Wednesday, September 20, 2006

Dos símbolos alquímicos e da necessidade de viver

Eu descobri uma coisa. Pequena, insignificante, quase, mas para mim uma coisa legal.
Estudo para o meu doutorado os desenhos que o Botticelli fez, ilustrando a Comédia. Momento feliz esse, o final do século XV. Grandes caras se encontram, conversam, e deixam o mundo bem mais belo.
Descobri que o Virgilinho do Botticelli, que me acompanha há quatro anos, e que literalmente paga as contas lá de casa ( via a Fundação de Amparo, não se esqueçam) tem a mesma fuça, o mesmo jeitão, do Hermes Trimegisto do piso de mármore de outro mundo da Catedral de Siena. Os dois são a mesma pessoa, o mesmo sujeito. O Hermes Trimegisto que é o pai da alquimia, dos processos de transmutação dos metais, dos materiais, dos sentimentos e das idéias.
Fiquei feliz porque, conversando com menino João Francisco, alquimista e fofo nas horas vagas, percebi que meus últimos posts são sobre isso, no fundo. O retorno de Saturno, pra mim, acaba agora. A crise dos 30 passou, tenho certeza disso. Agora quero ser alquimista, quero transformar tudo numa grande atmosfera brilhante, como no gloss do curso de maquiagem, como no porco a porchetta, e quero viver simples e linda como London, London do Caetano.
E estou nisso, com Hermes Trimegisto, quando sei que uma tragédia aconteceu na Unicamp. Um menino, calouro do curso da História, almoçou com um amigo, subiu a torre da caixa d'água do Ciclo Básico e se jogou. Morreu no meio-dia do campus. Amigos meus estão chocados, muita gente comentando, uma tristeza infinda. O Chris no blog dele afirma ter o pressentimento que tudo está muito, muito ruim, Getúlio no msn concorda, eu com saudade de tanta gente, porém, sinto que infelizmente no meio-dia tragédias como essa podem acontecer.
Gostaria de deixar uma mensagem de carinho ao menino, aos seus familiares, aos amigos, a nós. Ultimamente, no meio da correria em que tô metida, no meio literalmente, sinto um amor profundo por tudo e todos, como em London, London. Na minha cabeça Caetano sentiu algo parecido. Tudo é muito ruim, escuro, mas a gente continua transmutando a tristeza em riso, o som em música, o peixe em assado, a cor em vida. Mesmo com tanta tristeza, com tanta tragédia, com tanta dor.

Tuesday, September 19, 2006

Tá acabando...

Não acredito em Astrologia. Sempre duvidei desse negócio de ser virginiana, logo seria uma pessoa racional e organizada. Só pelo Meio vocês podem ter uma idéia do que é minha organização. Depois que eu li o livro do Adorno sobre isso ( The Stars Down the Earth), aí fiquei mais incrédula ainda. Pra quem não sabe, o Adorno, exilado nos EUA, teve a pachorra de ler as colunas de astrologia por um ano, e depois fez uma análise descendo a lenha nesse ramo dos conhecimentos esotéricos.
Pois bem, mas talvez astrólogos, tarólogos e afins estejam certos quanto a esse lance de inferno astral. O meu esse ano foi expandido, começou cedo, mas segundo a crença, daqui a pouco acaba ( sim, completo 29 primaveras, e daí?).
Um vizinho aqui do prédio começou uma obra faraônica, literalmente. Às sete da manhã em ponto começa a barulheira insuportável. Eu e Celo quase piramos. Eu precisando preparar aula pra Pucc, ele com as coisas dele, e ninguém consegue fazer nada com um estrondo desses. Eu fui descer a lenha via interfone, o dito não funciona.
Tive um trabalho do cão pra preparar aula, saio de casa arrumada, banho tomado e tudo o mais, na saída do prédio tem uma pequena porém íngreme ladeira. O Celo usou o carro antes, e ele é duas vezes e meia maior que eu. Arrumei o banco antes de sair, mas na ladeira o bicho foi lá pra trás. Agarrei o volante com força e enfiei o pé no acelerador, porque senão o portão de ferro da garagem me pegava. Passado o susto, vejo que abri o pulso esquerdo. Uma dor, e aula pra dar. Paciência, fui pra Pucc.
Não sei o que acontece com alguns alunos. Eles falam, falam sem parar, e eu dando esporro. Daí uma menina fala, mas professora, passe a lista no início da primeira aula e eles vão embora. Talvez ela tenha razão, mas eu não me conformo, não estou dando aula pra quinta série ( talvez quinta série fosse melhor).
Então é isso, uma semana quebra o dente, na outra abre o pulso, e o saco vai enchendo. E o conteúdo, inexpugnável, Expressionismo e Fauvismo na mesma aula.

Friday, September 15, 2006

Atmosphère Brillant

Hoje fiz uma coisa bacanérrima.
Andando pela Renner do Shopping Iguatemi com as meninas, daqui a pouco aparece Vanessinha com um folheto. Descobrimos que a rede oferece, nesse mês, vários cursos de maquilagem, patrocinados por grandes empresas de cosméticos, como Payot, Revlon, e até a boa e barata Elke ( dela mesma, da rainha Elke Maravilha). Mas pra quê, a mulherada se assanhou toda.
Passou a semana, e desencontro vai, desencontro vem, descubro que as meninas marcaram o curso e eu fiquei sem vaga, porque elas não sabiam se eu ia ou não. Fiquei triste mas a linda elfinha, ops, Vanessinha, conseguiu cavar uma vaga pra mim.
Acordei, dei duas aulas ( gratuitas, uma num cursinho aqui de Campinas e outra na velha Unicamp), almocei num japonês muito bom que tem aqui, porque não sou de ferro, e às quatro horas descubro da vaga. Voei pro Shopping Dom Pedro, entrei na Renner e sou atendida pelas meninas do famigerado balcão de cosméticos. Elas me levam pro interior da loja ( lá dentro é imenso, imenso), no segundo andar, e no salão de treinamento está a mulherada. Nenhum sinal das meninas, fico triste.
A marca ( não vou falar qual é porque senão parece propaganda) manda uma maquiadora profissional, toda equipada, bem maquiada e simpática. Uma mulher bonita, dos seus 4o e poucos anos, impecável, auxiliada por uma menina da Renner, não tão bem maquiada assim ( mas aí dá um desconto, a menina era super novinha). Lanchinho ( biscoitinhos), Leite Ades de Soja, guaraná e café. Presentes duas meninas chinesinhas fofas, duas mocinhas e duas amigas um pouco mais velhas. As duas mocinhas eram filhas de uma das mais velhas, muito despachada, que foi escolhida pra ser a cobaia. Não sei porque, mas era a mais esteticamente desfavorecida, no sentido tradicional ( não estou me incluindo).
A moça senta na cadeira, e a maquiadora começa. Limpa bem a pele, e fornece os produtos pra gente limpar a pele também. Que delícia, tudo cheirosinho. Daí, a base. A base é um negócio horroroso. Se é vagabunda, a cara da cidadã fica caiada, artificial, no calor derrete e é um estrago. Atualmente, as marcas se esforçam pra fazer bases e pancakes muito naturais. E não dá outra, pele de porcelana em cinco minutos. Muitos, muitos pincéis, de diferentes formas e tamanhos, que a maquiadora vai molhando de levinho na loção tonificante.
Tudo é delicado. Não se usa o indicador, dedo que pesa, mas o pai-de-todos e o anular. O blush é um show à parte, passa-se da têmpora pro osso da face, não o contrário. O olho é o que dá mais trabalho, primeiro o delineador ( eita coisa difícil, esse pra errar é três segundos), depois a sombra clara em cima, a sombra mais escura, e todo mundo desanda a perguntar. Cada passo é acompanhado por um "uau! mas tá super bonito!"... a cobaia pede um espelho, e se vê mais bonita sim, é verdade. Tudo truque, mas quem disse que mulher não pode usar truque? Sou super a favor de truque nessa vida. Salto alto, lingerie mágica, pancake, eu sou uma perua enrustida. Tudo vale, pra se sentir bem e ficar feliz.
Cada pozinho é usado supermegaultra pouquinho. Bom, pelo menos isso, considerando que toda a maquinaria é literalmente o olho da fuça, a maquiadora é a mais econômica do mundo. Por exemplo, o batom, que toda cidadã tem ( eu tenho dois, não uso nunca, never, jamé, em tempo algum)... e que a gente passa na boca direto. Errado, pega um pincelzinho chinfrado, daquele pequeninho, e três passadinhas são o suficiente. Depois, gloss delicados.
Daí vira espetáculo. A filha da cobaia se anima. Porque agora é a vez do pancake, seco, que se usa molhando a esponjinha, e alguém pergunta de delineador colorido. Mas nem precisa de delineador colorido, diz a orientadora ( nos termos do questionário da Renner). Molha o pincelzinho no tônico, e pega a sombra azul que você tem no seu estojinho básico. Pra quê, uma linha lápis-lázuli Giotto aparece no olho. Chiquérrimo! Truque do bom esse.
Uma das chinesinhas quer ir no casamento da amiga. Reclama que os olhos puxados são barra de maquilar. A representante da multinacional, essa filha de Eva que te entende como ninguém ( entende o mais profundo desejo de todas as filhas de Eva, ser bonita) não se dá por vencida. Pele de seda em cinco segundos, puxa delineador, sombra e o olho da chinesinha abre como um leque. Truque em cima de truque.
Nem preciso dizer que adorei. Sei que muitos vão pensar, a moça do Meio pirou, pirooooooou... sei que aparência não é tudo na vida, e que muitos passam fome e etcs. Sei que é peruíce. Mas um pouco de cor, de sabor, não faz mal. Lógico que no final a menina da Renner te oferece tudo. Não comprei nada, a socialista-marxista falou mais alto, mas que fiquei com vontade fiquei. No final, as meninas não apareceram porque foram no curso no Iguatemi ( êêê cabeças-de-pudim)! E eu mofando no Dom Pedro.
E um detalhe: um dos gloss se chama Atmosphère Brillant. Gente é pra cintilar, não pra morrer de fome.

Tuesday, September 12, 2006

Aqui, já, nesse instante, agora mesmo

Aqui da minha janela vejo o relógio do Itaú. Relógio de neon, aparece Itaú, listas azuis, estrelas laranjas, a hora em dígitos brancos a orientar as noites desoladas de Campinas.


Agora escuto Led Zeppelin, "All my Love", e penso nos sentimentos por tantas, tantas, tantas, pessoas que passaram na minha vida, deixaram marcas na minha alma e iluminaram minhas cavernas interiores. Amigos, amores, pessoas vão e vem e que estão em vários lugares agora, nesse instante em que minhas unhas, compridas depois de tantos anos, batucam Caronte iluminado pelas estrelas do relógio do Itaú.
E tudo é muito simples e ao mesmo tempo complicadíssimo e hoje me espantei. Fiz as contas e me espantei, faço 29 anos. E tudo é o mesmo e tudo é tão diferente. A primeira vez que fui aos dentistas da Unicamp, eu era uma menina de 17 anos com quatro dentes de ciso obstrusos e vontade de vencer na vida. A segunda, era uma jovem combalida de 22 com guna, gengivas vermelhas e vontades desesperadas espatifadas num chão de ardósia. E hoje sou alguém de 29 anos com duas obturações, dores perfuradas no peito e nenhuma vontade sobre o sol.
E tudo fica lindo com Robert Plant me mandando todo, todo seu amor, como ele sempre fez desde 1979, e fará por toda eternidade, isso foi antes, antes, muito antes do dentista, do meu dente pré-molar quebrado em um terço e tudo isso acontece agora, porque o Jobs lançou o mini-Ipod shuffle, e claro que se eu estivesse às margens do Hudson eu iria correndo comprar, apesar de achar que o capítulo sobre o fetichismo da mercadoria no Capital é como os versos de Safo, belos, intocáveis e eternos como a bateria do Bonham, a guitarra do Page, e tudo isso na minha janela, como diria Caetano lá atrás.
E como seria entrar num velho templo e me apresentar aos deuses e dizer, vocês podem ser eternos, e eu eterna duro no instante que a vida passa, segundos e a vida passa, e o compasso me mostra que, sim, a vida é tudo isso e mais um pouco, é sempre mais um pouco, e nunca será o bastante para mim, para quem eu amo e até mesmo para quem eu desfaçatamente desgosto. E tudo isso, vocês me perdoem, mas vive dentro de mim e eu não posso disfarçar, agora não mais, agora e sempre, agora e ainda já.

