Tuesday, February 14, 2006

A epopéia-Canto II

Termina de cantar, ó musa blogueira, os feitos e desfeitos da pequena troiana no Piratininga, enfrentando a ira dos deuses.
Entregue o relatório, fui comer na Dona Deôla. Pedi um sanduíche show,tô lá, mas não é que meu dente volta a doer, que nem em Chicago? CECOM aí vou eu. Tratamento dentário na cabeça.
Ligo num amigo querido. Ele me convida pra ir na sua casa. Detalhe: o cidadão mora no Itaim, e eu estava no fim do Alto da Lapa. Pego um busão e desço na Paulista, no Trianon. Um cheiro de xixi matando, entro no Trianon. Só homem, e calados. O Parque dos Homens Calados de dia, o Parque dos Homens Animados de noite.
Entro pra ver e cumprimentar um velho amigo, o Fauno do Brecheret. Entrando no Trianon na entrada em frente ao MASP, você encontra a velha divindade dos bosques. Lindo, sólido... e abandonado. Vejo um buraco na bochecha da estátua: penso, mas isso parece um cano! Meu Deus, o que é isso, e chego perto do Fauno. Não vejo uma teia de aranha gigante bem na frente do meu amigo; entro na teia de aranha gigante... e lá fico.
Meia hora depois, desço contornando o MASP e vou pra Nove de Julho. Pego o primeiro ônibus Terminal Santo Amaro; penso, desço na São Gabriel a tempo. Mas a porcaria do ônibus lota, e eu não consigo ver nada, e... perco o ponto. Vou parar vinte quarteirões depois, na Cidade Jardim, quase Marginal de Pinheiros.
Desço do busão e ando, ando, ando, ando, ando, até conseguir pegar outro veículo com motorista e cobrador. Aviso o motorista, amigo, preciso descer na São Gabriel. De novo, o busão lota, o cobrador pega no sono... e vou parar na casa do ca&*))_. Volto tudo de novo a pé, já com o desespero na alma, e falando, nunca mais vou sair de casa pra nada.
Na São Gabriel, paro numa floricultura e vejo uma pimenteira amarela, com flores, linda, e decido comprá-la para o meu amigo. Mas a floricultura não tem REDE SHOP; você paga na padoca vizinha, porque o dono da floricultura, que pôs uma tv no balcão e fica deitado no chão paga a conta da padoca assim.
Na padaria, uns dois velhinhos cantando a moça do expresso e ninguém no caixa. Meia hora depois, desço a rua Itacema, a primeira transversal da São Gabriel, com a pimenteira e uma rosa amarela. E penso, mas essa rosa eu podia dar pra irmã do Paulo... o que eu não me dei conta é que minha combalida mente, disléxica e cansada, estava me alertando pro fato de eu estar descendo a rua do irmão do Paulo, não a dele, que é a próxima, a Pedroso Alvarenga.
Me dou conta do meu erro lá, lá, lá embaixo. Subo tudo de novo, com pimenteira, rosa amarela, e penso, eu joguei pedra na cruz.

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