Saturday, September 30, 2006

Azul Giotto

Catas Altas, Minas Gerais
filha linda
céu estrelado
cozinhar frango com ora-pro-nobis e polenta com molho de tomate
Cecília Meirelles
olhar, conversar

pensei em ficar invisível só pra te ver, só pra te ver, ficar perto, bem perto


porta aberta
posso entrar?

Fase Re

Assim como nosso Ministro da Cultura, estou na fase Re. Refazenda, Realce, Refavela, Renascimento, Rever a canção e que tais. Realizando e reapropriando, algo assim tipo sei lá entende.
Revi muita gente esses dias, com acidentes de percurso cabíveis nesse tipo de processo. Mas um beijo especial vai pra Tatinha e Márcio, leitores antigos do Meio e amigos antigos, adorei (re)vê-los.
Fechando a semana em ritmo de Elis, é com esse que eu vou sambar até cair no chão. Revendo as roseiras do IEL. Alguém já notou nas lindas roseiras do IEL? Tem uma amarela no caminho da biblioteca. Reavaliando muita coisa, mas já percebi o seguinte. Eu não dou conta de muita gente. Pra mim, o negócio é no tête-a-tête, luz de vela e carta escrita com caneta borrando. Isso na minha ( primeira) juventude era diferente, lidava com multidões no maior estilo. Agora só dois ou três e olhe lá. Com esse negócio de ficar na Unicamp dois dias seguidos, tive uma crise de angústia que não tinha há muito tempo, acúmulo de informações e deu tilte.
Roubei uma citação da Clarice Lispector do perfil da Deborah, beijos pra você Deborah, e desculpe o roubo, mas que esssa frase tá calhando pra mim:
"Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. (...) há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo." (Clarice)

Wednesday, September 27, 2006

Evento panda!

Dia desses, baixei na cantina do Instituto de Estudos da Linguagem, vulgo Amarelinho do IEL. Encontrei a pandinha Natália, revoltada com as péssimas condições de trabalho e pesquisa no Instituto de Artes, vulgo Casa da Mãe Joana.

Fomos, eu e ela, pra reunião da Matilha, que é o grupo dos alunos em torno da professora Lygia Eluf, grande artista e educadora. A Lygia andava puta da vida com uns debates, que aconteceram tanto na Unicamp quanto na USP, a respeito da guerra no Líbano. Nos dois casos, teve gente que reivindicava o fim do Estado de Israel. A comunidade judaica protestou e começou a zona.
Eu ouvindo e pensando, Israel precisa sair imediatamente do Líbano, é certo. Mas em 1945, todo mundo literalmente assinou um tratado, criando o Estado de Israel, o Palestino, e a ONU. Porque ninguém respeita essas coisas, a gente sabe, o problema do petróleo, EUA e afins.
Depois falamos da comemoração dos 40 anos da Unicamp. Um fiasco. O pessoal do Arquivo Central pôs algumas fotos antigas no site, mas não há identificação das pessoas que aparecem nas fotos.
Vai daí, eu falei, poxa, mas a gente precisava fazer algo sobre isso. Sobre o problema da intolerância, que acontece em todos os níveis, no nosso dia-a-dia, e sobre a memória.
A Andréia, também artista panda, sugeriu um evento em que nós fizéssemos retratos das pessoas que vivem na Unicamp. Me empolguei, e falei, mas isso parece a Ronda Noturna do Rembrandt, a gente podia fazer uma coleção de retratos, de todas as pessoas que estão na Unicamp, falar com elas, todo mundo mesmo, do faxineiro ao reitor, pra gente viver mesmo a diferença, a diversidade, essa coisa holandesa de ser. E amanhã a Ronda vai sair da frente do IA e a gente vai desenhar.
obs) eu não tô na reportagem porque o pessoal ficou com preconceito contra os batavo-descendentes... ehehehe, brincadeirinha...

Monday, September 25, 2006

Something Happened On The Way To Heaven

Caríssimos, e a panda aniversariou.