Monday, September 11, 2006

Pequenos desastres cotidianos e o Dadaísmo

Hoje bati o carro e minha obturação caiu. Graças a Deus, no carro não deu nada e na boca não sinto dor. Fila do CECOM amanhã, será que eu consigo ser atendida? Dinheiro não tenho pra pagar um dentista, que saco. Tô com medo, sou hipocondríaca e acho que vou morrer, e nunca me aconteceu de chupar bala e cair o negócio.
De resto, aula na PUCC. Hoje, cubistas e Duchamp. Uma aluna perguntou, e o Duchamp, era o quê? Eu respondi, era o Marcel Duchamp, oras. Essa coisa de classificar artista é complicado. Em alguns livros, ele aparece, no início da trajetória, como ligado ao Futurismo. Num texto de 1946, que está no Teorias da Arte Moderna, H.B Chipp, Martins Fontes, o Duchamp diz que não, que nunca teve a ver com a italianada. Enfim, pelo menos a gente chegou nos ready-mades.
Já a aula de Teoria anda meio desastre. Hoje comecei o Aristóteles. Meu programa é um curso com a leitura de pequenos trechos de Estética. A gente leu o Mito da Caverna do Platão e agora vamos ler a Poética. Mas tive que explicar o Édipo e me enrolei.
Vi uma nega que eu não gosto, fiquei impressionada e fui tirar o carro. Estacionado na ladeira ali do IFCH, sabe quando o bicho cai e bate? Daí me aparece do nada uma figura famosa do IEL, famosa pela chatice e inconveniência. Ele: mas você bateu nesse aqui ( o carro da frente era dele)? E eu, engraçado você me perguntar isso.
Como diria Picasso, só decompondo a forma mesmo pra se agüentar. Mas fiquei feliz porque vi o Luis e a Deborah, agora minha amiga no Orkut e que me disse via scrap que de vez em quando passa pelo Meio. Legal, né?

Sunday, September 10, 2006

Una giornata particolare

Se você ainda não viu esse filme, veja correndo... gente, tinham que usar o poder da ciência e clonar o Mastroianni. E de preferência mandar um clone aqui pra casa porque eu não ia reclamar.... mas enfim...
Hoje eu tive "una giornata particolare".... acordamos, e saímos de Campinas do Mato de Dentro de Jundiaí, rumo ao velho e combalido Piratininga. E vamos para a Pinatoteca, ops, Pinacoteca, ver amigos, e o Calder.
A exposição está lindíssima. Pequena e bela, como os móbiles-mini do tiozinho.Fiquei emocionada vendo o "Lufada de Neve"... o tema da exposição é a atuação do Calder no Brasil; pra quem não sabe, ele foi um grande amigo do crítico Mário Pedrosa, e veio ao nosso país três vezes... nas três ocasiões, trabalhou, expôs, fez e aconteceu. Pegou o MASP no seu início, a Lina e o Bardi a todo vapor... lindo, lindo. Uma grande ironia a exposição acontecer no velho e acadêmico Liceu de Artes e Ofícios, e não no Assis Chateaubriand. E uma grande ironia uma das mais belas obras do Calder ser do Instituto dos Arquitetos do Brasil, o prédio magistral do Rino Levi, que hoje está no osso, literalmente. O Brasil já foi melhor.
Depois, a mini-excursão rumou para o Acrópole, o restaurante grego do Bom Retiro que virou moda, depois que a Veja São Paulo botou estrela e tudo. O restaurante é um barato, com decoração pseudo-grega, gente saindo pelo ladrão e preços, digamos, nada módicos. Mas a comida é di-vi-na, comemos mussaká ( aquela "lasanha" de carne e berinjela, com purê em cima), um risoto de frutos do mar que está dentre as melhores coisas que eu já comi na vida ( vermelho, com camarões gigantes e polvo macio), e lula recheada. Depois disso tudo, ainda teve um doce folhado, com molho doce de laranja e cravo, e recheio de creme de semolina, recém-saído do forno.
Olha, o Acrópole vale cada centavo investido, vale até pelo dono, um velhinho biruta que tira os pratos correndo e é, digamos, um casca-grossa daqueles. Nada limpo nem organizado, o Acrópole chateou muito uma conhecida minha, nega metida a grã-fina, besta e chatérrima, que se escandalizou com a zona e com o fato do local supracitado não ter cardápio ( o preço é feito de acordo com a sua cara, eu acho). Eu, como adoro um moquifo ( acho que nunca fui tão feliz como em Nápoles, a cidade-moquifo por excelência, comendo pizza no meio da rua, daqueles fornos que os caras constróem fora de casa, pizza de massa grossa mas deliciosa, tomate, manjericão, queijo e uma cantada em dialeto do maluco que está naquela janela cheia de varal de roupa) me realizei no Acrópole.
Só não gostei muito da exposição do Oscar Pereira da Silva, pintor acadêmico, muito do chatonildo, que nem essa nega que não gostou do Acrópole. Pra mim e pro Paulo, o melhor do cara foi uma cópia que ele fez da Bunda do Amoêdo ( outro pintor acadêmico brasileiro, Rodolfo Amoedo em 1887 escandalizou o Rio de Janeiro, mandando de Paris, onde era bolsista do Imperador, seu quadro Estudo de Mulher, um nu fantástico; o centro da composição é a parte transversal da supracitada moça)...
Depois, café no sempre bagunçado e caro café da Pina, alguns pensamentos infelizes, e muita alegria de ver o delicado equilíbrio das formas.

Thursday, September 07, 2006

Santos, a cidade heróica dos Andradas

Anda tão frio que hoje tive minha dor de dente chicagoan.

Os leitores antigos do Meio sabem que, devido ao frio intenso das margens do Michigan, eu tive dores de dente inacreditáveis, por conta da única obturação que possuo ( a maldita é muito perto da raiz). Então, tá tão frio nesse início de setembro que a dor de dente Al Capone me visitou.
Estranho fazer tanto frio em setembro, mas enfim. Correndo que nem uma louca, prepara aula daqui, email, telefonema, reunião, o escambau. Qualifico o doutorado finalmente nos idos de setembro, no meu aniversário.
E hoje foi dia da Independência. Quando eu era criança, era meu feriado favorito. Nasci às margens do Ipiranga literalmente, no hospital Leão XIII, quase no monumento. Meu pai me levava lá, e eu tinha uma boneca de pano que adorava, a Marquesa de Santos. Mas não lembro de um 7 de setembro tão frio, só lembro de um poema que recitei numa festa da escola, e começava com o verso do título.
A professora me abraçou porque consegui decorar tudo: "Santos, a cidade heróica dos Andradas/ O príncipe voltava feliz e satisfeito/ Com a luz da justiça a iluminar-lhe a alma/ e o fogo da justiça a queimar-lhe o peito/ Quando vê cartas ofensivas/ Vindas do antigo Portugal glorioso/ sua voz vibrou como um clarim/ gloriosamente forte/ e o vento acariciando as faces do colosso/ em breve repetiu, Independência ou Morte"... e hoje não cozinhei, não declamei poemas, só estabeleci hipóteses e sofri dor de dente gringa.

Wednesday, August 30, 2006

Vou-me embora para o Japão

Como diria Manuel, minha Pasárgada é a terra do Sol nascente.
Cinco minutos, Japão. Ruas cheias de gente com olhinhos puxados, o máximo da tecnologia, os jardins de pedras brancas e o Fuji. Maquiagem Shisheido e as garotas-colegial safadas e de cabelo verde, dobra esquina, uma senhora de quimono cinza.
Kyoto, e todos os palácios, o velho Gion, o bairro das gueixas. Comidas que você tem medo de provar e depois que prova não quer mais parar de comer. E todas as lojas, o metrô com o guarda de luvas brancas empurrando o povo pra dentro, pior que a Sé às seis e meia da tarde. E a língua, não entender nada, absolutamente nada, do que se escreve e do que se fala. Deve ser bom. Chá verde, misso-shiro, tudo eletrônico.
Meu pai morou muitos anos da Liberdade. Lá conheceu uma nissei. O cara ralou pra ser minimamente aceito pela família, com todas as ressalvas nipônicas aos gaijins. Depois, numa viagem de férias aos velhos Goytacazes, conheceu dona Meire na fila da Caixa Econômica Federal. Eu às vezes penso, e se meu pai tivesse se casado com a moça? Pau-rá-san, já pensou?
Vou-me embora para o Japão, lá terei o micro computador que quero, no sushi bar que escolherei.

Saturday, August 26, 2006

O fim do mistério

Graças à coisinha, ops, Vanessinha... o mistério dos bolinhos de chuva foi solucionado ( lembra da discussão????).


Manja o rótulo de Creme de Leite Nestlé? A pequena filósofa, lendo Schopenhauer e blog de amiga nas horas vagas, sabia da minha procura pela receita de bolinhos de chuva, vamos dizer assim, diferentes! Então, vou postar a receita do rótulo, eu, Vanessa e Thaise vamos experimentar, além de postar é claro:

BOLINHO DE CHUVA

1 lata de Leite Moça
1 lata de Creme de Leite
2 xícaras de chá de farinha de trigo
1 colher de sopa de fermento em pó

Misture bem, até a massa ficar homogênea. Nas colheradas, forme os bolinhos e frite em óleo quente até que fiquem dourados. Polvilhe com açúcar e canela, faça um café bem forte, e me chame. Agradecimentos às leitoras e aguentadoras fiéis Vanessinha e Tata!!!!!!!!!!

Thursday, August 24, 2006

Porco a porchetta

Retomando o Meio, que ficou meio fora de foco...


Boas novas! Agora sou docente da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, vulgo PUCCAMP. Isso mesmo. Entrei para ministrar Estética e História da Arte, pro curso de Artes Visuais. Carga horária 4 horas, permitida pela FAPESP, ou seja... mas estou feliz, animada, na segunda-feira lasquei o Mito da Caverna do Platão e tudo mais. Terminei meu exame de qualificação, o Teia do Saber, e no italiano direto. A Itália vai rolar, e tudo o mais.
Agora, hoje retomei minhas atividades de mestre-cuca. Minha sogrinha descobriu algo ótimo, anotem: Filé mignon suíno. É uma delícia, o topinho do lombo, sabe como? Vem quatro numa bandeja dos congelados Sadia. Vale a pena. Hoje temperei o dito com um molho que inventei no carro, vindo pra casa depois da lezione di italiano. Guarda, bello: vinagre balsâmico, com água e açúcar, até retirar a acidez ( fui experimentando na colher mesmo) e alho. Embebi o porquinho nessa vinha d'alho, sal e pimenta do reino. Coloquei numa assadeira, com batatas passadas na manteiga Aviação e alecrim, pétalas de cebola e quartos de tomate. Asse. Servi com arroz com passas. Pra quem gosta da mistura doce-salgado, ácido-pimenta, olha, fica bom demais esse Porco à Porchetta.
Saudades de todos, apareçam, o Meio ressuscitou do purgatório dos blogs sem atualização!

Friday, August 11, 2006

Zica da fubica

Gente, eu tô rindo aqui, mas tudo que eu conto no Meio é verdade, acontece mesmo, então eu sei que muita gente já deve estar de saco cheio das minhas desventuras 2006 ( vocês entram aqui e só lêem plobreuma, etc)... mas é que hoje o negócio superou.
Há uns dois meses, eu tava com o Celo no escritório. A gente tem um colchão no chão, e o Celo pisou no meu óculos. O bicho ficou torto. Ontem, no mesmo colchão, eu pisei de novo, daí a haste foi pro brejo.
Detalhe: eu tenho sete graus e meio de miopia, meus óculos são muito caros ( 770 a lente sextavada fina, que me deixa com uma cara de pessoa normal) e eu só tenho um par, desde sempre.
Hoje, pus a lente de contato que ganhei de graça e sofri o dia inteiro com os olhos ardendo. Cheguei em casa e falei, não dá, vamos pro shopping Dom Pedro visitar a ótica e mandar fazer o raio do óculos novo em 500 prestações no cartão.
Saindo, na esquina de casa, no carro, vejo uma moça parada e um cara debruçado na janela do carro. Olhei aquilo e pensei, assalto. Sete e meia da noite, centro de Campinas, o cara bate na janela com a arma prateada. Levou 20 reais do Celo e meu celular de 90 pilas pai-de-santo ( pré-pago que só recebia).
Gente, eu sei, impressionante. Mas aconteceu. Moral da história: fui assaltada duas vezes nesse ano.

