Friday, December 16, 2005

Campinas

Ontem, fiquei pelo velho e sempre combalido centro de Campinas. E me deu uma depressão...
Não quero que o povo me entenda mal. Problemas, tive muitos em Chicago, a cidade não é um paraíso na Terra, e blá, blá, blá. Aliás, andando pelo centro desta cidade que me acolheu em 1992, percebi que a administração doutor Hélio deu uma boa garibada, luzes bonitas de Natal, recapeamento de algumas das principais vias, a praça do Centro de Convivência revitalizada, e o pastel do Voga continua o melhor do melhor.
A Praça Carlos Gomes resplandece, é Natal, a decoração é de bom gosto e alegra as senhoras no ponto de ônibus, esperando o velho 370, rumo a um Terminal Barão Geraldo com placas novas, e grafites bonitos e coloridos nas paredes. Os ônibus estão coloridos também, as placas nos pontos voltaram, e no Palácio Municipal um enorme pinheiro de luzes me esquentou o coração. Mas...
Campinas carece de vida cultural. Isso não dá pra negar. O mais estranho é que as instituições existem: nós temos um Museu de Arte Contemporânea, uma Biblioteca Municipal, temos o Bosque, o Taquaral, o Centro de Convivência, o Observatório de Joaquim Egídio, temos o Teatro Castro Mendes... a CPFL... às vezes acontecem coisas muito legais. Lembro das exposições no Museu, Lasar Segall, Portinari, até o rinoceronte do Dalí, que tanto encantou e que desejou ficar pra sempre no início da velha Rua Padre Vieira. A Orquestra, impecável e soberana. A nossa Catedral, com alguns concertos. Mas algo falta, algo falta.
Uma política de valorização do acervo do Museu. Uma completa e bem-feita reformulação da Biblioteca. Exposições dos artistas locais, discussão, cinemas. Falta dar uma ajuda pro povo do Paradiso. Teatro, a Campanha de Popularização do Teatro, nos últimos anos, tem servido pra despopularizar o teatro. E o calcanhar de Aquiles: a falta de uma política social, o cinturão de miséria e violência ao redor da cidade, e que os campineiros do Cambuí e Taquaral cismam em não ver, se trancando dentro de casa e na highway que virou a Rodovia Dom Pedro. Menos shopping, Campinas precisa de mais espaços públicos.
O outro calcanhar de Aquiles, no meu ponto de vista, é o transporte público. Inviável uma cidade onde todo mundo usa carro. Há alguns anos atrás, lecionei num cursinho pré-vestibular popular, num bairro imenso, a Vila União. Pra se chegar lá era um sacrifício, e eu via meus alunos sofridos nos parcos e atrasados ônibus. Peguei o mapa da lista telefônica e fiz as estações do METROCAMP. Sim, Campinas precisa de um metrô. Cidades muito menores tem. Campinas é uma cidade horizontalizada, segundo os dados do censo mais da metade mora em casa. Com uma malha urbana tão espalhada, Campinas se daria bem com um metrô. Sei que é caro, e que uns filhos da mãe pegaram o nome METROCAMP e disso fizeram uma faculdade particular ( não tenho informações para avaliar a qualidade do ensino na citada instituição). Sei que é utópico. Mas um pouco de utopia não faria mal a Campinas.

Wednesday, December 14, 2005

Jump

Estou aqui com meu novo brinquedo, o I-POD. Segundo um povo descolado aí, falar de I-POD já datou. Como sou pobre e não comprei o meu na crista da onda, fazer o quê, estou deslumbrada com o bichinho, que é negro e atende pelo nome de Neguinho do Pastoreio.
Agora Neguinho lascou Jump, do velho Van Halen. Pois é, segundo descolados em geral, a onda 80's já datou também, ou seja, sou uma pessoa duplamente brega: hoje escrevo sobre um I-POD afro-descendente que toca esse cráçico do rock da década revirada.
Com essa música eu tenho uma relação especial, porém. Em 1992, vim pra Campinas, saída de Jundiaí. Nada contra a Terra da Uva, mas aquilo tudo, a italianada, a falta de vida cultural ( naquela época, naquela época), as parreiras, tudo aquilo me enfastiava. Num momento de rara rebeldia, falei pro seu Pedro que iria fazer o colegial ( naquela época era colegial, estou traindo a minha idade) em Campinas. Sei lá porquê, lasquei Campinas.
Meu pai estava de saco cheio de pegar ônibus todo dia e ir trabalhar em plena Avenida Angélica. E fomos procurar um apartamento em Perdizes, achamos um cujas portas eram roxas. Aquilo era demais pro nosso pretenso bom gosto, e a vida não é uma partida de Banco Imobiliário. Nem saindo da cadeia a gente comprava algo em São Paulo.
Viemos todos pra Campinas. Fui estudar no Sagrado Coração de Jesus, e no primeiro dia, de uniforme novo ( um moletom cinza que mais parecia, e depois virava mesmo, um pijama), comecei a andar por um corredor largo, sem conhecer ninguém, e ouvia uma bateria, uns acordes do que reconheci ser rock and roll. Não é que as freiras resolveram contratar uma banda de rock pra tocar pra molecada no primeiro dia de aula? Lógico que os caras assassinaram, entre outras, Jump.
Vi que estava num colégio meio esquisito quando, no dia seguinte, saiu um jornalzinho com uma foto tirada do palco. Meia dúzia ficou na frente; o fotógrafo ( uma das irmãs) fez a coisa de um jeito que parecia que uma multidão enlouquecida assistia os Rolling Stones! Na verdade, o povo todo tinha ficado atrás, super constrangido do mico. E a manchete dizia: MEGA SUCESSO NO SHOW DE ROCK DO CORAÇÃO! Foi aí que aprendi a desconfiar de jornais...

