Friday, February 09, 2007

O boêmio demodé e a nega do cabelo duro

Esses dias eu fiquei em casa, faxinando e tentando escrever a tese. Veio aquele bloqueio básico, o desespero que acompanha o bloqueio, a depressão e o mau humor. Lindo.
O que me salvou foi a selva escura do Orkut. Achei uma comunidade de Marchinhas de Carnaval, e gente que vive cavando em vinil as velhas marchinhas. Um senhor de Brasília muito gentilmente cedeu uma pasta enorme, compartilhando gravações originais de pérolas como Chiquita Bacana ( na voz linda da Emilinha Borba), O teu cabelo não nega ( Lamartine Babo acabou com o Carnaval de 30 e pedrinha, na voz de Castro Barbosa), Ala-la-la-ô, Aurora ( essa é uma das minhas favoritas) e outras que tais.
Nem precisa dizer que a tese foi pro buraco e eu baixei tudo que pude. Mas no meio da comunidade, representada por uma linda colombina, descobri uma música do balacobaco, como se dizia na época. Chama Boêmio Demodé, de autoria de Adelino Moreira, informa o pessoal da comunidade. Esse compositor era o favorito de ninguém menos que Nélson Gonçalves, mas na época dessa música ( 1969,70) eles estavam brigados, e quem gravou foi um cantor chamado Paulo Vinícius, de voz idêntica da do Nélson. Além de citar a conquista do homem à lua, Apolo 11, cita os acordes dissonantes tropicalistas. Demais! E peguei a original da minha querida Nega do Cabelo Duro, com os Anjos do Inferno. Pronto, tá bom, e ando morrendo de vontade de comprar confete e serpentina, andar de biquíni, e mandar a tese pro quinto dos infernos.

Monday, February 05, 2007

Bolo de fubá, autonomia universitária e Almeida Júnior

Hoje foi tese, faxina, supermercado, aquela coisa.


Resolvi fazer um bolo de fubá. Calma, gente, eu não tenho batedeira, e meus poderes bolísticos são super limitados, resolvi fazer Dona Benta mesmo pra não ter erro. Vamos ver se o bichinho sai. Tava com vontade de comer bolo de fubá.


A coisa anda preta nas universidades estaduais paulistas, quem acompanhou viu toda a discussão sobre os decretos do nosso novo governador sobre a autonomia das três Marias. Coisa horrorosa, o Serra está a fim de ferrar mesmo com a suposta elite do ensino superior brasileiro. É melhor apresentar pro eleitorado paulista, sempre inconstante, FATECs e programas como o Pró-Uni, do que segurar a barra de Unesp, Unicamp e USP da vida. Aconselho quem ainda não está a par a ler a documentação toda, no site da Unicamp.
No meio disso tudo, fui na Pinacoteca ver a exposição do Almeida Júnior. A exposição em si não está boa, mas o pintor vence a exposição. Lindos quadrinhos pequenos e uma aquarela maravilhosa,chamada Dengosa.
Tô meio dispersa, como vocês podem perceber, esse é um post sei lá mil coisas. Ah, nesses dias eu fico muito feliz em alguns momentos, e muito triste em outros. E a tese vai no ritmo de uma nota de rodapé por dia. Ando meio desligado, eu nem sinto meus pés no chão.

Tuesday, January 30, 2007

Babel e o Menino da Porteira

Tive um final de semana esquisito. Fui pra São Paulo, pra festa de amigos queridos que reencontrei nesses dias paulistanos, e foi muito legal tudo. No domingo, passeamos, coisas legais aconteceram, e fui assistir Babel. Bom, mas no meio do caminho da rua Augusta vi um amigo muito antigo. Na verdade, no início, ele foi uma grande paixão, mas depois de vários sobressaltos, desentendimentos e encontros, a gente ficou amigo. Eu sabia que meu amigo estava muito doente, mas no domingo eu descobri que infelizmente ele tem problemas bem sérios.
E assisti ao filme, que tem partes legais e outras nem tanto, mas que fala da fragilidade da vida nos dias que correm. Eu me senti muito frágil no domingo, em meio à tempestade que caía sem trégua sobre a combalida cidade em que nasci, senti medo, raiva, mas vi solidariedade, carinho, delicadeza.
Enquanto eu sofria ao constatar que o tempo passou muito mal pro meu amigo, pensei que ao mesmo tempo, algum casal fez amor e uma criança vai nascer disso, que gente morreu mas teve quem nascesse, quem trouxe uma boa notícia, quem inadvertidamente impediu um assassinato, quantos sorrisos foram dados, quantas risadas, e pela primeira vez eu vi que as coisas boas podem ser mais voláteis e frágeis, mas por elas a gente se guia em meio à metrópole.
Meu pai adorava o Menino da Porteira. Eu acho tão linda essa música, porque fala de uma lembrança, e eu lembro do meu pai chamando um colega da Cesp, que era de Ouro Fino, de Menino da Porteira ( meu pai às vezes mandava mal). Então é isso.