Teve de tudo nesses últimos dias. Fiz exames de saúde que detectaram possíveis problemas na panda. Fiquei mal, mal mesmo, chorei, chorei, mas decidi que disso não morro, dessa vez é que eu não entro em extinção não. Farei todo o possível para me reestabelecer, vocês vão ver.
Sinto, como disse nos últimos posts, que tudo de ruim que aconteceu comigo, nesse ano, foi pra corrigir minha rota.Às vezes, a verdade está na nossa frente, a gente passa por ela todos os dias, mas teima em não ver, ou até vê, mas finge que não está lá ou que não vai dar tempo de consertar tudo que tem pra consertar. Bobagem, é sempre tempo de recomeçar, é sempre preciso tirar coragem e iniciativa daonde a gente não tem pra perseguir nossos sonhos.
Sei que tudo isso é muito brega, mas eu sou cafona até a raiz dos meus agora repitados cabelinhos.
Meu aniversário esse ano foi tudibão, dei aulas, almocei com os amigos queridos e ainda ganhei presentes de quebra, além das centenas de recados carinhosos, no Orkut, na secretária, foi lindo. Me senti super querida, e isso me dá uma força pra continuar que vocês não imaginam!
Fui pra minha cidade natal, o Piratininga, com Paulo, o anjo em forma de amigo, jantar bacanérrimo, e no outro dia qualificação. Foi um desastre, apanhei, apanhei, mas de lá ( acho ) que finalmente saí com uma pálida idéia do que será a tese e uma nova admiração intelectual, o professor Maíque.
Voltei mal, fiz uma macarronada pra ver se melhorava, mas a panda alquimista pintora escrevedora de blog e comentadora de Dante tava cansadinha. No outro dia, mais macarrão, a Lala veio me maquiar ( tá vendo? o curso surtiu efeitos), e lá fui eu para casamento de amigos queridos e dois anos de namoro com o Celo.
Pra vocês verem. E agora começa a corrida Panda rumo a Pisa, chegou a passagem!!!!!!!!!!!! Então, brega, maquiada e meio gordinha, estou rumo a um lugar que vocês vão concordar comigo, é simpático porque deve ser o único lugar do mundo que as coisas tortas tem que permanecer tortinhas para todo o sempre!!!!!!!! Me aguardem...

Wednesday, September 20, 2006

Dos símbolos alquímicos e da necessidade de viver

Eu descobri uma coisa. Pequena, insignificante, quase, mas para mim uma coisa legal.
Estudo para o meu doutorado os desenhos que o Botticelli fez, ilustrando a Comédia. Momento feliz esse, o final do século XV. Grandes caras se encontram, conversam, e deixam o mundo bem mais belo.
Descobri que o Virgilinho do Botticelli, que me acompanha há quatro anos, e que literalmente paga as contas lá de casa ( via a Fundação de Amparo, não se esqueçam) tem a mesma fuça, o mesmo jeitão, do Hermes Trimegisto do piso de mármore de outro mundo da Catedral de Siena. Os dois são a mesma pessoa, o mesmo sujeito. O Hermes Trimegisto que é o pai da alquimia, dos processos de transmutação dos metais, dos materiais, dos sentimentos e das idéias.
Fiquei feliz porque, conversando com menino João Francisco, alquimista e fofo nas horas vagas, percebi que meus últimos posts são sobre isso, no fundo. O retorno de Saturno, pra mim, acaba agora. A crise dos 30 passou, tenho certeza disso. Agora quero ser alquimista, quero transformar tudo numa grande atmosfera brilhante, como no gloss do curso de maquiagem, como no porco a porchetta, e quero viver simples e linda como London, London do Caetano.
E estou nisso, com Hermes Trimegisto, quando sei que uma tragédia aconteceu na Unicamp. Um menino, calouro do curso da História, almoçou com um amigo, subiu a torre da caixa d'água do Ciclo Básico e se jogou. Morreu no meio-dia do campus. Amigos meus estão chocados, muita gente comentando, uma tristeza infinda. O Chris no blog dele afirma ter o pressentimento que tudo está muito, muito ruim, Getúlio no msn concorda, eu com saudade de tanta gente, porém, sinto que infelizmente no meio-dia tragédias como essa podem acontecer.
Gostaria de deixar uma mensagem de carinho ao menino, aos seus familiares, aos amigos, a nós. Ultimamente, no meio da correria em que tô metida, no meio literalmente, sinto um amor profundo por tudo e todos, como em London, London. Na minha cabeça Caetano sentiu algo parecido. Tudo é muito ruim, escuro, mas a gente continua transmutando a tristeza em riso, o som em música, o peixe em assado, a cor em vida. Mesmo com tanta tristeza, com tanta tragédia, com tanta dor.

Tuesday, September 19, 2006

Tá acabando...

