Thursday, February 22, 2007

Mais tese

Lá vai mais um trecho da minha introdução:



Em meio a tantos turistas que chegam a Florença, numa tarde fria de novembro adentrei na estação ferroviária de Santa Maria Novella, vinda de Pisa. Com uma bronquite crônica, enfrentei o frio e parte de minha desolação e espanto para entar na Galleria degli Uffizi e sua sala 16-B. Por ser um dia muito frio, cinzento e chuvoso, tudo parecia vazio, e o olhar dos personagens na Adoração Lama (fig.1) rebatia diretamente nos retábulos espetaculares, no outro lado do salão. Muitos historiadores afirmam que, na figura de manto amarelo à nossa direita, está Alessandro Marianni di Vanni Filipepi, conhecido pelos conterrâneos e por toda a posteridade Sandro Botticelli. Estudante precária da vida e obra do mestre florentino, bem sei que isso seria uma possibilidade entre tantas, uma aposta na tradição e na continuidade de certas formas e convenções. Se naquela tarde de novembro, eu me apresentei diante dos olhos argutos da figura de amarelo, e obtive uma resposta mínima, insignificante, mas uma resposta, vi reconhecido os esforços dispersos e desatentos que fizeram surgir essa tese.

Como historiadora, aprendi a escrever sobre coisas e acontecimentos. Mas tudo se perde numa névoa, quando se escreve sobre Botticelli. São poucos os documentos que atestam sua vida, poucos os que nos levam às suas realizações. E a minha tentativa, realizada no continente descoberto por um de seus contemporâneos, era mais canhestra que qualquer historiador poderia aceitar. Muitas vezes, nos anos desse doutoramento, tive que justificar minha escolha diante de interlocutores saudavelmente céticos, e diante de parte deles apresento os parcos resultados de minhas buscas. O meu consolo é que, no último exame de parte da bibliografia, percebi que não estava sozinha nas minhas incertezas e que pelo menos especialistas experientes e que puderam passar parte de suas vidas muito mais perto da Toscana do que eu, também incorreram em erros.

A idéia inicial das pesquisas surgiu da leitura de Visão do Paraíso, de Sérgio Buarque de Hollanda: o problema da visualidade do Renascimento, sua construção a partir da leitura e da transmissão de textos, e da produção de textos e experiências a partir dessa visualidade, me pareceu fascinante demais para permanecer no arquivo das leituras feitas por obrigações profissionais. Antes disso, tornou-se um norte, algo que sempre esteve no meu horizonte, mesmo quando tudo pareceu se esfacelar, por conta de vivências tristes. De Sérgio Buarque, passei para a tese de doutoramento de Aby Warburg, e o mundo da historiografia sobre o período se abriu.

Tuesday, February 20, 2007

Da condição feminina

Depois do post abaixo, sei lá tipo assim, resolvi escrever sobre o que tô pensando, fritando na cabeça esses últimos tempos.


Reencontrei algumas amigas queridas. Conversa vai, conversa vem, é aquilo: "os homens não prestam", "tô cansada de ficar sozinha, quero um cara legal, que faça tudo por mim", "ai, eu sofro, minha mãe foi e é muito ruim comigo, minha família não presta", "ninguém me ama, ninguém me quer, mas tem um cara a fim de mim, mas eu dei um fora nele, porque espiritualmente não me sinto pronta, mas chega a noite e eu te ligo pra dizer que queria alguém", a criatura te liga e fica três horas ali, martelando os ex, martelando teus ouvidos, e é a ansiedade, e é a ambiguidade, e é o caramba a quatro, e você ali.
Primeiro, não acho que os homens são todos uns filhos da puta. Tem muito homem que não presta, muito mesmo. Teve um que terminou comigo porque "queria uma mulher brilhante", outros terminaram porque "amavam a ex", outro fez isso na semana que eu tinha que entregar minha dissertação, outro me deixou de madrugada, chovendo, na rua, pegando um táxi, enquanto mandava um nas narinas, e assim sucessivamente. Já vi homem largar mulher e filhos, já vi cara que sumiu e nunca mais deu sinal de vida, já vi nego batendo e humilhando a companheira, etcs, e etcs. Mas ainda assim não acho que todos, todos, sem exceção, os seres do sexo masculino não prestam. E porquê?
Agora vem a segunda parte. Porque eu quero ser a responsável pela minha felicidade. 99% da vida é contingência: social, histórica, de gênero, etc e etc. Mas o 1% que me cabe, é meu. Portanto, eu quero cuidar do meu quintal. Eu muitas vezes não prestei, e muitas vezes não presto. Muitas vezes, por ansiedade, botei gente contra a parede, responsabilizei o outro pela minha alegria, pus o ônus da minha satisfação nas costas dos outros, e sim, fiz homens sofrerem. Não penso mais que o amor é ganho ou perda: é uma escolha. Não penso em conquistar ninguém: penso em compartilhar momentos, situações.
Terceiro. Parei de brigar com a minha mãe no pensamento. Minha mãe errou, e feio. Ela tem um gênio difícil, mas descobri que minha mãe fez o que pode, assim como eu faço o que posso. E que minha família tinha todas as neuroses que a família de todo mundo tem. Sofri, pra caramba. Assim como todo mundo. Errei, quebrei a cara n vezes, voltei atrás e fiz mais besteira ainda. Mas ponto. Dei o cano nas minhas amigas esse Carnaval, pra hibernar. Não quero ser mulher desse jeito, quero inventar outro jeito. Não sei qual é ainda, mas não quero me vitimizar, quero ir pra frente. Quero pensar em aliados, não em inimigos. Difícil explicar em palavras a sensação que me domina, eu fico brava e acabo brigando, briguei com as minhas amigas e disse: nessa vida, ninguém é santo. Tem homem que não presta. Mas tem mulher que, também, vou te falar uma coisa.

Bonequeiros, Dr. Lao, rede pública de ensino, que mais?

Gente, esses dias estão engraçadíssimos. Eu não tô fazendo nada, literalmente. Comendo que nem uma louca, tô chegando perto do meu peso-recorde ( believe me, tô gordinha), dormindo e enchendo o saco do alheio. Só no Ala-la-ô!

A única notícia que me chamou a atenção foi a dos bonequeiros do Carnaval de Olinda. Tenho paixão pelos bonecos de Olinda, apesar de nunca ter pisado na cidade fundada por meus ancestrais. Então, existe a profissão dos bonequeiros, que carregam os bonecos a R$60,00 por hora. Adorei as declarações de um deles: o pai era bonequeiro, e ensinou a não carregar boneco de barriga cheia, usar sunga e tênis, e a repórter pergunta: mas porque do tênis? E ele: porque às vezes o boneco dá um tapão em alguém, o povo quer bater no bonequeiro, que tem que sair correndo. A reportagem informa que não se tem notícia de bonequeiras, e cada um dos personagens pesa 20, 30 kgs. E que tem 500 bonecos rolando em Olinda esses dias.
A gente fez umas sessões de cinema na mãe do britânico Clis. Além da gente ver os filminhos do próprio na terra dos Beatles ( Clis, eu vi o pandinha no seu quarto) assistimos dois clássicos da nossa formação, "Fúria de Titãs" e "As sete faces do Dr. Lao". Bom, "Fúrias", bem convencional, e mistura todas as histórias da mitologia, mas o "Dr. Lao", é bom demais! Tem uma parte que eu tinha esquecido completamente, não sei se a Globo cortava, mas que é Dr. Freud puro. Tem muita gente que eu conheço que precisava de um Dr. Lao.
Hoje, conversando com a tia do Celo, que é professora na rede pública há mais de 20 anos, discutimos sobre a inviabilidade da política tucana pro ensino. Olha, partidarismos à parte, e hoje em dia nem faz mais sentido eu ficar com a bandeira vermelha hasteada, mas que os tucanos não dão certo na área de educação... depois dá no jornal que o ensino paulista nunca esteve tão ruim. Isso também acontece na rede particular; um dos motivos pelos quais penso duas vezes antes de um dia querer ser mãe é a porcaria das nossas escolas.
Tanto que pensei esses dias, tanto... post sei lá mil coisas. Ah, e tô colecionando Roberto Carlos, na FNAC comecei a ler a biografia não-autorizada do Rei ( aliás, o Rei entrou na justiça, reclamando da tal biografia). Não é bom o livro, mal escrito, mas vale pelas fofocas. E às vezes pela contextualização das musiquinhas que coleciono. Já peguei a música das gordinhas, das baixinhas, uma chamada "Símbolo Sexual", de 1985, que é legal demais, agora só tá faltando a das moças de óculos. E tenho dito!

Sunday, February 18, 2007

Prece na Catedral de Madri

Senhor, rezo nessa Catedral, a única coisa feia nessa cidade de Madri, nessa cidade capital de um Império, nessa cidade de homens e realizações, de espelhos e sacadas. Rezo nessa catedral e pergunto a mim mesma de onde meus antepassados espanhóis eram, não importa, em Madri me sinto em casa e em Madri enterrei minhas preocupações.
Peço, ó Virgem de Almudeña, ó mãe das flores e das mágoas, que eu seja amada pelos meus desacertos, que eu seja amada pelos meus desvãos, pelos escuros de sentimento, e não pelas minhas certezas, pelos meus momentos gloriosos, toda mulher erra ao pensar que os homens as amam por esses momentos; nos amam pela nossa fragilidade e não pela pretensa força da vaidade. Nos amam por amar; e amor não se pede nem conquista, amor não é território, é a luz do dia, existe por existir. As pessoas se encontram, não se pertencem. Peço humildade e doçura, e que eu seja flexível: é melhor que ser forte. Peço calma, paciência, serenidade: é melhor que sonhar. Peço para aprender a fazer pão, a usar as ervas na comida, a consolar, a rir e a chorar.
Meu São Francisco, que eu visitei e pedi, peço para não me deixar esmorecer, não me deixar desistir, não me deixar cair nas minhas fraquezas de caráter; que eu permaneça na simplicidade das cores. E que os momentos nessa Catedral cinza e triste se tornem o que eu preciso para viver, continuar, existir.