Wednesday, January 24, 2007

Uma nota de rodapé da minha tese

Minha tese vai na base de uma nota de rodapé por dia. Com dois canais de dente pra fazer, carro com barulho de Fusca, duas lâmpadas queimadas, um chuveiro arrancado da parede e um vaso sanitário vazando, além da perspectiva de desemprego dentro em breve, acho que vai bem a coisa. A minha favorita é essa aqui:
É o caso da lenda da relação de Virgílio com a filha de Júlio César, Febilla. Velho mago, Virgílio encanta-se com a moça, que lhe diz para vir ter com ela à noite. Para fazer o poeta subir até seu quarto, a bela deixa uma cesta pendurada a uma corda: o poeta sobe na cesta, mas Febilla não puxa a corda até o fim. No outro dia, toda Roma vê o poderoso mago pendurado numa cesta. Mas Virgílio se vinga: graças a um feitiço terrível, ele extingue o fogo de Roma, mas Febilla se incendeia, no meio das pernas. Os romanos, fazendo troça da moça, acendem suas tochas no seu sexo ardente. Existem várias representações, tanto da cena do poeta na cesta, quanto dos romanos buscando fogo em Febilla, como o capitel decorado da Igreja de Saint-Pierre, em Caen. Há vários exemplos de tais cenas em FAGGIOLO, Marcello ( a cura di). Virgilio nell’Arte e nella Cultura Europea. Roma: De Luca Editore, 1981
A moça com fogo na fofinha me alivia dos pobreumas!A erudição inútil não é ótima?

Saturday, January 20, 2007

Lentilhas e tese

Ontem fiz um bolo de caixinha ( quer dizer, hoje em dia o Dona Benta vem em saquinho) e a Yna pôs uma cobertura em cima, um brigadeiro mole com café. Hoje estava o dilúvio, a gente tinha combinado um passeio em Joaquim Egídio, pra ver o cometa no Observatório Municipal. O Observatório, que tem um dos maiores telescópios óticos do Hemisfério Sul ( believe me), fica na Serra das Cabras, uma serrinha linda, mas tem um bom pedaço de terra subindo. No caminho, tem um restaurante siciliano excelente. O Observatório é um dos meus lugares favoritos no planeta Terra.
Mas voltando, choveu demais. Meio dia me levanto, com uma fome danada pensando, mas que faço pro almoço. Fiz uma panela de arroz que ficou soltinho. Pus lentilha de molho, batatas pra cozinhar. Resolvo descer pra comprar uma linguiça de frango e uma couve, sei lá, o telefone toca, é Yna desolada com a chuva e o sábado tedioso. Convido pra almoçar, pergunto se ela tem problemas com linguiça de frango. Não sei porque, mas lentilhas me fazem lembrar linguiça de frango, e couve. Saio correndo do prédio, meu zelador que é um anjo vem atrás de mim com um guarda-chuva do Mickey, dizendo, te conheço, o que você vai querer comprar não tem na padaria da esquina.
Não tinha mesmo, rodo, vou até o restaurante português na outra esquina, restaurante velho de guerra com a clássica tv de cachorro na porta. 14 pilas o frango, qué isso. Vou no Itaú, o cartão não passa. Corro em direção ao Centro de Convivência, com fome, pressa, e a chuva molhando a barra da saia. Compro um belo dum frango assado por 5 paus, uma farofa que tava simpática do lado, maçãs, um queijinho, azeitonas. Volto mastigando um salgadinho. A batata está cozidérrima, a lentilha já vai, o pessoal chega, ajuda, a batata vira um troço com margarina e alecrim colhido do pé, o azeite libanês ajuda, asso maçãs com açúcar e canela, o papo rola na sala, uma sangria aparece, e a gente comeu, viu fotos, livros, até brigar brigamos.
Volto pra tese, junto os cacos de quatro anos de trabalho descontínuo e desorganizado, de esforços em direções equivocadas, de muita preguiça, de rolos na vida, Chicago, Pisa, Campinas, São Paulo, Rio de Janeiro, tanta vida dentro disso. Falei com amigos em São Paulo, eu queria muito fazer a tese da tese. Uma exposição de fotos, comidas, receitas, das coisas rolaram com a tese, para a tese, contra a tese, todas as posições socráticas possíveis, toda a ágora quebrando o pau, e ninguém chegando a conclusão nenhuma, mas uma coisa é certa. Esaú vendeu a primogenitura a Jacó por um prato de lentilhas, eu faria o mesmo com a minha tese...

Friday, January 19, 2007

Aos trancos e barrancos

Aos trancos e barrancos retomo a vida. Coragem falta, as pernas bambeiam, merdas acontecem, mas aos trancos e barrancos a coisa vai.