Não acredito em Astrologia. Sempre duvidei desse negócio de ser virginiana, logo seria uma pessoa racional e organizada. Só pelo Meio vocês podem ter uma idéia do que é minha organização. Depois que eu li o livro do Adorno sobre isso ( The Stars Down the Earth), aí fiquei mais incrédula ainda. Pra quem não sabe, o Adorno, exilado nos EUA, teve a pachorra de ler as colunas de astrologia por um ano, e depois fez uma análise descendo a lenha nesse ramo dos conhecimentos esotéricos.
Pois bem, mas talvez astrólogos, tarólogos e afins estejam certos quanto a esse lance de inferno astral. O meu esse ano foi expandido, começou cedo, mas segundo a crença, daqui a pouco acaba ( sim, completo 29 primaveras, e daí?).
Um vizinho aqui do prédio começou uma obra faraônica, literalmente. Às sete da manhã em ponto começa a barulheira insuportável. Eu e Celo quase piramos. Eu precisando preparar aula pra Pucc, ele com as coisas dele, e ninguém consegue fazer nada com um estrondo desses. Eu fui descer a lenha via interfone, o dito não funciona.
Tive um trabalho do cão pra preparar aula, saio de casa arrumada, banho tomado e tudo o mais, na saída do prédio tem uma pequena porém íngreme ladeira. O Celo usou o carro antes, e ele é duas vezes e meia maior que eu. Arrumei o banco antes de sair, mas na ladeira o bicho foi lá pra trás. Agarrei o volante com força e enfiei o pé no acelerador, porque senão o portão de ferro da garagem me pegava. Passado o susto, vejo que abri o pulso esquerdo. Uma dor, e aula pra dar. Paciência, fui pra Pucc.
Não sei o que acontece com alguns alunos. Eles falam, falam sem parar, e eu dando esporro. Daí uma menina fala, mas professora, passe a lista no início da primeira aula e eles vão embora. Talvez ela tenha razão, mas eu não me conformo, não estou dando aula pra quinta série ( talvez quinta série fosse melhor).
Então é isso, uma semana quebra o dente, na outra abre o pulso, e o saco vai enchendo. E o conteúdo, inexpugnável, Expressionismo e Fauvismo na mesma aula.

Friday, September 15, 2006

Atmosphère Brillant

Hoje fiz uma coisa bacanérrima.
Andando pela Renner do Shopping Iguatemi com as meninas, daqui a pouco aparece Vanessinha com um folheto. Descobrimos que a rede oferece, nesse mês, vários cursos de maquilagem, patrocinados por grandes empresas de cosméticos, como Payot, Revlon, e até a boa e barata Elke ( dela mesma, da rainha Elke Maravilha). Mas pra quê, a mulherada se assanhou toda.
Passou a semana, e desencontro vai, desencontro vem, descubro que as meninas marcaram o curso e eu fiquei sem vaga, porque elas não sabiam se eu ia ou não. Fiquei triste mas a linda elfinha, ops, Vanessinha, conseguiu cavar uma vaga pra mim.
Acordei, dei duas aulas ( gratuitas, uma num cursinho aqui de Campinas e outra na velha Unicamp), almocei num japonês muito bom que tem aqui, porque não sou de ferro, e às quatro horas descubro da vaga. Voei pro Shopping Dom Pedro, entrei na Renner e sou atendida pelas meninas do famigerado balcão de cosméticos. Elas me levam pro interior da loja ( lá dentro é imenso, imenso), no segundo andar, e no salão de treinamento está a mulherada. Nenhum sinal das meninas, fico triste.
A marca ( não vou falar qual é porque senão parece propaganda) manda uma maquiadora profissional, toda equipada, bem maquiada e simpática. Uma mulher bonita, dos seus 4o e poucos anos, impecável, auxiliada por uma menina da Renner, não tão bem maquiada assim ( mas aí dá um desconto, a menina era super novinha). Lanchinho ( biscoitinhos), Leite Ades de Soja, guaraná e café. Presentes duas meninas chinesinhas fofas, duas mocinhas e duas amigas um pouco mais velhas. As duas mocinhas eram filhas de uma das mais velhas, muito despachada, que foi escolhida pra ser a cobaia. Não sei porque, mas era a mais esteticamente desfavorecida, no sentido tradicional ( não estou me incluindo).
A moça senta na cadeira, e a maquiadora começa. Limpa bem a pele, e fornece os produtos pra gente limpar a pele também. Que delícia, tudo cheirosinho. Daí, a base. A base é um negócio horroroso. Se é vagabunda, a cara da cidadã fica caiada, artificial, no calor derrete e é um estrago. Atualmente, as marcas se esforçam pra fazer bases e pancakes muito naturais. E não dá outra, pele de porcelana em cinco minutos. Muitos, muitos pincéis, de diferentes formas e tamanhos, que a maquiadora vai molhando de levinho na loção tonificante.
Tudo é delicado. Não se usa o indicador, dedo que pesa, mas o pai-de-todos e o anular. O blush é um show à parte, passa-se da têmpora pro osso da face, não o contrário. O olho é o que dá mais trabalho, primeiro o delineador ( eita coisa difícil, esse pra errar é três segundos), depois a sombra clara em cima, a sombra mais escura, e todo mundo desanda a perguntar. Cada passo é acompanhado por um "uau! mas tá super bonito!"... a cobaia pede um espelho, e se vê mais bonita sim, é verdade. Tudo truque, mas quem disse que mulher não pode usar truque? Sou super a favor de truque nessa vida. Salto alto, lingerie mágica, pancake, eu sou uma perua enrustida. Tudo vale, pra se sentir bem e ficar feliz.
Cada pozinho é usado supermegaultra pouquinho. Bom, pelo menos isso, considerando que toda a maquinaria é literalmente o olho da fuça, a maquiadora é a mais econômica do mundo. Por exemplo, o batom, que toda cidadã tem ( eu tenho dois, não uso nunca, never, jamé, em tempo algum)... e que a gente passa na boca direto. Errado, pega um pincelzinho chinfrado, daquele pequeninho, e três passadinhas são o suficiente. Depois, gloss delicados.
Daí vira espetáculo. A filha da cobaia se anima. Porque agora é a vez do pancake, seco, que se usa molhando a esponjinha, e alguém pergunta de delineador colorido. Mas nem precisa de delineador colorido, diz a orientadora ( nos termos do questionário da Renner). Molha o pincelzinho no tônico, e pega a sombra azul que você tem no seu estojinho básico. Pra quê, uma linha lápis-lázuli Giotto aparece no olho. Chiquérrimo! Truque do bom esse.
Uma das chinesinhas quer ir no casamento da amiga. Reclama que os olhos puxados são barra de maquilar. A representante da multinacional, essa filha de Eva que te entende como ninguém ( entende o mais profundo desejo de todas as filhas de Eva, ser bonita) não se dá por vencida. Pele de seda em cinco segundos, puxa delineador, sombra e o olho da chinesinha abre como um leque. Truque em cima de truque.
Nem preciso dizer que adorei. Sei que muitos vão pensar, a moça do Meio pirou, pirooooooou... sei que aparência não é tudo na vida, e que muitos passam fome e etcs. Sei que é peruíce. Mas um pouco de cor, de sabor, não faz mal. Lógico que no final a menina da Renner te oferece tudo. Não comprei nada, a socialista-marxista falou mais alto, mas que fiquei com vontade fiquei. No final, as meninas não apareceram porque foram no curso no Iguatemi ( êêê cabeças-de-pudim)! E eu mofando no Dom Pedro.
E um detalhe: um dos gloss se chama Atmosphère Brillant. Gente é pra cintilar, não pra morrer de fome.

