Os paulistanos ficaram anos vendo as coisas virarem guerra civil no Rio, sofrendo eventuais assaltos e percebiam que a coisa estava preta, mas nunca com essa magnitude. Toque de recolher, sugestão por parte do presidente da República de tropas, e o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, está a caminho para um encontro com Cláudio Lemos. 80 mortos, o caos numa cidade que já é caótica, inviável, desumana, com um sistema de transporte, em algumas regiões, pífio. Em Osasco e em Campinas, aconteceram coisas semelhantes. As crianças não foram pra escola, estudantes não foram para suas faculdades, gente a pé na rua, o desespero.
Bom, agora eu sei que vai ter leitor do Meio do Caminho que vai querer saber sobre as consequências políticas disso tudo: a candidatura de Geraldo Alckmin, que estava dura de decolar, vai emborcar de vez. Nosso ex-governador deu a declaração infeliz que não havia bandidos no nosso Estado, um dia depois os presídios se levantaram e não se abaixaram mais. Um delegado foi INCENDIADO.
Mas isso não invalida todas as críticas que se possam fazer, mais e algumas, à toda bandidagem do governo Lula. Eu acho que, nesses 21 anos de regime democrático, nós nunca estivemos numa situação tão pior, no nosso país. Se você olha pra direita, vê o PFLão de sempre com seu jargão idiota, e o tucanato imbuído dos mais medíocres métodos de administração pública. Se você olha pra esquerda, vê algo que meu pai, numa das nossas últimas discussões antes da sua morte, me disse: esses caras eram sindicalistas, e convenceram os letrados porque intelectuais da USP criaram a mística do PT. Mas o peleguismo, a falta de caráter, a quadrilha, isso não deu pra disfarçar, no governo federal.
E a bandidagem? Olha, desde o massacre do Carandiru ( emblemático) que se percebe, o sistema judiciário e policial, o governo, a coisa aqui no Estado de São Paulo vai mal, muito mal. Engano dos paulistanos que olham com pretensa superioridade para o Rio de Janeiro. A cidade, espalhada do jeito que é, esconde a podridão. O sujeito não vê a miséria na janela, não tem morro, mas o crime organizado é mais organizado que o aparelho estatal. Eles estão em todos os lugares, e aprenderam a agir em série. São apoiados por parte da população pobre. E vão continuar, mesmo que os líderem sejam mortos. Pena de morte não dá conta, não se iludam. Matam um, criam dez. Mataram no Carandiru, reforçaram a criação do PCC. Isolam os líderes, instala-se a guerra civil. E Cláudio Lemos é jurista, e do PFL paulistano, ou seja, o conservador dos conservadores. A Opus Dei não dá conta disso também. Que fazer? Não sei, estou em estado de choque.

2 comments:
que vergonha neh, eramos refens do crime e nem nos demos conta disso!!
acho que de maos atadas nao podemos lutar com todas nossas forças
talvez educaçao seja a resposta de tudas nossas perguntasmas, esse eh um outro problema a ser questionado as autoridades
estou em londres e rezo pra que tudo se resolva pois minha familia esta em jundiai SP
como esta escrito ai tb estou em CHOQUE!!!
bye
Eu sempre acreditei que a educação e a cultura deveriam ser as duas linhas mestras pelas quais se podia resolver esse problema da violência, pelo menos à longo ou médio prazo. Pois bem, continuo acreditando nisso, mas passei a acreditar também que só isso não resolve, porque sempre vão ter aqueles que vão querer sair do sistema por alguma razão. Então precisa também reformar o sistema judiciário, penitenciário e prisional. Como disse um sociólogo da UNB esses dias no jornal, o problema não é a falta de recursos, mas como esses recursos são aplicados. Na maior parte dos casos se fazem aplicações que não estruturais, fruto de uma reflexão e um projeto de civilização mais duradouros. O fato é que talvez estejamos vivendo um momento da história onde esse projeto civilizacional nunca foi tão fragmentado e posto em dúvida como antes. No iluminismo, por exemplo, todo mundo sabia mais ou menos para onde queria rumar. Hoje em dia ninguém sabe. E quando tenta-se pensar em algo, criam-se polarizações estúpidas que separam o discurso em de um lado educação e cultura como coisas de "esquerda", e segurança e reforma no sistema judiciário como coisas de "direita"... Acho que essas duas coisas estão juntas. Não adianta querer polarizar achando que o ser humano é naturalmente bonzinho (daí a educação...) ou achar que ele é naturalmente mal (daí as prisões). A coisa é mais complexa e no fundo o problema todo é que a sociedade como um todo nunca esteve tão dividida e fragmentada como agora, não havendo nenhum consenso em nada...
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