Tuesday, July 14, 2009

O papel do forno na vida da mulher moderna

Eu ainda vou escrever um livro sobre as minhas relações com o meu forno a gás. Sério.

Sei que a panda agora vai chocar opiniões, mas eu não tenho forno de microondas. Sim. Sim! Eu sou uma pessoa que nunca teve forno de microondas. Durante um breve período, na casa da minha mãe, tivemos um imenso Brastemp, que meu pai comprou num surto de empolgação, e que as pessoas só utilizavam para fazer a temível pipoca de microondas. Outro dia, almoçando com a minha progenitora, notei que ela deu um fim definitivo ao elefante branco culinário. Enfim, deve ser de família então a minha desconfiança aos fornos de microondas.
Segundo lendas urbanas, o forno de microondas é capaz de assar bolos, pudins e até pernis. Não acredito, nunca vi nenhum destes artefatos proporcionarem tais milagres na cozinha. A panda é cética quanto a essas narrativas. Mas eu amo meu forno a gás de paixão. Na verdade, Malebolge, meu forno ( que é batizado de acordo com o setor mais bacana do Inferno do tiozão) já fez milagres espetaculares, e me acompanha na luta diária pela sobrevivência. É engraçado, não tenho a mesma relação de intimidade com minha geladeira, pra mim mero depósito de coisas e que é capaz apenas de fazer gelatinas. Mas Malebolge não, de manhã cedo ele já faz meu café, meu leite quente, meu pão na chapa e meu mingau de aveia, com o auxílio de minhas panelinhas já gastas. No almoço, Malebolge faz omeletes, arroz sempre soltinho, feijão, couve refogada... à tarde Malebolge começa a esquentar minha chaleira, e já assou sequilhos, bem como no jantar oferece sopinhas de legumes, de feijão e brigadeiros de madrugadas afora.
Mas eu tenho um problema com Malebolge: os bolos. Meus bolos são uma catástrofe, tirando um de fubá cremoso que inclusive ornou o Meio do Caminho, tempos atrás. Assim como não tenho microondas, também não possuo uma batedeira, de modo que muitas receitas ficam fora do alcance de minhas patinhas gulosas. Mas premida por necessidades afetivas, que todos nós temos, de vez em quando eu sentia vontade do cheiro de um bolinho de laranja dentro de casa, e, devo confessar, sucumbia à tentação de comprar um bolo de caixinha ( SIM, SIM! Mea culpa, mea maxima culpa). Mas não! Nem isso! O bolo saía solado, péssimo, sem sabor, digno do lixo na primeira fatia.
Hoje, a anjinho Guiomar, que de vez em quando vem me dar uma força na arrumação da sempre caótica toca da panda, e eu decidimos que teríamos torta de liquidificador de sardinha para o almoço, já que uma panela fumegante de feijão estava à nossa disposição. Fiz seguindo a receita do Meio do Caminho (vejam o primeiro post de fevereiro) e estava às voltas com os botões de Malebolge, quando Guiomar sensatamente observou que eu punha o forno baixo demais. Pronto! Posto o forno quente, a tortinha saiu digna das mais altas considerações filosóficas! Por isso, meus caros, agora nada segura a panda boleira! Como pude não entender o desejo de Malebolge de arder na sua potência máxima?

Sunday, July 12, 2009

He's back!


Posto mais um retrato do velho tiozão... hoje retomei meus parcos estudos da obra do homi, e de suas implicações nos círculos de letrados e artistas da minha Pisa lindinha.
Este é o de um tal Juste de Gand, ativo entre 1460 e 80, óleo sobre madeira, 110 x 64 cm, Louvre.