O matuto e os pobreuma

Terceiro dia de Brasil. O fuso horário ainda atrapalha um pouco, o calor, e esse sol, onde estava?
Ontem fui dar um rolê pela Unicamp. Precisava ir na agência da Nossa Caixa desancar a gerente. Pra quem não lembra: paguei a fatura do meu cartão de crédito, via débito autorizado para a gerente, antes do vencimento. Teve a clonagem, e depois disso, não é que os caras cobraram a mesma fatura de novo? Fiquei sem nada na conta, e puta da vida.
Encontrei o Paulo, e conversa vai, conversa vem... alguns alunos fofos do IA fizeram festa pra mim, e fomos almoçar, Paulo, Celo e eu, no Seu Pimenta, no centro de Barão. Só digo isso: é caro mas vale a pena esse danado do Seu Pimenta. Depois desse almoço digno dos deuses, voltei com o Paulo pra Unicamp e só deu cantina do IEL. Vinha um, vinha outro, parecia uma barraquinha de festa junina. Não conseguia levantar, apareceram quase todos os maloqueiros, sendo que o último, o Beto, talvez seja dos piores. Quando o supracitado indivíduo sentou, já eram quase quatro horas. Só me restou ir pagar o condomínio num forno de microondas que os caras dizem ser um caixa eletrônico do Nossa Caixa no Ciclo Básico.
No final, liguei na famigerada Central dos Cartões desse maldito banco. A moça gentilmente confirma que paguei a fatura duas vezes ( e nada de avisar, né?) e que poderia usar esse saldo para compras. Falei pra ela, mas nem a pau, eu quero um estorno e agora! Essa foi boa, eu sou uma pessoa cristã, quero assar um pernil no Natal, e acho que o açougueiro não aceita Visa International. O estorno demora dez ( sim, DEZ) dias úteis pra chegar. Mas que palhaçada.
Ah, sobre a clonagem: meu cartão foi preventivamente bloqueado, os caras chegaram a conclusão que eu não poderia gastar três vezes o meu limite em meia-hora ( bem que eu queria, mas o fato de ser cristã não me permite), e não vão me cobrar os valores indevidos que não reconheci, na conversa desesperada que tive com a atendente via telefone. Que alívio, pra mim e pra torcida do Flamengo.
Conclusão: até dia 23 de dezembro, antevéspera de Natal, não tenho nada na conta, estou muito de saco cheio e resolvi que vou tacar fogo na agência da Nossa Caixa na Reitoria.

Tuesday, December 13, 2005

Terra Brasilis

Primeiro post... na velha e boa Campinas do Mato de Dentro de Jundiaí.
A emoção da volta, a viagem, a última nevasca, eu conto depois. Só quero informar que estou bem, meio zonza ainda, revendo a Unicamp e hoje, fui tudo, menos produtiva. Precisava ir na agência da Reitoria da Nossa Caixa Nosso Problema, mas nada, só papo com Paulo, Beto, Luís Fernando, a trinca de ouro do café do IEL. Fazer o quê, né?
Queria também mandar um beijo especial pra Jana, minha cunhada! Eu fiquei sabendo que você também andou lendo meu blog! Jana, saiba que eu gosto muito de você, viu?
E esse friozinho de dezembro, gente, de onde vem?

Saturday, December 10, 2005

A United Airlines agradece a todos a preferência e lhes deseja uma boa viagem

Em tempo, a emoção me fez esquecer um pedido.

A todos vocês, que do outro lado da tela, durante esses três meses, acompanharam meus sofrimentos e aventuras em Chicago, um muitíssimo obrigada! Esse blog se transformou em algo especial pra mim, graças à vocês. Muitos acontecimentos, eu vivia e já pensava como ia escrever, como ia contar pra vocês....
Eu só queria pedir que vocês continuassem me acompanhando... mesmo em Campinas! Beijos a todos, Nancy, Tati, Dani e Chris, Celo, Beto, todos, todos!