Tuesday, September 12, 2006

Aqui, já, nesse instante, agora mesmo

Aqui da minha janela vejo o relógio do Itaú. Relógio de neon, aparece Itaú, listas azuis, estrelas laranjas, a hora em dígitos brancos a orientar as noites desoladas de Campinas.


Agora escuto Led Zeppelin, "All my Love", e penso nos sentimentos por tantas, tantas, tantas, pessoas que passaram na minha vida, deixaram marcas na minha alma e iluminaram minhas cavernas interiores. Amigos, amores, pessoas vão e vem e que estão em vários lugares agora, nesse instante em que minhas unhas, compridas depois de tantos anos, batucam Caronte iluminado pelas estrelas do relógio do Itaú.
E tudo é muito simples e ao mesmo tempo complicadíssimo e hoje me espantei. Fiz as contas e me espantei, faço 29 anos. E tudo é o mesmo e tudo é tão diferente. A primeira vez que fui aos dentistas da Unicamp, eu era uma menina de 17 anos com quatro dentes de ciso obstrusos e vontade de vencer na vida. A segunda, era uma jovem combalida de 22 com guna, gengivas vermelhas e vontades desesperadas espatifadas num chão de ardósia. E hoje sou alguém de 29 anos com duas obturações, dores perfuradas no peito e nenhuma vontade sobre o sol.
E tudo fica lindo com Robert Plant me mandando todo, todo seu amor, como ele sempre fez desde 1979, e fará por toda eternidade, isso foi antes, antes, muito antes do dentista, do meu dente pré-molar quebrado em um terço e tudo isso acontece agora, porque o Jobs lançou o mini-Ipod shuffle, e claro que se eu estivesse às margens do Hudson eu iria correndo comprar, apesar de achar que o capítulo sobre o fetichismo da mercadoria no Capital é como os versos de Safo, belos, intocáveis e eternos como a bateria do Bonham, a guitarra do Page, e tudo isso na minha janela, como diria Caetano lá atrás.
E como seria entrar num velho templo e me apresentar aos deuses e dizer, vocês podem ser eternos, e eu eterna duro no instante que a vida passa, segundos e a vida passa, e o compasso me mostra que, sim, a vida é tudo isso e mais um pouco, é sempre mais um pouco, e nunca será o bastante para mim, para quem eu amo e até mesmo para quem eu desfaçatamente desgosto. E tudo isso, vocês me perdoem, mas vive dentro de mim e eu não posso disfarçar, agora não mais, agora e sempre, agora e ainda já.

