Friday, September 23, 2005

Leituras de Rousseau

Li Rousseau uma vez na vida. O Contrato Social.
Queria ler de novo.
Em outra encarnação, fui de um negócio chamado Programa de Formação de Quadros Profissionais, no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento. Isso mesmo, estive na Estrela da Morte do Império, no Antro arqui-inimigo do Gláuber Rocha e do Gilberto Vasconcellos. E não virei Darth Vader, aparentemente.
Nesse troço, a gente ficava dois anos fazendo programas de estudo. Doze pessoas, de todas as áreas das Humanidades: advogados, filósofos, sociólogos, antropólogos, cientistas políticos, e até mesmo historiadores da Arte. Escolhíamos o que queríamos estudar, e aí, era mandar bala, toda terça e sexta-feira.
Teve um programa de Filosofia Política. O básico: Aristóteles, Maquiavel, Rousseau. O Contrato Social começa com a concepção aristotélica de política: um ramo da Física. Os fenômenos da política são da ordem das investigações naturais. No Príncipe, Maquiavel parte do mesmo pressuposto.
Mas no Rousseau, o negócio dá pau. Ele começa considerando a política como algo passível de ser compreendido com regras, como a geometria de Euclides. E logo descarta esse tipo de argumento, porque os homens têm seus afetos, suas paixões, que, inversamente do que pensavam os autores do século XVII, não são calculáveis nem previsíveis. Rousseau reivindica o abismo dentro de cada um, o diferente.
No meu pouco entendimento, ficou a impressão do livro ser algo grande. E afetivo, e generoso. Gostaria de estudar um pouco mais isso...

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