Que o Orkut é uma bela droga, todo mundo sabe. E que a discussão sobre os limites da expressão das opiniões, sempre dá numa bela merda. Censura é uma merda, liberdade de idiotice, idem. Não sei o que pensar a respeito.
Enfim, comovida com o brutal assassinato do professor Adriano, busquei seu perfil no site, e encontrei na sua página de scraps muitos, muitos recados de alunos, amigos, vizinhos e familiares, se despedindo de forma linda dele.
Mas não é que, no meio, tem um idiota dizendo que "ser homossexual não é doença, mas mata"? E denegrindo a imagem da vítima de tão covarde e injustificada violência?
Isso me lembrou outro caso. No início do ano, uma aluna da PUCCAMP foi violentada por um grupo de colegas, que aproveitaram de sua inconsciência, chamaram vizinhos de república para assistir e ainda gravaram tudo e colocaram na internet.
A moça teve coragem de denunciar, e os bonitos foram presos. Mas não é que os colegas, no Orkut, defendem os estupradores com os argumentos mais idiotas possíveis, daqueles que qualquer leitura chulé de "Freud em quadrinhos" detonaria? Moças e rapazes defendendo os pobres injustiçados e culpando a vítima, denegrindo sua imagem, a ofendendo e assustando colegas revoltados. E fazendo passeata e missa em homenagem aos caras.
É demais. O que me causa espanto, náuseas, vergonha e vontade de matar é que a argumentação é arrogante, infundada, e que em outro país traria dores de cabeça homéricas, com guerras nos tribunais. O que me consola é que gente assim, medíocre, passa a vida inteira infeliz, no pior da caverna, vendo as sombras das sombras e achando tudo lindo, nas filas das boates decadentes da cidade de Campinas e região. Quanto aos criminosos, cadeia. Precisam pagar pelo que fizeram. Nos dois casos.

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