Thursday, July 02, 2009

O menino de Gary, Indiana

Soube da morte de Michael Jackson no cinema. Ouvi umas meninas atrás de mim falando que o Rei do Pop tinha morrido. Achei que fosse piada, infelizmente nos últimos anos tudo que a mídia veiculava eram as bizarrices, os escândalos, a falência. Mas não, o garoto de Indiana foi, mesmo, pra eternidade. A Pati escreveu um post excelente sobre o Michael no Kind, não vou ficar chovendo no molhado, acredito que ela pegou bem o espírito da coisa, pelo menos pra mim.
Pra todo mundo da minha idade, Thriller foi um divisor de águas, um marco mais que histórico, a potência da música em si. Lembro que meu primo tinha o disco, que a gente ouvia sem parar, e a popularidade do rapaz negro era impressionante. A gente esperava os clipes passarem no Fantástico com ansiedade redobrada; tentávamos desesperadamente fazer o moonwalk e todos os passos. Depois, meu pai comprou pra gente todos os CDs, inclusive o Off the Wall, anterior às tentativas desesperadas de coreografias da panda no tapete da sala. Nem passava pela minha cabeça que o riff da guitarra era do Van Halen, que o produtor era o Quincy Jones, que o diretor do video do Bad era o Scorcese, a gente só via que o cara era bom, e ponto.
Quando estive nos EUA, pegava o trem de Chicago pra South Bend, em Indiana, e passava por Gary. Um subúrbio pobre, com uma enorme placa: a terra natal dos Jacksons. Ficava imaginando a odisséia do garoto fofo que todo mundo amava, e que virou uma caricatura de si mesmo. A vida ficou maior que a música, e isso é triste, porque o cara, repito, era bom e ponto. Quando ouço Billie Jean, ou Black or White ( que é a minha favorita, talvez) penso no quanto a indústria cultural, e a vida, são cruéis com os talentosos. E nem importa se você é preto ou branco.

Monday, June 29, 2009

Ao meu pai


Hoje seria aniversário do meu pai.


Dia de São Pedro, era dia do seu Pedro. Saudades, muitas. Se vocês me permitem, deixo aqui um presente pra ele, que gostava tanto de seus aniversários...
Camille Monet e seu filho Jean. Claude Monet, 1875. Óleo sobre tela, 100x81cm. Washington: National Gallery. Um dos últimos retratos que Monet fez da primeira esposa, que faleceria um pouco depois. Depois da morte de Camille, Monet não fez mais retratos.

Thursday, June 18, 2009

A ilha bonita

Cansada do cinza, do frio, das obrigações e dos sapatos pretos, resolvo sair por aí, depois de me enrolar no edredom e ligar o abajur.

E de repente me vejo com você lá, onde sempre quis estar: naquela praia paradisíaca de algum lugar dos mares do Caribe, lugares tão bonitos que, para Cristóvão Colombo, eram a prova cabal de que o Paraíso Terrrestre, da descrição do Dante, existia mesmo. Faz aquele calor gostoso dos sonhos; tudo é colorido, tudo traz a brisa do mar.
Beira de piscina, margaritas, o dia inteiro pra vadiar. As pessoas falam espanhol, inglês, todas as línguas, e de repente não é mais Caribe, são as velhas Canárias, é Açores, Madagascar, Fernando de Noronha, Taiti, Fiji, Guarujá, pode ser o que for, que eu estou lá com você, na ilha dos meus desejos, onde todas as aspirações cessaram de existir; se tornaram a mais concreta realidade.
E ao invés da austeridade da camisa, dos brincos pequenos de rubis falsos, um bíquini lilás, havaianas e sol. E ao invés do frio campineiro, do chá chinês medicinal, furar ondas e contar estrelas, no céu e na areia, uma saída de banho colorida, o vento nas palmeiras.
De repente acordo, e estou de novo enrolada no edredom, pra não ter dor no ciático. E tocou La Isla Bonita da Madonna no meu i-pod, revivendo a utopia antiga.