Friday, February 16, 2007

A chatice da panda

Os leitores amigos, tipo Dani Mônica e Chris, que me desculpem a chatice. Eu só falo da tese, só vivo na tese, tá demais.

Nem no msn entro mais. No Caronte deu pau, aqui no IEL resolveram cortar msn e Orkut ( desconfio um pouco dessas atitudes de cortar as coisas, acho paternalista demais, mas enfim). Ontem, excepcionalmente, tava no Celo e entrei no msn, e dei de cara com Nenem. Ela me contou da notícia de que 18 filhotes de panda foram batizados na China, por meio de concurso,e que os fofinhos brincam no playground e seguram suas mamadeiras:
Fiquei feliz de ver que os chineses batizaram meus amiguinhos de Sixue ( "saudade da neve"), Taotao ("brincalhão"), e que teve um baby-boom da minha espécie. Tá vendo só, Nenem? Os pandas vão dominar o mundo! Ainda mais se eles começarem a defender teses de doutorado!

É Carnaval...

E chegou o Carnaval. Tô pulando doidamente, da sala pro quarto, do quarto pra cozinha, da cozinha pro banheiro e assim sucessivamente, com paradas no camarote das bibliotecas do IFCH e do IEL. Ninguém merece tanta chatice.
Essa fase de final de tese, sinceramente, isso sim eu queria pular, acordar e ter a tese pronta. Como isso não ocorre, lá vou eu de parágrafo em parágrafo, consertando coisas. O que falta deixo em amarelo, e minha tese parece um queijo suíço, de tão amarelinha e cheia de buracos.
Ando com uma fome louca e com a bronquite a toda, acho que nunca estive tão panda em toda minha vida. Que miséria, só penso no Gerião, no Virgílio e nas duzentas páginas que já consegui ajuntar. Minha mãe foi super fofa, me mandou me concentrar na coisa e ir pra frente. Eu estou com a minha casa uma zona, dois dentes estourados esperando tratamento, IPVA pra pagar, roupa pra lavar, um inferninho, e no meio disso eu consigo quebrar todos os foninhos disponíveis. Vou na loja de 1,99 e compro foninhos que não duram uma semana, nessa rotina de ligar o Neguinho do Pastoreio a toda quando faço todo tipo de atividade, ouvindo de Milton Nascimento a Wando, de Pet Shop Boys a Barry White. Mas que desgrama.
Fico lendo os jornais, nos intervalos dos trabalhos de Hércules, e me deprimo ainda mais. Não tô podendo. Nesses anos de universidade, eu vi muitos colegas na fase de final de tese, e achava que o povo exagerava. Não, não, é um ritual de iniciação dolorido. Num certo sentido, é mais fácil que no mestrado: você já tá mais escaldado, preparou várias coisas, deixou o feijão de molho e a cebola cortada. Mas, ao mesmo tempo, é uma despedida de uma fase da vida. Depois, com o título, é outra história: você abraçou de vez a carreira acadêmica, é concurso, banca, aula, o caramba a quatro. Vejo alguns professores rodando IFCH e IEL, nesses dias, e colegas, e penso, todo mundo passou por isso um dia: o desespero de ter escrito uma mísera linha quando se deveria ter escrito cinqüenta páginas; o medo da banca te detonar; e a impressão de que se fez tudo errado, que tudo foi pro brejo sem remissão.
Que fazer, como perguntaria Lênin? Sentar a bunda na cadeira e castigar o teclado. Fazer o quê?

Wednesday, February 14, 2007

O início

Ontem, fiquei vagando pela velha biblioteca do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, onde pra mim tudo começou e onde tudo recomeça, batucando em Caronte ( meu laptop, o barqueiro do Inferno) a tese onde tudo terminou e onde tudo termina.


Muito confuso isso de escrever. Peguei da estante a minha velha dissertação de Sociologia, defendida, vejo na capa assinada pelos mestres tão queridos, em 20 de fevereiro de 2001; pego uma tese, de um conhecido, e a minha dissertação parece infantil e sem sentido, perto da dele. Mas leio a lista de agradecimentos, e percebo que a minha me comove também: retorno a ela e vejo quão doce, apesar de ingênua, era a menina que "agradeceu às muitas pessoas queridas que fizeram com que meu sonho de escrever um texto sobre Adorno se tornasse realidade"...