Monday, September 11, 2006

Pequenos desastres cotidianos e o Dadaísmo

Hoje bati o carro e minha obturação caiu. Graças a Deus, no carro não deu nada e na boca não sinto dor. Fila do CECOM amanhã, será que eu consigo ser atendida? Dinheiro não tenho pra pagar um dentista, que saco. Tô com medo, sou hipocondríaca e acho que vou morrer, e nunca me aconteceu de chupar bala e cair o negócio.
De resto, aula na PUCC. Hoje, cubistas e Duchamp. Uma aluna perguntou, e o Duchamp, era o quê? Eu respondi, era o Marcel Duchamp, oras. Essa coisa de classificar artista é complicado. Em alguns livros, ele aparece, no início da trajetória, como ligado ao Futurismo. Num texto de 1946, que está no Teorias da Arte Moderna, H.B Chipp, Martins Fontes, o Duchamp diz que não, que nunca teve a ver com a italianada. Enfim, pelo menos a gente chegou nos ready-mades.
Já a aula de Teoria anda meio desastre. Hoje comecei o Aristóteles. Meu programa é um curso com a leitura de pequenos trechos de Estética. A gente leu o Mito da Caverna do Platão e agora vamos ler a Poética. Mas tive que explicar o Édipo e me enrolei.
Vi uma nega que eu não gosto, fiquei impressionada e fui tirar o carro. Estacionado na ladeira ali do IFCH, sabe quando o bicho cai e bate? Daí me aparece do nada uma figura famosa do IEL, famosa pela chatice e inconveniência. Ele: mas você bateu nesse aqui ( o carro da frente era dele)? E eu, engraçado você me perguntar isso.
Como diria Picasso, só decompondo a forma mesmo pra se agüentar. Mas fiquei feliz porque vi o Luis e a Deborah, agora minha amiga no Orkut e que me disse via scrap que de vez em quando passa pelo Meio. Legal, né?

Sunday, September 10, 2006

Una giornata particolare

Se você ainda não viu esse filme, veja correndo... gente, tinham que usar o poder da ciência e clonar o Mastroianni. E de preferência mandar um clone aqui pra casa porque eu não ia reclamar.... mas enfim...
Hoje eu tive "una giornata particolare".... acordamos, e saímos de Campinas do Mato de Dentro de Jundiaí, rumo ao velho e combalido Piratininga. E vamos para a Pinatoteca, ops, Pinacoteca, ver amigos, e o Calder.
A exposição está lindíssima. Pequena e bela, como os móbiles-mini do tiozinho.Fiquei emocionada vendo o "Lufada de Neve"... o tema da exposição é a atuação do Calder no Brasil; pra quem não sabe, ele foi um grande amigo do crítico Mário Pedrosa, e veio ao nosso país três vezes... nas três ocasiões, trabalhou, expôs, fez e aconteceu. Pegou o MASP no seu início, a Lina e o Bardi a todo vapor... lindo, lindo. Uma grande ironia a exposição acontecer no velho e acadêmico Liceu de Artes e Ofícios, e não no Assis Chateaubriand. E uma grande ironia uma das mais belas obras do Calder ser do Instituto dos Arquitetos do Brasil, o prédio magistral do Rino Levi, que hoje está no osso, literalmente. O Brasil já foi melhor.
Depois, a mini-excursão rumou para o Acrópole, o restaurante grego do Bom Retiro que virou moda, depois que a Veja São Paulo botou estrela e tudo. O restaurante é um barato, com decoração pseudo-grega, gente saindo pelo ladrão e preços, digamos, nada módicos. Mas a comida é di-vi-na, comemos mussaká ( aquela "lasanha" de carne e berinjela, com purê em cima), um risoto de frutos do mar que está dentre as melhores coisas que eu já comi na vida ( vermelho, com camarões gigantes e polvo macio), e lula recheada. Depois disso tudo, ainda teve um doce folhado, com molho doce de laranja e cravo, e recheio de creme de semolina, recém-saído do forno.
Olha, o Acrópole vale cada centavo investido, vale até pelo dono, um velhinho biruta que tira os pratos correndo e é, digamos, um casca-grossa daqueles. Nada limpo nem organizado, o Acrópole chateou muito uma conhecida minha, nega metida a grã-fina, besta e chatérrima, que se escandalizou com a zona e com o fato do local supracitado não ter cardápio ( o preço é feito de acordo com a sua cara, eu acho). Eu, como adoro um moquifo ( acho que nunca fui tão feliz como em Nápoles, a cidade-moquifo por excelência, comendo pizza no meio da rua, daqueles fornos que os caras constróem fora de casa, pizza de massa grossa mas deliciosa, tomate, manjericão, queijo e uma cantada em dialeto do maluco que está naquela janela cheia de varal de roupa) me realizei no Acrópole.
Só não gostei muito da exposição do Oscar Pereira da Silva, pintor acadêmico, muito do chatonildo, que nem essa nega que não gostou do Acrópole. Pra mim e pro Paulo, o melhor do cara foi uma cópia que ele fez da Bunda do Amoêdo ( outro pintor acadêmico brasileiro, Rodolfo Amoedo em 1887 escandalizou o Rio de Janeiro, mandando de Paris, onde era bolsista do Imperador, seu quadro Estudo de Mulher, um nu fantástico; o centro da composição é a parte transversal da supracitada moça)...
Depois, café no sempre bagunçado e caro café da Pina, alguns pensamentos infelizes, e muita alegria de ver o delicado equilíbrio das formas.

