu andava isolada, em casa, e foi muito bom retomar conversas e afetos. Ninguém faz nada sozinho.
Vi tanta gente querida... e ontem foi legal, eu e Celo jantando no Dom Pedro, chega Dani Mônica, diretamente de Maceió. A gente teve uma conversa tão legal no Giovanetti... na terça, foi lançamento do livro da Verônica, vi/revi gente querida também. Foi engraçado esse dia.
Eu fui na Jô, cabelereira e amiga, e fiz escova e unhas de vermelho. Tinha passado na Renner e com ajuda de Pati Beijo escolhido um vestido estampadão. Bom, rumei pra rodoviária e estou na fila da passagem quando chega uma nega e fura a fila. Eu falo, minha senhora, tem fila. A menina que tava na minha frente se desloca pra ir num outro caixa. E ela, ah, mas ela tá furando fila. E eu, não, ela estava aí. Chega outra moçoila e... fura a fila! A cidadã atrás de mim grita, ah, mas então não tem fila! Cara, eu fiz uma coisa muito grossa. Eu entrei na frente da segunda nega, e falei pro cara, não é possível isso. E as duas do meu lado me olhando espantadas. Olha, furar fila pra mim é uma coisa inadmissível. Não respeitar gestantes, idosos, deficientes e adjacentes, também. Sou chata mesmo, fazer o quê?
Retomei a tese. Comecei pela bibliografia. Tava uma zona. Eu fiz uma bibliografia temática e não coloquei tudo nos devidos lugares, daí vocês imaginam a confusão. Separei uns trechos do Leonardo, pro penúltimo capítulo, mas a tese continua a rodovia Rio-Bahia: cheia de buraco.
Passei super mal de quinta pra sexta, o meu rim resolveu se revoltar com a fase camelo que a panda tava passando, por puro stress, distração e tosquice. Cara, é preciso tomar água. Paguei quatro multas de trânsito, da semana que o Celo tava no hospital. Mas sabe o que é mais engraçado? No meio disso tudo, como sempre, estou muito feliz, pensando coisas boas, e credito isso a um processo de amadurecimento ( enfim, né), em que esse espaço e a leitura de vocês foi imprenscindível. Time goes by, so slowly, and time can do so much.

Monday, May 07, 2007

One of those forms

Acordei hoje com uma vontade intensa, inexplicável, inadiável: traduzir Lord Byron.

Não, gente, não é piada. Eu acordei, tomei um longo banho, e me preparei pra mais um dia na Unicamp: aula de espanhol, café com amigos, almoço com Celo. E fui tomar English Breakfast Tea, Ahmad, com pão de linhaça e mussarela. No meio do chá, pensei, que formidável seria traduzir Byron. Mas como seria bom traduzir Byron.
Na adolescência, amava as aulas de Literatura e as apostilas com os poetas. Ia na biblioteca do colégio e fuçava tudo, aos quatorze anos danei de ler Camilo Castelo Branco, sem entender nada obviamente. E os românticos todos, Noite na Taverna. Quando estive em Roma pela primeira vez, vi a herma do Lord na Villa Borghese, e chorei ao ler um trechinho do Childe Harold. Botei a aula de espanhol pra escanteio ( com essa falta, já reprovei esse semestre), vim pra biblioteca do IEL e estou na companhia de George Gordon Byron. Vai entender!
"Uma dessa formas que nos arrebatam, quando
somos jovens, e fixam nossos olhos em todas as faces;
E, ai!- a doçura dos tempos vemos
Num brilho momentâneo, a graça suave,
A juventude, o despertar, a beleza que concordam
em muitos dos seres sem nome que desenhamos
Cujos rumos e casas não conhecemos, e não devemos conhecer,
Como a última das Plêiades que não podemos ver."

Sunday, May 06, 2007

Campeonato paulista

Do início do ano pra cá, todo domingo era o campeonato paulista. Eu assisti jogo no Tilli Center ( São Paulo x Corínthians) do lado de um corintiano que apoiou um carrinho horrível ( detalhe, eu sou são paulina), assisti no Luís ( Noroeste de Bauru contra Santos, em Bauru, inesquecível, dentre outros), e hoje a final passei ao lado de Jujubetes na Yellow House. Eu sempre sapeava, mas esse ano eu acompanhei o Paulistão de perto.
Vi a ascensão e queda do meu time, neguinho indo pra segunda divisão e o Parmeira do Luís levar na cabeça rodada após rodada. Vi os times do interior invadirem o espaço das velhas potências, e meus domingos campineiros vazios ( sim, porque eu moro entre a Macaca e o Bugre, e os dois não deram sinal de vida, pra variar) ganharam emoção por conta dos comentários do Casagrande.
Hoje foi incrível, o poder do pé frio da Júlia. A Jujuba me resolve torcer pro São Caetano, que tinha o campeonato no bolso. Deu Santos. Wanderley Luxemburgo comandou o time da Vila Belmiro com bastante garra, mas o jogo tava confuso pra burro, muita violência. Bom, enquanto isso era a final dos outros estaduais, e passa trechos de Botafogo e Flamengo, Maracanã lotado, e flamenguistas na casa do lado. Júlia resolve torcer pro Botafogo (???). Nunca vi mulher mais pé frio na vida, os caras perdem nos pênaltis porque o goleiro rubro-negro pega duas.
E agora rumo ao Brasileirão. Preciso achar uma tabelinha, e assistirei o Brasileirão. E tenho dito.