Wednesday, May 16, 2007

Sobre a cara de louca

O post abaixo suscitou comentários. Resolvi aprofundar o assunto.

Gostaria de me fazer entender, melhor, pela notável platéia. Seguinte: eu escrevi uma monografia, duas dissertações de mestrado, alguns artigos, trabalhos de final de curso, e agora, segundo palavras do prof. José Arthur Gianotti, ex-chefe meu e do Celso, escrevo o último trabalho escolar da minha vida, uma tese de doutorado. Em todos esses momentos, sempre me senti privilegiada por poder estudar e escrever, em meio à aulas, serviços gerais ( livraria, faxinas), e à vida, enfim. Aliás, sei que os meus temas são duzentas milhões de vezes mais fascinantes do que eu e do que eu possa vir a escrever. Me sinto feliz de poder ficar em casa e escrever, porque na maior parte dos dias preciso sair e ganhar meu pão, meu leite e meu arroz com feijão.
Agora, tem momentos que a gente se sente meio Atlas, com o peso de um mundo nas costas. Eu me olho no espelho e vejo a cara de maluca... eu deixo de tomar água, crise renal. Deixo de me agasalhar, bronquite e sinusite na Toscana; escovo os dentes pensando no Gerião e nos monstros na Antigüidade, perco metade de um dente de cárie fulminante, e la nave va. Ferrei algumas relações amorosas e de amizade por conta de textos pra escrever, sério mesmo. Eu tava escrevendo, ficava maluca, e saía correndo atrás do cara que estava a fim, até o cara cansar da minha fuça e me mandar pro quinto círculo do reino de Lúcifer. Eu amo o que faço, amo muito tudo isso, demais, e por isso mesmo fico possuída por um daimon. Mas não quero ferrar nada dessa vez, porque a tese já me rendeu um acidente de carro, um câncer no estágio inicial, uns dois ou três amores postos pra escanteio, a paciência da minha santa mãe e a de vocês. Fecha parênteses.

Tuesday, May 15, 2007

Balada do Louco

E hoje, tese o dia inteiro. Sozinha em casa, acordo tarde, 11 hs. Resolvo tomar banho e por uma roupa ( pulôver furado e calça rasgada). Começo na tese. A minha bibliografia, sério gente, tem 30 páginas e estava toda revirada. Tô quase no final do trabalho hercúleo de separar temas, autores, citações. Eu não consigo escrever sem antes terminar a bibliografia, sei que é uma coisa esquisita, mas é como se eu tivesse com a casa desarrumada.

Vou almoçar. Como dois pasteizinhos de queijo, cenoura e brócolis. Volto pra casa, sem antes deixar um recado non sense na secretária de um amigo. A sorte é que o Eduardo se doutorou em Dante, 600 páginas. Ontem eu vi um colega parado no carro, com cara de psicopata, na ladeira do IFCH. Adivinhem que fase do doutorado o cidadão se encontra.
Continuo empacada. Vou deitar um pouco, a dor no ciático tá foda. E me olhei no espelho várias vezes no dia, e sim, eu estou com cara de psicopata, maluca, doida, lelé da cuca, zarolha, só falta a luva cirúrgica na cabeça e ficar em cima de um muro ( lembrem desse doidinho que o Renato Aragão às vezes encarnava?). Reviro textos e livros. Um tijolão trazido de Pisa não havia sido incluído. Cadê a data da edição dos textos de Americo Vespuccio? Mas onde enfiei o CD com o Comentário ao Dante do Cristoforo Landino? E a frase do Leonardo, cadê?
Converso com as pessoas e me sinto inadequada, feia, burra, chata, ninguém me ama, ninguém me quer. E ainda preciso escrever 150 páginas, começar um tratamento de canal, consertar outro dente quebrado, e fazer traduções do nobre idioma de Dante pra sobreviver. Dizem que sou louco, por eu ser assim. Mais louco é quem me diz?

Monday, May 14, 2007

La luna, densa e grave, densa e grave, come sta, la luna?