Friday, June 12, 2009

História Universal da Infâmia

Nesse feriado frio e eu gripada, só me restou ficar no casulinho quente do meu edredom e cobertor favoritos e mergulhar no primeiro volume das Obras Completas do Borges, além de tomar mais chá do que o habitual.
Um dos livros que eu mais gosto do Borges é o História da Infâmia. Realmente, ao ver as declarações da reitora da USP, a dra. Suely Vilela, pensei no quanto as pessoas se esforçam para entrar pra tal História com garbo e decisão. Incrível a falta de caráter, de vergonha na cara, do mínimo de lucidez de certos personagens. Tem gente que é tão infame... eu acho que a pessoa se esforça mesmo. Quer ser infame. Quer entrar pros anais com alguma façanha bem escrotinha.
Lembro agora de vários personagens que vou me abster de citar, até para não dar a essas pessoas o apanágio da glória. A estes personagens só nos resta uma saída: o silêncio e ignorar, mesmo. Silêncio aos infames, ora pois.

Wednesday, June 10, 2009

Universitas


Os últimos dias têm sido pavorosos, na USP. Eu cheguei a presenciar os carros de som do sindicato na ronda do campus, vi os meninos sem o bandeijão e vi várias das unidades, incluindo a FFLCH, funcionando normalmente, num clima de descrédito geral e desmobilização, mais profundo ainda que o de 2007.
Podemos discutir as razões de parte de funcionários, alunos e professores entrarem em greve; podemos discordar destas, e até nos enfastiar de certos discursos esquerdistas, e não nos sentirmos representados pelos movimentos. Agora, ontem, a tropa de choque da PM se confrontou com os manifestantes; na mídia, se diz que não se pode saber quem começou as agressões. Agora, evidente que os alunos, funcionários e professores nada podem contra bombas de efeito moral, de gás lacrimogêneo, cacetetes e outros artefatos da violência estatal. Por mais que se possa fazer críticas a qualquer coisa, a violência física é algo inadmissível.
Como professora universitária, lamento que a minha colega, profa. Dra. Suely Vilela, a reitora da USP, "lamente" apenas o ocorrido (http://www4.usp.br/index.php/institucional/16825-reitoria-lanca-comunicado-lamentando-confrontos) . Eu, se fosse a cara colega profa. Dra. Suely, não lamentaria nada; tomaria providências sensatas para que o diálogo fosse reiniciado na universidade, e, sensatamente, ao constatar o fracasso total, irrestrito e absoluto de minha atuação no cargo, abriria mão deste de imediato. Porque a cara colega profa. Dra. Suely Vilela entrou para a história da Universidade de São Paulo como a pior ocupante do posto.

Friday, June 05, 2009

Batmacumba

E agora que eu perdi toda a minha coleção de mp3s, incluindo meus CDs do Wando, Rosana e Agnaldo Timóteo, pergunto a vocês: o que fazer, meu Deus? Hoje comecei timidamente a ir no 4shared caçar alguma coisa, sem o meu mau gosto musical eu não vivo.
De repente, me bateu uma saudade de I won't let you down, do PHD, uma dupla inglesa, vocês lembram da "Aaaaa, eu vou ler jornal, vou ler jornaaaal"? Pois é. Recomecemos a construir a coisa mp3, de algum lugar, please.

Wednesday, June 03, 2009

Solidariedade

E aqui presto minha solidariedade às famílias das vítimas do vôo da Air France, que desapareceu de domingo pra segunda. A cada segundo a espera se torna mais trágica, e, se forem confirmados os óbitos dos tripulantes e passageiros, que descansem em paz.