As duas semanas que passaram, estava em São Paulo, reunindo toda coragem possível pra procurar emprego, amigos queridos, laços de afeto que ficaram pra trás e ruminando a tese. Mudei o esquema da dita cuja e retomei os trabalhos de Hércules.
Tem horas que eu fico muito atrapalhada e a vida dói demais. Vem uma tristeza grande, forte, um sentimento de perda e uma desorientação. Perdi a bússola do meu coração no ano passado. Explico. Eu tinha uma amiga em quem confiei tudo da minha vida, e que me traiu dum jeito horroroso. Tô cansada de gente falando mal dos outros, desse esquema competitivo do mundinho acadêmico. Que saco, almoços e almoços de gente descendo a lenha nos outros, e o tom de quem é o juiz do mundo. Hoje aconteceu de novo com umas figuras conhecidas, eu me sinto mal, mal, mal, tô de saco cheio, não gosta de mim, fala na minha cara e pronto. Na verdade, eu sinto falta de algumas pessoas, de outras não sinto nada, nada mesmo, só lamento.
O bom foi que vi uma exposição muito bonita do Volpi no Banco Central, na Avenida Paulista. É de grátis, vale a pena ver, tem umas litografias lindíssimas do tiozinho do Cambuci. Vale a pena demais.

Friday, January 12, 2007

Cama e Mesa

Fiquei com o Meio na cabeça todos esses dias, entre Natal, Reveillon, tratamento dentário, problemas com a tese e casa, nachada, e finalmente uma temporada relâmpago no velho Piratininga. Queria postar uma música do Lucio Dalla pra vocês, de Feliz Ano Novo, e não postei, queria postar a receita recém inventada do camarão e nada, vários posts na cabeça e quando fica assim, melhor encarar de qualquer jeito e retomar os trabalhos de Hércules.

Problemas em geral, mas muita felicidade no meio, revi gente muito querida, blablabla. E ouço todo dia Cama e Mesa do Roberto, e todo homem precisa saber o que quer. Não há vento favorável pra quem não sabe onde vai, sei que parece auto-ajuda barata, mas é a verdade. Eu quando criança achava a música do Roberto breguíssima e hoje sei que Maria Bethânia tava certa quando mandou o Caetano "prestar atenção em Roberto". Hoje prestei atenção em Roberto mais uma vez e descobri que em Cama e Mesa está o mundo em que habito por vários instantes do meu dia.

Quando a gente sabe o que quer, tudo fica Roberto: a voz límpida, certeira, a paisagem se descortina, a vida se renova.

Também tive um sonho lindo. Peguei na estante do Paulo, o anjo que me recebe na velha São Paulo natal, a edição comemorativa dos 70 anos de Raízes do Brasil, que a gente chamava, carinhosamente, lá no IFCH, de Mandioca, Inhame e Batata Baroa. Muitas fotos lindas do Serjão, o fantasma que embala os sonhos dos jovens historiadores unicampistas. Eu assisti aos dois filmes-biografia do Sérgio num dia péssimo da minha vida, quando sofri um acidente de carro e quase me junto ao pai do Chico. Pois bem, vi o livro e no meio da manhã adormeci, e sonhei que estava numa casa cheia de gente, almoço na mesa, aquela zona, e eu com um cigarro nas mãos, querendo fumar, e prestando atenção e meio que não prestando atenção em nada. E aí, Sérgio Buarque de Hollanda se senta do meu lado, e gentilmente acende meu cigarro, pra minha surpresa, eu que não tava esperando nada disso de ninguém naquela cena. E pensei, homens assim não existem mais, nasci na época errada. Lindo, não?

Outra coisa foi ir na Pinatoteca, ops, Pinacoteca, e ver o Brecheret que tiraram do Cemitério, a Musa Impassível, lindo, lindo, tão lindo ver algo que nunca se viu de um artista de quem se pensa que se viu tudo. Fui almoçar no grego do Bom Retiro com velha comparsa de crimes e tramóias, fui jantar na Liberdade com velho comparsa de crimes e tramóias, tomei um café no Sujinho da São João com idem, ibidem, e agora volto a dormir pra encontrar o Serjão. Feliz 2007 pra todos.

Sunday, December 24, 2006

Feliz Natal

Esse ano foi corrido e sofrido, o Natal chegou bem antes do que eu esperava. Hoje devido ao calor, ao sono e às reflexões atrasadas, não pude contribuir muito pro espírito natalino, e os queridos e queridas que apareceram via telefone, msn, orkut, pessoal e espiritualmente, também estavam todos atribulados. A vida não está fácil, me diz o amigo querido via Telefonica; não, não consegui comprar um cartão na padaria pra ligar pros outros queridos que estão espalhados pelo mundo. Nem a torta de morango consegui encomendar na padaria, mas em compensação fiz camarão com molho branco, e servi panetone rodeado de suspiros de diferentes formatos.
Agora vou embrulhar os presentinhos trazidos da Velha Bota, tomar um banho e ajeitar qualquer roupa decente, ceia na mãe, e daqui do meu cantinho mando bons votos a todos os leitores.
Em outro blog, de um conhecido, leio a velha cantilena que o Natal é enganação, que devemos dizer não ao consumismo e bla bla bla. Eu gosto do Natal por duas razões: primeiro porque adoro panetone ( hahahaha) e segundo, e mais importante, porque no Natal a gente revê ou vê melhor quem a gente ama. Feliz Natal!!