Tuesday, August 08, 2006

Boa noite, meu amor

Ando chateadíssima, problema em cima de problema, infelicidade, mal-estar geral e etcs. O lado bom ( vamos fazer o jogo do contente da Poliana) é que tenho uma passagem comprada pra Itália, e que minhas aulas tem sido boas. E eu descobri uma música, vagando pelo Orkut. É de um cara, um guitarrista, chamado Mike Pinera, e fez sucesso na trilha da novela Plumas e Paetês... segundo as informações, era o tema do personagem do José Wilker. É bem setentinha, meio Antena Um, mas tem sido legal pra mim, uma coisa afetiva. E por aí vai... se vocês tiverem curiosidade, eu posto aqui o link pra música.
Além dessa seventie's love song, descobri uma coisa. Que eu gosto, e preciso, pintar. Foi assim, depois de uma semana terrível, fui pra Teia do Saber. Teve uma atividade com uma modelo, uma moça belíssima, e rolou um clima muitíssimo legal, todo mundo pintando com guache preto e azul. E eu peguei o pincel, enrolado no bambu, sentei e saiu, uma coisa extraordinária.
Eu não pintava desde os meus 13 anos. Tinha uma professora acadêmica e horrenda, dona Odila. Ela quase me reprovou na sexta série porque eu fazia as coisas mais estilizadas, lembro que meu pai foi falar com a tal e ela me esculhambou, porque numa árvore feita a nanquim ela queria que eu fizesse todas as folhas ( a tal não conhecia Monet, vamos dizer assim)... também ocorria o fato de que eu não tinha dinheiro pra comprar os materiais caros que ela solicitava, sempre tendo que pagar o mico de pedir um pouco de tinta pras amigas. Minha maletinha de madeira, com o meu nome pirografado, vivia vazia, com lápis da Labra ( o que a docente, descendente da brava família Faber, não perdoava).
Como a gente perde tempo na vida porque outros nos sacaneiam... meu Deus, isso é impressionante, tem gente que faz muito mal pros outros. Ando meio revoltada, meio da pá virada, sem paciência com essas picuinhas infernais. Não ando bem, desde que voltei de Chicago estou sem paciência. Desculpem os posts revoltados e as discussões esdrúxulas, mas de vez em quando a vida é assim.

Wednesday, July 26, 2006

Meditações sobre um Cavalinho de Pau

Tudo bem, o título eu tirei do Sir Gombrich, recomendo vivamente, bláblábá.

Nesse tempo desértico, litros e litros de Rinosoro, depois de muito passar mal e de mais uma aula no programa Teia do Saber, aqui na Unicamp, retomo as atividades blogueiras, com uma dica...
Descobri o link pro bróugui do Luis Fernando, amigo velho de guerra e que chupinha minhas idéias e escreve artigos no site da Caros Amigos: http://luisvita.blog.terra.com.br/. Tô brincando, vale a pena dar uma passadinha, o Luis além de combativo arruma cada confusão engraçada...

Thursday, July 20, 2006

Paulistânia II

Sujinho.O Gato que Ri.Espetão.Zi-Tereza.
Porque uma cidade são seus restaurantes,
Gigetto.Famiglia Mancini.Ritz, e no fim, Pastelaria Yokohama.
Café no Largo de São Bento.E café na Praça da Sé.Café no Viaduto do Chá.
Pausa prum refresco na Consolação ( em qualquer boteco).
Risco, São Paulo é isso.

Monday, July 17, 2006

Foi falar...

Foi falar, pronto, peguei uma sinusite monstrinha.

Ontem e hoje, sofrendo com dor no rosto, febre, e má disposição geral. Pelo menos, ontem fomos assistir a um concerto da Sinfônica de Campinas. Regida pelo maestro Karl Martin, suíço, a orquestra apresentou o programa do Festival de Inverno de Campos do Jordão. Mozart, Prokofiev e Stravinsky, num programa de mais de duas horas, belíssimo. Depois reparei, os músicos saíram exaustos, mas felizes da vida.
A Sinfônica é uma das coisas que fazem Campinas valer a pena, às vezes... lembro de alguns concertos muito tocantes.
Hoje acordei mal, mal. Dodói mesmo. Entro na net, dia do julgamento von Richthofen. O advogado de defesa de Suzane chegou arrasando, acreditando que o ataque é a melhor defesa literalmente. Segundo ele, Suzane foi coagida pelo namorado Daniel, com quem viveu a primeira experiência sexual. O advogado disse que a pobre Suzane tomava anti-concepcional injetável, "que doía e fazia a pressão baixar", porque era da vontade do namorado. Já Daniel, no seu depoimento já no tribunal ( coberto minuto a minuto por vários órgãos de imprensa e mídia, veja lá no Portal Terra) disse que os pais de Suzane "o tratavam com violência e ambos tinham amantes". Enfim, todos têm o sagrado e inviolável direito de defesa. Todos têm direito a um julgamento, conforme a lei. Agora, os que assistem também possuem o sagrado e inviolável direito de se irritar.

Thursday, July 13, 2006

Panda no médico

Todo ano é a mesma chorumela.

Seguindo os ensinamentos de dona Meire, minha famosa progenitora, me obrigo a marcar ginecologista, oftalmo, dentista, nas férias. E todo ano eu enrolo, enrolo, enrolo.

Explico: eu odeio ir em médico e dentista! Eu sempre acho que o dentista vai falar que eu vou perder todos os dentes e que o médico vai me dar seis meses de vida. Sempre chego morrendo no consultório. E morro de medo de fazer exames, também piro, sofrendo, e fazendo drama.

Pra quê? É irracional mesmo. Hoje me enchi de coragem e vamos lá, marquei os doutores. Já a dra. Solange, minha dentista, tá de férias, então dá pra eu melhorar o tratamento dispensado à minha dentadura antes do confronto com o motorzinho.

Então, caros amigos-panda, rezem para eu não entrar realmente em extinção!

Tuesday, July 11, 2006

Introdução ao Bruce- I

Para os curiosos leitores do Mezzo:


Aqui a canção predileta da panda de seu roqueiro predileto, ele mesmo, o Boss. A música que se segue se chama "The River", e deu nome ao disco do tio, lançado em 1982. Não sei porque, mas toda vez que eu escuto o rio, penso na poesia chinesa. Deve ser defeito de fábrica no meu cérebro.
Os créditos vão para o amigo de Orkut Colorado, salvação da lavoura nas comunidades que trocam MP3 ( ainda, apesar da sombra das gravadoras e etcs e tais):
obs:) eu tava aqui pensando, eu acho que minha canção predileta do Tio de Nova Jersey ainda é "Dancing in the Dark", mas essa todo mundo conhece. Então ouçam o rio e esse homem combalido.

Monday, July 10, 2006

E o Murilo nasceu!!!!!!!!!!

Hoje amanheceu um dia feio, chuvoso, frio. Fui lavar roupa, louça, ou seja, cuidar do doméstico. E veio a boa notícia, nasceu Murilo, no meio da madrugada. Murilo é nosso mais novo sobrinho, e nasceu de parto normal, como a Jana tanto quis.
E o dia ficou lindo, até sol saiu. Fomos saudar nosso mais novo amigo, que além de muito fofo parece ser muito tranqüilo, acordando só para mamar e fazer charme.
Beijos para o Murilo, beijos para a Jana, para o Henrique e para o Felipe, o irmãozinho que ficou na casa dos avós e que adora jogar uma bolinha. E para os leitores do Meio, um presente: duas músicas em homenagem a todos os nenês do mundo, When a Child is Born, do Johnny Mathis, e Rock and Roll Lullaby, B.J. Thomas...
obs) o Murilo estava num berço chamado berço-panda... com um pandinha cuidando dele... os pandas vão dominar o mundo!

Sunday, July 09, 2006

Panda na Copa 3- E deu Bota na cabeça, ou melhor deu a cabeça do Zizou

Eu não estava dando a mínima pelota pra Azzurra nessa Copa. E deu no que deu.
Não jogaram bem, o segundo tempo seguraram na zaga, impecável, e no Buffon, que pode ser mafioso mas nas horas vagas é bom goleiro. Jogo feio, retrancado, nada de contra-ataque, neguinho cavando falta e catimbando. Mas a França, ainda que coroada com os talentos individuais, não encontrava o ataque, o caminho do gol. Quando chutava, chutava feio, longe, pro nada... Deu dor de cabeça, é verdade, uma grande seleção essa francesa.
Até que veio o inexplicável, o injustificável, o inconcebível, o que confirma que futebol é uma caixa de surpresas. No último jogo pela seleção francesa, o grande, o melhor do mundo Zidane dá uma cabeçada, literalmente. Gente, Zizou não precisava disso. Eu tenho a maior simpatia por ele, apesar de tudo ( Brasil, etcs, etcs), mas foi de uma deselegância extrema. O carcamano xingou? O sangue esquentou? Nada justifica. Momentos antes, a gente comentava, na casa da mãe do Cris, onde assistíamos a partida, da falta lamentável, da cotovelada covarde de Leonardo na Copa de 94. Cara de bom moço, ídolo da torcida são-paulina, Leonardo manchou pra sempre sua carreira. Nessa hora o cara tem que ser profissional, encerre a carreira com a classe, dignidade e grandeza de sempre.
Nos pênaltis, eu apelei pra Madonna della Coppa, ou pra San Vitale. Eu sabia que os conterrâneos do Dante, se fossem pros pênaltis, iam matar. Porque italiano é assim, no final eles inventam a Pietà, a Capela Sistina.
Agora agüenta, lá deve estar a loucura da polenta.

Monday, July 03, 2006

E agora, ao trabalho!

Retomo as minhas atividades de historiadora da arte mirim, patrocinada pela Fundação de Desamparo, vulgo Bat Caverna.
Finalmente, o parecer do relatório, elogioso. O gnominho do Papai Noel disse que eu mandei bem, que "trabalhei intensamente" nos EUA. Ufa, meses de sufoco, agora deu um alívio...
Juro, esse relatório escrito no verão campineiro, depois do inverno chicagoan ( relatório amplitude térmica) foi a melhor coisa que escrevi na vida. Não que eu tenha escrito muita coisa boa, mas foi resultado de força de vontade, e da minha cabeça dura em ir pros States em plena era Bush financiada pelo Alckmin.
Agora, exame de qualificação. Marquei na secretaria, e a banca está ciente. Retoques no texto, pra mandar pro orientador. E volta aquela trabalheira insana, Caderno de Imagens, Bibliografia Temática moldes ABNT, Garamond 12 espaço um e meio. A qualification será nos idos de agosto, como o assassinato de Júlio César. E depois... será que a pequena panda sofredora e defensora dos frascos e comprimidos irá para a terra da macarronada e do Berlusconi?
Queridos leitores, em 1997 eu era uma menina que morava com os pais, tinha um namorado, uma bolsa de iniciação científica, e um amigo no mestrado. Um dia esse amigo veio e me falou, escuta, vai ter um curso de História da Arte na Itália. E eu cheguei em casa e pasmem, meus pais me falaram, vai. Com um dinheiro guardado eu fui, e no primeiro dia veio a pancada. Uma porta imensa, do Michelângelo. Puxei a manga do casaco do meu amigo e perguntei baixinho, mas é o cara da Sistina? E ele, é, psiu, fala baixo... e eu descobri que Michelângelo era o cara da Sistina, do Campidoglio, da Basílica de São Pedro, da Porta Pia, da Capela Paulina, da igreja Santa Maria degli Angeli ( as termas de Diocleciano), do Tondo Doni, da escada da Laurenziana, do Moisés, etcs, etcs, etcs...
Nem preciso dizer o que Roma, Nápoles e a Sicília representaram pra mim. Dessa viagem para a Itália, me alimentei durante esses nove anos, com o sonho de voltar e jogar mais moedinhas na Fontana. A menina perdeu o pai, saiu de casa, engordou, teve outros namorados, mas ficou pela História da Arte mesmo. E agora quer voltar, pra ver mais da Bota. Será? Será? Me aguardem...

