Saturday, August 13, 2005

Serviço Militar Obrigatório

Dei aulas de História da Arte Brasileira, I e II ( a ementa compreende das cavernas ao Tunga), como Professora Estagiária PED ( Programa de Escravidão do Doutorando) na Unicamp. Fiquei um ano e meio rachando o coco pra saber como faria os alunos das Artes Plásticas se interessarem pelos meus cursos e pra fugir de uma professora biscate que tem lá.
Além desses problemas técnicos, havia outro mais grave. Em toda a minha formação universitária ( e olha que tem formação nisso) eu nunca fiz cursos de História das Artes no Brasil. Nunca vi em sala de aula abordadas as obras que fazem parte do patrimônio histórico-artístico nacional; o que eu conheci, conheci porque meu pai comprou uma coleção chamada Grandes Personagens da Nossa História, fartamente conservadora e ilustrada. Além disso, meu já citado pai tinha a mania de ir em tudo quanto era museu, incluindo o do Ipiranga e de Amparo.
As obras do patrimônio nacional não estão em site nenhum, em nenhuma capa de caderno. Você tem que fuçar, nos velhos catálogos dos nossos museus, editados nos oitenta pelo Banco Safra e que valem uma boa grana nos sebos. Alguma coisa está no portal do Itaú Cultural, a única iniciativa sistemática nesse sentido, outra eu e outro amigo fanático por figurinhas escaneamos, pacientemente, de livros que a gente vai achando pelas estradas da vida.
Tenho sempre que arrumar um emprego, como professora de cursinho ou uma bolsa qualquer, pra sustentar esse meu vício: conhecer e ter como ponto de partida o patrimônio das instituições brasileiras, sejam elas os bem-cuidados Museu Imperial de Petrópolis ou a Pinacoteca do Estado de São Paulo, ou os arruinados MASP e as igrejas de Ouro Preto. Agora, saiu um edital do IPHAN; vamos ver se eu presto e o governo federal paga, além do mensalão, um salário para eu continuar com essa minha carreira de estudiosa-mirim do patrimônio.

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