Retomo a tese. De manhã, depois de uma noite sofrida ( febre, angústia, pensamentos apocalípticos, besteiras, arrependimentos e lembranças terríveis), pego os dois volumes dos escritos de messer Leonardo.
Tento me concentrar no meio da barulheira do cpd do IEL, com alunas da graduação falando sem parar, ouvindo Bob Dylan, Jokerman. O velho curinga do Renascimento me salva. Passo os olhos nas páginas dos Scritti Letterari, e lá está a seguinte história, que traduzo do toscano do mestre pra vocês:
" No dia 6 de junho de 1505, uma sexta-feira, no estalar das treze horas, comecei a colorir no Palazzo. No exato momento em que pousava o meu pincel o tempo mudou, e os homens ao redor se indagavam do porquê. O desenho se rasgou, o vaso de água que eu havia comigo se rompeu. E lá fora, o tempo escureceu, e choveu muitíssimo até a noite, e durante todo o dia esteve escuro como noite".
Bom, Leonardo foi pintar um afresco, sobre uma batalha vencida pelos florentinos, numa das paredes do Palazzo Vecchio, em Florença. Para se fazer um afresco, passa-se uma demão de gesso na parede, e com o reboco ainda úmido, decalca-se o desenho, feito no tamanho final num papel bem fino. Colore-se rápido, e pra mudar, se algo dá errado, é necessário raspar tudo. Segundo um comentador aqui da minha edição ( é a do IEL, Leonardo da Vinci, Scritti Letterari, Milano: Rizzoli, pg.155) Leonardo parece corresponder o temporal e a destruição do desenho ao triste fim do afresco ( inacabado, muitos anos depois seria destruído por Giorgio Vasari, o biógrafo dos artistas renascentistas, discípulo de Michelângelo e homem forte da corte dos Medici, responsável pela remodelação arquitetônica de Florença).
Nessa segunda-feira triste, pra mim isso foi um bálsamo. Tem época que é difícil, mesmo quando se é Leonardo da Vinci. Imagina então para pequenas pandas pós-modernas, estudiosas do messer! E o versinho do título é dele, ovviamente.

Saturday, May 12, 2007

Cosmos

E no sábado de manhã, passava Cosmos.

Eu me lembro dos meus sábados de manhã, quando, ao invés do Globinho, e depois do Balão Mágico, entrava o Carl Sagan explicando quasares, buracos negros, missões para Júpiter, o solo de Marte e citando os homens da biblioteca de Alexandria. Nem precisa dizer que Cosmos era o meu programa favorito, junto com o Lanterna Mágica ( gente, quem lembra?), um programa de animação que passava na TV Cultura, domingo à noite, desenhos poloneses, tchecos, russos, japoneses, uma maravilha pros olhos e pro coração.


Quando entrei na universidade, anos depois, peguei o livro na Biblioteca Central e devorei. Alguns outros anos, trabalhando na livraria do IFCH, trouxe pra casa o livro da série, e aí descobri que o esforço de divulgação científica do Sagan ( que pode ser discutido, e muito) baseava-se no extremo ceticismo dele, e que só o conhecimento das descobertas das pesquisas poderia alertar as pessoas sobre crenças errôneas. Dessa postura iluminista, racionalista, surgiu a série que eu assistia nos meus sábados no Cambuci, esperando o arroz com ervilha e presunto da dona Meire ou o almoço com seu Pedrão no Espetão, na Frei Caneca.
A trilha sonora da série foi composta pelo Vangelis, e um ex-namorado meu tinha o vinil, bacanérrimo. Essa semana o Celo conseguiu baixar as músicas, e eu pus aí embaixo a mais famosa delas, a Alpha. De tanto ver Cosmos, eu fiquei com um amor irrestrito por temas de Astronomia.

http://www.4shared.com/file/15796100/fbd4ca6e/02Alpha.html

Time goes by, so slowly, and time can do so much

Essa semana foi marcada por retomada da tese, encontros rápidos, desencontros, aborrecimentos imensos, alegrias definitivas e uma crise renal. Depois de litros de água, sopa de legumes, me reestabeleci e dei aula e tudo. Essa semana revi amigos, eu andava isolada, em casa, e foi muito bom retomar conversas e afetos. Ninguém faz nada sozinho.
Vi tanta gente querida... e ontem foi legal, eu e Celo jantando no Dom Pedro, chega Dani Mônica, diretamente de Maceió. A gente teve uma conversa tão legal no Giovanetti... na terça, foi lançamento do livro da Verônica, vi/revi gente querida também. Foi engraçado esse dia.
Eu fui na Jô, cabelereira e amiga, e fiz escova e unhas de vermelho. Tinha passado na Renner e com ajuda de Pati Beijo escolhido um vestido estampadão. Bom, rumei pra rodoviária e estou na fila da passagem quando chega uma nega e fura a fila. Eu falo, minha senhora, tem fila. A menina que tava na minha frente se desloca pra ir num outro caixa. E ela, ah, mas ela tá furando fila. E eu, não, ela estava aí. Chega outra moçoila e... fura a fila! A cidadã atrás de mim grita, ah, mas então não tem fila! Cara, eu fiz uma coisa muito grossa. Eu entrei na frente da segunda nega, e falei pro cara, não é possível isso. E as duas do meu lado me olhando espantadas. Olha, furar fila pra mim é uma coisa inadmissível. Não respeitar gestantes, idosos, deficientes e adjacentes, também. Sou chata mesmo, fazer o quê?
Retomei a tese. Comecei pela bibliografia. Tava uma zona. Eu fiz uma bibliografia temática e não coloquei tudo nos devidos lugares, daí vocês imaginam a confusão. Separei uns trechos do Leonardo, pro penúltimo capítulo, mas a tese continua a rodovia Rio-Bahia: cheia de buraco.
Passei super mal de quinta pra sexta, o meu rim resolveu se revoltar com a fase camelo que a panda tava passando, por puro stress, distração e tosquice. Cara, é preciso tomar água. Paguei quatro multas de trânsito, da semana que o Celo tava no hospital. Mas sabe o que é mais engraçado? No meio disso tudo, como sempre, estou muito feliz, pensando coisas boas, e credito isso a um processo de amadurecimento ( enfim, né), em que esse espaço e a leitura de vocês foi imprenscindível. Time goes by, so slowly, and time can do so much.