Sunday, July 02, 2006

Panda na Copa 2- mas que m^&(*!

Olha, eu não ia falar nada, tava pensando em respeitar o sofrimento geral da nação, mas não me agüentei.

Tudo bem que toda Copa é essa josma, da escalação do técnico às vitórias e derrotas da esquadra canarinha, passando pelo fato do país parar e de termos péssimas memórias ( 70, tricampeonato e Médici, 82 e o time que não foi, 86, a guilhotina Platini e o fim do Plano Cruzado, 90, Collor e a volta dos mortos vivos, 98 e o Ronaldinho amarelando).
Eu evito falar de futebol, por dois motivos: primeiro, sou mulher, e mulher supostamente não entende de futebol, e dois, porque estou na universidade, e tirante alguns machos alucinados, supõe-se que mulher nem fale de futebol, e sim de quadros de Miró e roupinhas da Zara ( isso, escondido no banheiro pras amigas íntimas).
Mas agora vou chutar o pau da barraca ( ou melhor, vou chutar a trave) e afirmo categoricamente que, sim, eu adoro futebol ( só não aprendi a jogar porque minha mãe me batia, dizendo que eu era menina e menina não joga bola) e adoro fazer mesa-redonda. E minha tristeza pela derrota de anteontem foi genuína, minha decepção, mais que amarga.
É totalmente inadmissível um técnico de Seleção Brasileira se portar como se portou Parreira. Por vários motivos. Eu sei que muita gente falará e pensará, acertadamente, que futebol é roubado, que existe máfia na FIFA, na CBF, e a dominação do capital, e blablabla, e tem coisa mais importante pra discutir, e que futebol precisa deixar de ter tanta importância assim na Terra de Santa Cruz. Mas, caralho, o cara fazer o que fez, é fora de qualquer padrão de conduta de gente inteligente, é abaixo da linha da miséria. Cafu conseguiu um feito:errou 150% dos passes; Roberto Carlos chutava para o nada, Kaká corria meio metro e caía diante da elegância de Zidane, Ronaldos esquece, só Lúcio e Juan tentaram, assim como Cicinho e Robinho, fazer algo, mas de um jeito esmaecido e às vezes meio covarde ( o carrinho que o Lúcio deu no moço que agora esqueço o nome). E o cara lá, parado, braços cruzados, língua pra fora naquele cacoete nojento, olhando o relógio, "Pois é, minha patroa tá me esperando pra janta"...
E agora o povo desgostoso comenta, a CBF tá sem dinheiro, e precisaram fretar o mesmo avião da seleção argentina. E que venham as eleições, Alckmin e Lula. Olha, a situação está preta, e o Bussunda morreu.
obs) quando eu tava mandando a filha da minha vizinha à merda ( leia o post abaixo) eu soltei um caralho. Ela, ah, mas tá vendo que tipo de amiga você tem, minha mãe, olha o vocabulário. Então, bater na mãe pode, falar palavrão não pode. E como diria a divina Leila, sem asteriscos please, meu, vão se fuder seus filhos da puta, porra, caralho, que merda!!!!!!

Climb Every Mountain

Antes que eu me esqueça, queria mandar um beijo muito grande pro meu amigo e companheiro de IFCH e Cebrap Alex, que me escreve no Meio do Caminho da enevoada e cinzenta Curitiba. O Alex é agora professor da Federal, poxa vida, é super legal ver um amigo, um colega ir pra frente na carreira acadêmica pelo seu próprio esforço e dedicação. Beijos, Alex, você é do time dos pandas...
Falando em time. Fim de semana frio, cinzento e triste. Bom, nem vale a pena comentar a atuação ( atuação? tô sendo generosa) da Seleção do Parreira contra a França, quer dizer, vale sim. Eu achei um absurdo a falta de dignidade dos caras, inclusive do técnico. Futebol Geraldo Alckmin: zero de resultado, zero de emoção, zero de qualquer coisa que preste. Bom, tive uma festinha de amigos queridos, hoje fui no shopping do passarinhão ( como diz Felipe meu sobrinho) com Yna, enfim, tudo bem dentro da medida do possível, frio e começando a torcer pra Portugal, chego em casa.
Eu tenho uma vizinha muito fofa, dona Lourdes. Sempre me socorre na hora em que eu preciso de um desentupidor de pia, essas coisas. Eu notava um ar de tristeza e desamparo na sua figura, sempre de moletom e tênis brancos, simples, contrastando com a filha, orgulhosa nas últimas roupas da moda e na beleza padrão atual, carro do ano e muita empáfia no elevador. Pois bem. Hoje eu chego no meu moquifo, no corredor dona Lourdes, chamando por mim, machucada e chorando. A filha bateu na mãe para extorquir dinheiro. Simples assim.
Cara, o sangue subiu na cabeça. Entrei com ela em sua casa, SUA casa, que abriga essa vagabunda desgraçada dos Infernos. Lá dentro, uma ex-sogra da nega, que tem 35 anos, advogada de porta de cadeia, divorciada duas vezes e vagabunda. A ex-sogra defendendo a tal, e eu falei, olha, bater na mãe é fogo, hein? Daqui a pouco a maldita vem, enrolada numa toalha ( tava tomando banho a coitadinha) me encher o saco. Enfim, que beleza não?
Moral da história, quebrei o pau,e agora tô pensando numa coisa. Existe uma resistência muito grande, na classe média brasileira, de viver. Sabe como? Meu, sai de casa, vai dar a cara à tapa, vai tentar ser feliz. Não culpe os outros pela sua infelicidade. A nega bateu na mãe pra roubar e me disse, ah, mas eu perdi meu pai, e agora sou uma coitada. E eu, eu perdi meu pai também, o prédio tá de saco cheio de você, sai fora. Vai à luta.
Essa resistência está estampada na infelicidade das famílias, na hipocrisia dos almoços de domingo. Por covardia, todos ficam no mesmo teto, alimentando ressentimentos, batendo uns nos outros, criando constrangimentos, enchendo o saco. Existe um termo bonito na Psicanálise, individuação. Pega e vai trabalhar, os filhos da classe média gostam do bem bom. A ex-sogra, mas ela vai pra onde? E eu, vai pruma quitinete. Eu fico louca da vida com quem se esconde, se esconde da vida, da luta, e desconta nos outros.
Tem uma cena piegas pra caramba, mas que eu adoro, na Noviça Rebelde. Isso mesmo, Noviça Rebelde, agora vão falar, ah, mas é Hollywood. E daí? É a cena que a Maria, vivida pela Julie Andrews, fala com a Abadessa, que canta magistralmente, em voz operística, Climb Every Mountain. Escale toda montanha, siga todo arco-íris, até você achar seu sonho. Um resumo do que é o processo de individuação. No caso, a pequena noviça estava com medo de encarar uma paixão, sair do convento e ir viver. E a Abadessa, não, aqui não é o seu lugar. Não dá pra fugir da vida: no início, é mais cômodo, é o caminho mais fácil. Mas a frustração tem um preço alto demais. Eu prefiro a pieguice, prefiro escalar cada montanha. Prefiro o caminho mais difícil.
obs) agora me dei conta. Quando Vitor Negrete chegou ao Everest, muita gente de classe média de Campinas falou, mas que irresponsabilidade, com filhos pequenos escalar o Everest. Isso é comentário de burguês ressentindo com a vida, que não foi nem pra Praia Grande. Que não entende o que é uma paixão, um ato de heroísmo, de desprendimento, de coragem. Um tentar passar dos próprios limites. É isso aí.

Friday, June 30, 2006

Saudades

Hoje chorei de saudades do meu pai.

Meu pai faleceu há quase dez anos. E todo ano, quando chega 29 de junho, que era seu aniversário, a dor é a mesma. Meu pai adorava fazer aniversário: todo ano, três meses antes, ele pedia bolo, festinha, presente, tudo o que ele tinha direito.
Meu pai era assim, alegre, alegre, chegava a ser bobo alegre, sabe como? Do tipo que perde o amigo mas não perde a piada, seu Pedrão era fogo na roupa. Adorava cantar, mas cantava tudo errado, quando não cantava só o refrão o dia inteiro. Adorava comer, mas muita coisa não podia por conta do colesterol alto. Roncava e deixava todo mundo desesperado, e de vez em quando esquentava a chapa e fechava o tempo. Responsável, sério, ranzinza, mas muito apegado à gente, amava a família demais. Fazia a linha sentimental eu sou.
A sua ida foi pra mim o fim de muitas coisas boas. Sei que a vida continuou. Mas sem ele, perdeu muito da graça.

Thursday, June 22, 2006

Boas novas, enfim!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Veio a mardita pinga, ou melhor dizendo, a renovation da FAPESP.
Meu, os gnomos da Batcaverna demoraram séculos, enrolaram, mas finalmente mostraram serviço. Os ajudantes do Papai Noel reconheceram que eu fui uma boa menina durante o ano que passou e me deram mais um ano de borseta.
Ah, e o edital da Federal, que eu queria prestar, abriu de novo, ou seja, neguinho não conseguiu pôr ninguém. Fiquei mais aliviada, pensei em prestar mas aí ontem a FAPESP deu sinal de vida.
Moral da história, saí da vala dos desesperados do Inferno. Receberei novamente as benesses da Fundação de Amparo ( que nome lindo, né?) e amparada, continuo o doutorado.
Boas novas, depois de uma Era das Catástrofes.
Agora a pequena panda comentadora de Dante tem outra missão. Eu preciso tentar ir pra Velha Bota. Fico ouvindo sem parar a musiquinha da Armata Brancaleone: AD AUROCASTRO, A LO CASTELO NOSTRO!!!!!!!! E como diria Dante, mas isso aqui tá um inferno!!!!!!!!!!!

Saturday, June 17, 2006

Olha

Olha, eu hoje descobri que uma amiga falava horrores de mim. Fonte segura. Coisa feia, horrorosa, baixo nível. A criatura que eu considerava meiga, legal, me ferrou a vida. Me conhecia bem, pegou nos pontos fracos, a insegurança financeira e amorosa.
Enfim, foi uma pancada. Estou melhorando da crise financeira, e espiritualmente tô melhor, Copa do Mundo, uma amiga querida veio de outro Estado. Fiz uma canja, um brigadeiro que ficaram muito bons, fiz a felicidade da filha querida de outra amiga. E lá se vai mais um dia, como dizem os mineiros no Clube de Esquina.

Tuesday, June 13, 2006

Panda na Copa

Como bem se diz por aí, lista é coisa de chato, mas rumo ao hexa tudo vale, desde se preocupar com a tabela, com uma prisão do Cafu ou sei lá com o que, e vamos nessa!
CINCO COISAS CHATAS DE COPA
1)Neguinho tocando corneta desde às cinco da manhã do dia anterior do jogo do Brasil;
2)Neguinho tocando corneta desde às cinco da manhã do dia anterior do jogo do Brasil e ainda por cima jogando rojão;
3)Galvão Bueno e seus comentários, Fátima Bernardes e seu cabelinho, ou seja, a cobertura sempre idiota da Globo;
4)O fato do país parar e se alienar de sua situação política, econômica, social, cultural e espiritual;
5)Neguinho pseudo-intelectual reclamando de que o país pára e isso é um absurdo porque o brasileiro se aliena de sua situação política, econômica, social, cultural e espiritual, e que tal fato não ocorre nos países dito civilizados ( tá bom, conta outra, hahahahaha).
CINCO COISAS LEGAIS DE COPA
1)Você comprar uma corneta e ficar tocando desde às cinco da manhã do dia anterior do jogo do Brasil;
2)Você pegar uma pedra e jogar em cima do neguinho da corneta e do rojão;
3)Assistir os jogos na opção "mudo"da TV ou anotar as besteiras do Galvão pra ter assunto na cerveja ou no seu blog;
4)Você reclamar que o país pára e blablabla, mas também parar, assistir , e tudo o mais;
5) Você reclamar, parar e continuar reclamando, tanto do Brasil, da Seleção, do Galvão, do Parreira, do Zagalo, mas continuar parando, assistindo e torcer pro Brasil e pra outras seleções, como o Togo ( coitados, perderam da Coréia ontem), comprando salgadinho Torcida, cervejinha, e rumo ao hexaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa...