Tuesday, December 19, 2006

Retrospectiva 2006?

Esse calor tá matando e tá deixando todo mundo louco. Não consigo dormir e estou num cansaço inacreditável, imagino que os queridos leitores do Meio estão me lendo embaixo do ventilador.

Resolvendo pinimba. Seguro do carro, PUCC ( que foi um horror), e finalmente a panda resolveu encarar um tratamento dentário, sério, no CECOM. O dr. Ricardo, que foi o dedicado profissional que tirou meus sisos, há muitos anos atrás, muitos mesmo, me deu uma das maiores broncas que eu levei na vida. Merecida. A panda é desmiolada no quesito saúde. Acordei ontem e hoje num mal estar, num cansaço novo pra mim, mas rumei pro CECOM, e assim vai ser. Preciso passar no banco, e esqueço a maldita senha da PUCC em casa.

E assim, aos trancos e barrancos, acabo 2006. Ano comprido, custou a passar pra mim, coisas muito, muito ruins, e coisas muito, muito boas. Como contrabalançar a dor pela amizade perdida, com a visão da torre torta? O sofrimento da suspeita do câncer, com a alegria de ver o Duomo? O rostinho dos meus queridos e queridas e os assaltantes? O dente quebrado, a mancada, o sorriso? As lágrimas e as alianças, antigas e novas? O Prado, o Thyssen Bornemisza, os Uffizi, os dois relatórios FAPESP, qualificação, artigos, congressos, Toscana e Minas Gerais? Curso de maquiagem, Hermes Trimegisto, músicas no i-pod, insônia, cozinhar, os segredos passados e futuros? Principalmente segredos, esses dentro do coração. Não é pra menos essas olheiras panda, no dia de hoje.

Thursday, December 14, 2006

Reflexões leves

Volta, crises emocionais, calor, chuva, pobreumas burrocráticos ( seguro de carro, diário de classe, tratamento dentário) me tiraram do sério nos últimos dias. Chatices, chatices sem fim. E eu torrando o saco do meu Sancho Pança, o Luís Fernando, e achando que os dragões na verdade são moinhos, e vice-versa.
Sabe aquelas fases onde as coisas ficam mal paradas, o camarão no congelador espera a receita, aliás no meio de tudo isso inventei uma receita nova de molho de atum, frita-se cebola e alho em azeite libanês ( vai por mim, é gostoso demais, é caro mas os libaneses sabem o que fazem), pega-se tomate italiano pelado cortado em cubos ( custa mais eu sei, mas vale a pena porque o tomate dos caras realmente não é ácido), tempera-se na panela com bastante manjericão, pimenta do reino, sal a gosto, um tiquinho de nada de noz moscada, atum light ( sei que é frescura, mas se não der pega o normal e tira aquele óleo). O toque seria gergelim torrado, põe no final e não exagera porque senão já viu. Veja, é o velho molho de atum de sempre com ingredientes bacanas. Enfim, o segredo é fazer o de sempre inovando nos fatores? Ah, eu servi com penne da Barilla, al dente, pelamor.
Recebi mensagem que me acalmou a alma, eu tava aflita demais. E botei no I-Pod Martinho da Vila, Chris Rea, Nina Simone, xotes de Elba, muito Milton, mas principalmente Tudo, do Sentinela. Essa canção do Milton fala do que eu queria falar nesse post, mas eu não sou o Milton, então vai a receita de molho de atum mesmo.
Ah, o gergelim foi invenção do Celo.

Friday, December 08, 2006

To Love Somebody

Voltei. Depois dos últimos dias em Pisa, que foram uma correria ( textos e textos pra xerocar na Normale e na Universidade), de tropeços e desacertos, e tristeza por abandonar aquela cidadezinha tão querida, fui pra Madri e foi aquela maravilha, salas e salas de obras de arte no Prado, no Thyssen-Bornemisza, parques e tortillas, amigos e risadas. Madri foi lindo.
Voltei, pra tese, pra terminar o semestre na PUCC, pra acertar contas e cortar as pontas. E aí um amigo me estraga o dia, a vida, com um sentimento novo, na voz de Nina Simone. E com To Love Somebody, começo a tese e termino o doutorado.