Monday, May 07, 2007

One of those forms

Acordei hoje com uma vontade intensa, inexplicável, inadiável: traduzir Lord Byron.

Não, gente, não é piada. Eu acordei, tomei um longo banho, e me preparei pra mais um dia na Unicamp: aula de espanhol, café com amigos, almoço com Celo. E fui tomar English Breakfast Tea, Ahmad, com pão de linhaça e mussarela. No meio do chá, pensei, que formidável seria traduzir Byron. Mas como seria bom traduzir Byron.
Na adolescência, amava as aulas de Literatura e as apostilas com os poetas. Ia na biblioteca do colégio e fuçava tudo, aos quatorze anos danei de ler Camilo Castelo Branco, sem entender nada obviamente. E os românticos todos, Noite na Taverna. Quando estive em Roma pela primeira vez, vi a herma do Lord na Villa Borghese, e chorei ao ler um trechinho do Childe Harold. Botei a aula de espanhol pra escanteio ( com essa falta, já reprovei esse semestre), vim pra biblioteca do IEL e estou na companhia de George Gordon Byron. Vai entender!
"Uma dessa formas que nos arrebatam, quando
somos jovens, e fixam nossos olhos em todas as faces;
E, ai!- a doçura dos tempos vemos
Num brilho momentâneo, a graça suave,
A juventude, o despertar, a beleza que concordam
em muitos dos seres sem nome que desenhamos
Cujos rumos e casas não conhecemos, e não devemos conhecer,
Como a última das Plêiades que não podemos ver."

Sunday, May 06, 2007

Campeonato paulista

Do início do ano pra cá, todo domingo era o campeonato paulista. Eu assisti jogo no Tilli Center ( São Paulo x Corínthians) do lado de um corintiano que apoiou um carrinho horrível ( detalhe, eu sou são paulina), assisti no Luís ( Noroeste de Bauru contra Santos, em Bauru, inesquecível, dentre outros), e hoje a final passei ao lado de Jujubetes na Yellow House. Eu sempre sapeava, mas esse ano eu acompanhei o Paulistão de perto.
Vi a ascensão e queda do meu time, neguinho indo pra segunda divisão e o Parmeira do Luís levar na cabeça rodada após rodada. Vi os times do interior invadirem o espaço das velhas potências, e meus domingos campineiros vazios ( sim, porque eu moro entre a Macaca e o Bugre, e os dois não deram sinal de vida, pra variar) ganharam emoção por conta dos comentários do Casagrande.
Hoje foi incrível, o poder do pé frio da Júlia. A Jujuba me resolve torcer pro São Caetano, que tinha o campeonato no bolso. Deu Santos. Wanderley Luxemburgo comandou o time da Vila Belmiro com bastante garra, mas o jogo tava confuso pra burro, muita violência. Bom, enquanto isso era a final dos outros estaduais, e passa trechos de Botafogo e Flamengo, Maracanã lotado, e flamenguistas na casa do lado. Júlia resolve torcer pro Botafogo (???). Nunca vi mulher mais pé frio na vida, os caras perdem nos pênaltis porque o goleiro rubro-negro pega duas.
E agora rumo ao Brasileirão. Preciso achar uma tabelinha, e assistirei o Brasileirão. E tenho dito.

Metalinguagem

Fase de posts imensos, desculpem vocês. A matéria da vida anda densa pra mim.