Despedida

Bom, gente, esse é meu último post em terras chicagoans. Estou sem internet e telefone novamente no apê, e ontem e hoje, correria dos preparativos. Doei algumas roupas pra não ter excesso de bagagem, vou deixar as toalhas e o cobertor Paraíba no cafofo...
Acabei de me despedir dos livros na minha charrel tão querida, aqui na Newberry. Entrei na Newberry hoje chorando, meu Deus, como vou sentir falta dessa biblioteca fofa e querida.
Hoje de manhã fiquei presa em casa, mais uma nevasca terrível se abateu sobre Chicago. Morreu muita gente na quarta-feira, num acidente perto do aeroporto, e hoje muita gente ficou presa de novo, no trânsito, em casa... eu saí e uma multidão na rua, de gente comprando comida, usando orelhão, enfim, tentando viver depois da nevasca.
Eu consegui sair de casa só duas e meia, corri no brechó das velhinhas fofas e deixei as calças muito largas, a jaqueta meio sujinha, o pijama, esse um farrapo, e corri prum orelhão, sabia que o Celo estava me esperando. Só posso dizer uma coisa, a Embratel salva a gente.
Newberry, Newberry. Os livros que tanto sonhei consultar. Artie, o Hooper, o Seurat, o Van Gogh, os Monet e as artes ameríndias. Ana e Gabriel, Oliakla, Daniel e Jen, os meninos gaúchos de W Chestnut... as beluga do Shedd, a amabilidade, as sixtie songs, o hot dog, a cor azul do Michigan, tudo isso vai estar no meu coração, pra sempre.

Friday, December 09, 2005

Nevasca e chimarrão

Ontem caiu uma enorme nevasca aqui.
Tudo ficou absolutamente branco, as ruas, os prédios, tudo, tudo branco, brilhando.
Bom, descobri que são três os apartamentos da gauchada em W Chestnut: dois casais, e uma república com três rapazes. O povo todo combinou comigo que quem folgasse na quinta à noite, me levaria pra jantar num restaurante chinês, especializado em frutos do mar, que eles descobriram em outro bairro.
No final, fomos eu, Gasparetto e outro dos rapazes da república, chamado Edson. O restaurante é excelente, super barato ( oito dólares! que diferença da churrascaria, hein)? Tudo branco na rua, água na entrada do metrô. Conversando com os rapazes, percebi um pouco de perto a realidade de quem vem pra trampar aqui, arrisca às vezes ficar ilegal, o sofrimento de deixar a família... depois, a gente foi pro apartamento deles ( duzentas vezes maior que o meu) e tomamos uma cerveja. O Edson pegou o violão, e eles desfiaram um monte de cantiga do Sul, muito legal.
Pois é, Chicago até o final foi uma caixinha de surpresas.

Thursday, December 08, 2005

Últimas notícias chicagoans

Sei que meus fãs querem saber por onde andei, nessa última e derradeira semana potawatomi.
Na segunda-feira, como relatei, fui visitar o Shedd Aquarium e o Adler Planetarium. Na terça, mais Artie e o Field Museum. Ontem, enfrentei pela última vez a Regenstein Library da Universidade de Chicago. Tudo isso num frio de lascar, que assustou mesmo os mais empedernidos chicagoans: ontem olhei pro termômetro da Avenida Chicago e estava 15... abaixo de zero.
Gente, a sensação de um frio desses, piorada pelo vento cortante e constante que vem do Lago, é horrível. Sofri muito esses dias na rua, sofri mesmo de frio. Com blusa, casacão urso polar, cachecol, dois gorros... ontem fiz um sacrifício e enfrentei todas as livrarias e sebos da 57th Street, na Universidade, em busca de uma lista de encomendas brazuquinhas. Não achei quase nada, o que comprova a tese do Gabriel ( meu amigo daqui) que é melhor comprar pela Internet mesmo. Por mais coisas que as livrarias tenham ( e elas tem coisa pra caramba, acredite), dar conta do maior mercado editorial do mundo é fogo.
Depois, fui ter com o Leviatã que é a Regenstein. Consegui achar uma bibliografia bacana e up-to-date, pra impressionar o meu parecerista da Fapesp. Trabalhei até as nove da noite, horário de um ônibus miraculoso que descobri, que sai da frente da Biblioteca e pára aqui do lado de casa, graças a Deus. O problema é que me enrolei pra variar com a máquina self-service de xerox e quase perdi o busão... mas no final deu tudo certo.
Chegando em 55 W Chestnut, dei de cara com um dos meus vizinhos gaúchos. A gente conversou bastante, e sim, Dani, eles trabalham na Fogo de Chão e em outra churrascaria, a Sal e Carvão, dos mesmos donos.
O rapaz que eu conversei ontem se chama Gasparetto, e vem do Paraná. Obviamente tirei sarro dele, mas como que é isso de não ser gaúcho e usar bombacha, mas que coisa picareta, e daí ele me lembrou do que o velho Borges escreveu: gaúcho não é quem nasce no Rio Grande do Sul, é quem vive a cultura que vai desde o Pantanal até quase a Patagônia...
Nem precisa dizer que eles estão ganhando rios de dinheiro aqui. Esse grupo que mora no meu prédio veio pra trabalhar na Flórida, mas os caras de lá não pagavam... daí, os sulistas vieram pra Chicago. Em dois anos, o Gasparetto me disse que comprou terras e ajudou a família, ou seja, faz todo o sentido pensar no porquê decidir imigrar. E ainda ofereceu um emprego de prenda pra mim. E eu, nessa dureza Fapespiana, pensei, mas seria uma boa idéia, eu trazia o povo pra cá e a gente montava um restaurante baiano, quem sabe?

