Saturday, October 08, 2005

The Magnificent Mile

Aqui, moro num bairro chamado Golden Coast, como já disse. Fica perto do que o povo daqui chama The Magnificent Mile, ou seja, o trecho da avenida Michigan que vai desde o observatório Hancock e um prédio chamado Waters Tower, e o centro, depois do rio.
Nessa milha magnificente, as grandes lojas são prédios, arranha-céus elegantes. Tem uma torre só da Nike, outra só da Disney; lojas imensas da Apple, da Sony, da Virgin, Gap, Guess, Banana Republic, um hotel Hard Rock, enfim, todas essas cadeias que significam o consumo e a alegria ao redor do mundo.
Pois é, meu caro amiguinho esquerdista latino-americano, torça a cara para as vitrines abarrotadas de coisas, e para as pessoas para quem consumir é hábito vital, essencial, diário. Nunca o fetiche da mercadoria foi tão profundo, tão radical, quanto é nos EUA.
Mas por outro lado... os prédios arquitetonicamente são impecáveis. As pessoas são amigáveis umas com as outras, olhares doces, gente educada, civilizada. Uma espécie em estinção no mundo todo: gente que vai ao museu, que sonha vendo vitrines, mas que não vota no Bush, que ri muito da paranóia de segurança, gente confiante, gente estranha... para nós latino-americanos. Cadê a arrogância, o imperialismo? Em Chicago é difícil de ver. Gente rica, gente pobre, qualquer um pode entrar nas lojas, mesmo na ultrasofisticada e inglesa Blueberry, onde um casaco vale 2000 dólares. E você estranha... será que seria o mesmo na Daslu?
Aqui, é muito natural entrar numa loja. Vi um mendigo entrando na loja da Apple e ele não foi enxotado. E aí, pensei: mas porque esse homem seria tocado para fora?
É claro que existe racismo, é claro que existe Bush. Mas eu gostaria de ver no Brasil esse tipo de coisa. Gostaria mesmo. Qualquer um entrando na Daslu.

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