Monday, February 13, 2006

Balada dos dois jogadores

-Nós dois somos cartas marcadas,
nós dois já jogamos demais.
Dos ases, nenhum permaneceu.
A sensação de sentir
Sua perna pressionando a minha
Debaixo da mesa de pôquer
Não é mais a mesma, amor.
O sentimento amadureceu.

-Disse bem. Agora somos,
homem e mulher, e só,
não mais adversários, no fim.
A excitação passou,
e entre copas, ouros e espadas
vejo em teus olhos o doce palpitar
de quem encontrou a quem amar.

-Dê-me sua mão. É hora
de levantarmos da mesa.
Somos nós dois, não mais coringas,
mas rei e rainha do mesmo naipe.
Guarda o baralho, porque nossas vidas
já encontraram as cartas.

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