Tuesday, December 06, 2005

Recordes!!!!!!!!

Recordes batidos pela vossa comentadora de Dante e visitante da Windy City nas horas vagas:
1) 11 visitas ao Art Institute, correspondendo ao total das terças-feiras passadas pela escriba na cidadela potawatomi. Toda terça-feira, o velho dude Artie é de grátis; cheguei aqui numa terça, mas compensei indo num sábado, para assistir uma palestra também. Foi o único dia em que paguei ingresso meia na veneranda e supracitada instituição;
2)4 visitas, em segundas-feiras frias e ensonadas, à Coleção Dante na Universidade Notre-Dame, em South Bend, estado vizinho, e dezenas de visitas à Seção de Coleções Especiais da Biblioteca Newberry, perfazendo o total de consultas à trinta incunábulos ( livros do século XV), Comédias e edições de Virgílio;
3) o recorde mundial de 449 na lista Músicas Prediletas no site Terra Rádio, esse i-pod de pobre que consumiu madrugadas, tardes, noites e dias dessa que vos escreve, lista preenchida com Sidney Magal, The Smiths, Bruce Springsteen e músicas árabes;
4) o consumo de aproximadamente 20 litros de limonada da marca Tropicana ( sim, existe), o que impediu de ficar gripada mesmo pegando neve e chuva na cachola, e o pior que tudo isso, o vento chicagoan;
5)travar conhecimento com três ( sim, três) gaúchos vestidos à caráter... sim, isso é a pura verdade! Existem duas churrascarias rodízio brasileiras em Chicago, famosas pela qualidade e preços exorbitantes ( mire na filosofia, 50 dólares por cabeça). Uma delas fica do lado da Fewkes Tower, que vem a ser... meu prédio! Um dia, descendo as escadas com meu saquinho de lixo reciclado, encontro.. um gaúcho! Paramentado com bombacha e tudo o mais. Dias depois, no elevador.... mais um gaúcho! Estava eu porventura tendo alucinação depois de tanto chá Earl Grey ( sim, queridos, marca Twinnings, que aqui custa um doleta) ou limonada Tropicana? Não! Três garçons e um gerente do estabelecimento citado moram... tchanananananan.... na Fewkes Tower! Tamos combinando de sair essa semana, eu, a gauchada, e as prendas deles ( as moças trabalham na recepção)... ou seja, vi três gaúchos vestidos à caráter no meu próprio prédio em Chicago? Isso é ou não é digno do Guiness ( do livro, gente, parem de pensar na cerveja)!