Sunday, November 26, 2006

Pisaaaaaaaaaaaa

Pisa continua insuperavel no quesito coisas legais. A comida é legal, a cidade é linda, as pessoas que conheci sao fofas e a cidade guarda um segredo. Voce anda no Lungarno, que é a avenida ao longo do rio Arno como bem diz o nome, aparece um lugar lindo, com arvores, depois uma viradinha, e se chega na bela igrejinha romanica de San Michele. E la se ve, a outra torre tortinha. Sim, Pisa tem DUAS torres tortas... tirei fotos para todos verem e comprovarem tal fenomeno.

Em quesito de comidas, eu e Patricia, minha amiga brasileira que faz o doutorado aqui, descobrimos dois restaurantes otimos, um do lado do outro, num bequinho. Olha, um nhoque com molho de legumes e um negocio chamado tagliata: picanha mal passada cortada em tiras, perto da gordura, poe no prato com rucula e queijo parmesao ralado grosso em cima, vinho, pao do mais rustico, e vai com Deus meu filho, a Toscana é linda demais.

O milagre do cachecol

Sim, depois de uma semana dificil, estou viva e ainda perambulo pela Toscana.


Dificil porque a sinusite veio matando, esfriou, muito xerox na Normale, e duas dias pra Roma. Bom, essas duas idas foram de matar: eu precisava ir ao Vaticano, problemas da tese e curtiçao tambem. Saio de Pisa, atraso em trem, enfim, todo tipo de percalço que nao vou narrar pra nao aborrecer a paciencia dos meus santos leitores. So digo que depois do Ratzinger a coisa piorou muito e que eu sou brasileira e nao desisto nunca, entrei duas vezes na Sistina. Foi o milagre do cachecol. Explico. A vo do Celo, meu ursinho arqueologo, tricotou um cachecol azul no ponto apertadinho no qual sempre fez as coisas pra familia dela. Esse cachecol foi comigo, emprestado, pra Chicago, e agora esta na Italia.
Precisei acordar cinco da matina pra pegar o trem pra Roma, e pus o cachecol azul do Celo. Enfim, depois de uma saga, chego na Sistina. Sento, faço anotaçoes, como todos os visitantes aguento a grosseria dos muitos funcionarios do Vaticano, que se dividem entre nao fazer nada, serem grossos e paquerarem as turistas. E saio empurrada como todos, depois de alguns minutos diante de tudo aquilo.
No corredor da volta, que é estreito, apertado e cheio de gente, e que nao se pode voltar atras, percebo que o cachecol azul do Celo, feito pela dona Nair, de noventa e oito anos, catolica de tudo, ficou na Sistina.
Nao tenho como voltar atras. Fico triste, afinal o cachecol pode ser simples, tem ate furinhos porque dona Nair distraida errou os pontos, mas é uma coisa de valor sentimental. E eu no meio do povo sem saber o que fazer. Dou uma volta, e retorno ao caminho da Sistina, que é um inferno.
Escolho um dos caras pra falar, um com uma aliança grossa no dedo, e jovem. Penso, esse vai me entender. Explico a situaçao no meu melhor italiano, que ate que vai bem, e o cara se comove com a historia. Me deixa furar a fila, e eu entro de novo na Sistina, de olho no Botticelli na parede, no Juizo Final, em tudo. O cachecol estava no cantinho em que sentei, embaixo da Historia de Moises, do meu mestre.
Enfim, depois eu peguei um desses onibus cata-turista, so pra rever a cidade. Nao vou ter dinheiro nem tempo pra voltar dessa vez, e estava com muita saudade de Roma. Roma foi o primeiro lugar que conheci fora do Brasil, e la fui eu ver tudo de longe, sei que numa coisa super brega, mas foi muito legal rever o Coliseu e etcs e etcs.
Bom, hoje sai pra tirar fotos de Pisa. Mais no proximo post...

Saturday, November 18, 2006

Sinusite na Umbria

Mais da serie Pequena Panda na Toscana, Parte III, O Retorno de Jedi.


Ontem fui pra Assisi. Sim, doida pra ver o Giotto, peguei il treno basico pra Firenze Santa Maria Novella, pra depois pegar outro pra Foligno, que para justamente em Assisi. No trem, em Empoli, entram varios africanos, que lotam o vagao e sentam do meu lado, espremendo eu e um italiano com uma cara de antipatico. E ai começa meu drama.