Farfarello

Não bastasse o stress e certos graves dissabores das últimas semanas, eis que ontem o Hard Drive do meu laptop novo, que eu nomeei de Farfarello ( o nome de um dos demônios que seguem o terrível Malacoda e enchem as paciências do tiozão narigudo), mórrêu. Foi para o céu dos HDs.
Farfarello é novo. Fazia companhia, garbosamente, ao velho Caronte, com suas riscas azuis na tela e sua falta de teclas. Agora, Caron dimonio me salva novamente, porque Farfarello, apesar de bebê, deu um pau fenomenal, daqueles que eu vi poucas vezes nessa minha vida computadorística.
Moral da história: perdi toda a minha coleção de mp3s, um monte de coisas e principalmente, o trabalho nas últimas duas semanas. Eu tinha uns CDs de backup e o próprio Caronte servia de reserva para Farfarello. Mas até eu chegar em casa ( o ocorrido se deu em Indaiatuba, aos nove graus centígrados) e na casa do Celo, pra ver o que tinha ocorrido, achei que eu própria iria para o Inferno, fazer companhia ao Cérbero, Gerião, Farfarello, Malacoda e Plutão. Caronte me salvou na vala dos desesperados, e passei a nuit en blanche, recuperando de memória ( não da memória binária, mas da minha mesmo) os passos da panda nos últimos dias. O mais crucial foi todo recuperado e está salvo, agora, em novos CDs de backup.
Enfim, lá se foi o HD, e ficaram-se alguns dados.

Tuesday, May 26, 2009

Mundo louco

E no mundo véio sem porteira, as últimas semanas foram repletas de surpresas... desagradáveis.


Sabe quando a gente percebe o quão tonto foi nas últimas décadas? Pois é. A panda é tonta demais. E taca sofrer. Me digam, o mundo é isso aí sempre?

Wednesday, May 20, 2009

Por que isso não pode ser amor?

Taí, eu fiz tudo pra você gostar de mim. E sempre tem a hora em que a gente se pergunta, se o outro me diz que não ama, que não quer, porque me olha desse jeito, porque a gente se encontra e rola, pior do que se a gente se encontrasse e não rolasse nem um aperto de mão.

Nessas horas é difícil discernir o que é pura fantasia nossa do que é, de fato, parte do reino do indizível. Na minha vã filosofia, só uma coisa esclarece: o tempo. E daí, a gente tem que ter paciência, tem que ficar ali levando a nossa vida da forma mais digna, sincera possível, e esperar pra que na curva do rio o outro venha, mais uma vez, nos encontrar. Mas sem forçar, sem criar situação chata, sem pagar mico de escrever email descabido e esperar resposta imediata. O amor não é obrigação, felizmente pros fofos de espírito, infelizmente pros déspotas sentimentais.

E toca ouvir Why can´t this be love do Van Halen no talooooo!

Saturday, May 09, 2009

Pirulito

Essa aqui eu roubei da Pati. Pronto, viciei!








Táqui, táqui:

http://www.4shared.com/file/42106904/a4a4ee49/Mika_-_Lollipop.html?s=1

Thursday, May 07, 2009

Vitoriano, Bernardino e Francisco


Gente, não me agüentei, roubei também as imagens do CD da santa que gravei pro Luís Fernando, e também não me agüentei e mostro algo pra vocês!Táqui uma foto do interior da nossa linda Nossa Senhora da Conceição de Campinas, obra e graça de Vitoriano dos Anjos, Bernardino de Sena e Francisco Ramos de Azevedo, entre 1863 e 1881.

