Mas essa história do cartão de crédito me fez lembrar umas coisas engraçadas.
Eu já vivi em circunstâncias bem, bem piores de grana. Bom, nasci na pobreza, literalmente. Meu pai teve que galgar a escada burocrática da CESP a duras penas, e depois, no final, até que ganhava bem. Mas lá em casa as coisas sempre foram meio apertadas, foi melhorando com o tempo, mas eu lembro na infância de passar vontade de várias coisas.
Eu já vivi em circunstâncias bem, bem piores de grana. Bom, nasci na pobreza, literalmente. Meu pai teve que galgar a escada burocrática da CESP a duras penas, e depois, no final, até que ganhava bem. Mas lá em casa as coisas sempre foram meio apertadas, foi melhorando com o tempo, mas eu lembro na infância de passar vontade de várias coisas.
Depois que meu pai faleceu, aí o negócio foi parar no saco. Eu tinha que me manter com bolsa, o que é bom por um lado, em tempos que ninguém tem bolsa na universidade, e o dinheiro vem todo mês. Mas eu sempre me virei, dava aula, fazia revisão de texto.
O pior momento foi quando eu fui para meu cafofo em Campinas. Com a grana que meu pai me deixou, comprei um apartamento, e me mudei com a cara e a coragem, e só. Literalmente. Fiquei um ano com os livros no chão, e dois com as roupas em caixa de papelão. Lá em casa tinha uma mesa que eu ganhei de uns conhecidos. Detalhe: a tampa da mesa era solta. E eu tinha que ir pra São Paulo duas vezes por semana, pra trampar no Cebrap. Ganhando 700 paus por mês, eu precisava pagar um condomínio de 250 paus, comer e ir pra São Paulo. Bom, na vida a pessoa tem que fazer opções. Eu optava por ir pra São Paulo pra trabalhar e levava uma marmita, que era sempre a mesma: arroz integral, feijão, carne de soja ou frango.
Às vezes eu levava salada de macarrão, que era uma coisa gourmet, por causa da maionese, da ervilha ( luxo dos luxos) e presunto ( meu Deus, isso equivalia ao peru de Natal). Chegava no Cebrap e lascava meu Tupperware no microondas, sob o olhar da Dona Dalva e da Dona Elza, as duas anjos do Cebrap. Elas ficavam com tanta pena de mim que me davam Coca grátis. Porque, olha, eu preciso confessar: eu cozinho comida de pobre. Já viu, né.

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