Tanto na Eneida quanto na Divina Comédia Caronte é o barqueiro que leva as almas dos recém-falidos à sua nova morada. Dante escreve ser Caronte um velho, "branco por antigo pêlo", que tira sarro do poeta por tentar atravessar o rio Aqueronte estando vivo. Enquanto isso, "Caron dimonio"bate com o remo nas almas indecisas, que não querem admitir que estão literalmente danadas.
Bom, o meu Caronte é meu laptop, que ontem, em plena madrugada fria, me levou ao Inferno. O Touch Pad desse demônio travou, e eu fiquei a noite toda tentando ressuscitá-lo, ou melhor, trazê-lo novamente para esta margem do Aqueronte. Segunda noite de insônia na terra do White Sox, time de baseball daqui que está ganhando e trazendo felicidade e gritos como os dos corinthianos ou ponte-pretanos.
Depois dessa noite infernal, em que Caronte recusava-se a funcionar ou mesmo desligar, às seis da manhã liguei para o Brasil, mais especificamente na casa da minha sogra, e tirei meu futuro cônjuge de seus doces sonhos. Este anjo da candura e do riso se apiedou desta pobre alma condenada e me informou ser necessário apertar o botão liga-desliga de Caronte num tempo maior. E, final e gloriosamente, Caron dimonio resolveu dar o ar da graça. É demais.

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