Monday, December 05, 2005

Shedd Aquarium

Hoje, deixei a Newberry e a Dante Collection de Notre Dame pra lá, peguei um ônibus na Michigan e fui parar no Museum Campus de Chicago.
É uma imensidão, às margens do Lago ( pra variar), depois do Artie e do Grant Park. Lá, existem três instituições muito famosas: o Field Museum, o Shedd Aquarium e o Adler Planetarium. O Field Museum, o Museu de História Natural, ficou pra amanhã. Hoje, fui no Shedd e no Adler.
Bom, pra início de conversa devo avisar ao querido leitor: Chicago está um terror de fria. Hoje, passei frio, mesmo com meia calça de lã, calça de veludo, casacão, dois gorros, luva, cachecol, o escambau. Se você um dia quiser saracotear pela cidadela potawatomi, não faça como eu: venha em agosto, e fique até o Dia de Ação de Graças. Depois, pegue sua malinha e vá para as Bahamas ou para Campinas mesmo, porque isso aqui fica o último círculo do Inferno de Dante: nem o Diabo em pessoa aguenta tanto frio ( sim, porque, segundo Dante, Lúcifer vive congelado, não em chamas)...
Enfim, tomei a coragem que me restava ou faltava, sei lá, e fui pro Museum Campus. Comecei pelo Shedd, um prédio neoclássico que abriga... o maior aquário do mundo! Você entra e dá num saguão elegantíssimo, com a inevitável e adorável e irressistível lodjinha; o ingresso é meio salgado, 25 pilas, mas residentes tem desconto, e finalmente minha conta de telefone serviu pra alguma coisa. Entro por 15 paus!
No primeiro salão, lindíssimo, está o Coral Caribenho. É um aquário mega ultra super gigante, com um ecossistema dos mares equatoriais. Dentro, toda sorte de peixinhos e peixões coloridos, tartarugas de todos os tamanhos, corais, anêmonas, arraias, e de tempos em tempos um mergulhador entra naquela imensidão e, enquanto dá comida pros bichinhos, mostra tudo pra platéia embevecida. Você pode fazer perguntas pro Aqualouco, e pensa, cara, eu queria ter esse emprego aí!
Depois, você vira à direita e entra em quatro salões gigantescos com uma emocionante exposição: as Estações do Ano no Rio Amazonas. Isso mesmo: são aquários gigantes que mostram os meses do ano em recortes do grande rio e seus afluentes, as cheias e as secas. Eu chorei pra caramba: primeiro porque você sente o cheiro de rio, de bicho, de planta, o calor, e vê o Amazonas encher e descer... tudo bem-feito, incrível.
Aprendi milhões de coisas, e as populações ribeirinhas aparecem em milhões de fotos, cartazes, pôsteres, tudo politicamente correto, tudo insistindo na preservação... mapas, e milhões de palavras, tão comuns pra nós brazucas. Eu tirei uma foto dum negócio engraçadíssimo: os caras tentando explicar qual é a alimentação ribeirinha, botaram umas mandiocas de plástico... e tem um cartaz imenso do lado, com um caboclo ralando a dita, e embaixo, olha, é man-di-okha... há, há, há! Fiquei rindo, emocionada, gringo é fogo!
Depois, tem salões e salões... um só de anêmonas, outro de tubarões, outros com ecossistemas do mundo inteiro, desde o Mar Morto até os lagos interiores da Austrália. E um aquário enorme, só de... piranhas!!! E tem embaixo assim: as piranhas ( as pi- ra-was, quá, quá, quá) não comem gente nem bois, só quando atacadas! Essa é boa!
Bom, mas o melhor está no andar de baixo. O grande e portentoso Oceanário. Gente, é um troço lindíssimo: todo de vidro, monumental, em cima do Lago Michigan, você tem um mini-oceano, com... golfinhos, baleias, leões-marinhos, pinguins... é incrível! É uma espécie de anfiteatro grego, e no meio, um mini-mar, que você pode ver inclusive por dentro, porque existe um andar de baixo, inteiro de vidro também.
A coisa toda é uma experiência sensorial. Começa com você chegando perto dos golfinhos, que, espertos como são, nadam bem perto de quem está olhando, mergulham e voltam, mergulham e voltam... quando você está no vidro, olhando debaixo d'água, é lógico que eles dão o show, e vêm fazer charme.
Mas, do lado, estão os seres mais fofos do Universo. As canadenses, branquinhas e cabeçudas Baleias Beluga. Cara, é muita fofura! Primeiro que você fica no vidro, elas fazem charme. Na superfície então, elas ficam suas amigas! Riem, falam no beluguês, chegam pertinho, e olham com olhos tão doces... que você esquece do mundo e fica feliz, feliz! Olha, eu comprovei a tese de que as baleias são os seres mais inteligentes do mundo. São sim! Você fala, elas respondem. É incrível a interação! Todo mundo se derrete com as Beluga. Não tem jeito, elas são as grandes estrelas de um lugar de sonho, de um lugar muito legal. Chicago é fogo.

Sunday, December 04, 2005

Haikais novos

caminho na neve
firo meus pés
reviro o passado




mas porque
o lago
aumenta

Vita Nuova

Eu tinha sete vezes três anos quando o vi.
E começou a minha vida nova.
Ano do Jubileu, as multidões em Roma andavam em círculos para entrar na Basílica veneranda.
Eu entrava no outro círculo do que os antigos chamavam a quadra da razão. E perdi a razão por dois olhos verdes e sobrancelhas espessas. Vestido de branco ou azul? Não me recordo mais.
Atravessei a Ponte Vecchia, e vi o Duomo.
Depois veio o exílio.
Desprezo não exprime o que ocorreu, nem tampouco menosprezo. Deixei de existir. Nunca mais a Ponte Vecchia, nunca mais o Duomo.
Outros círculos me acolheram, adentrei os portões de Averno. Vi Vergílio e os condenados, e um dia, libertei-me dos braços peludos de Lúcifer graças a Pai-Nossos.
Agora, o que me resta, nessa margem do Adriático? No meio do caminho de nossa vida, me perdi numa selva escura.

Quarta neve

Essa noite, caiu a nevasca definitiva.
Tudo branco na rua, uma mão de largura de neve...
Saí pra tirar fotos. Último domingo chicagoan, e é que abriu um sol? Abro a porta do cafofo, uma gatinha gorda e ruiva pula pra dentro. É Gaby, um dos três gatinhos fofos da minha vizinha, também fofa. E lá está ela, loirinha e descabelada, com a porta aberta, e Gaby e Emy pelo corredor. Papeamos bastante, ela correu pra acudir uma sopa que tava fazendo, eu fui aproveitar o sol com neve.
Tirei fotos da praça em frente à Newberry, agora inteira branca e resplandecente. Algumas fotos de casas do bairro, incluindo uma que tem uma estátua de uma menina e um menino, lendo, e que no Halloween apresentava uma mini-abóbora em cima do livro.
E andei pela orla, pra me despedir e tirar foto do velho Michigan, agora verde e mais calmo. Neve, neve, neve. Eu, sem muita experiência, sinto o pé faltar várias vezes... a neve derrete e congela de novo, e vira um vidro, fácil de escorregar. Quase caio dentro do Lago e viro iceberg.
Pego o jeito e vou até o fim da praia, a Ohio Street Beach. E me despeço da praia, dos prédios... Chicago começa a ser um pouco minha, a ser um pouco de todos nós.