Monday, May 04, 2009

Arco-íris

Hoje foi daqueles dias que teve de tudo um pouco. Calor, frio, chuva, sol. E finalizou com dois imensos arco-íris, a cortar os céus metade cinza-chumbo, metade azul de outono, do campus da Unicamp ao final de tarde. Daqueles arco-íris pesados de lindos.
Acordei, calor, sandália e roupa leve, singrei pra Indaiatuba, fazer mon français toujours. Volto pra Campinas, como uma salada, quando saio do restaurante, vento frio, tudo escuro, cai um toró daqueles, eu e mais uma multidão correndo de encontro da velha Nossa Senhora da Conceição de Campinas. Chego no Museu, uma bagunça como sempre, o Ricardo enlouquecido com uma gripe e eu com a brava missão de decifrar um manuscrito de 1871, e conseguir gravar um CD com umas imagens pro Luís Fernando. O micro do Ricardo não colabora muito e ele proibiu pen drives lá, enfim, muitos vírus e um banco de dados que não pode morrer de jeito nenhum. Por precaução, gravei dois CDs.
No andar térreo, um monte de velhinhas do grupo da Escuta Cristã rezando e cantando, e eu e o Ricardo como dois loucos atrás dos cortes de pedra da tchurma carcamana. Quando a gente vai examinar pela enésima vez a maledetta facciata, vejo que não trouxe um dos CDs. O Ricardo sobe as escadas e me joga lá de cima o dito, e eu solto um puta merda que caralho, NA FRENTE DAS VELHINHAS DA ESCUTA CRISTÃ. Começo bem minha relação com elas.
Saí correndo que nem uma refugiada, porque estava um frio do caralho (desculpa, senhorinhas) e quando chego do meu prédio, batendo o recorde no trajeto Catedral malditinha- toca da panda, o elevador está quebrado.
Subo as escadas batendo outro recorde, ponho uma bota de sete léguas, um colete de lã e saio correndo. Tanta pressa tinha explicação: eu precisava entregar o CD pro Luís antes das cinco, quando ele britanicamente pegaria o fretado pra SP. Consigo chegar quatro e meia no IFCH, e berro o nome do Luís lá de baixo e ele no terceiro andar enfia a cara na janela gritando também. Um negócio discreto, elegante e fino.
Consigo entregar o CD, ganho o carinho de sempre do velho amigo, tomo cinco cafés e ainda consegui encontrar o mestre Nelson, Brenoboy, Celo, todo mundo na velha cantineta do IEL. E vi dois arco-íris hoje.

Thursday, April 30, 2009

Big uncle strikes again

E mais duas pérolas do mundo pop a eternizar o tiozão narigudo mais sexy da História da humanidade:

Descobri que teve uma banda de música disco chamada Dante's Inferno, que lançou uma musiqueta chamada Could be magic:

http://www.4shared.com/file/100063187/9149b81/Dantes_Inferno_-_Could_It_Be_Magic.html

Isso devemos a um produtor e músico chamado Ron Dante, conforme vi num fórum de discussão de música disco. O tal Ron Dante foi o vocalista que cantava para The Archies, uma banda de desenho animado a quem também devemos a antológica Sugar Sugar:

E vai ter um game de violência, porrada e pancadaria baseado no Inferno do tio:

http://tvig.ig.com.br/88425/game-dante-s-inferno-ira-recriar-o-poema-de-maneira-sangrenta.htm

A panda vai se viciar nesse game aí. Beijo nas crianças!