Saturday, May 05, 2007

Na verdade, nada esconde essa minha timidez

Como naquela música do Biquini Cavadão ( meu Deus, que nome horrível pra uma banda!), tudo esqueço e não tenho vez.
Tem muita gente que me conhece e pensa que sou muito extrovertida, porque cumprimento as pessoas, converso, puxo papo e dou atenção. Talvez isso se deva ao fato de eu achar que as pessoas precisam se importar umas com as outras, e que se eu estou todo dia num ambiente, eu preciso ser gentil com os que me rodeiam, e que não custa nada a gente ser generoso. Às vezes, quando eu tô muito estressada, como todos, eu não dou conta de tudo, mas mais ou menos é isso aí que me norteia.
O fato é que essa obrigação da cortesia, da gentileza, disfarçou por muitos anos o mal da pequena panda, de ser muito tímida. Eu acreditava que não era tímida não, e ignorava os períodos de mudez, as bochechas vermelhas e a absoluta incapacidade de lidar com coisas banais, como atender o telefone, conversar sobre o meu trabalho com professores e colegas, seminários, aulas. Dou aula sem olhar muito pros alunos, porque se eu olho, babou. Não sei se é a miopia muito alta ( dez graus em cada olho), ou se é a dislexia ( eu troco letra, número, palavras, frases inteiras), se é uma visão de si mesma negativa ( eu me acho muito chata, meio boba e sem graça), eu sei que a timidez é um martírio. Eu me apóio nos meus amigos, sempre me apóio: meu, vê se o que eu tô falando é muito ridículo, se eu vou dar bola fora, etc e etc.
Se eu vou escrever um email pra alguém, funciona assim. Eu penso horas, dias. Às vezes esqueço de responder porque fiquei pensando. Toda vez que toca o telefone, sério gente, toda vez eu tenho que respirar fundo e tomar coragem pra atender. Não é falta de educação não. Na verdade, nada esconde essa minha timidez.

Tuesday, May 01, 2007

Aula de jazz

Olha, hoje conversando com Lan no msn, desencavei do fundo do baú da memória outra relíquia oitentista: a aula de jazz!
Funcionou assim. Minha mãe começou a freqüentar uma academia de ginástica, motivada talvez por Olívia Newton-John ou Rita Lee. A tal academia era uma sobreloja num sobrado bege, numa esquina da Lins de Vasconcelos, em pleno coração do Cambuci. E ela resolveu me levar pra fazer as tais aulas de jazz.
Eu ganhei uns collants de helanca coloridos ( lembro de um azul bebê, outro vermelho pomba-gira, um preto urubu e outro branco nuvem), meias-calças, sapatilhas ( compradas numa loja de fábrica, enorme, no Ipiranga) e as famigeradas faixas de pôr na testa, de toalha, e polainas de lã colorida ( lembro de uma branca, que tinha um arco-íris). A professora trazia umas fitas com o que tocava no rádio, e eu lembro da trilha do Footloose e Flashdance. Eram umas coreografias, mas na maior parte do tempo era uma folia: a gente fazia o que bem entendia, e pasmem vocês, eu era uma das mais empolgadas.
A pequena panda dançava que nem uma possuída, esperando talvez um dia ser dançarina na Broadway ou pelo menos aprender o troço direito. Eu adorava, amava, idolatrava, dançar. Mas era engraçado, eu não queria fazer ballet clássico: olhava as meninas de rosa, redinha no cabelo e sapatilha dura de cetim e ponta de gesso, e não sentia nenhuma vontade daquilo. O meu negócio era o pop, o rock, a discoteca, o pega pra capar mesmo.
Comecei a dançar em todos os lugares, com meu relógio de pulso Champion, que trocava as pulseiras, e minha calça de moletom e tênis Bubble Gummers. Ligava o Gradiente prateado do seu Pedrão e lascava todos os sucessos da parada da Jovem Pan. Minha tia deu pra gente o disco dos Menudos, e daí vocês podem imaginar o que se tornou a vida da minha mãe, ouvindo sem parar "Não se reprima", e ver minhas coreografias, que sempre acabavam numa hecatombe no sofá.
Já em Jundiaí, fui matriculada numa aula de sapateado, que uma mocinha muito linda, Cíntia, ministrava no salão de festas do prédio. Lembro de alguns passos, os básicos, até hoje. Ganhei meu par de sapatos e mais collants, faixas, meias. Minha mãe, antes de cada aula, passava gel New Wave no meu cabelo, e lá eu ia, pra lascar o piso de ardósia do salão ( claro que o povo do prédio reclamou do estrago e do barulho infernal). Lembro de uma coreografia gracinha, com "História de Uma Gata", dos Saltimbancos.
Quando da apresentação de final de ano, recebi dos meus pais a notícia que não iria mais às aulas de sapateado, por questões óbvias: o orçamento tava apertado. Não participei dos ensaios direito: tomava meu lugar entre as gatinhas sem nenhum entusiasmo, sabendo que não participaria da festa nem de nada. Quando a professora veio fazer a lista para as fantasias, sofrendo muito, avisei que meu nome não estaria na lista. Ela insistiu, e algumas coleguinhas riram do meu embaraço.
Nunca mais tive aulas de dança. Mas não desisti: dançava na sala mesmo, arredava as cadeiras e lá ia o Gradiente a todo o volume. Minha mãe começou a proibir, meu pai e irmão a tirar sarro. Mas a pequena panda é brasileira, e não desistia nunca: depois que ganhei um micro-system, no meu quarto eu dançava a toda.
A história tem um final feliz. Eu fui num verão pra uma das pousadas da CESP. Eram umas mini-cidades, construídas quando da implantação das grandes usinas hidrelétricas do nosso estado, que depois se tornaram centros de lazer para os funcionários das três empresas ( CESP, Eletropaulo e CPFL). Sempre haviam monitores, que organizavam gincanas, brincadeiras, era uma verdadeira delícia. E tinham as bicicletas, as piscinas, o rio, e a gente comprava coisas com bolinhas de plástico, cada cor um valor.
Na pousada de Ibitinga, naquele verão, um monte de coisas aconteceram. Eu tinha dez anos. Pra começar, a gincana foi animadíssima, até os adultos participaram. Lembro que uma das provas era trazer uma peruca, e minha mãe montou uma na minha cabeça com flores e folhas. E sempre tinham bailinhos, numa mini-discoteca, à noite. O lugar estava cheio de crianças, rapazes e moças. Logo conheci uma turma de meninas mais velhas, que falavam toda hora do filme do momento, Dirty Dancing, e que punham o vinil da trilha. Eu não tinha visto o filme, aliás só vi ano retrasado, na Sessão da Tarde. Eu não entendia nada do que elas falavam, mas gostava das músicas.
Tantas coisas aconteceram, mas vou resumir. Um menino começou a gostar de mim e queria me namorar, mas eu não podia nem pensar num negócio desses. Na última noite, ele me pediu pra dançar, mas eu não pude aceitar, porque minha mãe tava perto. Quando a festa tinha quase acabado, todo mundo, inclusive o menino, tinha ido embora, as meninas colocaram o vinil pela última vez. E gente, aconteceu o milagre da aula de jazz: eu dancei tão bem, tão bem, mas tão bem, eu flutuava pelo salão, era a dona da situação, virei uma pequena John Travolta e todos me aplaudiram loucamente. Quando eu dei um passo daqueles de filme, uma senhora que assistia falou, essa menina dança bem demais. E eu enchi meu coração daquilo por muito, muito tempo.