Vejo as estantes, inexpugnáveis; a estante das monografias, onde a minha repousa também e onde celebro a memória da minha avó e de meu pai; e penso que lá em Campos dos Goitacazes, norte do estado do Rio de Janeiro, em 1950, eles não tinham a mínima idéia de que alguém escreveria sobre música popular, paixão dos dois, e que isso viraria um objeto, numa estante entre outras, numa biblioteca erguida no que naquela época era mais um canavial.


A minha mente vaga no presente, passado e futuro, e se não fosse pelo Beto, que estva junto na labuta, moquifados os dois na mal fadada salinha da História da Arte, eu ficaria com a cabeça emperrada na coroa de um monstro da Divina Comédia, nos idos de 1481.

Hoje acordei e me deparei com o início da minha tese. É assim:



No silêncio, repousam as coisas. Elas, em alguns aspectos, vencem os homens que as produziram: vencem no tempo e no espaço, atravessam séculos e giram os continentes. Um livro, uma série de papéis desenhados, três ou quatro telas pintadas com tintas feitas com ovos: depois de seis séculos, tais coisas parecem pairar sobre as cabeças de quem ousa se aproximar delas, têm vidas próprias, perderam o status de coisas e se tornaram invencíveis.

Seria possível retornar, das coisas, às pessoas que as fizeram? Ou pior, chegar às intenções desses homens, nas suas mentes, no que tinham em vista quando resolveram arrumar pincéis, papéis e palavras? Porque, materialmente, o que nos sobrou, da época em que viveram, foi isso. Jacob Burckhardt, em suas Reflexões sobre História ( aqui puxa nota, mais uma, hahahaha), diz que uma das tarefas do historiador seria, entre dar aulas, comunicando fatos passados às gerações seguintes ( como os aedos na Grécia e as velhinhas contadoras de história, em todas as partes), escrever sobre essas coisas que sobraram, para compreender melhor os homens que as fizeram. Essa tese seria mais uma frustada tentativa de se chegar perto dos florentinos do século XV, melhor dizendo, de um florentino do século XV. Talvez a inutilidade da tentativa a faça patética e mesmo bela, como todas as tentativas dos historiadores, de hoje, ontem e agora.

Sunday, February 11, 2007

Somewhere Over the Rainbow

Hoje, no msn, fiquei sabendo pelo meu amigo Flávio do falecimento duma figura querida da Unicamp.


Chegou causando polêmica no IA, contando da vida como travesti de rua, usando saias. Por onde passava, criava perplexidade, na cabeça bem comportada dos acadêmicos de plantão.


Uma noite, por acaso, fui parar na casa da figura, na moradia. Lá, ele me mostrou fotos antigas, outras nem tanto, atestando a trajetória, o caminho, tão diferente da maioria dos colegas. Depois, um dia, no café do IEL, me disse que estava no Nordeste, contou tudo do jeito debochado, inteligente e maluco de sempre, e disse que se lembrava da noite que tínhamos conversado, dez anos atrás. E se despediu. Ainda o vi na correria do campus, outras vezes, e eu botava fé na saia e no jeito maluquete.
Agora, Rogério, só te desejo muita luz, muita luz, cor e cor na sua nova morada, onde for; e que, além do arco-íris, você encontre a paz.

Noites com Sol

Ando nervosa, chata, tensa com a tese.


Nada me alivia. É triste essa fase. E o pior, a bolsa acaba, e o que vou fazer? Sei que tem gente com problemas bem piores que os meus, que isso não é nada perto de passar fome, etc, etc. No fim, até envergonhada fico, nesse escritório em plena Campinas, tamborilando sobre problemas de séculos passados, enquanto tomo chá inglês.
Também fiquei deprimida com a história do menino assassinado com brutalidade no Rio, e tudo o que se escreve depois, sobre a punição dos culpados, sendo que um é menor de idade e tal. Não tenho cabeça pra refletir agora, leio as colunas e vago num cinza de tristeza, sem conseguir proferir uma opinião inteligente. Fiquei olhando o rosto do garoto de 19 anos, suposto líder do grupo que fez o que fez, e não reconheço nem em mim nem nele piedade. O ódio é assim, frio, transforma sangue e carne em nada, uma criança num boneco, e uma mente num abismo.
No meio dessa fase delicada, triste pra burro, falta de grana, nervoso, ansiedade, vejo o jogo do Corínthians com o São Paulo, meu time, e ouço uma música que eu tenho a impressão, ser brega, do Flávio Venturini, Noites com Sol. "Hoje só tem o breu/ vem me trazer o sol/ vem me trazer amor/ Pode abrir a janela/ Noites com sol e neblina/ Deixa rolar nas cantinas/ Deixa entrar o sol/ Livre será se não te prendem/ Constelações/ Então verás que não se vendem/ Ilusões/ Vem que eu estou tão só/ Vamos fazer amor/ Vem me trazer o sol"...