Sunday, June 11, 2006

Minha cabeça tá virando fumaça

O título diz tudo. Hoje acordei brava, falando, como se estivesse numa discussão, do "estreitamento lingüístico" ocorrido na tradução, quando da escrita dos Evangelhos ( ????) da experiência histórica vivida em aramaico ( ??) porque a koyné ( o grego geral, usado na época da Roma imperial) tinha menos verbos (????) que o aramaico. Ou seja, tô virando figurante da Santa Ceia, um horror.
Em verdade vos digo, caros leitores, que o negócio ficou feio pro meu lado. Sei que muitos, em contatos telefônicos, via msn, etcs, etcs, procuraram me acalmar e me mostrar que a situação não é tão trágica. Concordo que há situações muito piores no mundo, blablabla, mas a minha angústia não é existencial. Eu me alegro com cada manhã que nasce, com a comida na panela e com café com leite. Meu problema é político. As instituições públicas de ensino superior nesse país foram e estão sendo sucateadas, precisamos defendê-las da invasão bárbara dos cursinhos da vida, mas meus caros, precisamos também reconhecer que tais instituições são umas verdadeiras casas da mãe joana. Agência de fomento então nem se fala. A experiência que estou tendo, todo mundo tem, mas isso não significa aceitar a baixaria como regra. Vivemos situações absurdas, dignas do Castelo do Kafka, e beleza?
Por isso procede a sugestão de Dani, num comentário à última postagem. Precisamos criar um grupo terrorista, o Panda Power. Os integrantes do Panda Power, vestidos de panda, invadirão FAPESP, CNPq, reitorias, DAC, bandeijões, e distribuirão pirulitos para todos. Falando sério, a situação do pesquisador, do professor, do aluno, e também dos funcionários ( tem muito funcionário que trabalha para 57 colegas não trabalharem) tá preta.

Friday, June 09, 2006

Mais uma e não, NÃO ESTOU BEM

Enfim, desculpem os leitores, mas não, eu não estou bem. Não adianta disfarçar. Estou passando a segunda pior fase da minha vida.
Pra completar o quadro de horrores, decidi essa semana prestar um concurso pra professor substituto numa Universidade Federal. Liguei no departamento pra me informar, porque no edital pediam Graduação em História, e eu sou formada em Ciências Sociais. A mulher com uma má vontade de comover pedras me disse que muito provavelmente minha inscrição seria indeferida.
Os boletos desse mês chegaram e eu não tenho dinheiro. É, eu tenho 0,00 reais na conta. Escrevi prum professor de lá sondando, e ele me deu apoio pra prestar. Já outra professora me desencorajou totalmente.
Liguei novamente e falei com o chefe do departamento. Ele me informou que eu poderia fazer a inscrição pelo correio e sem procuração. Argumentei que isso não estava no edital, o cara falou, não, imagina, faça como eu estou falando.
Mandei tudo por SEDEX e comecei a estudar que nem uma louca os pontos do concurso. Hoje liguei novamente e mais uma vez a secretária do departamento atendeu. Moral da história: o SEDEX não chegou, e mesmo se tivesse chegado ela, ELA, sim, a senhora absoluta no departamento, não aceitaria minha inscrição.
Moral da história: o concurso era pra algum fiho da puta de lá, e era pra eu perder a inscrição mesmo. Não, eu não estou bem. Não, eu não estou achando o mundo lindo.

Thursday, June 08, 2006

NOTÍCIA BOMBÁSTICA

Quinta, 8 de junho de 2006, 08h44
Homem vestido de panda interrompe treino da Holanda

"Um torcedor vestido de urso panda invadiu nesta quinta-feira o treino da Holanda para a Copa 2006 no Badenova Stadion, em Freiburg. O treinamento foi aberto ao público.
O homem vestido de urso panda - com uma camisa laranja - pulou as arquibancadas e conseguiu ainda brincar com uma bola antes de ser contido pelo pessoal da segurança.
A Federação Holandesa de Futebol (KNVB, em inglês) comprovou que a iniciativa de oferecer um treino aberto aos espectadores foi um sucesso, com 23.500 torcedores assistindo aos trabalhos.
"Não esperava tantos espectadores no treino. Além disso, todos estavam animados, e a prática foi muito agradável", assegurou o técnico Marco van Basten. Por sua vez, o goleiro Edwin van der Sar, capitão do time, também agradeceu o apoio recebido."
fonte: site do Portal Terra
Questões para debate: se o cidadão estava vestido de urso panda, como vestia ao mesmo tempo a camisa laranjinha da esquadra batava? Como um panda brinca com uma bola? E o nome do técnico e do goleiro, parece piada do Monty Phyton, todo mundo na Holanda é van der Qualquer coisa?
Mas uma coisa é certa: HOLANDESES E DESCENDENTES AMAM OS URSOS-PANDA! E rumo ao hexa!!!!!!!!!!!!

Monday, June 05, 2006

Trilha Sonora do Meio do Caminho- Pop, Brega, Caribe e Afins

Para continuar com as comemorações de um aninho do nosso querido Nel Mezzo, o único brougui dantesco do Brasil, quiçá do mundo, para vocês pérolas da trilha sonora, a pedidos.
Pra baixar, muito simples. Clique no link, e entre no site www.rapidshare.de. Vão aparecer duas opções, clique Free. Mais uma tela, e vão pedir pra você digitar umas letrinhas. Pronto, a caixa de download aparece, salve onde achar melhor e escute, porque quem fica parado é poste!
1)La Compagnie Créole, C'est bon pour le moral: esse grupo é da Martinica, gravou vários discos e fez relativo sucesso aqui, porque algumas músicas entraram em novelas da Globo. Essa aqui é irresístivel em qualquer festinha, e ainda tem a versão mais deliciosa ainda da Rita Cadillac:
2)The Tramps, Disco Inferno: tenho um afeto especial pela disco music, como todos sabem. Essa música aqui, trilha do Embalos de Sábado a Noite, deve tocar no Inferno. Toda vez que eu escuto, imagino os diabinhos todos de costeleta e calça boca-de-sino dançando sem parar Disco Inferno! Burn, baby, burn!E na versão extendida!
3)Almir Rogério, Fuscão Preto: em homenagem a Gerião, taí pra vocês o grande sucesso, que deu origem ao filme com a Xuxa, na época que ela era da pesada. Notem que isso é um vaneirão bom demais pra dançar, aquela coisa "minha prenda" básica!
4)Madonna, Hung Up: eu sei que você ouviu isso aí no rádio, na MTV, em todos os lugares nesse verão que passou, e que eu fiquei trancada escrevendo relatório FAPESP. Mas peraí, com isso a tia se redimiu de todas as bobagens que anda fazendo, incluindo casar com aquele chato e ficar dando uma de madame inglesa. Põe o quarter e se joga, negão!
E depois, mais musiquinhas, receitas e recadinhos especiais!!!!!!!!!!! Aguardemmmmmm!

Saturday, June 03, 2006

Festinha de aniversário

E o brougui faz um ano.

Isso mesmo, queridos leitores. O Meio do Caminho, nesse mês frio, faz um ano. Nasceu perto do Dia dos Namorados, ou melhor dizendo, o Dia de Santo Antônio, em meio às comemorações juninas. Há um ano, eu estava numa dieta brava, e comecei a escrever motivada por vários blogs de garotas legais, que formam uma liga na internet, os famosos Diet Blogs.
Há um ano, eu estava estudando inglês, que nem uma doida, por conta, pra ir pros EUA, e ao mesmo tempo montando um painel de festa junina para o aniversário da Ana Clara, filhinha da minha querida amiga Elisa. Acho que esse painel foi a melhor coisa que fiz na vida: juntei papel cartão azul escuro, fiz uma graminha verde embaixo, balões e estrelas ao fundo, bandeirinhas e achei nas Lojas Americanas uma bonequinha ruiva, que ganhou tranças e uma saia de caipira graças aos dotes de minha sogrinha.
O Meio do Caminho surgiu e ganhou vida própria, como o cartaz da Ana Clara. Comentou de coluna do Diogo Mainardi, passando por fatos trágicos, cômicos e tragicômicos, ocorridos no Brasil, no mundo e com a autora, que de autora virou panda. Provocou polêmica, passou batido, foi pra Chicago, trouxe receita de bolinho de chuva, muitas play-lists, muita música, Dante, enfim, uma parafernália só.
Lembram do motoqueiro cor-de-rosa? Ele foi assunto de uma das pequenas crônicas do blog, em dezembro. Pois é, descobri que esse herói é soropositivo há anos, e que um dia, cansado do preconceito, da tristeza de ver amigos morrendo, cansado desse mundo campineiro chato e enjoado, comprou a moto e virou a Penélope Charmosa tão querida.
Lembram da Ana, do Gabriel, dos gaúchos de W Chestnut? Essa gente continua minha amiga, via internet mato as saudades tão fundas que sinto da terra do Al Capone.
Lembram da receita que dei dos Homens na Cozinha? Gente, diminuam a receita pela metade, porque dá pra alimentar umas dez pessoas com a receita que dei. Mas a de bolinho de chuva é perfeita.
Nesse mês de aniversário, aguardem, vai ter bolo, brigadeiro, balões coloridos, link de musiquinha pra baixar, poeminhas, beijos especiais, recordações, enfim, pedaços desse coração que apesar de mal humorado nos últimos tempos, tem no espaço virtual uma sua extensão.

Friday, June 02, 2006

Pé na tábua

Falando com Tati, amiga e leitora fiel deste brougui, me dei conta de que realmente, ando num mau humor desgraçado.
Essa semana foi lindja. Liguei na Fundação de Desamparo ao Pesquisador do Estado de São Paulo, vulgo FAPESP. Há três anos atrás, mandei um pedido de bolsa de doutorado. No meio do caminho literalmente, a bolsa de 4 anos virou 3, e como se sabe ninguém consegue escrever tese em 3 anos. Para pedir a renovação, os gnominhos da FAPESP decidiram que você precisa mandar o relatório anual dois meses antes. Foi o que fiz, me matando de trabalhar dezembro, janeiro, e tudo o mais. E até agora niente. Liguei na Batcaverna. Dois problemas me assolam: o fato da renovação não ter saído, e os gnominhos estão cobrando ( AINDA) coisas da passagem pra Chicago. Agora inventaram, depois de tudo, que tenho que pegar uma declaração da United Airlines dizendo que fui e voltei. Se eu não conseguir isso, tenho que pagar a passagem. Olha só que lindo!
Ou seja... resolvi procurar bicos por aí. Liguei em dois departamentos de universidades federais, atrás de concursos, cartaz de revisão, e boca no mundo. Vai em um, vai no outro, cobra palestra no IA, e la nave va. Um verdadeiro inferno. Consegui um bico pra fazer o currículo LATTES da minha amiga Ema, do Centro de Memória. O problema reside no fato que a Ema trabalha que nem uma louca, uma carreira de mais de quinze anos, e nunca tinha feito LATTES antes. Então vocês imaginam o que foi.
Pra piorar, fui ajudar o Paulo na aula pro primeiro ano. Os meninos resolveram não gostar de Michelângelo. Eu tava péssima, pensando no boleto que chegou e eu não tenho dinheiro pra pagar, essas coisas. Dei uma bronca neles que eles perderam o rumo da Sistina.
Ando chatíssima. Então, desculpem, leitores fiéis do Meio do Caminho, mas ando totalmente na selva obscura. O que me salvou foi o artigo na Entre Livros e as musiquinhas que fico baixando no Orkut. Agora tô ouvindo I got my mind set on you, do George Harrison. Lembram dessa? E de Uptown Girl, do Billy Joel? Agora, fiquei rindo três dias da versão do grupo Tremendo ( é, isso é tremendooooooooo) pra Easy Lover, do Phil Collins: Inflamável... meu, tradução Tabajara taí!