Eu desde criança tive crises de sinusite. Quando ia pra praia, piscina, quando esfriava em Jundiai, onde eu morava. De vez em quando rola, e é um Deus nos acuda, porque como ja tomei muito antibiotico pra isso, nem trezentas Bezetazil resolvem. Tem que comprar muito lenço de papel, tomar muita agua, no maximo uma aspirina, e sentar e esperar. Mas no meio da Toscana, o negocio começa a doer, doer, e o diluvio apareceu.
Gente, passei muito mal nos dois trens. Porque detalhe, cheguei em Firenze e precisei correr pra nao perder o outro, a viagem, o Giotto, tudo. Corro de um binario pra outro, graças aos britanicos atrasos dos trens de Pisa pra Firenze ( todos que eu peguei atrasaram religiosamente) o trem pra Umbria estava indo embora, sem tempo de ir a um banheiro, a uma farmacia, a uma igreja pra rezar. Sento no trem. Na estaçao Firenze Campo di Marte, sobem varios professores italianos de escola media catolica, que estavam indo pra alguma reuniao em Assis. Uma delas, uma senhora mal educadissima, me espreme na cadeira e sem olhar pra minha cara, começa a falar todo tipo de besteira: fofocas da escola, intrigas, maldades, uma enciclopedia. Eu passando mal, fico pior. Levanto e vago pelo trem, observando a paisagem que começa a se elevar em morros, rios, lagos, belissimos. Estou na Umbria, sim, e estou com sinusite. Felicidade com dor de cabeça, ja ouviram falar?
Chego em Assis. Tomo um cafe, como uma focaccia bonita, gostosa, na estaçao, e me sinto melhor. Ja sabendo e tendo a experiencia de Siena, compro o bilhete de onibus e pego a unica linha de Assis rumo a Basilica de Sao Francisco. Bom, nem precisa falar, Assis é linda, linda, preciosa, como uma pérola: simples, elegante, comedida. Uma doçura. A Basilica é tudo e mais um pouco, o Giotto é algo celestial, enfim, felicidade pura, simples, completa.
Na volta, tiro fotos da paisagem, da cidade, das outras igrejinhas, compro medalhinhas e terços, lembrancinhas da peregrinaçao, e encontro um rapaz mineiro, com quem volto pra Firenze conversando e com a cabeça doendo. Ainda tive forças pra em Pisa ir numa Osteria comemorar, comer bem, tomar vinho, fazer tudo como manda o figurino. E fiquei pensando, ainda bem, ainda bem que mesmo com sinusite, eu peguei aquele trem pra Umbria.

Wednesday, November 15, 2006

Aventuras da Panda na Toscana

Mais da série Panda na Toscana II, A Missao.

Ontem fui pra Siena. Peguei il treno pra Firenze Santa Maria Novella, desci em Empoli, um desses lugarejos no meio do verde toscano, e segui pra Siena. A paisagem linda, daqueles cartoes postais classicos da regiao.

Cheguei na cidade, estranhei nao ter um posto de informaçao pro turista na estaçao de trem. Voce chega e ta no meio do nada, com uma construçao monstro de um predio desses rayban ( espelhados) na frente e nada, nada. A moça da banca com muita ma vontade me vende um guia com um mapinha, onde a Estaçao nao existia. Resolvo seguir o povo.
Um velhinho com um saquinho de pao começa a subir uma ladeira. Ué, vou atras. Porque, penso, Siena deve ser como Firenze, Pisa: essas cidades nao sao nenhuma metropole, pititinhas, logo se chega no centro com o classico Duomo deslumbrante, a Piazza del Campo ( onde tem o Palazzo do governo sienense e a praça em forma de concha do Palio, o jogo medieval dos cavalos que é a gloria da cidade e o horror dos defensores de animais).
A ladeira vai ficando pesada, a ladeira vai ficando pesada, e de repente vejo a muralha medieval. Gente, nunca andei tanto na vida... quase morri. Descubro que Siena é tipo Ouro Preto, e a estaçao, detalhe, fica na depressao mais deprimida da cidade.
Depois de muito subir, subir, subir, subir, chego na beleza aristocratica, na fineza, do detalhe do mais puro luxo estetico e delicadeza de alma. No Duomo, que é simplesmente um show a parte, toda animada pego Matelda, a nova maquina fotografica, pra tirar foto do meu homem sienense, o Hermes Trimegisto do piso decorado de marmores coloridos ( sim, isso existe e existe em Siena). E a maquina pifa.
Depois, pra descer foi outra loucura, despenco na estaçao mais morta que viva e sigo de novo pra Empoli. Chegando la, os trens estao parados. Sim, dois trens pra Pisa Centrale, um no binario 2 outro no 3, lado a lado, lotadissimos ( tipo sete e meia da noite, manja?) e nada. Sim, senhores, o trem tava com duas horas de atraso!!!!!!!!!!!!

Faço amizade com uma moça, no meio da italianada em revolta. Gente, o pessoal aqui tem duas coisas pra dar e vender: nariz grande e braveza. Os narigudos tavam querendo por fogo na estaçao. Cheguei em Pisa mais morta que viva- detalhe, tres horas depois do que a Trenitalia tinha me prometido, com a Matelda pifada e muita, muita, muita Siena no coraçao.

Friday, November 10, 2006

Oficios

Carissimo Messer,


Ontem fui para Firenze, sua terra, pela segunda vez. Trem, Duomo, e uma intuiçao. Cheguei nos Oficios, construido pelo outro mestre em honra dos mecenas, e a intuiçao estava correta. Sem fila, sem ninguem, adentrei nas galerias do predio cinzento.

