Saturday, February 04, 2006

E também tem o seguinte...

No post abaixo, tava falando do meu amor irrestrito e incontrolado pelo rock.
Mas tem mais. Eu vivo enfurnada no século XV, entre gente muito culta e ótima. Mas percebi uma tendência interessante em alguns colegas: o povo acaba escutando música do período que estuda.
Eu adoro música. De todo tipo. Eu ouço de tudo, desde os Concertos de Bradenburgo até Genival Lacerda. Eu acho que música não tem fronteira, você pode sentir vários universos. A alma da gente não é uma quitinete.
Mas eu amo muito o seguinte contraste: tô escrevendo algo sobre o Dante, escutando Rolling Stones. Escrevi uma dissertação sobre Adorno ouvindo Creedence, Dire Straits e Eric Clapton. Sabe porquê? Porque eu acho que esse contraste me salva um pouco da ilusão meio positivista que, no fundo, todo historiador alimenta: de descobrir a verdade sobre o período que estuda. Esse contraste me lembra que tudo é uma construção, que eu não posso criar ilusões, que estou fazendo uma opção, e que meu estudo, ele próprio, tem a marca do humano, que é a marca do tempo.
E também tem outra. Eu tenho pra mim que o Dante seria um roqueiro.

No comments: