Pois é, segunda-feira fui enfrentar o outro monstro.
Brincadeira do Rockefeller, que resolveu construir uma boa universidade numa região inóspita da então industrial e ferrada Chicago ( inspiração para Gotham City, diga-se de passagem), a Universidade é grande e no estilo gótico, um tanto brega, com o qual os gringos querem imitar as góticas ( de verdade) Oxford e Cambridge.
O campus é bonito pelas árvores, por um prédio elegante, num estilo quase japonês, do grande Frank Lloyd Wright, por uma escultura do Henry Moore celebrando a primeira reação atômica ( numa bela ironia dele, o cogumelo vira uma caveira, dependendo do ponto de vista. Ele fez a obra depois de Hiroshima e Nagasaki) e pela soberba e labiríntica Regenstein, uma das maiores bibliotecas do mundo.
Momento capitalismo selvagem: fui na Biblioteca e mostrei carteirinha da Newberry, carteirinha internacional de estudante e meu passaporte. A moça gentilmente procurou a Unicamp na lista de universidades conveniadas. A USP e a UnB estavam na lista, pra variar a filha do Zeferino me deixou na mão. Fui gentilmente informada que teria direito à cinco visitas de graça na Biblioteca, e depois teria que pagar 35 dólares por mês para poder só ver a fuça dos livros que tem lá.
Não tão gentilmente pensei, mas vocês são foda mesmo! Enfim, entra eu na maloca dos livros. No quarto andar, muitas pessoas e estantes, o normal, mas não consigo achar a numeração que preciso. A bibliotecária me diz, mas você precisa ver nas estantes! E abre uma portinha, e o que Borges descreve na Biblioteca de Babel surge diante dos meus olhos.
O mundo é uma biblioteca. Tive vertigem, precisei sentar porque eu olhava e só via estantes, estantes, estantes, estantes, estantes, em salões intermináveis e desertos. Uma visão de pesadelo, o Borges acertou na mosca.
Mas pelo menos o xerox custa 0.12 cents, e tem uma pizzaria que vende um almoço muito bom por seis dólares. E tem um sebo... inacreditável de barato e bom. Pelo menos, pelo menos.

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