De sala em sala meu coraçao batia ao ver as obras de mao dos outros mestres. E me perdi no meio de tanta beleza conhecida nos livros e em sonho. Mas a sua sala nao avistei. Cai no outro corredor, diante do Tondo Doni, de um dos alunos do Jardim de Lorenzo,o Magnifico. E nada. Uma senhora me informou onde o senhor estava, sala 10-14.

Na terceira porta, depois de fra Fillipo, eu avistei a beleza vindo ao mundo, chegando nua de seu nascimento na praia. Sozinha. A intuiçao estava certa, e tive vinte minutos de solidao frente ao esplendor.

Carissimo mestre, nesses anos de convivio sempre sonhei com o momento de ve-lo pessoalmente, em meio a corte da Adoraçao Lama. E ontem finalmente pude me apresentar diante de seus olhos argutos que construiram esse mundo onde a beleza é possivel.

Tuesday, November 07, 2006

Manias italianas

Voltando a vaca fria.


Bom, os dias na Toscana tem sido azuis e dourados, muito lavoro nelle biblioteche, etcs e etcs. Florença é linda, mas muito fresca. Voce chega na cidade, sai da estaçao que da de cara em Santa Maria Novella, a igreja do Trecento construida pela Ordem Dominicana, e cai nas butiques das grifes de luxo: Armani, Dolce e Gabanna, Versace et caverna. Uma loja imensa da Victor Hugo, etcs e etcs. E ai voce se depara com uma das manias nacionais italianas: o prestigio das marcas consagradas.
Porque no inicio, tudo era artesanal, o Valentino fazia um vestido a cada cinco anos pra Jacqueline Kennedy. Depois dos anos Berlusconi, a Italia se desindustrializou: voce vai no supermercado e ate o iogurte é alemao. Mas ao mesmo tempo, esse pais que era pobre ate ontem virou a patria da frescura da marca.
E ai, é aquela coisa nouveau riche: eles usam marca até o pé. Tudo carissimo, tudo cheio de strass, peles, estampa de oncinha, cores berrantes, laque no cabelo e muita, muita, muita maquiagem. Saias irregulares com botas de cavalaria, usadas com casacos de pele e muita, muita, muita, muita joia ou bijuteria, ai entra no bolso de cada um. A antiga elegancia italiana? Ainda se ve nos velhinhos e num moço ou moça ou outro, de tweed, cashmira e um jeito simples.
Bom, aqui em Pisa eu fiz um amigo. Dei sorte, no dia que cheguei em Madri e precisava voar ate Milao, conheci o Giovanni, que faz Direito aqui em Pisa. Ele me rebocou de trem ate a Toscana e agora a gente se encontra quase todo dia. O Giovanni estuda num predio na frente da Normale, que é onde eu fico de manha. Bom, toda vez que eu encontro o Giovanni, que é calabres e tem uma namorada brasileira ( de Belem do Para), ele ta com seu tenis Puma dourado gritando no celular. Outra mania italica: o telefonino. Todo mundo, ate o mendigo na rua, tem um. E a coisa se passa da seguinte forma: o Giovanni, que tem cara mesmo de calabres ( ou seja, de arabe) grita, grita, grita no celular, desliga, olha pra mim e começa, mas voce precisa comprar um celular, mas é um absurdo, como eu vou falar com voce? Voce some ( detalhe, a gente se ve quase todo dia) e eu tenho que fazer o que, sinal de fumaça? Ta ficando maluca? Vou te falar uma coisa ( ai esquece, quando a italianada te diz, vou te dizer uma coisa, esquece, eles começam e nao param nunca mais), essa sua mania de ficar sem telefone, e bla, bla, bla, bla...
Depois, o Giovanni te introduz na outra mania italiana: reclamar. Ele começa a reclamar de voce, do tempo, de Pisa, da Normale, da Universidade, do papa, da selecao italiana, da politica italiana, mundial e brasileira, e ta, ta, ta, ta, ta, ta... Ou seja. Uma comedia. Eu dou risada ( porque alem de tudo eles ainda nao se unificaram, tem sotaque dos mais diferentes jeitos na Bota) e so fico escutando.
Os italianos sao assim: ou eles nem olham na sua cara e sao os mais grossos do mundo, ou eles te adoram e ai, sinceramente, eu acho pior. Porque eles querem falar, falar, falar, falar... ontem o Giovanni me deixou quase maluca, porque alem de reclamar de tudo ele ainda desceu a lenha no meu casaco (!!!!!). So falei assim, Giovanni, essa semana a gente enche a cara, ele riu e falou, seu italiano ta otimo.

Aos meus queridos aluninhos...

Esse post é pra galera que tem a infelicidade de ser meu aluno...


