Sunday, September 25, 2005

Está aí um tema difícil, para nós, que encaramos quatro ou mais anos de Ciências Sociais.
Meu pai e minha avó eram muito católicos. Minha avó dona Penha em especial. Meu pai tinha como amigos os padres salvatorianos, que tanto nos ajudaram em Jundiaí, quando a gente mais precisou.
Íamos à missa com meu pai. Minha mãe é de uma religião indefinida. Tenho pra mim que o pessoal da família dela é meio espírita, meio macumbeiro, sei lá. Ela às vezes sonha, tem uns pressentimentos, mas às vezes usa seus poderes para o mal, ou simplesmente para encher o saco dos outros.
Eu fui educada no catolicismo humanista dos salvatorianos, muito próximos dos franciscanos de Petrópolis, por exemplo. Isso significava, na década de oitenta, humanismo, Teologia da Libertação. Meu livro de religião, no colégio, era bem avançadinho: citava Cazuza, descia o pau na alta burguesia, e a principal personagem era, sem sombra de dúvida, São Francisco de Assis.
Depois que entrei na Unicamp, fui perdendo a fé. Na adolescência, aprendi a jogar tarô, e ganhei duendes. Fiquei muito impressionada com o espiritismo, e rezava quando o negócio apertava.
Depois de ler Marx, é difícil a gente manter a ingenuidade.
Mas a vida é difícil. Acho que sou cristã, no básico. Não acredito nos dogmas nem na hierarquia eclesiástica. Senti uma dor verdadeira ao ver o Ratzinger papa, e achava um horror Paulo II ser contra a camisinha e os homossexuais. Não acredito na virgindade de Maria, e tenho muita desconfiança na instituição Igreja. Aliás, todas as igrejas. Mas a moral cristã, permanece no meu dia-a-dia. Será que tenho que ler Nietzsche?
Dois milagres. Ou graças alcançadas aconteceram comigo. Uma vez, estava muito desesperada, sofrendo muito por amor. Por acaso, estava na Praça da Sé. Entrei na igreja e fiquei pedindo pra quem fosse que afastasse o indivíduo de mim. Deu certo...
Outra vez, estava muito dura. Mas dura mesmo. Uma amiga foi à Aparecida do Norte, porque quase morreu quando era criança e a mãe fez promessa que todo ano, se a menina vingasse, eles iriam pra Aparecida. Ela me trouxe um pequeno São Francisco. No outro dia, me chamaram pra dar aulas num colégio católico, pra falar de Giotto... em Assis.
Tudo bem que me despediram depois, porque irritada com os moleques sem-educação, soltei um palavrão. Isso, nem São Francisco consertaria!

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