Monday, April 30, 2007

Faça o teste: você é panda?

Na comunidade "Eu sou Panda", da qual eu participo, uma menina fez o teste panda:
"O que mais é panda?
Pandas:
1 - Têm "olheiras"
2 - São fofos
3 - São branquelos
4 - São anti-sociais
5 - Parecem meiguinhos mas podem te matar com uma patada
6 - São meio devagar
7 - São uma nulidade quando o assunto é sexo
8 - Estão em extinção."
O legal é que ela mesma disse que o item 7, todo mundo pularia, na bucha. Mas eu vi no site do Terra que tá tendo um baby-boom de pandas, então pode ser que os adoráveis ursinhos de vez em quando assistam um pornozinho no DVD, sei lá!
Eu só acrescentaria: Pandas são acima do peso recomendável pela revistas Cláudia e Nova! E se pilham um doce de leite Aviação, comem tudo!

http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=239559&tid=2493288608363259540&start=1

Sunday, April 29, 2007

Samba da otária

Na linguagem antiga dos malandros da Lapa, eu seria uma otária. Otário, contrário de malandro. Otário é o cara que trabalha cedo, que é acolchoado no medíocre ( onde li essa linda expressão?), que não sabe usar navalha nem sambar na lama com sapato branco.
Gente simples na expressão. Agora, fora de brincadeira. Acho muita coisa esquisita e fora de moda. Por exemplo: que o tempo mostra a verdade. Mostra nada. Acho que toda boa intenção, vinda do coração, vale mais que mil projetos arquitetados na maldade e egoísmo. Algumas vezes pus desejos e vontades meus abaixo do bem de outros. Adiei satisfações. Se tem alguém na parada que vai se machucar, rezo pra me afastar. Não falo tudo que penso. Escondo muito do que sinto. E às vezes penso, no meio do meu sofrimento, que poderia ser bem pior, e me alegro com essa rematada e comprovada bobagem.
Nem sempre sigo meus impulsos. Sim, faço um monte de coisas cacete só pra agradar os outros, ou pra não ferir os sentimentos dos que eu amo. Sim, eu penso nos outros. Controlo meus impulsos de agressividade. Sou uma otária, no meio da Lapa, quarando roupa de sol a sol, enquanto a diversão, penso, está no carteado, no bar, no flerte, na maledicência. Talvez desse um sambinha, ou uma marchinha de Carnaval.

Friday, April 27, 2007

Serge Gainsbourg

Hoje finalmente esfriou, pela primeira vez no ano do Senhor de 2007.


Fiz uns bifes com saladas de batata e broto de feijão pro almoço, com farofa de raspinha. Na panela onde fritei os bifes, na manteiga Aviação, pus cebola e farinha, a farinha pode ser da sua preferência, torrada claro.