Saturday, December 03, 2005

Baixa Gastronomia em Chicago

Teclando no msn com o Celo, veio a inspiração pra esse post... baccio, amore.

O pai do Celo, meu venerável sogro, sofre de uma terrível dislexia gastronômica. Ele acha, por exemplo, que a pizza da Pizza Hut é o supra-sumo da civilização ocidental, que você pode pôr pimenta dedo de moça au naturel em salada e uma vez, em Frankfurt, espantou-se com o refinamento e se perguntou porque que no Brasil não existia aquela maravilha do gyros ( pois é, churrasquinho grego, que tem em tudo quanto é biboca do Brás)...
E ele, que viveu uns tempos com a família em Maryland, acha que não tem nada melhor que pizza americana. Jesus, que heresia.
Eu cheguei aqui e notei que, no meu bairro aqui de Chicago, só existe um McDonald's, nenhuma Pizza Hut e um Dunkin Donuts. O resto dos estabelecimentos são ou restaurantes chiques ou médio chiques, ou pé-sujos que fazem o melhor trash junk power food do mundo.
Aqui do lado de casa tem três. Um eu não fui, porque é pub também, com a bandeirinha da Irlanda e tudo, aquela testosterona básica. Outro é um pé sujo que tem uns pratos feitos, hambúrgueres e spaghetti. Hoje almocei lá, uma shrimp basket ( camarão empanado, salada, molhinhos e a big soda), por seis dólares. Ótimo.
O outro é um barato. É mais pé-sujo ainda, e só tem trash food. Hot dog, hambúrguer... nem onion rings tem, só french fries e um abraço. Os atendentes são um barato, todos mexicanos e maluquinhos. O John Belushi tinha um quadro no Saturday Night Live, em que ele era atendente de lanchonete pé-suja de Chicago ( são instituições aqui). Chegava o vivente e dizia, I wanna a dog, e ele, Not dogs, Vienna Beefs, e o cara, I wanna a Coke, e ele, Not Coke, Pepsi. Os mexicanos dizem exatamente isso pra você.
No Loop, tem um lugar chamado Golden Coast, que tem o melhor Vienna Beef da cidade. Eu fui lá uma vez e adorei. O problema é que me esqueci aonde fica, e agora toda vez que estou pelas bandas do Museu, eu me perco... uma droga... Eu já descrevi o dog daqui, é ótimo, a salsicha é uma delícia, grande e rosa, e vem relish de pepino, pimenta, pão preto e sal grosso em cima, além de vinagrete.
Mas a pizza... se os poloneses contribuíram para essa maravilha da baixa gastronomia, a pizza é um fiasco. Não tem perdão. Aqui tá cheio de pizzaria. Eu perguntei pro Gabriel e pra Ana no início se a pizza daqui valia a pena. Os dois, paulistanos como eu, falaram que conseguia ser pior do que a pizza carioca, que até um tempo atrás conseguia ser a pior do mundo ( gente, nada contra a Cidade Maravilhosa, eu sempre comi super bem lá, mas é a verdade)...
Achei que era a clássica implicância de paulistano. E fui pra pizza Chicago style. Gente, é uma droga. Eles inventaram um horror de pizza estufada, a pizza tem dez centímetros de largura, parece um quiche de quinta categoria. Em cima, molho de tomate, em baixo peperoni e aquela massa indigesta. Não tem desculpa, e a imigração italiana? E o bom gosto nos prédios, no Museu, em tudo? Vai ver a italianada daqui não tinha tempo pra fazer pizza, tutti mafiosi!
Ah, aqui tem churrasquinho grego também. Eles põem dentro do Vienna Beef, o tal do gyros ( CREDOOOOOOOOOOOOOOOO)...

Urban Outfitters

Uma das primeiras lojas que eu conheci aqui em Chicago se chama Urban Outfitters.
Ela fica aqui próximo da Newberry, e eu já a descrevi como uma Zara brecholenta. Tem roupas dos estilistas jovens da cidade, cutting the edge como se diz aqui, na crista da onda.
Muita coisa maluquinha, com cara de roupa-que-você-roubou-da-sua-avó-e- pôs-uma-lantejoula-em-cima. Do lado tem outra, chamada American Appearel. Essa é uma rede tipo Hering, com umas malhas de cores alucinantes.
Hoje na hora do almoço fui pra American primeiro, pensando num vestido de malha tomara-que-caia. Qual não foi minha decepção quando descobri que o tal vestido existe num tamanho único, e é de um algodão strech horroroso. Fui super mal atendida por uma moça que parecia o Gasparzinho, de tão branca. Ela me olhou com aquele olhar cínico de vendedora de loja, e me passou o vestido, que, lógico, ficou horroroso em mim.
Saí da Appearel me sentindo uma baleia. Triste, triste, entrei na Urban. A Urban tem de tudo, livros alternativos, coisas de decoração, roupas de homem, criança. Tudo diferente e lindo.
Bom, fui direto pras sales. Todas as lojas aqui tem um moquifo permanente de promoções, liquidações e descontos. E não é que achei as blusas que queria tanto mais um casaquinho super fofo, verde, do jeito que eu queria, custando 9 dólares cada? Fui experimentar a blusa, entrou o tamanho P em mim. Ou seja... saí da Urban me sentindo a própria musa fashion. Detalhe: as blusas são tomara-que-caia, e segundo Malu, minha amiga super mega ultra fashion, estão na moda e tudo de bom.