Thursday, September 07, 2006

Santos, a cidade heróica dos Andradas

Anda tão frio que hoje tive minha dor de dente chicagoan.

Os leitores antigos do Meio sabem que, devido ao frio intenso das margens do Michigan, eu tive dores de dente inacreditáveis, por conta da única obturação que possuo ( a maldita é muito perto da raiz). Então, tá tão frio nesse início de setembro que a dor de dente Al Capone me visitou.
Estranho fazer tanto frio em setembro, mas enfim. Correndo que nem uma louca, prepara aula daqui, email, telefonema, reunião, o escambau. Qualifico o doutorado finalmente nos idos de setembro, no meu aniversário.
E hoje foi dia da Independência. Quando eu era criança, era meu feriado favorito. Nasci às margens do Ipiranga literalmente, no hospital Leão XIII, quase no monumento. Meu pai me levava lá, e eu tinha uma boneca de pano que adorava, a Marquesa de Santos. Mas não lembro de um 7 de setembro tão frio, só lembro de um poema que recitei numa festa da escola, e começava com o verso do título.
A professora me abraçou porque consegui decorar tudo: "Santos, a cidade heróica dos Andradas/ O príncipe voltava feliz e satisfeito/ Com a luz da justiça a iluminar-lhe a alma/ e o fogo da justiça a queimar-lhe o peito/ Quando vê cartas ofensivas/ Vindas do antigo Portugal glorioso/ sua voz vibrou como um clarim/ gloriosamente forte/ e o vento acariciando as faces do colosso/ em breve repetiu, Independência ou Morte"... e hoje não cozinhei, não declamei poemas, só estabeleci hipóteses e sofri dor de dente gringa.

Wednesday, August 30, 2006

Vou-me embora para o Japão

Como diria Manuel, minha Pasárgada é a terra do Sol nascente.
Cinco minutos, Japão. Ruas cheias de gente com olhinhos puxados, o máximo da tecnologia, os jardins de pedras brancas e o Fuji. Maquiagem Shisheido e as garotas-colegial safadas e de cabelo verde, dobra esquina, uma senhora de quimono cinza.
Kyoto, e todos os palácios, o velho Gion, o bairro das gueixas. Comidas que você tem medo de provar e depois que prova não quer mais parar de comer. E todas as lojas, o metrô com o guarda de luvas brancas empurrando o povo pra dentro, pior que a Sé às seis e meia da tarde. E a língua, não entender nada, absolutamente nada, do que se escreve e do que se fala. Deve ser bom. Chá verde, misso-shiro, tudo eletrônico.
Meu pai morou muitos anos da Liberdade. Lá conheceu uma nissei. O cara ralou pra ser minimamente aceito pela família, com todas as ressalvas nipônicas aos gaijins. Depois, numa viagem de férias aos velhos Goytacazes, conheceu dona Meire na fila da Caixa Econômica Federal. Eu às vezes penso, e se meu pai tivesse se casado com a moça? Pau-rá-san, já pensou?
Vou-me embora para o Japão, lá terei o micro computador que quero, no sushi bar que escolherei.

Saturday, August 26, 2006

O fim do mistério

Graças à coisinha, ops, Vanessinha... o mistério dos bolinhos de chuva foi solucionado ( lembra da discussão????).


Manja o rótulo de Creme de Leite Nestlé? A pequena filósofa, lendo Schopenhauer e blog de amiga nas horas vagas, sabia da minha procura pela receita de bolinhos de chuva, vamos dizer assim, diferentes! Então, vou postar a receita do rótulo, eu, Vanessa e Thaise vamos experimentar, além de postar é claro:

BOLINHO DE CHUVA

1 lata de Leite Moça
1 lata de Creme de Leite
2 xícaras de chá de farinha de trigo
1 colher de sopa de fermento em pó

Misture bem, até a massa ficar homogênea. Nas colheradas, forme os bolinhos e frite em óleo quente até que fiquem dourados. Polvilhe com açúcar e canela, faça um café bem forte, e me chame. Agradecimentos às leitoras e aguentadoras fiéis Vanessinha e Tata!!!!!!!!!!