Dormi uma sesta prolongada e não fiz nada de útil, em termos tese, pareceres e tradução, pra minha vergonha. Estava um pouco deprimida, porque ontem tentei ir num analista. O cara me falou coisas super foda, e quer me cobrar o olho da fuça. Saí de lá me sentindo muito pior do que entrei, chorei o dia todo e só ontem à noite, no meio da insônia de sempre, lendo uns trechos do Freud, me toquei que o cara não me entendeu em nada.
Mas esfriou. No final da tarde, fui à padaria e lá estavam todos felizes, clientes e atendentes, porque o padeiro tinha soltado pasteizinhos, fritos numa alegria pelo pessoal do balcão. Comprei petit-fours, bons pro English Breakfast da Ahmad, e fiquei procurando a discografia do Gainsbourg pra baixar. Esfriou, mandioquinha e morango no supermercado. E é isso.

Tuesday, April 24, 2007

Musa blogueira

Do comentário do eminente Celso, sociólogo digno da Escola de Campinas, surgiu a idéia desse post.

Aliás, a musa blogueira é muito eclética. É uma música, é um filme, é um acontecimento, que vira o tal do post. Enfim, sei lá mil coisas, o momento, um lance subjetivo, morou?

Mas eu queria falar de umas expressões idiomáticas que eu e os meus queridos amigos utilizamos no nosso dia-a-dia, porque fiquei rindo do comentário do Celso do versículo abaixo: "Deus chegará e falará, perdeu preibói"!


1) "Deus disse pra mim, vai lá embaixo e arrasa": essa é do Camilo, uma pessoa modesta como se vê.

2) "que cacete!": imagine uma bonequinha em forma de menina; essa é a Jujuba, que pontua tudo com um cândido e doce "Que cacete!"; já adotei.

3) "chamar Jesus de Genésio e urubu de meu louro": confundir as bolas.

4) "dar um ninja": agarrar a pessoa amada. Sabe quando tá no embaço? Você chega lá e dá um ninja, meu filho.

5) "dar um Chuck Norris": resolver no braço. Qualquer coisa e/ou situação. Partir pra ignorância muitas vezes é saudável e necessário.

6) "ficar envorvido": o envorrrrvimento é múltiplo e variável, vai desde pessoas a cachorrinho na rua.

7) "você pra mim é problema seu", "ema, ema, ema, cada um com seus pobrema": base da nova Escola psicanalítica de Campinas, fundada por Luís Fernando.

Mandem contribuições! Canta, ó musa blogueira, as besteiras que o povo fala e tchururu pra vocês.

Monday, April 23, 2007

Desvirar

Nesses últimos dias, sinto uma coisa boa. Sabe quando a gente se machuca, e o machucado começa a cicatrizar? Quando você cuida do roxo, com pomada de arnica, repouso, e ele começa a desaparecer?
Para destruir, basta um minuto. Reconstruir ou construir demora mais. Um coração pode ser cortado em poucas palavras, mas pra voltar a bater, é necessário tempo, dedicação, dias de esforços inúteis. Tantas esperanças jogadas fora, tantas palavras doces mal compreendidas. Tantos sorrisos em direções erradas, mas tudo bem, as coisas voltam. Diz um ditado persa que quando a onda vem, a gente tem que se abaixar, pra furar; ou se pegar, tem que deixar o corpo ir até o fim. Muita areia no biquíni ou no calção, muito mico que se paga, o caldo é triste de levar, a mão fica ralada.
Tudo bem, não sofro mais por você, paciência. Passo e não perco meu tempo, me concentro em quem me faz feliz agora. Você me desculpe, a falta de sofrimento. Me desculpe eu não perder tempo com você, mas outras pessoas surgiram, outras situações, perigos mais graves que seu ressentimento, sua inveja, sua angústia. Te desejo tudo do melhor da vida, seja feliz; mesmo, sério, nesse dia azul e amarelo eu desejo isso. Aprendo, cada dia um pouquinho, a desvirar minha mágoa.

Friday, April 20, 2007

Silent pain and happiness

Eu acordei hoje destruída. Ontem e hoje vaguei pela casa, sem fazer nada de muito útil, sendo que, no final de tese, desempregada e com problemas vários ( não vou repetir porque é piada), eu tinha que estar me esmerando nas minhas atividades-panda. Mas que nada, como diria Benjor.
Falo com a Nenem no msn. Acho que é cansaço, ou início de depressão? Não sei. FAPESP, concurso, ursinho enfartado, na seqüência, e eu me sinto a Torre de Pisa de novo: diferente porém derrubada. Mas preciso daqui a pouco tomar um banho, me vestir ( o que tá sendo um problema, porque a panda está, como direi, mais redondinha ultimamente). Ontem esfolei uma camisa vermelha minha, linda, e não sei o que me fica bem nesse estado.
Que preguiça, bocejo gostoso, de robe, depois de leite gelado, pão integral e dois caquis. Meu Deus, a tese, a casa, a vida. E eu nessa preguiça Caymmi. Ontem era dia de São Expedito, e eu fiquei brava essa semana mas consegui resolver tudo. E tive momentos de uma dor lá no fundo, silenciosa, calma, e felicidade brilhante como o sol numa poça de água.