Sunday, May 28, 2006

Notas de rodapé

1)Não, não veio ainda a resposta da renovação da bolsa. Não sei como vou pagar as contas do mês que vem. Pela primeira vez em anos isso me acontece. Tô virando biscateira, a partir de agora. Se vocês souberem de alguém que precise de revisão de texto, traduções inglês ou italiano, digitação, aulas de História da Arte, Sociologia, História, aula particular de inglês, enrolação de brigadeiro e afins, favor contatar.
2)Se eu não sei como vou pagar minha próxima conta de luz, por incompetência da FAPESP, imagina o MASP. O meu ex-orientador e ex-curador do MASP, prof. Luiz Marques, quebrou um silêncio de anos ( e para muitos, uma inércia que veio a calhar na administração Júlio Neves) e deu uma entrevista bombástica para o Estadão, alertando para o fato que a elite paulistana não queria o MASP ( fruto, nunca é demasiado lembrar, dos métodos escusos de um pau-de-arara e de um carcamano) e concordando com a única afirmação inteligente que Cláudio Lembo fez na vida ( de que a elite branca e perversa de São Paulo não tá nem aí pra nada). Hebe Camargo, hoje, na coluna social da Folha, revoltou-se e disse que a elite é a grande vítima. Moral da história: o MASP precisa ser estatizado.
3)Na quarta-feira, dia da discussão da minha pesquisa no IEL, vesti uma calça que minha mãe me deu em 2000, quando da qualificação do meu primeiro mestrado. Detalhe, essa calça não entrava, não fechava há anos. Entrou, fechou e compôs minha elegância.
4)Estou escutando sem parar uma música que meu pai amava, La Bohéme, Charles Aznavour.

Saturday, May 27, 2006

C'est bon pour le moral

Revirando as comunidades no Orkut de música, achei essa pérola do La Compagnie Créole, regravada no Brasil pela musa épica Rita Cadillac.
Isso aí ressuscita até defunto. Foi o que me salvou essa semana. Começou tudo na alegria do lançamento da revista, vocês bem podem imaginar a minha felicidade. Na segunda-feira, lasquei a revistinha na galera da Unicamp.
Na terça, acordei cedíssimo e fui buscar Gerião e minha carteira de habilitação, que estava vencida desde setembro, fato que minha mãe descobriu quando do assalto. Mas os ladrões não levaram só Gerião, sumiram com os documentos do mesmo, que estavam dentro dele. E aí começou meu suplício. Pela legislação de trânsito, todo mundo deve trafegar com o documento de porte obrigatório, com os dados do veículo, RENAVAN, IPVA, etcs, etcs.
Fui no Perda de Tempo e fui informada que deveria anexar xerox do CIC, RG, blablabla, e uma declaração de próprio punho com firma reconhecida no cartório. Depois, deveria levar o carro pra vistoria, feita em dois lugares aqui em Campinas: no DETRAN da avenida Amoreiras, o inferno em forma de lugar, e o Campinas Shopping, na entrada da cidade, onde Judas perdeu a cueca. Sendo mais longe, e também num lugar feio pra cacete, fica vazio. Escolhi o tal do Peroba Shopping.
Eu deveria ter desconfiado, porque perguntei do procedimento quando fui buscar minha CNH no Perda de Tempo, e ninguém sabia me informar. Chegando lá, entrei no estacionamento do shopping, um monstro como só os campineiros sabem construir, pra descobrir que o negócio ficava do outro lado. Dei a volta, saí, e entrei num túnel moquifento. O guarda, você tem certeza que tá tudo aí?
Eu deveria ter desconfiado, né? Bom, parei o carro, veio uma moça com uma má vontade comovente. Ela, ah, mas tá faltando um xerox aqui. E taca eu sair do moquifo, dar a volta, entrar no shopping de novo, estacionar e ir tirar o xerox mais caro da minha vida, 0,30 ( pra vocês terem uma idéia, na Unicamp custa 0,10).
Comi um cachorro-quente muito bom, o que melhorou meu astral. Pego o carro e volto no DETRAN. Sou atendida por um cidadão de cabelos parafinados, um surfista na praia da Anhangüera. O cara, mas tá faltando o pagamento de uma taxa! Fiquei pasma! Falei, mas ninguém me informou nada! E o babaca, PROBLEMA SEU, não tenho nada com isso!
Nossa, gente, daí o caldo entornou. Eu costumo ser uma pessoa gentil e educada. Mas daí perdi a paciência. Tava nessa a um mês e meio. E falei, não, o problema é de vocês. Vocês não tem o sistema de vocês do cacete, que pra cobrar multa é uma beleza, agora pro resto é uma bela merda! E saí cantando pneu.
No dia seguinte, fui no Perda de Tempo e dei um chilique que vocês não fazem idéia!!!!!!! C'est bon pour le moral, capisce?

Fuscão Preto

Gerião, na mitologia grega, era o rei gigante, de tríplice corpo, da Hispânia. Um dos trabalhos de Hércules foi raptar os bois do gado desse rei, que alimentava os animais com a carne dos seus hóspedes desavisados. Nos vasos gregos, Gerião é um homem triplo, que luta com Hércules de forma violenta.
Dante leu Virgílio, que diz na Eneida ser Gerião "o da tríplice forma". Como Dante não conhecia as imagens dos vasos gregos nem estátuas antigas do rei, preencheu a forma tríplice com um rosto de homem justo, corpo de serpente e patas de leão. Gerião leva, de carona, Dante e Virgílio no abismo insondável do Inferno.
Meu carro é carinhosamente chamado Gerião, um monstrinho que me leva pra tudo quanto é lugar nessa vida. Trata-se do Celtinha preto, pé-de-boi, cuja presença causa dissabores ( agora Gerião está desbalanceado, e de vez em quando fica com fome, nas horas em que sua proprietária está sem nenhum dinheiro) mas também alegrias imensas.
Essa semana Gerião retornou à sua vala no Inferno, depois de ter sido levado pelos bandidos no assalto, ter sido largado no meio da Anhangüera, ter sido depenado num desmanche ou no pátio que a polícia o colocou, ter sido levado pruma oficina desonesta que queria empurrar peças de segunda mão para que a seguradora não desse perda total, ter ficado sem seus documentos por inépcia do DETRAN, ter repousado sem bateria na garagem da minha mãe.
Por isso que eu andava escutando que nem louca o clássico Fuscão Preto. Por isso.

Saturday, May 20, 2006

EXTRA! EXTRA! PANDA NAS BANCAS!

Tenho a honra de comunicar aos leitores do Meio do Caminho, o único blog dantesco do Brasil:


Está nas bancas o volume Dante Alighieri, volume 1 de uma série sobre os clássicos da Literatura, lançada pela revista Entre Livros. Ensaios de gente bacana, como os professores Carlos Berriel, Newton Bignotto, Andrea Lombardi, Aurora Bernardini, o poeta Eduardo Sterzi, sobre o grande florentino. E um ensaio sobre Iconografia Dantesca no Renascimento, escrito pela única panda que tem blog dantesco no mundo!!!!!!!!!!!!!!!
Isso mesmo!!!!!!!!! A revista está linda, super bem ilustrada e escrita. Está meio carinha, 12,90, mas acho que vale a pena. O número 2, sobre Shakeaspeare, também já está por aí. Corri pra buscar a minha, e detalhe, no meu ensaio, as fotos que vocês vão ver foram feitas pela própria panda, com a saudosa Porpetta ( pois é, os ladrões levaram a minha máquina fotográfica, mas a canseira em South Bend valeu a pena!).
Nem preciso dizer, estou super feliz e orgulhosa por ter participado dessa iniciativa pioneira. Convido a todos a leitura do meu ensaio e dos outros, é claro!

Friday, May 19, 2006

London, London

Gostaria de agradecer os comentários do Fabiano, que está em Londres.

Não é a primeira vez que me lêem de Londres. Reencontrei Tati quando estávamos as duas exiladas em terras anglo-saxônicas: ela, na cidade da Rainha, e eu, no fim de mundo ( literalmente) de Chicago.
De Londres só conheço a vontade de ir pra lá, e o que dizem: que chove o tempo inteiro, que a comida inglesa é uma porcaria, e que tudo é caríssimo. Tomara que o Fabiano esteja comendo bem, pegando sol e gastando quase nada! Hoje, impontualmente às quatro e trinta e nove, horário de Brasília, tomei meu Earl Grey Tea, da Twinings, com bolachas Água e Sal Marilan. À saúde do Fabiano!

Thursday, May 18, 2006

Tarsila

Num belo domingo universal,
a janela,
e o mamoeiro.


Ando desperdiçando beleza longe de ti.

Exegese bíblica

A carne se fez verbo
e o amor habitou entre nós.

Monday, May 15, 2006

Ataques em São Paulo

E São Paulo, cuja classe média e alta considerava cidadela inexpugnável, caiu nas mãos do PCC.
Os paulistanos ficaram anos vendo as coisas virarem guerra civil no Rio, sofrendo eventuais assaltos e percebiam que a coisa estava preta, mas nunca com essa magnitude. Toque de recolher, sugestão por parte do presidente da República de tropas, e o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, está a caminho para um encontro com Cláudio Lemos. 80 mortos, o caos numa cidade que já é caótica, inviável, desumana, com um sistema de transporte, em algumas regiões, pífio. Em Osasco e em Campinas, aconteceram coisas semelhantes. As crianças não foram pra escola, estudantes não foram para suas faculdades, gente a pé na rua, o desespero.
Bom, agora eu sei que vai ter leitor do Meio do Caminho que vai querer saber sobre as consequências políticas disso tudo: a candidatura de Geraldo Alckmin, que estava dura de decolar, vai emborcar de vez. Nosso ex-governador deu a declaração infeliz que não havia bandidos no nosso Estado, um dia depois os presídios se levantaram e não se abaixaram mais. Um delegado foi INCENDIADO.
Mas isso não invalida todas as críticas que se possam fazer, mais e algumas, à toda bandidagem do governo Lula. Eu acho que, nesses 21 anos de regime democrático, nós nunca estivemos numa situação tão pior, no nosso país. Se você olha pra direita, vê o PFLão de sempre com seu jargão idiota, e o tucanato imbuído dos mais medíocres métodos de administração pública. Se você olha pra esquerda, vê algo que meu pai, numa das nossas últimas discussões antes da sua morte, me disse: esses caras eram sindicalistas, e convenceram os letrados porque intelectuais da USP criaram a mística do PT. Mas o peleguismo, a falta de caráter, a quadrilha, isso não deu pra disfarçar, no governo federal.
E a bandidagem? Olha, desde o massacre do Carandiru ( emblemático) que se percebe, o sistema judiciário e policial, o governo, a coisa aqui no Estado de São Paulo vai mal, muito mal. Engano dos paulistanos que olham com pretensa superioridade para o Rio de Janeiro. A cidade, espalhada do jeito que é, esconde a podridão. O sujeito não vê a miséria na janela, não tem morro, mas o crime organizado é mais organizado que o aparelho estatal. Eles estão em todos os lugares, e aprenderam a agir em série. São apoiados por parte da população pobre. E vão continuar, mesmo que os líderem sejam mortos. Pena de morte não dá conta, não se iludam. Matam um, criam dez. Mataram no Carandiru, reforçaram a criação do PCC. Isolam os líderes, instala-se a guerra civil. E Cláudio Lemos é jurista, e do PFL paulistano, ou seja, o conservador dos conservadores. A Opus Dei não dá conta disso também. Que fazer? Não sei, estou em estado de choque.

Sunday, May 14, 2006

Mas que número mesmo você usa, bem?