Thursday, August 24, 2006

Porco a porchetta

Retomando o Meio, que ficou meio fora de foco...


Boas novas! Agora sou docente da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, vulgo PUCCAMP. Isso mesmo. Entrei para ministrar Estética e História da Arte, pro curso de Artes Visuais. Carga horária 4 horas, permitida pela FAPESP, ou seja... mas estou feliz, animada, na segunda-feira lasquei o Mito da Caverna do Platão e tudo mais. Terminei meu exame de qualificação, o Teia do Saber, e no italiano direto. A Itália vai rolar, e tudo o mais.
Agora, hoje retomei minhas atividades de mestre-cuca. Minha sogrinha descobriu algo ótimo, anotem: Filé mignon suíno. É uma delícia, o topinho do lombo, sabe como? Vem quatro numa bandeja dos congelados Sadia. Vale a pena. Hoje temperei o dito com um molho que inventei no carro, vindo pra casa depois da lezione di italiano. Guarda, bello: vinagre balsâmico, com água e açúcar, até retirar a acidez ( fui experimentando na colher mesmo) e alho. Embebi o porquinho nessa vinha d'alho, sal e pimenta do reino. Coloquei numa assadeira, com batatas passadas na manteiga Aviação e alecrim, pétalas de cebola e quartos de tomate. Asse. Servi com arroz com passas. Pra quem gosta da mistura doce-salgado, ácido-pimenta, olha, fica bom demais esse Porco à Porchetta.
Saudades de todos, apareçam, o Meio ressuscitou do purgatório dos blogs sem atualização!

Friday, August 11, 2006

Zica da fubica

Gente, eu tô rindo aqui, mas tudo que eu conto no Meio é verdade, acontece mesmo, então eu sei que muita gente já deve estar de saco cheio das minhas desventuras 2006 ( vocês entram aqui e só lêem plobreuma, etc)... mas é que hoje o negócio superou.
Há uns dois meses, eu tava com o Celo no escritório. A gente tem um colchão no chão, e o Celo pisou no meu óculos. O bicho ficou torto. Ontem, no mesmo colchão, eu pisei de novo, daí a haste foi pro brejo.
Detalhe: eu tenho sete graus e meio de miopia, meus óculos são muito caros ( 770 a lente sextavada fina, que me deixa com uma cara de pessoa normal) e eu só tenho um par, desde sempre.
Hoje, pus a lente de contato que ganhei de graça e sofri o dia inteiro com os olhos ardendo. Cheguei em casa e falei, não dá, vamos pro shopping Dom Pedro visitar a ótica e mandar fazer o raio do óculos novo em 500 prestações no cartão.
Saindo, na esquina de casa, no carro, vejo uma moça parada e um cara debruçado na janela do carro. Olhei aquilo e pensei, assalto. Sete e meia da noite, centro de Campinas, o cara bate na janela com a arma prateada. Levou 20 reais do Celo e meu celular de 90 pilas pai-de-santo ( pré-pago que só recebia).
Gente, eu sei, impressionante. Mas aconteceu. Moral da história: fui assaltada duas vezes nesse ano.

Tuesday, August 08, 2006

Boa noite, meu amor

Ando chateadíssima, problema em cima de problema, infelicidade, mal-estar geral e etcs. O lado bom ( vamos fazer o jogo do contente da Poliana) é que tenho uma passagem comprada pra Itália, e que minhas aulas tem sido boas. E eu descobri uma música, vagando pelo Orkut. É de um cara, um guitarrista, chamado Mike Pinera, e fez sucesso na trilha da novela Plumas e Paetês... segundo as informações, era o tema do personagem do José Wilker. É bem setentinha, meio Antena Um, mas tem sido legal pra mim, uma coisa afetiva. E por aí vai... se vocês tiverem curiosidade, eu posto aqui o link pra música.
Além dessa seventie's love song, descobri uma coisa. Que eu gosto, e preciso, pintar. Foi assim, depois de uma semana terrível, fui pra Teia do Saber. Teve uma atividade com uma modelo, uma moça belíssima, e rolou um clima muitíssimo legal, todo mundo pintando com guache preto e azul. E eu peguei o pincel, enrolado no bambu, sentei e saiu, uma coisa extraordinária.
Eu não pintava desde os meus 13 anos. Tinha uma professora acadêmica e horrenda, dona Odila. Ela quase me reprovou na sexta série porque eu fazia as coisas mais estilizadas, lembro que meu pai foi falar com a tal e ela me esculhambou, porque numa árvore feita a nanquim ela queria que eu fizesse todas as folhas ( a tal não conhecia Monet, vamos dizer assim)... também ocorria o fato de que eu não tinha dinheiro pra comprar os materiais caros que ela solicitava, sempre tendo que pagar o mico de pedir um pouco de tinta pras amigas. Minha maletinha de madeira, com o meu nome pirografado, vivia vazia, com lápis da Labra ( o que a docente, descendente da brava família Faber, não perdoava).
Como a gente perde tempo na vida porque outros nos sacaneiam... meu Deus, isso é impressionante, tem gente que faz muito mal pros outros. Ando meio revoltada, meio da pá virada, sem paciência com essas picuinhas infernais. Não ando bem, desde que voltei de Chicago estou sem paciência. Desculpem os posts revoltados e as discussões esdrúxulas, mas de vez em quando a vida é assim.

