Monday, August 15, 2005

Sêneca ou das futilidades que matam amizades

Hoje estou muito triste. Soube que pessoas que considerava minhas amigas falaram mal de mim e me ridicularizaram. Uma das coisas que mais prezo é amizade. Acho que na maior parte das vezes o amor próprio das amizades, genuíno e espontâneo, pode evitar muitas das pequenas tragédias que nos acometem no dia-a-dia, além de nos livrar de situações embaraçosas e doloridas causadas pela família ou pelos relacionamentos amorosos (com mais calor afetivo mas também mais desastrosos, por sua própria natureza).
Enfim, aprendi mais uma vez a lição. As ditas pessoas falavam mal de todo mundo para mim; não deveria ter sido ingênua ao acreditar que comigo seria diferente. Achei que minha boa fé me protegeria da maldade, outra ingenuidade tão velha que figura na lista de imbecilidades a serem evitadas nos textos da Bíblia, do Corão e da Odisséia.
O pior de tudo é que a boa fé impede a gente de agir, de pensar que tais situações são possíveis. Nessas ocasiões, lembro dos velhos estóicos romanos. Sêneca, ou o imperador Marco Aurélio, que em suas meditações alertaram para o risco de se viver em sociedade... o meu consolo é que essa dorzinha que sinto agora também é mais velha que andar pra frente, como o próprio estoicismo.
Não tenho nenhum moral para tentar seguir tais ensinamentos, sou muito cristã para isso; o meu consolo é que os maledicentes e falsos em geral, no meu querido Dante ( cristão demais pra ser estóico, e na minha humildade me consolo em estar perto disso, ainda que da mesma forma que uma ameba está perto de uma estrela de primeira grandeza), ocupam um lugar muito, mas muito pior do que eu ocuparei no reino de Lúcifer. Enquanto com certeza estarei no redemoinho do Vestíbulo do Inferno, junto com Paolo e Francesca, esse pessoal nadará num mar de bosta...o cristianismo pode ser mais fraquinho das pernas que o estoicismo, mas com certeza é mais divertido...

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