Eu havia escapado ilesa da Festa no Apê do Latino, até que um conhecido meu desavisado me explicou que a pérola do nosso ídolo nacional era a versão tranqueira de uma música romena, sucesso no mundo inteiro na versão putz-putz.
Entro no site do Terra Rádio, uma das minhas manias. Tenho uma rádio com umas duzentas músicas, que vou escavando na chatice que é uma rádio cuja maior parte das músicas só toca 30 segundos (???), e me deparo com o Latino. Escutei e reconheci a melodia da, essa sim, cráçico da curtura popularrrr de massa corrida Dragostea Din Tei. Descubro que essa porcaria já havia grudado no meu cérebro, entrado no meu inconsciente, no meu, no seu e no de milhões de vítimas pelo mundo!
Esse meu colega, antropólogo, disse que depois de dias com os neurônios sendo destruídos por essa língua desconhecida mas familiar, porque latina, que é o romeno, achou na Internet um estudioso afirmando que a melodia e a letra de Dragostea Din Tei merece uma pesquisa, porque demonstra que algumas melodias, de origem popular, grudam mesmo. É o mesmo fenômeno de Fata Morgana, do Dissidenten ( sim, você se lembra disto. Ouça no Terra Rádio, porque essa, assim como a Dragostea, tá inteira!).
Meu filho, não adianta. Você foge do Latino e cai no O-zone, nome dos caras. O que me consola é que a letra romena ( sim, eu vi a letra e a tradução) é uma cantada inocente: o cara no telefone convencendo a mina a sair com ela, porque ele pode ser o seu Picasso. Melhor do que o ex-marido da Kelly Key!

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