Friday, December 02, 2005

Disneylândia

Se você, como eu, um dia foi criança em meios urbanos, com certeza não passou imune ao mundo de Walt Disney.
A primeira referência dos EUA, além da Coca-Cola que minha tia comprava nos Natais acalorados e calorentos no Rio, com certeza, foi um Mickey de pelúcia mal-ajambrado que eu tinha, sei lá quem me deu, e que figura no meu álbum de fotografia de bebê.
Aqui perto do meu apartamento, fica a loja da Disney em Chicago. Nem precisa dizer que é um monstro, que tem tudo e etcs e etcs. Hoje, depois do salvamento via Western Union, retomei ao meu projeto compra de presentes. Quero levar lembrancinhas a todos os queridos e queridas que ficaram no Brasil.
Entre esses queridos e queridas, estão alguns pequenos e derivados, como minha afilhada Camila, que de pequena não tem mais nada, mas que continua a ser, na cabeça da madrinha teimosa, quase aquela menininha.
E o que comprar pra gurizada? Vi milhões de brinquedos na Gringoland, alguns alternativos e engraçadíssimos na loja do Museu de Arte Contemporânea, como os Ugly Toys. São bichos de pelúcia horrendos, sangrando, cheios de espinhas ou caolhos. Mas pro meu azar, tudo que é alternativo, artesanal e bacana, custa os olhos da cara aqui.
Andando pela Avenida Michigan, frio da joça, multidões enlouquecidas cheias de pacotes, entrei na loja da Disney. Cansei de brigar com o capitalismo, façamos os pequenos felizes.
Realmente, a loja tem de tudo, super bonito, bem arrumado. Fantasias caríssimas e caprichadíssimas vestem a molecada de Cinderela, Nemo, todos os heróis e heroínas dos desenhos tão queridos. Pijamas, canecas, orelhas de Mickey e Minnie, enfim, o mundo da parafernália.
No meio de tudo isso, e de uma pequena multidão enlouquecida de gringos vivendo e respirando Natal ( depois do Ação de Graças, a verdadeira obsessão americana), a fatal promoção. Que colocou essa tentativa de intelectual de quase meia-idade ( esses quase matam) pra escanteio: o cidadão comprava um bichinho de pelúcia, ganhava outro.
Meu Deus! E toca revirar Patos Donalds, Tigrões, Ursinhos Puffs, Bambis, todos charmosos, lindos, bem-feitos ( na China, claro) e fofos, fofos, fofos demais. Todo mundo comprando, pirando, mas é o Dumbo, que fofo! Mas é a Marie dos Aristogatas! Eu amava esse desenho! E todos os 1001 Dálmatas, e eu me lembrei das tardes de sábado, em que meu pai levava a gente pra assistir filme no auditório do prédio da CESP, na Paulista, aquele que pegou fogo.
Prédio lindo, auditório super-caprichado, e muitas sessões de Pinóquio, Branca de Neve, A Bela Adormecida... e um desenho belga tipo Disney, A Ratinha Valente... Fievel... e a alegria de ter Branca de Neve no meu bolo de aniversário, ou a carinha sorridente do Mickey... e as revistinhas, e o sonho de ir pros parques.
Por um momento, o lado rabugento, aprimorado por dez anos de IFCH, veio à tona, mas que ridículo, a gente sabe muito bem que o Walt era canalha de marca maior, roubava as idéias da equipe e era fascistão. Que esse mundo de fantasia é só pra fazer o povo gastar grana em bobagem e o fetichismo da mercadoria, e enquanto isso na favela do Rio uma criança passa fome, e pá, pá, pá, e a ruína da civilização ocidental, e o estabelecimento da neurose enquanto solo do grande e sinistro e devorador edifício do modo de produção capitalista...
E eu lembrei do sorriso do Felipe, sobrinho do Celo, bebê ainda, quando viu o Tigrão de pelúcia que o tio comprou, no início do nosso namoro, e que a gente pôs no carro sentado no banco de trás. E eu lembrei do sorriso da Ana Clara, filhinha da Elisa, quando pusesse a mão na Bu, a menininha tão fofa do Monstros S.A... e aí, meu filho, a coisa foi pras cucuias. Sentimental eu sou, voltei pros bichinhos. O Mickey de aprendiz de feiticeiro sorria.
Um menino negro atendendo, jeito humilde, mas muito sorridente, me ajudou a escolher os fofos. E me deu uma super cesta pra pôr meus novos amiguinhos. E dizia sorrindo, mas é muito fofo mesmo, olha só esse Pluto vestido de duende...
Fila imensa, nem precisa dizer. O estranho é que tinha muita criança, mas todas muito obedientes e quietinhas. Em quinze minutos, forrei a minha mala de volta de sonhos, saudades, lembranças... e dois Tigrões natalinos, um Mickey que toca violino, uma Bu segurando um monstrinho....