Agora, post revolta.
Esse post surgiu de um papo, via msn, com Dani Manica, querida amiga e leitora do Meio do Caminho.
Fui comprar uma roupa pra ir na festa importante e chique em São Paulo ( esperem o post, está assando). Peguei o busão e fui pro Iguatemi, mais tranquilo que o monstro Dom Pedro, e como eu estava de Mercedes de motorista e cobrador, não ia pagar os famigerados 2,5 da taxa do estacionamento.
Me encaminhei para a Luigi Bertolli, loja que causa polêmica. Larissa e Dani aprovaram coisas que vimos juntas essa temporada, Ana Paula e Luisa dizem que lá tudo é muito porcaria. Enfim, quando entrei pro Programa de Formação de Quadros Profissionais do Centro Brasileiro de Análise de Planejamento ( para os íntimos, o conjunto Golden Boys, que toca junto com o vocalista Zé Arthur Gianotti, e motivo da festa), comprei coisas lá que duram até hoje, inclusive duas calças.
Bom, começou com a pergunta aí em cima. Eu falei, costuma ser 44. Olha bem, disse a vendedora, pra você é 46.
E não é que nem o número 46 entrava em mim? O chão abriu nos meus pés. Tudo bem, exagerei na feijoada um dia, fui jantar na Macarronada Italiana no outro, comi meio pacote de biscoito, mas peraí!
Como todas as mulheres leitoras podem imaginar, fiquei na crise existencial. Meu Deus,sou uma baleia, blablabla, etcs e tal. Fui pra Renner, peguei uma 46, a bichinha caiu aos meus pés. A 44 ficou perfeita. Cheguei em casa. Engordei nos últimos anos, mas a 42 que comprei há exatos cinco anos continua vestindo, fechando e tudo o mais. Detalhe, da mesma Luigi Bertolli.
Dani Manica teve a mesma experiência na Taco, loja muito boa inclusive, de jeans e camisetinhas bacaninhas. A irmã da Dani, na mesma compra, levou peças 42, 44 e 46. As duas ficaram pasmas e indagaram do gerente a razão da disparidade. Ele falou que cada peça é pensada para um público de idade diferente. Então, para as peças de gente mais jovem, o 38 vira 44. Agora, me diz, isso é um crime! Então garotas novinhas, que porventura sejam mais cheinhas, vestem 48, 50, quando na verdade estão no 42, 44. E não encontram roupas na Taco. Aliás, não encontram roupas em loja nenhuma, a não ser na Marisa, Renner e C&A, dependendo da linha desses lugares. Cara, vão todos catar coquinho no mato. Eu dou a maior força pro crescimento da indústria da moda brasileira: tem estilo, tecido bom, corte legal, idéias criativas. Agora, eu prefiro a seriedade das lojas americanas, onde a numeração é seguida a risca. Pra vocês terem uma idéia, nas lojas da GAP existem tabelas, e se a peça estiver fora do padrão, você pode pôr os caras no pau e levar uma grana.
Então, de novo, vão catar coquinho no mato, e o INMETRO que se vire.

Dia das Mães

Feliz Dia das Mães para todos! Mães, filhos, pais, tios, avós, sobrinhos, primos e primas, vizinhos e adjacências. Mãe é mãe, só tem uma, porque se tivesse duas... já pensou?
Minha mãe tá assando um frango, toda animada, porque meu irmão veio da Plataforma das Águas Profundas. O cara tá trampando na Petrobrás, fica vinte e cinco dias embarcado, quinze em terra, então vocês sentiram o drama.
Mãe é mãe. Não tem jeito. Um dos meus sonhos é um dia ser mãe. Vamos ver... penso em adotar, se não puder ter do jeito tradicional, e mesmo se puder. Primeiro, como todo mundo, quero estabelecer uma estabilidade profissional e financeira mínima, pra poder curtir os filhotes. Estabilidade emocional, sei que não vou ter mesmo, porque minha família é de gente desvairada.
Essa semana eu e a minha progenitora estávamos rindo, lembrando de minha avó Maria. Ela era brava, se estivesse por aqui ia puxar a orelha de todo mundo. O caso foi o seguinte: tive uma festa chique e importante pra ir em São Paulo ( post daqui a pouco). A Renner me salvou ( de novo), comprei um sapatinho e lasquei uma escova no cabelo. Mas fiquei com vontade de usar um anel, que minha santa Dona Meire ( a que me acolheu em sua barriga e passa a vida cobrando esse fato) me deu quando de minha formatura. Coisa simples, mas é de ouro. Fui pegar o anel, tava preto. E minha mãe lembrou que dona Maria recomendava pasta de dente para limpar anéis e coisas de ouro. E pensei, claro, o negócio é esse, imagina aquela Kolynos velha de guerra, ótima pra limpar tudo, até dente. Peguei a pastinha pós-moderna nossa de agora, que de abrasiva não tem mais nada, mas mesmo assim, pimba, ficou limpinho. Mãe é isso.

Tuesday, May 09, 2006

Uma mão no cravo, outra na ferradura

Notícias péssimas.
Pedi uma bolsa de três meses pra Newberry, pra voltar pra Chicago. Veio a resposta, negativa.
Hoje, fui atrás da bolsa CAPES PDEE, pra ir pra Itália, como havia combinado comigo mesma, com meu orientador... descobri que não posso pedir essa bolsa. O pessoal da secretaria da pós pôs a corda no meu pescoço. A renovação da FAPESP, nada. Enfim, mesmo sem bolsa, vou ter que escrever a tese na marra, sem ter ido pra Itália.
Chorei tanto... chorei demais. O sonho de ir pra Itália novamente adiado. O sonho de fazer uma tese decente, enfim, tudo, tudo.
Olha, leitores do Meio do Caminho. A coisa tá preta. Fazer o quê? Nem sei por onde começar. Parei pra pensar e achei que fiz tudo errado nesses anos do doutorado. Saindo de uma situação financeira pra lá de precária, a bolsa da FAPESP serviu pra eu viver, mas não financiou propriamente a pesquisa. Comprei brigas que não eram minhas, investi em colegas que me passaram pra trás, e deixei que minha vida sentimental azarada entrasse em tudo muitas vezes.
Acho que preciso me consolar pensando que fiz o que pude. E vamos pra luta.

Monday, May 08, 2006

De perdas e danos, em Campinas

Enfim, dois meses depois do assalto e a coisa continua empacada.
Os caras da seguradora resolveram me sacanear, pra completar a porcaria toda. Para baixar o valor do conserto e assim não dar perda total, colocaram peças de segunda mão ( roubadas, provavelmente... hahahahha) no carro. Bancos rasgados, cintos quebrados. Minha mãe foi à luta enquanto eu fui pros congressos da vida. Agora, de volta à Campinas do Mato de Dentro de Jundiaí, me vejo na seguinte situação: continuo a pé, e vou enfiar os caras no pau. E taca ir no Procon e tudo o mais.
Hoje fui no Perda de Tempo ( ops, Poupa Tempo) tirar a segunda via do documento de porte obrigatório do carro. Depois de duas filas, recebo a informação que preciso anexar a uma declaração xerox do CIC, RG e comprovante de residência. Estava sem o último, voltarei lá de novo.
Minha carteira de habilitação estava vencida desde setembro. Minha mãe descobriu depois do assalto. Fiz o curso da renovação, e quarta faço a prova. Depois escrevo do curso, foi hilário, graças ao meu instrutor, o Lima, um personagem digno do Meio do Caminho. Outro post, outro post.
E ninguém tinha me avisado que eu precisava justificar no referendo de armas ( estava em Chicago). E lá fui eu duas vezes no Cartório Eleitoral de Campinas. Me pediram pra voltar depois, porque o negócio estava burfado de gente. Agora não é prazo pra nada na Justiça Eleitoral, então estava vazio. Fui informada que deveria me encaminhar pro terceiro andar do Fórum de Campinas, que deve ser o prédio mais feio do mundo.
Chegando lá, depois do Perda de Tempo, aviso na porta, só abre meio dia e meia. Fiz uma hora no Franz Café, e depois subi pro Palácio da Justiça. Mas não é que tem duas escadas no prédio. Tô escalando, vem um polícia e me mostra a placa: ESCADA EXCLUSIVA PARA PRESOS, CONDENADOS E ADVOGADOS.
Me informam no terceiro andar que preciso ir ao térreo. Tomo o cuidado de descer pela escada certa, vai saber! Chegando no Cartório Eleitoral, sou prontamente atendida e recebo uma multa de R$3,51, para pagar em bancos ou casas lotéricas. Tem uma agência do Nossa Caixa Nosso Buraco EM FRENTE. Digo pro cidadão do Cartório, ah, eu pago na frente. Ele, não, peloamordedeus, eu briguei com a gerente, ela disse que esses pagamentos ( dos Guias de Recolhimento da União) não podem ser pagos aqui. Moral da história, tenho que descer de novo, ir no Nossa Caixa do outro lado do centro de Campinas, pago a taxa e fico quite com a Justiça Eleitoral.
Recebi minha última bolsa. Mês que vem, não tenho salário. Enviei o pedido de renovação em fevereiro, e até agora nada. É uma palhaçada. Pelo menos os gnominhos da FAPESP resolveram não me cobrar a grana preta que queriam, mas perderam o cartão de embarque do trajeto São Paulo-Chicago e tão me cobrando. Vou ligar lá amanhã e desancar.
Pra completar, preciso fazer uma tradução picareta, terminar um artigo sobre a Iconografia dos Profetas do Aleijadinho, dar uma aula na quinta ( tô de estepe do Paulo de novo no IA), começar meu exame de qualificação, e na sexta tem a grande comemoração dos 20 anos de Programa de Formação do Cebrap, programa ao qual a pequena panda deve muito. Reencontrarei amigos queridos e odiados desafetos. Agora me diz, nisso tudo, ouço Fuscão Preto, Almir Rogério, e segura na mão de Deus e vai, minha filha.

Monday, May 01, 2006

Lavou, tá novo

Para quem sentiu falta da panda blogueira, boemia, aqui me tens de regresso!


Entre desvãos de sentimento, encontros, desencontros, transas e caretas, ladeiras e novas e velhas amizades, compromissos profissionais e lavagens de roupa, passei o mês de abril. Eis que se inicia o mês das noivas com perturbações, leituras das Bucólicas do Virgílio, choros em lugares estratégicos e audições de instrumentos históricos. Pra vocês verem, ressuscitei do mundo dos mortos.

Agora, Assis, mini-curso, mais roupa pra lavar e depois resolver pepinos como os do carro ( ainda estou a pé), carteira de motorista e exame de qualificação. Ou seja, a agenda tá lotada, mas o Meio do Caminho vai ser retomado sim. Poxa vida, sinto falta dos comentários, da leitura dos milhões de fãs ( ehehehe, além de tudo sou modesta) e de organizar as idéias, porque, como diz um amigo meu, muito vento na cabeça dá problema na vesícula.

Estou feliz apesar dos problemas, vivi belezas apesar das muitas misérias internas e externas que me assolam. Esse período todo foi uma grande reviravolta pra mim. Vamos ver no que vai dar. Agora, retomar tudo. Bom, nem preciso dizer, saudades de todos.

Friday, April 14, 2006

Lerê, lerê

Baixei a música Retirantes, do Dorival Caymmi. A da Escrava Isaura, isso mesmo.

E tá sendo a trilha sonora perfeita. Tô escrevendo meu exame de qualificação, um texto pra apresentar num congresso em Mariana, MG, e tô traduzindo um texto de Sociologia do italiano, encomenda do Josué.

E aconteceu uma coisa muito legal, mas que vai dar um trabalhão. Eu e Celo mandamos propostas para Mini-Cursos no Encontro de História Antiga e Medieval, promovido pelo NEAM, Núcleo de Estudos Antigos e Medievais, do departamento de História em Assis. E o pessoal do NEAM, que conheci no Encontro do ano passado, aceitou nossas propostas. Mas preciso me preparar e preparar uma apostila para os alunos; serão dois dias.

O problema é que tudo isso encavalou. Estou vesga. E pra piorar, comecei as aulas do curso de renovação da carteira de motorista, três dias, da uma às seis da tarde, além de ter que limpar a casa, cuidar de roupa, blablabla.

Ou seja, estou no lerê lerê. Nada de resposta de FAPESP ainda, nada de nada, não sei como vai ser minha vida no próximo mês. Vou ter que me virar mais que pião pra pagar as contas, que como todos puderam notar, vieram altíssimas esse mês. E detalhe, tudo isso sem carro nem nada, a seguradora não deu sinal de vida essa semana.

Ah, e mais um evento-panda! Eu e Zé, meu ex-aluno mas sempre amigo, vamos agitar uma Lectura Dantis na Unicamp! Sim, sim! Todas às quartas, na Arcádia do IEL, vamos ler a Divina,seis e meia. Vai ter cartaz e tudo noticiando esse grande acontecimento-panda. Seguirei a veneranda tradição, iniciada por ninguém menos que Giovanni Bocaccio, e vamos adentrar na selva oscura. Com direito à bolacha Maria e chá de camomila!

