Sunday, August 28, 2005

Literatura Italiana, século XX- notas

Nas férias, num momento de rara coragem intelectual ( cada vez mais rara nesta humilde e ignorante escriba), raptei da estante da minha sogra alguns livros italianos do breve século XX, no dizer de Hobsbawm ( ao qual nunca faltou coragem). Além do Leopardo, do Lampedusa, comentado anteriormente, bem como os contos do Senador e a Sereia, li embevecida O Deserto dos Tártaros, do Dino Buzzati, O Jardim dos Finzi-Contini, do Giorgio Bassani, e Senilidade, do Svevo. Todos excelentes, dando uma medida do que era o debate intelectual e artístico da Itália pré e durante o fascismo.
Indo para a fábula, como Buzzati, ou de um realismo vigoroso e sem concessões, como Svevo, esses escritores inventam uma nova tradição, ancorada no debate com as outras artes ( o cinema vem à mente mesmo que não se conheça os romances) e dentro da própria literatura. É o caso de Bassani, que conhece casualmente o príncipe de Lampedusa e, depois da morte deste, também casualmente se torna o editor e descobridor do Leopardo.
O Jardim dos Finzi-Contini tem pontos de contato com O Leopardo: como diz dom Fabricio, é preciso mudar para que as coisas continuem como estão, e assim pensam tragicamente os judeus da elite de Ferrara.
Já Svevo, em Senilidade, é tão realista que chega ao fantástico, terreno de Buzzati e o inverosímil e por isso mesmo plausível forte onde se esperam os tártaros por vidas inteiras.

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