Tomando tento

Aos leitores preocupados comigo, perdida no Mid West, em meio à neve, clonagens, falta de dólares e salvamentos via diligências:
Informo para os devidos fins que hoje, depois de sofrer um mês com insônia, dor de cabeça e dor de dente, tomei juízo e dormi do lado direito da cama. Sim, dormi como um anjo, sem dor e sem frio. Acho que preciso parar de ser do contra.

Salva pela diligência da Western Union

Gente, fui salva por uma diligência. Literalmente.
Lembrando aos leitores que escrevo do Meio-Oeste, terra dos bravos potawatomi e dos franceses colonizadores...
Enfim, clonaram meu cartão. Foi uma saga na Central de Cartões Nossa Caixa, e outra no telefone e no msn. E liga pro Celo ( meu futuro cônjuge) e liga na Dona Meire ( a genitora dessa que vos fala) e liga na Central, e Celo vai pro Bosque buscar fatura, e eis que o prof. Dr. Paulo entra no msn. Eu tenho sorte na vida; além de cultíssimo e refinado, meu amigo professor doutor é homem prático e viajado, e lembrou da existência de um negócio chamado Western Union.
Desde os tempos dos bangue-bangues, a Western Union é especializada em remessas de dinheiro. Hoje eles operam em 55 países no mundo todo e nos 50 Estados da Federação azul, vermelha e branca. Assim como a American Express, a Western é conhecida por ser, como os heróis dos filmes de faroeste, rápida no gatilho e infalível.
Pois bem, só era necessário achar um correntista do Banco do Brasil, outra venerável instituição do mundo capitalista, e fazer esse coitado mandar dinheiro pra mim. Mais telefonemas, e Jujuba, amiga minha também professora, falando no msn de Cuiabá, ajuda na investigação...
Celo se lembra da existência do tio dele, professor também ( categoria unida!) que é correntista no banco fundado, nunca é demasiado lembrar, por Dom João VI. Hoje, a remessa foi feita. Em quinze minutos ( sim, QUINZE minutos) o dinheiro é liberado. Fui na agência da Western aqui do lado de casa ( sim, DO LADO da minha casa), preenchi um formulário amarelo e em DEZ, sim, DEZ minutos, o dinheiro estava na minha mão.
Eu fiquei me sentindo uma pequena potawatomi, esposa de um francês perdido pelo Oeste, que recebeu dinheiro pela diligência da manhã da Western Union. E fui tomar um Caramel Macchiato no Starbucks!
Agora, me fala, de um lado a competência total, de outro a mais completa bagunça. E como diria Fellini, e la nave va.

Thursday, December 01, 2005

Clonaram meu cartão

Alegria de pobre dura pouco.
Hoje, em meio à neve, saí e tirei um dinheiro, e comprei meu i-pod.
Voltei pra casa e tentei pagar a conta de telefone via internet. O negócio não dava certo, não dava certo... liguei pra companhia telefônica, pra tentar pagar via fone, e a moça me diz que meu cartão não tem limite.
Mas que estranho... daí começou minha peregrinação pela Central de Cartões Nossa Caixa Nosso Problema. Descubro que às cinco horas do dia de hoje, justamente o momento infeliz que tentava pagar minha conta de telefone, um filho da puta surrupiou o número do meu cartão e fez a festa. Em dólares.
Moral da história: cartão bloqueado e dor de cabeça. O cara gastou o equivalente a 1600 reais, todo o meu limite. A minha sorte foi que a primeira coisa que eu fiz hoje de manhã foi tirar um pouquinho de dinheiro. Bom, pode ser que eu entre no prejuízo. Mas que merda.

Terceira Neve

Bom, hoje à noite minha cachola doeu. Explico: graças à minha natureza um tanto quanto, deixa eu ver, idiossincrática, desde o início eu durmo na cama do cafofo chicagoan com a cabeça do outro lado da cabeceira. Encasquetei de dormir assim, só que desse jeito eu fico com a cabeça na direção das duas janelas, a do quarto e da sala. Solução, eu me enrolei no meu cobertor Paraíba ( sim, eu trouxe o meu velho e bom cobertor Paraíba) e acordei, tudo branco.
Ligo na Central dos Cartões, o dinheiro saiu. Bom, que biblioteca, tese e Dante que nada, vou sair e comprar! Nesses dois meses aqui eu me segurei, agora vai ser a festa da mandioca. Me aguardem!
Na lista:

1) um i-pod ( esse aí nem precisava falar, né)
2)roupitchas na GAP ( ehehehehe)
3)presentes pro povo. Incluindo livros, filmes, bonés e até gente que me pediu água do Lago Michigan ( o bom que isso é de graça)