Friday, February 09, 2007

O boêmio demodé e a nega do cabelo duro

Esses dias eu fiquei em casa, faxinando e tentando escrever a tese. Veio aquele bloqueio básico, o desespero que acompanha o bloqueio, a depressão e o mau humor. Lindo.
O que me salvou foi a selva escura do Orkut. Achei uma comunidade de Marchinhas de Carnaval, e gente que vive cavando em vinil as velhas marchinhas. Um senhor de Brasília muito gentilmente cedeu uma pasta enorme, compartilhando gravações originais de pérolas como Chiquita Bacana ( na voz linda da Emilinha Borba), O teu cabelo não nega ( Lamartine Babo acabou com o Carnaval de 30 e pedrinha, na voz de Castro Barbosa), Ala-la-la-ô, Aurora ( essa é uma das minhas favoritas) e outras que tais.
Nem precisa dizer que a tese foi pro buraco e eu baixei tudo que pude. Mas no meio da comunidade, representada por uma linda colombina, descobri uma música do balacobaco, como se dizia na época. Chama Boêmio Demodé, de autoria de Adelino Moreira, informa o pessoal da comunidade. Esse compositor era o favorito de ninguém menos que Nélson Gonçalves, mas na época dessa música ( 1969,70) eles estavam brigados, e quem gravou foi um cantor chamado Paulo Vinícius, de voz idêntica da do Nélson. Além de citar a conquista do homem à lua, Apolo 11, cita os acordes dissonantes tropicalistas. Demais! E peguei a original da minha querida Nega do Cabelo Duro, com os Anjos do Inferno. Pronto, tá bom, e ando morrendo de vontade de comprar confete e serpentina, andar de biquíni, e mandar a tese pro quinto dos infernos.

Monday, February 05, 2007

Bolo de fubá, autonomia universitária e Almeida Júnior

Hoje foi tese, faxina, supermercado, aquela coisa.


Resolvi fazer um bolo de fubá. Calma, gente, eu não tenho batedeira, e meus poderes bolísticos são super limitados, resolvi fazer Dona Benta mesmo pra não ter erro. Vamos ver se o bichinho sai. Tava com vontade de comer bolo de fubá.


A coisa anda preta nas universidades estaduais paulistas, quem acompanhou viu toda a discussão sobre os decretos do nosso novo governador sobre a autonomia das três Marias. Coisa horrorosa, o Serra está a fim de ferrar mesmo com a suposta elite do ensino superior brasileiro. É melhor apresentar pro eleitorado paulista, sempre inconstante, FATECs e programas como o Pró-Uni, do que segurar a barra de Unesp, Unicamp e USP da vida. Aconselho quem ainda não está a par a ler a documentação toda, no site da Unicamp.
No meio disso tudo, fui na Pinacoteca ver a exposição do Almeida Júnior. A exposição em si não está boa, mas o pintor vence a exposição. Lindos quadrinhos pequenos e uma aquarela maravilhosa,chamada Dengosa.
Tô meio dispersa, como vocês podem perceber, esse é um post sei lá mil coisas. Ah, nesses dias eu fico muito feliz em alguns momentos, e muito triste em outros. E a tese vai no ritmo de uma nota de rodapé por dia. Ando meio desligado, eu nem sinto meus pés no chão.

Tuesday, January 30, 2007

Babel e o Menino da Porteira

Tive um final de semana esquisito. Fui pra São Paulo, pra festa de amigos queridos que reencontrei nesses dias paulistanos, e foi muito legal tudo. No domingo, passeamos, coisas legais aconteceram, e fui assistir Babel. Bom, mas no meio do caminho da rua Augusta vi um amigo muito antigo. Na verdade, no início, ele foi uma grande paixão, mas depois de vários sobressaltos, desentendimentos e encontros, a gente ficou amigo. Eu sabia que meu amigo estava muito doente, mas no domingo eu descobri que infelizmente ele tem problemas bem sérios.
E assisti ao filme, que tem partes legais e outras nem tanto, mas que fala da fragilidade da vida nos dias que correm. Eu me senti muito frágil no domingo, em meio à tempestade que caía sem trégua sobre a combalida cidade em que nasci, senti medo, raiva, mas vi solidariedade, carinho, delicadeza.
Enquanto eu sofria ao constatar que o tempo passou muito mal pro meu amigo, pensei que ao mesmo tempo, algum casal fez amor e uma criança vai nascer disso, que gente morreu mas teve quem nascesse, quem trouxe uma boa notícia, quem inadvertidamente impediu um assassinato, quantos sorrisos foram dados, quantas risadas, e pela primeira vez eu vi que as coisas boas podem ser mais voláteis e frágeis, mas por elas a gente se guia em meio à metrópole.
Meu pai adorava o Menino da Porteira. Eu acho tão linda essa música, porque fala de uma lembrança, e eu lembro do meu pai chamando um colega da Cesp, que era de Ouro Fino, de Menino da Porteira ( meu pai às vezes mandava mal). Então é isso.