Wednesday, July 26, 2006

Meditações sobre um Cavalinho de Pau

Tudo bem, o título eu tirei do Sir Gombrich, recomendo vivamente, bláblábá.

Nesse tempo desértico, litros e litros de Rinosoro, depois de muito passar mal e de mais uma aula no programa Teia do Saber, aqui na Unicamp, retomo as atividades blogueiras, com uma dica...
Descobri o link pro bróugui do Luis Fernando, amigo velho de guerra e que chupinha minhas idéias e escreve artigos no site da Caros Amigos: http://luisvita.blog.terra.com.br/. Tô brincando, vale a pena dar uma passadinha, o Luis além de combativo arruma cada confusão engraçada...

Thursday, July 20, 2006

Paulistânia II

Sujinho.O Gato que Ri.Espetão.Zi-Tereza.
Porque uma cidade são seus restaurantes,
Gigetto.Famiglia Mancini.Ritz, e no fim, Pastelaria Yokohama.
Café no Largo de São Bento.E café na Praça da Sé.Café no Viaduto do Chá.
Pausa prum refresco na Consolação ( em qualquer boteco).
Risco, São Paulo é isso.

Monday, July 17, 2006

Foi falar...

Foi falar, pronto, peguei uma sinusite monstrinha.

Ontem e hoje, sofrendo com dor no rosto, febre, e má disposição geral. Pelo menos, ontem fomos assistir a um concerto da Sinfônica de Campinas. Regida pelo maestro Karl Martin, suíço, a orquestra apresentou o programa do Festival de Inverno de Campos do Jordão. Mozart, Prokofiev e Stravinsky, num programa de mais de duas horas, belíssimo. Depois reparei, os músicos saíram exaustos, mas felizes da vida.
A Sinfônica é uma das coisas que fazem Campinas valer a pena, às vezes... lembro de alguns concertos muito tocantes.
Hoje acordei mal, mal. Dodói mesmo. Entro na net, dia do julgamento von Richthofen. O advogado de defesa de Suzane chegou arrasando, acreditando que o ataque é a melhor defesa literalmente. Segundo ele, Suzane foi coagida pelo namorado Daniel, com quem viveu a primeira experiência sexual. O advogado disse que a pobre Suzane tomava anti-concepcional injetável, "que doía e fazia a pressão baixar", porque era da vontade do namorado. Já Daniel, no seu depoimento já no tribunal ( coberto minuto a minuto por vários órgãos de imprensa e mídia, veja lá no Portal Terra) disse que os pais de Suzane "o tratavam com violência e ambos tinham amantes". Enfim, todos têm o sagrado e inviolável direito de defesa. Todos têm direito a um julgamento, conforme a lei. Agora, os que assistem também possuem o sagrado e inviolável direito de se irritar.

Thursday, July 13, 2006

Panda no médico

Todo ano é a mesma chorumela.

Seguindo os ensinamentos de dona Meire, minha famosa progenitora, me obrigo a marcar ginecologista, oftalmo, dentista, nas férias. E todo ano eu enrolo, enrolo, enrolo.

Explico: eu odeio ir em médico e dentista! Eu sempre acho que o dentista vai falar que eu vou perder todos os dentes e que o médico vai me dar seis meses de vida. Sempre chego morrendo no consultório. E morro de medo de fazer exames, também piro, sofrendo, e fazendo drama.

Pra quê? É irracional mesmo. Hoje me enchi de coragem e vamos lá, marquei os doutores. Já a dra. Solange, minha dentista, tá de férias, então dá pra eu melhorar o tratamento dispensado à minha dentadura antes do confronto com o motorzinho.

Então, caros amigos-panda, rezem para eu não entrar realmente em extinção!