Tuesday, April 17, 2007

Emília, a boneca gente

Como bem disse Pepeu, "de uma caixa de costura/pano, linha e agulha/ nasceu uma menina valente, Emília/ a boneca gente".
Hoje acordei meio gripada. O incrível é que minha bolsa acabou, eu tenho uma tese emperrada e todos os problemas que todos já conhecem ( privada, chuveiro, carro, dente, tudo quebrado) e desempregada, reprovada em concurso pra professor substituto, e me sinto terrivelmente feliz. Vai entender.
Voltando. Com minha última grana, fui pagar o condomínio, net, e passar no Perda de Tempo pra pegar meu novo RG. Tô andando pela rua, distraída, com meu vestido do reveillón e a havaiana que cruzou Chicago, Pisa e aqui em casa, quando olho numa vitrine de um sebo de livros, e lá está ela. Com seu macacão Mondrian, um avental, e um medalhão dourado Brinquedos Estrela.
Nem precisa dizer que a Emília da Estrela era uma das minhas bonecas favoritas, junto com a Marquesa de Santos, uma boneca de pano loira e toda elegante que ganhei da minha tia e que assim foi batizada por conta da novela com a Maitê Proença, e a Mônica Larissa, um bebezão de vestido de nylon cor-de-rosa. Todas elas conviviam com Napoleão, o Snif-Snif ( um cachorrinho de pano, também da Estrela) que até hoje contempla meus livros na estante do quarto de bagunça.
Minha amiguinha, porém, foi roubada, e desde então eu procurava uma dessas Emílias. Hoje eu surtei! Ela é uma das pequenas, e agora está na sala, em lugar de honra. Tudo isso pra dizer que eu tenho 30 anos e não tenho juízo nenhum.

Monday, April 16, 2007

Oficina literário-sentimental

Quando eu fiz quinze anos, meu pai, cansado da minha indolência e tendência ao isolamento e depressão, me pegou pelos colarinhos, e me levou no posto do INSS, na rua Barreto Leme. Lá, tirei minha carteira de trabalho, e nós rodamos o centro de Campinas procurando emprego pra mim.
O único lugar que aceitava menores era o McDonald's. Duas semanas depois, me tornei funcionária da lanchonete da rede, na Norte Sul. Lá conheci muita gente boa, e um gerente filho da puta que levava as meninas no congelador e em troca de uns beijos e outras coisas geladas, botava as bonitinhas no balcão. Claro que a pequena panda, cuja tendência ao isolamento e depressão se explicava em grande parte às leituras de livros didáticos de Filosofia, com trechos de Simone de Beauvoir, Platão e Adorno, se rebelou contra isso, permanecendo no corredor da morte, o espaço retangular com as grandes cubas de óleo vegetal onde se fritam carnes do Mc Fisch e Mc Chicken, nuggets e tortas. Depois, o gerente tarado me pôs para dar as festas das crianças, quatro, cinco festas nos sábados.
No meio disso, me apaixonei, como sói acontecer com as moçoilas de quinze anos. Meu eleito era um moço esquentadíssimo, que um dia tacou a bandeija nas costas de um cliente, no estacionamento da loja. Evidente que o rapaz trocou alguns beijos com a panda, sabor sundae de morango, e depois de belas férias na praia, enquanto eu penava no corredor da morte e sonhava com o seu retorno, me ignorou solenemente. Desconsolada, escrevi os versos, com canetinha hidrocor, na agenda: "Seus olhos são grossos punhais/ são vítreos, e indecifráveis/ enigmas antigos e ancestrais/ bóiam indiferentes e distantes/ no meu mar de desejos".
Hoje, por acaso, alcancei da prateleira Poesia de Florbela Espanca. E lá estava, sob o título de Frieza: "Os teus olhos são frios como as espadas/ E claros como trágicos punhais/ Têm brilhos cortantes de metais/ E fulgores de lâminas geladas.//Vejo neles imagens retratadas/ De abandonos cruéis e desleais,/Fantásticos desejos irreais,/E todo o oiro e o sol das madrugadas!// Mas não te invejo, Amor, essa indif'erença,/ Que viver neste mundo sem amar/ É pior que ser cego de nascença!//Tu invejas a dor que vive em mim!/E quanta vez dirás a soluçar:/'Ah, quem me dera, Irmã, amar assim...!".
Fiquei tão emocionada! Detalhe, aos quinze anos eu não conhecia Florbela Espanca. Meu plágio foi involuntário. Talvez eu precisasse tanto das palavras dela, como sempre acontece com os grandes poetas, que recriei, de forma desajeitada, a primeira parte do soneto, com a força dos meus sentimentos.
O que é engraçado também é que eu cantava Adoniran enquanto fritava frango processado e montava dez sanduíches por vez ( teve um dia que uma cliente pediu o tal Mc Chicken sem maionese, e eu dei uma de Carlitos nos Tempos Modernos, perdi três fornadas de lanches porque automaticamente pegava o pistolão de maionese e lascava no pão). Depois vim a descobrir que a maior parte dos sambas do Adoniran, ele compôs caminhando, suando a camisa vendendo gravatas. E lógico, eu não tinha nenhum disco do Adoniran, pra mim os sambas dele faziam parte, vamos dizer, da História Oral. Meu pai todo dia, quando chegava em casa, arrepiava nossos cabelos com sua interpretação de Saudosa Maloca; eu enlouquecia o pessoal da cozinha com minha antológica Tiro ao Álvaro, que secretamente dedicava ao moço dos olhos-arma, nos meus momentos de descontração.
Mas da Florbela, deixo o Rústica, para vocês: "Ser a moça mais linda do povoado,/Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,/Ver descer sobre o ninho aconchegado/A bênção do Senhor em cada filho.// Um vestido de chita bem lavado,/Cheirando a alfazema e tomilho.../- Com o luar matar a sede ao gado,/Dar às pombas o sol num grão de milho...//Ser pura como a água da cisterna,/Ter confiança numa vida eterna/ Quando descer à 'terra da verdade'...// Meu Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!/ Dou por elas meu trono de Princesa,/ E todos os meus Reinos de Ansiedade".