Wednesday, January 24, 2007

Uma nota de rodapé da minha tese

Minha tese vai na base de uma nota de rodapé por dia. Com dois canais de dente pra fazer, carro com barulho de Fusca, duas lâmpadas queimadas, um chuveiro arrancado da parede e um vaso sanitário vazando, além da perspectiva de desemprego dentro em breve, acho que vai bem a coisa. A minha favorita é essa aqui:
É o caso da lenda da relação de Virgílio com a filha de Júlio César, Febilla. Velho mago, Virgílio encanta-se com a moça, que lhe diz para vir ter com ela à noite. Para fazer o poeta subir até seu quarto, a bela deixa uma cesta pendurada a uma corda: o poeta sobe na cesta, mas Febilla não puxa a corda até o fim. No outro dia, toda Roma vê o poderoso mago pendurado numa cesta. Mas Virgílio se vinga: graças a um feitiço terrível, ele extingue o fogo de Roma, mas Febilla se incendeia, no meio das pernas. Os romanos, fazendo troça da moça, acendem suas tochas no seu sexo ardente. Existem várias representações, tanto da cena do poeta na cesta, quanto dos romanos buscando fogo em Febilla, como o capitel decorado da Igreja de Saint-Pierre, em Caen. Há vários exemplos de tais cenas em FAGGIOLO, Marcello ( a cura di). Virgilio nell’Arte e nella Cultura Europea. Roma: De Luca Editore, 1981
A moça com fogo na fofinha me alivia dos pobreumas!A erudição inútil não é ótima?

Saturday, January 20, 2007

Lentilhas e tese

Ontem fiz um bolo de caixinha ( quer dizer, hoje em dia o Dona Benta vem em saquinho) e a Yna pôs uma cobertura em cima, um brigadeiro mole com café. Hoje estava o dilúvio, a gente tinha combinado um passeio em Joaquim Egídio, pra ver o cometa no Observatório Municipal. O Observatório, que tem um dos maiores telescópios óticos do Hemisfério Sul ( believe me), fica na Serra das Cabras, uma serrinha linda, mas tem um bom pedaço de terra subindo. No caminho, tem um restaurante siciliano excelente. O Observatório é um dos meus lugares favoritos no planeta Terra.
Mas voltando, choveu demais. Meio dia me levanto, com uma fome danada pensando, mas que faço pro almoço. Fiz uma panela de arroz que ficou soltinho. Pus lentilha de molho, batatas pra cozinhar. Resolvo descer pra comprar uma linguiça de frango e uma couve, sei lá, o telefone toca, é Yna desolada com a chuva e o sábado tedioso. Convido pra almoçar, pergunto se ela tem problemas com linguiça de frango. Não sei porque, mas lentilhas me fazem lembrar linguiça de frango, e couve. Saio correndo do prédio, meu zelador que é um anjo vem atrás de mim com um guarda-chuva do Mickey, dizendo, te conheço, o que você vai querer comprar não tem na padaria da esquina.
Não tinha mesmo, rodo, vou até o restaurante português na outra esquina, restaurante velho de guerra com a clássica tv de cachorro na porta. 14 pilas o frango, qué isso. Vou no Itaú, o cartão não passa. Corro em direção ao Centro de Convivência, com fome, pressa, e a chuva molhando a barra da saia. Compro um belo dum frango assado por 5 paus, uma farofa que tava simpática do lado, maçãs, um queijinho, azeitonas. Volto mastigando um salgadinho. A batata está cozidérrima, a lentilha já vai, o pessoal chega, ajuda, a batata vira um troço com margarina e alecrim colhido do pé, o azeite libanês ajuda, asso maçãs com açúcar e canela, o papo rola na sala, uma sangria aparece, e a gente comeu, viu fotos, livros, até brigar brigamos.
Volto pra tese, junto os cacos de quatro anos de trabalho descontínuo e desorganizado, de esforços em direções equivocadas, de muita preguiça, de rolos na vida, Chicago, Pisa, Campinas, São Paulo, Rio de Janeiro, tanta vida dentro disso. Falei com amigos em São Paulo, eu queria muito fazer a tese da tese. Uma exposição de fotos, comidas, receitas, das coisas rolaram com a tese, para a tese, contra a tese, todas as posições socráticas possíveis, toda a ágora quebrando o pau, e ninguém chegando a conclusão nenhuma, mas uma coisa é certa. Esaú vendeu a primogenitura a Jacó por um prato de lentilhas, eu faria o mesmo com a minha tese...

Friday, January 19, 2007

Aos trancos e barrancos

Aos trancos e barrancos retomo a vida. Coragem falta, as pernas bambeiam, merdas acontecem, mas aos trancos e barrancos a coisa vai.

As duas semanas que passaram, estava em São Paulo, reunindo toda coragem possível pra procurar emprego, amigos queridos, laços de afeto que ficaram pra trás e ruminando a tese. Mudei o esquema da dita cuja e retomei os trabalhos de Hércules.
Tem horas que eu fico muito atrapalhada e a vida dói demais. Vem uma tristeza grande, forte, um sentimento de perda e uma desorientação. Perdi a bússola do meu coração no ano passado. Explico. Eu tinha uma amiga em quem confiei tudo da minha vida, e que me traiu dum jeito horroroso. Tô cansada de gente falando mal dos outros, desse esquema competitivo do mundinho acadêmico. Que saco, almoços e almoços de gente descendo a lenha nos outros, e o tom de quem é o juiz do mundo. Hoje aconteceu de novo com umas figuras conhecidas, eu me sinto mal, mal, mal, tô de saco cheio, não gosta de mim, fala na minha cara e pronto. Na verdade, eu sinto falta de algumas pessoas, de outras não sinto nada, nada mesmo, só lamento.
O bom foi que vi uma exposição muito bonita do Volpi no Banco Central, na Avenida Paulista. É de grátis, vale a pena ver, tem umas litografias lindíssimas do tiozinho do Cambuci. Vale a pena demais.

Friday, January 12, 2007

Cama e Mesa

Fiquei com o Meio na cabeça todos esses dias, entre Natal, Reveillon, tratamento dentário, problemas com a tese e casa, nachada, e finalmente uma temporada relâmpago no velho Piratininga. Queria postar uma música do Lucio Dalla pra vocês, de Feliz Ano Novo, e não postei, queria postar a receita recém inventada do camarão e nada, vários posts na cabeça e quando fica assim, melhor encarar de qualquer jeito e retomar os trabalhos de Hércules.

Problemas em geral, mas muita felicidade no meio, revi gente muito querida, blablabla. E ouço todo dia Cama e Mesa do Roberto, e todo homem precisa saber o que quer. Não há vento favorável pra quem não sabe onde vai, sei que parece auto-ajuda barata, mas é a verdade. Eu quando criança achava a música do Roberto breguíssima e hoje sei que Maria Bethânia tava certa quando mandou o Caetano "prestar atenção em Roberto". Hoje prestei atenção em Roberto mais uma vez e descobri que em Cama e Mesa está o mundo em que habito por vários instantes do meu dia.

Quando a gente sabe o que quer, tudo fica Roberto: a voz límpida, certeira, a paisagem se descortina, a vida se renova.

Também tive um sonho lindo. Peguei na estante do Paulo, o anjo que me recebe na velha São Paulo natal, a edição comemorativa dos 70 anos de Raízes do Brasil, que a gente chamava, carinhosamente, lá no IFCH, de Mandioca, Inhame e Batata Baroa. Muitas fotos lindas do Serjão, o fantasma que embala os sonhos dos jovens historiadores unicampistas. Eu assisti aos dois filmes-biografia do Sérgio num dia péssimo da minha vida, quando sofri um acidente de carro e quase me junto ao pai do Chico. Pois bem, vi o livro e no meio da manhã adormeci, e sonhei que estava numa casa cheia de gente, almoço na mesa, aquela zona, e eu com um cigarro nas mãos, querendo fumar, e prestando atenção e meio que não prestando atenção em nada. E aí, Sérgio Buarque de Hollanda se senta do meu lado, e gentilmente acende meu cigarro, pra minha surpresa, eu que não tava esperando nada disso de ninguém naquela cena. E pensei, homens assim não existem mais, nasci na época errada. Lindo, não?

Outra coisa foi ir na Pinatoteca, ops, Pinacoteca, e ver o Brecheret que tiraram do Cemitério, a Musa Impassível, lindo, lindo, tão lindo ver algo que nunca se viu de um artista de quem se pensa que se viu tudo. Fui almoçar no grego do Bom Retiro com velha comparsa de crimes e tramóias, fui jantar na Liberdade com velho comparsa de crimes e tramóias, tomei um café no Sujinho da São João com idem, ibidem, e agora volto a dormir pra encontrar o Serjão. Feliz 2007 pra todos.