Monday, April 27, 2009

Kinder Ovo


Apelidei a Catedral Metropolitana de Campinas, carinhosamente, de Kinder Ovo: porque a santa todo dia tem uma surpresa diferente. Você entra lá e pode te acontecer de tudo: ser atacado por um bêbado dizendo que é o diabo, achar documentinho do século XIX embaixo de santo e ver, dos janelões do terceiro piso, o milagre do são que vira aleijado ( pois é, crianças, no tempo de Jesus os aleijados andavam, agora na Catedral de Campinas tem quem chegue andando do Terminal Central e vire deficiente físico pra pedir esmola. Meninos, eu vi!).
Desse tudo e mais um pouco que é a carinhosa e heregemente apelidada, também, de malditinha, tenho já uma coleção de histórias. Segundo um amigo, eu poderia escrever um roteiro pro Roberto Benigni, de tanta confusão que rola na nossa santa piccola maledetta. Pois vejam:
1)Hoje eu chego lá e o Ricardo tinha encontrado um pacotão de documentinhos infernais que estavam sabe-se Deus aonde. Todo o dia que eu piso no sagrado recinto, o Ricardo sempre põe um pacotão a mais de documentinho infernal de recibo de tijolo, pedra, cal, madeira, relatório de arquiteto do século XIX desmentindo um monte de História da Arquitetura que rola por aí, enfim, o Inferno de Dante total e absoluto. Agora me digam, será que existe uma mágica e o povo lá tem uma máquina do tempo, e eles trazem as coisas da construção em tempo real????
2)Hoje, igualmente, um dos estagiários da Pucc ( motivos de muitas polêmicas) disse que uma senhora entrou do nada no Museu ( que é no terceiro piso) de luvas de borracha e que começou a mexer no Cristo Flagelado que estava em cima da mesa, sendo higienizado. A moça não respondeu a nada do que o menino perguntou e quando ela enfiou a mão no bolso, o rapaz achou que ia ser assaltado (???) e começou a berrar do janelão, detalhe, isso no meio da missa do meio-dia. Disse que o pessoal embaixo riu e continuou a rezar. E a mulher sumiu, e a porta que dá acesso a tudo estava trancada. Agora me digam, onde essa pessoa achou essas luvas que a gente usa lá??????
3)Pra completar a antologia. Disse que domingos atrás, manhã tranqüila, uma senhora passava na entrada da igreja, indo ou voltando da missa, quando a cabeça do São Marcos da fachada despencou lá de cima (altura: 40 metros) e caiu a 5 cm dela. Passado o susto, constatou-se que a senhora estava ilesa, que o santo estava descabeçado e que a cabeça dele abriu um rombo imenso no chão. A cabeça está na sala do Ricardo, em cima de uma padiola. O Ricardo foi num armarinho, comprou uns sacos de estopa, subiu lá em cima (Jesus, me dá nervoso só de pensar) e fez uma touca pro santo sem cabeça. Nada a fazer, a não ser esperar a segunda fase da obra ( SIM, CRIANÇAS, a panda conviverá com neguinho restaurando as fachadas, mesmo com toda a sua bronquite). É, gente, a santinha é fogo!

Thursday, April 23, 2009

Emiko Nakayama, Chiaki Nakamura ou Miharu Minawa?

Em tempo: hoje vi no Facebook que um amigo achou um Japanese Name Generator Tabajara, uma brincadeira em que você acha, supostamente, seu nome japonês. O meu deu Emiko Nakayama ( lembrando sempre que os japoneses invertem, primeiro vem o sobrenome, Nakayama, e depois o prenome, Emiko).
Procurei na internet e achei outro Japanese Name Generator Tabajara (http://rumandmonkey.com/widgets/toys/namegen/969/) , e daí ficou
中村 Nakamura (centro da cidade) 千秋 Chiaki (muito bem/ muito bonita no outono). Invertendo meu prenome e sobrenome, deu:
三輪 Minawa (três círculos) 美晴 Miharu (lindo céu claro).

Considerando que nasci na primavera (outono no Japão), considerando que me sinto muito bem nas meias-estações (onde o céu é bem claro) e considerando que meu pai quase se casou com uma nissei, acho que meus nomes japoneses ornaram bem com a minha pessoa...

Outono

E o outono bateu na porta, anda fazendo aquele tempo louco, de dia um calorão, de noite aquele friozinho que já convida sonhar com céu estrelado, quentão, um cobertor xadrez bem quentinho e o ser amado ao lado.