Wednesday, April 12, 2006

Dizeres

Hoje começou a contagem regressiva pra Sexta-feira Santa, dia em que minha santa mãe faz bacalhau à Gomes de Sá ( sem ovo) e canjica.
Não sei porque, mas isso é hábito campista, fazer canjica na Sexta-feira Santa. A canjica campista, porém, não leva leite de coco e amendoim, como a baiana. A minha mãe faz com um pouquinho de leite condensado, bem pouco, e cravo.
De Campos minha mãe trouxe o r puxado, a canjica e dizeres engraçadíssimos. Dela peguei a mania de inventariar falas engraçadas, como por exemplo "Meu, você vai tirar o pai da forca e a mãe da zona?" ( pra neguinho que fica dando farol alto na Dom Pedro), "chamar Jesus de Genésio e urubu de meu louro" ( o desespero), e "chuta que é macumba"...

Mas as minhas favoritas de todos os tempos são: "Tá no inferno? Abraça o capeta!", "Chuta que é macumba", e "Pediu pra ser feio no Vale do Eco"... hahahahahah!

Sunday, April 09, 2006

Reflexões históricas

Pensar que no Brasil a escravidão existiu até 1888. O escravo era coisa, bem semovente. Era arrolado nos inventários junto com o gado.


Pensar que durante séculos existiu o Tribunal da Santa Inquisição, que fez churrasco de milhões de pessoas.


Pensar que dois terços da população européia morreu de peste.


E pensar que Roma foi destruída várias vezes, resistiu várias vezes, e hoje é sede do governo Berlusconi.


E pensar que hoje eu fiz um teste de inglês ( no msn.com.br) e constatei que meu inglês é milhões de vezes melhor que o do presidente George Bush.

Tô que tô

Baixei a trilha de Sol de Verão Nacional.

Lá em casa, meus pais não compravam trilha de novela não. Todo mundo lia a Veja ( pois é, já foi uma revista de esquerda) e ouvia Milton Nascimento. Mas em 1982, aconteceu um fenômeno. Meu pai comprou daqueles Gradientes prateados, e desde 1982, eu ouço música de todo o tipo todos os dias.
E esse disco apareceu lá em casa. Junto com o disco um da trilha de Roque Santeiro, os dois únicos discos de trilha de novela que ouvi na vida. Essa novela ficou famosa por um motivo triste, o ator Jardel Filho faleceu bem no meio, e era o protagonista. Sim, teve época que o Jardel Filho, o Paulo Autran, a Fernanda Montenegro eram protagonistas de novela da Globo, e sim, atores não tão bonitos assim divertiam a gente nos três horários do plim-plim.
Essa trilha é bacana. A música da abertura era sim, a Simone, na época em que era boa cantora, lascando "Tô que tô", dos gaúchos Kleiton e Kledir. Mas o mais legal é um samba bonito, bonito, da Beth Carvalho. A Beth Carvalho, bem como a Simone, angariou antipatias do Oiapoque ao Chuí com pagodinhos rastaqueira ( eu acho pior o caso da Simone, que gravava Chico com o próprio e cometeu aquele disco horrendo de Natal, que deveria ter sido denunciado pra Anistia Internacional), mas gravou um dia esse lindo "Tendência", que é de dona Ivone Lara, I presume. Samba é que nem bolero, quando é bonito, acompanha a gente o resto da vida.
Semana passada, tive discussões horríveis com amigos sobre baixar ou não MP3, e o fato de ter me afastado de Mozart e Bach pra ficar ouvindo trilha de novela oitentista. Fazer o quê, tem dia que "Tendência" faz com que eu me reconcilie com a vida. Em tempo, baixei também "Retirantes"', do Caymmi, sim, sim, a abertura de Escrava Isaura, o lerê lerê, vida de negro é difícil, é difícil como o quê. Essa aí eu vou por de fundo essa semana, porque amanhã é dia de negro, diferentemente do que os racistas diziam por aí.


Lendo aqui esse post, me dei conta que eu me lembro de uma época que o Brasil era um pouquinho, pouquinho melhor do que esse 2006, que até agora foi de lascar. Caymmi em trilha de novela, Simone que gravava Chico Buarque, e a Veja era de esquerda.

Domingo de Ramos

Seguindo a liturgia, hoje é domingo de Ramos, dia em que Jesus entrou, montado num burrico, em Jerusalém, saudado por palmas e alegria. Menos de uma semana depois, a história que todo mundo sabe.
Acordei mal, deprimida com tristezas passadas, presentes e futuras. Fui tentar ligar no celular do Luis ( no orelhão, já que aqui em casa vivo no Plano Favela da Telefónica), a pia entupiu e tive que encher o saco da minha vizinha, desci e fui pra Ki-Pão, o pão nosso de cada dia nos dai hoje. E vejo na banquinha, Suzane von Richthofen na capa da Veja, em close, sorrindo. Puta, aquilo me derrubou.
Faz anos que a Veja tá uma merda, e o povo lascou no Orkut a comunidade "Leu na Veja? Problema seu!"... entre Diogos Mainardis da vida, gente que fala que Mozart não era tão bom assim ( sim, claro, bom mesmo é Geraldo Alckmin), eu fico mal pra caramba, porque eu sou da época que a Veja era, sim, uma boa revista. Agora é um lixo, e nem dá pra usar pra limpar nada. Agora, essa psicopata na capa, sorrindo e limpando sua barra com a opinião pública... quer dizer que ela manda matar o pais de pancada pra ficar com a herança, e agora posa de menina sofrida?
Olha, como dizem por aí, eu sou da turma dos direitos humanos, muito difícil eu me bandear pras raias do autoritarismo de achar que bandido tem que morrer e coisa e tal. Mas essa filha da p*&^& não tem justificativa. O pai abusava? A mãe era uma escrota? Saísse de casa, fosse pruma quitinete. Deixasse de ser a riquinha mimadinha e idiota. Fosse pra luta. Não, matar pai e mãe é injustificável, pruma nega da classe alta paulistana ( elite boa essa que a gente tem, né? Daslu, Suzane, tudo isso dá uma idéia do que essa gente é)... e mais injustificável é essa revista de quinta categoria dar espaço e entrevistar essa desgraçada, que deveria estar presa.
Passei da depressão pra revolta. Olha, meu background católico é forte demais pra eu aceitar isso. PT roubando, nega matando pai e mãe, mas será possível? Virei a esquina e vi uma senhora com uma palma na mão, indo ou voltando da missa. E lembrei, começou a Semana Santa. Lava-pés, última ceia, e o Calvário.

Friday, April 07, 2006

Paulistânia

Tenho a alma deveras paulistana.


A padaria da esquina, os sobrados, os vários tons de cinza e azaléias. O trânsito na Paulista, o Fauno do Trianon, o pastel do Yokoyama, corre e atravessa a Sé, corre e atravessa a Brigadeiro, desce a Arcoverde e sobe a Teodoro Sampaio. Da Lapa a Móoca, a nova estação de metrô no Ipiranga. Volpi, Adoniran, Oswald e Mutantes. O peso das palavras quando ditas na USP. O café e a Oscar Freire. O caldo de cana e a Pinacoteca. E um dia me perdi e achei o Lasar Segall, me perdi e achei o Ibirapuera, mas entrei no portão errado, e tudo nessa cidade é longe e não tem retorno.

Thursday, April 06, 2006

Documentos

Hoje fui tentar resolver duas pinimbas.
Minha carteira de habilitação venceu em setembro, e eu não votei nem justifiquei no referendo das armas.
Bom, chegando na Justiça Eleitoral, uma senhora me pede que eu não faça a regularização do meu título porque o negócio estava burfado de gente. Essa semana é a semana da transferência dos títulos de cidade pra cidade e regularização da situação de gente que nunca teve título...
Fui no Poupa Tempo. Precisei tirar uma foto 3x4, onde obviamente saí com cara de doida, e pagar sessenta pilas. Descobri que vou ter que fazer um curso na auto-escola, mais sessenta pilas, na semana que vem. Que beleza.
Vou no Bradesco, também lotado, pagar uma taxa de um congresso que quero participar, no final do mês. A maquininha dá um pau danado. Depois fui na Renner pagar prestações vencidas e ver se achava algum paninho pra mim. Nada ficou bom, eu tomei chuva na rua e meu cabelo tava um desastre. Vi uma roupinha na vitrine, a blusa M ficou grande demais, a calça 44 pequena demais, e a jaqueta jeans uma estopa. Fiquei parecendo um espantalho!
Na outra loja, um vestido lindo de morrer, estampado, fundo preto e estampa verde. Totalmente fora das possibilidades econômicas do momento, o vestido me deixou uma pessoa decente, quiçá interessante. Mas pensei, cara, nem sapato tenho pra usar com essa coisa linda.
Na auto-escola, tinha uma maquininha pra verificar digitais (???) e meus dedos não batiam. Eu fiquei me sentindo uma ET, pensando no vestido e no fato de ter que gastar grana com besteira como auto-escola, segunda via de documento, e foi estranho ver roupas de inverno nas lojas. Depois do frio de Chicago, isso aqui é bolinho!

Wednesday, April 05, 2006

Romântica, muito romântica

Com esse negócio de baixar MP3, as lembranças vêm e vão.

E comprovo um traço da minha personalidade que é fogo. Eu sou muito romântica, chego a ser brega demais, é horrível.
Um olhar mais doce, um telefonema, uma atenção,e eu me derreto. Nossa, tive tantas paixões platônicas, daquelas platônicas mesmo, tipo Castro Alves, Álvares de Azevedo, um bolero sem fim essa minha vida.
E ao mesmo tempo, esse mundo vive dentro de mim, porque a timidez me acompanha. Não tenho coragem de me declarar, nunca; tento chegar perto, brincando ou inventando uma desculpa mais ou menos racional, sempre.
Eu tinha uns quatorze anos e gostava dum cara do colégio, que não dava a mínima pelota pra mim, claro. E um dia, na saída das aulas, criei uma coragem absurda e perguntei as horas pra ele. Detalhe: no pulso, eu tava com um relógio Casio gigante, amarelo... o cara olhou pra mim pensando, mas essa mina é louca... e eu, esse relógio tá quebrado...
Agora, eu resolvi escancarar. Tô com quase 30, não vou mudar nem melhorar. Durante muito tempo, meu projeto era virar uma mulher desencanada, solta, relaxada e moderna. Mas não adiantou nada, então é melhor assumir. Sim, eu gosto de Roberto Carlos, sim, eu adoro flores, e sim, eu me apaixono com uma facilidade ridícula. Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi!

Monday, April 03, 2006

Pérolas musicais

Descobri que uns maluquinhos adoráveis estão disponibilizando, no Orkut, links pra baixar músicas. Ou seja, essa noite eu não dormi porque fiquei baixando pérolas dos cancioneiros internacional e nacional.
Gente, tem de tudo, e isso me alegrou, porque minha velha mania, a Rádio Terra, foi por água abaixo. Os caras decidiram do nada que não se pode mais ouvir as canções por mais de 30 segundos, um verdadeiro saco. Um menino muito inteligente montou uma comunidade no Orkut, "A Rádio Terra perdeu a graça", e eu entrei, lógico...
E aí, é um problema. Se você ouve a Rádio Yahoo, não pode escolher a seleção, e só pode pular cinco músicas. E se você quer baixar MP3 por aí, é sempre aquela preocupação com a infestação de vírus.
Mas o pessoal no Orkut resolveu usar um site alemão de compartilhamento de arquivos, e o processo fica rápido e seguro. Consegui músicas que queria há anos, desde o tempo eu que eu gravava tudo que queria em duas fitas cassete, gravadas e regravadas de forma absolutamente esquizofrênica.
Baixei coisas que são caras ao meu coração, mas que são verdadeiras porcarias musicais. Outras nem são tão ruins assim, como as do Pepeu Gomes, que eu acho um puta músico injustiçado. Isso me deu um pouco de alegria. Ontem me olhei no espelho e me vi envelhecida e sofrida, olhar em viés, anguloso e dolorido. Agora preciso ir dormir, insônia é fogo.