Sunday, December 24, 2006

Feliz Natal

Esse ano foi corrido e sofrido, o Natal chegou bem antes do que eu esperava. Hoje devido ao calor, ao sono e às reflexões atrasadas, não pude contribuir muito pro espírito natalino, e os queridos e queridas que apareceram via telefone, msn, orkut, pessoal e espiritualmente, também estavam todos atribulados. A vida não está fácil, me diz o amigo querido via Telefonica; não, não consegui comprar um cartão na padaria pra ligar pros outros queridos que estão espalhados pelo mundo. Nem a torta de morango consegui encomendar na padaria, mas em compensação fiz camarão com molho branco, e servi panetone rodeado de suspiros de diferentes formatos.
Agora vou embrulhar os presentinhos trazidos da Velha Bota, tomar um banho e ajeitar qualquer roupa decente, ceia na mãe, e daqui do meu cantinho mando bons votos a todos os leitores.
Em outro blog, de um conhecido, leio a velha cantilena que o Natal é enganação, que devemos dizer não ao consumismo e bla bla bla. Eu gosto do Natal por duas razões: primeiro porque adoro panetone ( hahahaha) e segundo, e mais importante, porque no Natal a gente revê ou vê melhor quem a gente ama. Feliz Natal!!

Tuesday, December 19, 2006

Retrospectiva 2006?

Esse calor tá matando e tá deixando todo mundo louco. Não consigo dormir e estou num cansaço inacreditável, imagino que os queridos leitores do Meio estão me lendo embaixo do ventilador.

Resolvendo pinimba. Seguro do carro, PUCC ( que foi um horror), e finalmente a panda resolveu encarar um tratamento dentário, sério, no CECOM. O dr. Ricardo, que foi o dedicado profissional que tirou meus sisos, há muitos anos atrás, muitos mesmo, me deu uma das maiores broncas que eu levei na vida. Merecida. A panda é desmiolada no quesito saúde. Acordei ontem e hoje num mal estar, num cansaço novo pra mim, mas rumei pro CECOM, e assim vai ser. Preciso passar no banco, e esqueço a maldita senha da PUCC em casa.

E assim, aos trancos e barrancos, acabo 2006. Ano comprido, custou a passar pra mim, coisas muito, muito ruins, e coisas muito, muito boas. Como contrabalançar a dor pela amizade perdida, com a visão da torre torta? O sofrimento da suspeita do câncer, com a alegria de ver o Duomo? O rostinho dos meus queridos e queridas e os assaltantes? O dente quebrado, a mancada, o sorriso? As lágrimas e as alianças, antigas e novas? O Prado, o Thyssen Bornemisza, os Uffizi, os dois relatórios FAPESP, qualificação, artigos, congressos, Toscana e Minas Gerais? Curso de maquiagem, Hermes Trimegisto, músicas no i-pod, insônia, cozinhar, os segredos passados e futuros? Principalmente segredos, esses dentro do coração. Não é pra menos essas olheiras panda, no dia de hoje.

Thursday, December 14, 2006

Reflexões leves

Volta, crises emocionais, calor, chuva, pobreumas burrocráticos ( seguro de carro, diário de classe, tratamento dentário) me tiraram do sério nos últimos dias. Chatices, chatices sem fim. E eu torrando o saco do meu Sancho Pança, o Luís Fernando, e achando que os dragões na verdade são moinhos, e vice-versa.
Sabe aquelas fases onde as coisas ficam mal paradas, o camarão no congelador espera a receita, aliás no meio de tudo isso inventei uma receita nova de molho de atum, frita-se cebola e alho em azeite libanês ( vai por mim, é gostoso demais, é caro mas os libaneses sabem o que fazem), pega-se tomate italiano pelado cortado em cubos ( custa mais eu sei, mas vale a pena porque o tomate dos caras realmente não é ácido), tempera-se na panela com bastante manjericão, pimenta do reino, sal a gosto, um tiquinho de nada de noz moscada, atum light ( sei que é frescura, mas se não der pega o normal e tira aquele óleo). O toque seria gergelim torrado, põe no final e não exagera porque senão já viu. Veja, é o velho molho de atum de sempre com ingredientes bacanas. Enfim, o segredo é fazer o de sempre inovando nos fatores? Ah, eu servi com penne da Barilla, al dente, pelamor.
Recebi mensagem que me acalmou a alma, eu tava aflita demais. E botei no I-Pod Martinho da Vila, Chris Rea, Nina Simone, xotes de Elba, muito Milton, mas principalmente Tudo, do Sentinela. Essa canção do Milton fala do que eu queria falar nesse post, mas eu não sou o Milton, então vai a receita de molho de atum mesmo.
Ah, o gergelim foi invenção do Celo.

Friday, December 08, 2006

To Love Somebody

Voltei. Depois dos últimos dias em Pisa, que foram uma correria ( textos e textos pra xerocar na Normale e na Universidade), de tropeços e desacertos, e tristeza por abandonar aquela cidadezinha tão querida, fui pra Madri e foi aquela maravilha, salas e salas de obras de arte no Prado, no Thyssen-Bornemisza, parques e tortillas, amigos e risadas. Madri foi lindo.
Voltei, pra tese, pra terminar o semestre na PUCC, pra acertar contas e cortar as pontas. E aí um amigo me estraga o dia, a vida, com um sentimento novo, na voz de Nina Simone. E com To Love Somebody, começo a tese e termino o doutorado.