Hoje tive minha primeira sessão de acupuntura. Resolvi seguir os conselhos de minha sagrada progenitora e ando cuidando mais da minha sempre combalida saúde. Fui a uma médica muito legal, clínica geral, que me apoiou no projeto de mandar umas pessoas aí à merda definitivamente ( ver dois posts abaixo) e resolvi encarar aquela chatice de exame e tomar vitaminas e remédios. Como é chato fazer exame, mas fazer o quê né. Enfim, parece que está tudo de acordo com a velha e cada vez mais rabugenta panda.
Daí prosseguindo no programa Panda Fitness 2009, estou mais atenta à alimentação, etcs e etcs. A Jô, minha cabelereira, conseguiu dar um jeito, fazer uma macumba e até meu cabelo assentou um pouco. Bom, pra resumir, hoje fui ser espetada e devo dizer que a sensação depois é a de um bem estar imenso.
Minha santa mãe também descolou uns chás chineses... que são sensacionais! Eles vêm em saquinho, são granulados, é só por água quente e voilà! Gostei particularmente de um, que é de uma espécie de beterraba chinesa, pérola de rio e crisântemo. Para os interessados, esses chás existem na Praça Liberdade, 83, a tiazinha que é a importadora de tais mezinhas.
Então, a panda está numa vibe chinesa total, muito condizente com o bem estar do outono e leituras de trechos do Tao. Pra completar a alegria geral, hoje fui na quitanda e achei um maço de rúcula belíssimo... quem mora em Campinas sabe o que é achar verdura decente nessa região desértica nessa época do ano. Andou chovendo, hoje mesmo caiu um pouco d'água, e eu imagino que o povo conseguiu salvar algum agrião e rúcula por aí. Fiz um capuccino bem cremosão... e espero que vocês estejam curtindo o friozinho também, gente!

Wednesday, April 22, 2009

A alegria e as barbas brancas do prudente patriarca

Fui jogar sinuca com amigos em Barão, na última sexta-feira. Convém dizer que eu não jogava sinuca há aproximadamente, acredito, duas décadas, e que fui pelo prazer da companhia dos queridos e por conta da sempre bem-vinda cervejinha gelada.
Papo vai, caçapada vem, uma hora todos sentamos aproveitando um petisco, quando, não sei porque motivo obscuro, surgiu o assunto músicas infantis assombrantes. Explico: acho que foi Lord Gorino que reclamou do Boi da Cara Preta, e eu disse que li uma coluna do Contardo Calligaris, que dizia aparecer uma das marcas mais profundas da escravidão todas as cantigas de ninar brasileiras serem arrepiantes ( como o Nana Nenê, que de Nana Nenê não tem nada). Vitão também reclamou da casa muito engraçada, que não tinha teto e não tinha nada ( parece certas partes da Unicamp).
Logo lembrei que tal cançoneta é obra e graça de Vinícius de Moraes, poeta e diplomata, da linha direta de Xangô. E logo, assim como a sinuca, as canções do Arca de Noé apareceram na minha cabeça e eu cantei alguns trechos pros meninos.
Cheguei em casa e vi no Youtube trechos dos dois especiais da Arca de Noé, de 1980, época em que a panda, acreditem, era mirim e adorava casas que não tinham teto nem nada. Hoje, gosto demais da primeira canção do primeiro disco: vejam lá, aparece só o Milton cantando, o Chico era proibido de entrar na Globo como todos sabem.
Eu adoro a história de Noé. É uma das partes da Bíblia mais caras a mim: a história de que Deus enche o saco da humanidade e resolve acabar com a moleza do povo, lascando uma água sem fim. Mas os animais eram inocentes, bem como o único homem justo daquele tempo (bom, pelo menos naquele tempo existia um justo, hoje em dia era capaz da raça humana se extinguir), o Noé, que ouve a voz do Chefão e resolve construir seu barco apesar do pessoal tirar sarro dele o tempo todo. Quantas vezes o justo precisa construir a Arca, enquanto os negos ridicularizam, menosprezam. Eu me identifico bastante com o Noé na hora da construção da Arca; depois do Dilúvio, ele inventa o vinho, bebe um pouco demais e ainda tem que amaldiçoar o filho Cam, por ter visto seu velho pai peladão e meio alto. O cara não podia nem beber, que caíam de pau matando. No final, não adiantou muito o Lá de cima mandar água, o pessoal não aprende.
Não liguem, a panda está num momento profetinha do Antigo Testamento!