Entao, como estao as coisas? A profa. Paula me escreveu falando sobre o andamento do processo das palestras. Gostaria de noticias, se ta todo mundo ainda vivo, etcs e tal, duvidas sobre os trabalhos, blablabla.
Lembrei de voces no dia em que fui a Livraria Feltrinelli. Essa Feltrinelli é a maior rede de livrarias aqui da Italia, e toda loja tem uma seçao imensa de Design. Bom, aqui nem precisa falar, ate cadeira do bandeijao é assinada, italiano tem a mania de coisa bonita, colorida e arrojada.
Outro dia, lembrei dos meus queridos estudantes quando estava lendo o comentario do Jacopo Alighieri, filho do Dante, a obra do pai. Bom, os renascentistas so conheceram a Poetica do Aristoteles a partir de 1520. Ou seja, nem o Dante nem o filho dele, nem nenhum dos comentadores, conheceu as indicacoes aristotelicas sobre os generos artisticos.
E outro dia em que meus queridos vieram na minha lembrança foi aqui no Istituto di Storie delle Arti, na biblioteca cheia de livros sobre as Artes no século XX.
Por enquanto é isso pessoal. Mandem sinal de vida...

Saturday, November 04, 2006

Na terra de Dante, Botticelli e a turma toda

Hoje resolvi investir dois suados euros e entrar numa lan house pra escrever, messenger, essas coisas. E porque precisava dividir uma das mais bonitas experiencias da minha vida.

Depois de uma dura semana pisana, lavoro, lavoro e muita reflexao sobre a vida, tomei coragem e fui pra cidade aonde Dante nunca mais pisou.

Peguei il treno, aquela toda coisa italiana basica, e desci em Santa Maria Novella, ontem. Bom. O dia estava lindo, céu azul, azul, friozinho de outono, a luz dourada da Toscana. E andei e dei de cara com o Duomo e o Batistério. Chorei muito, precisei por os olhos escuros pra disfarçar. O Duomo é um sonho, as portas de bronze do Donatello, no Batistério, sao realmente as portas do Paraiso, como dizia Michelangelo.
Depois, Palazzo Vecchio, Piazza della Signoria, Ponte Vecchio, Santo Spirito... Santa Croce... a Galleria dos Uffizi, tudo, tudo, mais lindo do que eu sonhava. Marina foi um anjo, me levou pra passear, me ofereceu hospitalidade e ainda me aguentou chatissima, eu que ando cheia de tristeza por eventos anteriores. Mas no claustro de Santa Croce ela me afirmou o quanto é importante a gente ser a gente mesmo. E Florença, bela e orgulhosa, na verdade traz a liçao da simplicidade de carater.

Thursday, November 02, 2006

Mais Pisa

Sumi do hiperespaço por um motivo muito simples: to sem telefone nem internet no cafofo de Via Marche, so tenho acesso aqui no San Matteo mesmo.

Aqui em Pisa, existem duas grandes instituiçoes universitarias. A primeira é a Universita degli Studi di Pisa, fundada em 1300 e bolinha, a segunda depois de Bologna, se nao me engano. Os institutos sao espalhados pela cidade. O Instituto de Historia da Arte, como eu disse, é aqui no convento de San Matteo, nas margens do Arno ( a avenida na frente se chama justamente Lungarno). Olhada no www.unipi.it.

Ja a outra instituiçao foi fundada no periodo da invasao napoleonica, e é a prestigiada Scuola Normale Superiore di Pisa, www.sns.it. A Normale fica na Piazza dei Cavalieri, lindissima, com prédios antigos. Anteontem, fui encarar a biblioteca de la, tambem espalhada e imensa, imensa. Pra voces terem uma ideia, eu estava pesquisando na famosa torre della Gherardesca. Nos idos de 1260, um nobre daqui de Pisa, o conde Ugolino, foi traido e encerrado na torre com seus filhos. Conta-se que os filhos morreram de fome, e o conde comeu parte dos corpos para poder sobreviver, mas morreu também. Essa historia escabrosa esta na Comédia, no Canto 33 do Inferno. A torre é conhecida como a Torre da Fome, e tem uma placa explicando o tenebroso episodio.
Nem precisa dizer que a biblioteca é algo de celestial, tem tudo, tudo, eu entrei num desespero... porque so tenho um mes aqui. Pouco pra explorar essa biblioteca de sonho. Ontem foi feriado aqui ( na Italia eles comemoram Finados no dia 1), tutto chiuso, de modo que fui tirar fotos do Campo dei Miracoli. O Campo dei Miracoli é o espaço da Catedral, do Batistério, do Camposanto e da torre tortinha. Tirei varias fotos, mas ainda nao consegui tirar a craçica foto segurando a torre porque tava sozinha!!!!!!!!!!! Entao, para os fas, um pouco mais de paciencia, please.
obs) desculpem os erros de ortografia, é que o teclado italiano aqui do venerando San Matteo nao ajuda em nada...
obs2) ja tomei muito sorvete e comi muita coisa boa em homenagem a todos os leitores!