Wednesday, November 16, 2005

Paying a big monkey!

Da série Acredite se Puder.
Hoje nevou e tá um frio da porra. Peguei um vento gelado na rua que doeu no cerebelo. Vou pra Newberry, tudo escuro e a neve caindo. Voltei pra 55 W Chestnut, o apartamento um pedaço de geleira.
Mas não é possível, penso eu, temendo ficar congelada... Liguei na Ana e o Gabriel me informou sobre os processos técnicos dos aquecedores: fica tranquila, aquecimento central, blá, blá, blá, mas vai perguntar pra sua vizinha.
Pra quem não lembra: eu conheci uma senhora que mora no final aqui do corredor. Ela tem seis gatinhos e é muito fofa, de vez em quando a gente conversa e ela sempre foi muito gentil.
No apê do lado, que também é da Newberry, está um casal de idade, e hoje eles resolveram dar uma festinha... enquanto eu batia na porta da senhora fofinha, tinha umas quinze pessoas bêbadas cantando e tocando o terror.
Ela abriu a porta toda encapotada. Mau sinal, pensei. Explico a situação no meu inglês cada vez pior, cada vez pior meu Deus... todo mundo me falava, mas depois de um mês você vai estar com um inglês ótimo... que nada, isso é mentira, porque eu fico muito sozinha e só saio com a Ana e o Gabriel. Escrevo em portuga o dia inteiro e leio a italianada toda! Ou seja, meu inglês é uma verdadeira josma.
Ela muito gentil fala que tá frio mesmo, e que se eu estivesse muito incomodada, que era pra pedir pro zelador aumentar a temperatura do aquecimento. E eu voltei pro apê pensando, cara, maldita hora que eu não ouvia meu pai e não estudava a língua de Shakeaspeare.
Resolvo tomar um banho megaultraquente pra decidir, e pego meu guia de conversação. Num ato de coragem, resolvo descer e falar com o porteiro mexicano, simpaticíssimo, pessoalmente. Ponho meu pijama: uma calça de moletom que está um saco de estopa, uma camiseta escrito Minas Gerais e um casaquinho ferrado da C&A, além de um tênis que é um verdadeiro mendigo no mundo dos sapatos. Enquanto esperava o elevador, pensei, mas ninguém vai me ver mesmo.
Abriu a porta do elevator, vi um homem lindo, lindo, lindo, lindo lá dentro, como poucos que vi na vida. O cara estava elegantíssimo, de terno e gravata, olhou pra mim e deu um sorriso Colgate. Juro, não era piada nem pegadinha do Faustão. Entrei e vi que... o cara tava subindo! Pedi desculpas, querendo me enfiar no solo, e o cara abriu outro sorriso Colgate, mas que é isso, sweetie, eu mando o elevador de volta pra você.
Desci e o porteiro só de olhar pra minha cara entendeu meu problema, e mandou o zelador, um senhor negão também simpaticíssimo, resolver a parada. Ele veio aqui e constatou um negócio : o ar condicionado estava aberto. No inverno, eles vedam as frestas com espuma e põem uma tampa por cima. Ele me perguntou onde estava a tampa, e eu procurei e nada. Volta ele, com uma tampa pequena demais, e depois mais uma vez e resolveu a questã. Constatou também que minhas janelas estavam abertas ( dãããã... cara, mas eu sou uma dummy mesmo) e eu querendo me enfiar na terra. Ele rindo, rindo, cara, como chicagoan é risonho.
Bom, aqui nos States tem muita moeda. Você vai comprar qualquer coisa, eles te dão o valor exato do troco. Em contrapartida, você não faz nada com moeda de one cent, one dime e five cents. Só os quarters salvam: servem pra estacionar o carro, ligar no orelhão, pagar chiclete e passagem de ônibus e restinho de almoço. Eu comecei a pôr as moedinhas num jarrinho de porcelana que tava rolando aqui no cafofo, e andar só com os quartos. E pensava, mas o que vou fazer com essas moedinhas? Sonhei que tava numa fila e tinha um cara na minha frente, e ele pagava algo com uma caixa enorme de moedinhas de dólar...
Hoje tô muito dura, tirei o último dinheiro no cartão de crédito, estou lisa como um pepino. Mas pensei, meu, preciso dar uma gorjeta pro zelador. Aqui a gorjeta geralmente é dois, três dólares. Respirei fundo e abri o jarrinho. Peguei um dólar em quartos e outro em five cents. E super constrangida falei, olha, é minha primeira vez aqui nos EUA, eu sou estudante e não tenho dinheiro, mas quero agradecer... ele ficou meio sem graça, mas eu falei mais firme, I wanna tip you, c’mon, e ele foi embora rindo.
Agora, que foi mico foi.

3 comments:

Chris said...

hehehe
Depois eu que sou engraçado...
Não sei o que é mais hilário: as próprias maluquices que acontecem com você ou sua maneira de contá-las.
Que Veríssimo que nada. Comédia da vida privada é com a Paula!
Bacio!

Maria said...

Amore, é só pra vcs rirem mesmo, você também lasca umas... mas a Dani precisa voltar a escrever!!!!!

Skywalker said...

Concordo! Aliás, eu também....