Saturday, April 14, 2007

Minha bela Marília, tudo passa/ A sorte deste mundo é mal segura

Fiquei bastante triste ontem pelo concurso, mas passou. Descobri que tinha um problema político cabeludo no departamento, e que segundo fontes seguras é melhor fazer a coisa de outro jeito, em outro departamento. E ainda ganhei um convite para vir pra cá numas três atividades legais, como professora convidada, na maior badalação.
Na verdade, o concurso era meio genérico, e os convites rolaram em História da Arte, o que muito me alegrou. Veremos, mas fiquei feliz também porque mais uma vez percebi que não estou só nesse estradão. Por msn, telefone, sinal de fumaça, os velhos companheiros ficaram comigo durante todo o processo. O Juan ficava doido porque esse jeito italianado da gente levar a vida, nas terras paulistas, é meio diferente da mineirada. Enquanto o bonitinho assava pão de queijo pra mim, neguinho da cidadela de Zeferino Vaz desfiava todos os palavrões possíveis e as opiniões esdrúxulas nos quais somos especialistas. Teve gente que sugeriu, de forma cândida, que eu falasse das feministas pós-estruturalistas lacanianas; gente que mandou dizer que era pra consultar Merleau-Ponty; ou que era pra cantar um samba do Adoniran e picar a mula rumo a BH. Enfim.
A gente só percebe que a cidadela zeferinítica é algo surreal quando tomamos um ônibus qualquer e despenca por aí, sertões e outros labirintos. É claro que eu queria a aprovação, mas pra primeira vez tá bom, não é coca-cola mas é isso aê. Reforçou meus laços de afeto com os habitantes da cidadela e ainda por cima ganhei convite pra vir falar sobre Gonzaga, uma das minhas paixões mais inflamadas. Só queria dizer pra vocês que tô feliz. Hoje vou rever São Francisco de Ouro Preto, um ônibus e tô em casa, novos planos, projetos, pensei bastante, tive um monte de insights, revi Minas, fiz amigos, enfrentei questões íntimas super importantes, aprendi uma nova receita de frango, ontem usei meu vestido novo e tive vontade de dançar.

Friday, April 13, 2007

Os Argonautas do Pacífico Ocidental

Escrevo de Mariana, MG.


Vim para as Gerais, tentar um concurso de professor substituto na Federal de Ouro Preto. Aviso aos navegantes que não passei. Foi um stress, concurso sempre é, mas fiquei na casa do Juan, um anjo de menino que quer ser meu orientando... que foi um irmão pra mim. Conheci Virgínia, professora daqui, outro anjo, e isso valeu muito a pena.

Também valeu a pena ter vindo, porque eu pelo menos fiz alguma coisa, no sentido que estava me sentindo sem chão. Bolsa acaba, a tese tá no fim, e eu me sinto numa sinuca de bico, preciso ir pra frente, pra algum lugar. Tentei. A pandinha leu textos cacete, falou de Malinowski, lembrou dos tempos do Cebrap, imprimiu textos em impressora matricial, reviu a praça Minas Gerais e discutiu Mestre Ataíde. Enfim, tentei. No fundo me senti um João Bobo, sabe, levando um pouco de pancada e voltando pro mesmo lugar.
O que me consola é que preparei minha aula em cima do Malinowski, e ficar preso nas ilhas Trobriand por cinco anos não foi bolinho. Conhecimento sempre é um processo agonístico, preciso anotar pra sempre isso no meu caderninho Marco Aurélio ( o imperador gatão começa suas preleções com coisas que a gente tem que lembrar todos os dias quando acorda. Um pouco de estoicismo, com tão boa companhia, não faz mal pra ninguém).