Tuesday, August 26, 2008

Pão de queijo no palito

Passei os últimos dias singrando uma tradução mega difícil. Fui indicada para uma editora de São Paulo por um conhecido, e a moça me enviou um livro que seria supostamente de auto-ajuda. Mas os caras compraram gato por lebre, e o livro era de Psicanálise e Psiquiatria.

Bom, quando o Freud morreu, no exílio, as obras completas do tiozinho foram publicadas numa tradução em inglês, que depois foi contestada pelos franceses e alemães. Durante muitos anos, por exemplo, no Brasil, a gente tinha a tradução da tradução do inglês e umas edições em espanhol, decalcadas tanto do inglês quanto do alemão. A zona toda é que até hoje, alguns termos de Psicanálise nos EUA são uma coisa, e no resto do mundo outra. Os termos em Psiquiatria foram mais fáceis, geralmente as palavras científicas no inglês vêm do latim, mas tinha todo um negócio de Medicina que foi lasqueira. E pior, o tiozinho autor do livro escreve romances, e o inglês dele de resto tinha muito do gênero noir, policial, uma coisa bonita mas foda de transcrever.
Enfim, eu passei dias e noites mergulhada na tradução, e ontem Deus se compadeceu da pequena panda tradutora e acabou o martírio. Fui pro centro pra ir no Perda de Tempo e nos Correios, e eu atravessava a Rua Conceição quando me deu vontade de tomar um suco.
Onde tomar um singelo suco no centro de Campinas? Me encaminhei para o Shopping Center Conceição porque lembrei que numa quina existe uma simpática lanchonete de sucos, Melão & Cia, um negócio bem oitentista no nome e no visual. O japonesinho atendente anunciava uma novidade: pão de queijo no palito. Também nos anos 80 neguinho vendia crepe no palito, vocês lembram disso? Mas a crepe esturricava. Resolveram pôr massa de pão de queijo no palito, com recheio de queijo, e cara, ficou excelente. Tomei um dos sucos com nomes de cidades italianas do cardápio ( Torino, maçã com pera) e foi genial. Depois desse lanche tão gostoso entrei numa livraria e vi uma edição, de capa amarela, da coleção completa do célebre jornal O Planeta, do povo que depois se juntou com a Casseta e deu no que deu. Cara, eu ri sem parar, os caras eram muito bons. Manchete do jornal: Sílvio Santos foge com Lombardi. Eu preciso comprar esse livro! E mandar pra dentro mais um pão de queijo no palito!

Sunday, August 17, 2008

Às armas, cidadãos!

Nessa coisa hinos, queria passar pra vocês duas versões da velha e sempre aguerrida Marselhesa:


1) com a Mireille Mathieu, a tradicional versão que abala todas as estruturas das Bastilhas da vida:
http://www.4shared.com/file/59414151/aea39bd7/marseillaise-mireille_mathieu.html


2) e com o Serge Gainsbourg, "Aux armes et caetera", vejam o que a picaretagem humana é capaz de fazer:
http://www.4shared.com/file/59415590/caa42bf4/la_marseillaise_gainsbourg.html


A mesma praça, o mesmo banco mas porém todavia contudo... grande Serge e linda Mireille...

Thursday, August 14, 2008

Os sete filhos

Hoje, fui ao centro, banco, correios, aquelas coisas. Singrando a rua Ferreira Penteado, paro em frente a dois sebos simpáticos que ficam um do lado do outro, estupefata: de dentro de um deles, soava, garbosamente, o Hino à Bandeira.
Olha, não sei há quantos anos eu não ouvia o "Salve, lindo pendão da esperança/ Salve, símbolo augusto da paz". E de repente, voilà, como diria Proust: eu estava no primário, no Colégio Anglo Latino, situado na Muniz de Souza, Aclimação, São Paulo, Brasil. O colégio ( Anglo Latino, entra burro sai cretino, como se dizia) faliu e não existe mais. Não sei o que foi feito dos amplos prédios, bem ao lado do Parque da Aclimação e de uma Biblioteca Municipal Infantil, onde Monteiro Lobato andou.
Tinha uma professora bem velhinha. Pra minha vergonha, eu que sempre louvo a memória dos meus professores, não me lembro do nome dela, Sílvia, era nossa professora de música. Basicamente, íamos pra um auditório, com os assentos de madeira com escritos como "Vamos invadir sua praia", e ela dedilhava ao piano os hinos: o Nacional, o da Bandeira, o da Proclamação da República e do da Independência. Também não me lembro de muita simpatia na nossa professora de música, mas ela era séria: nos passava as letras cheias de inversões e palavras pomposas e lascávamos nossas taquaras rachadas nos estribilhos como "aceita o afeto que se encerra em nosso peito juvenil", "ouviram do Ipiranga, às margens plácidas", "de esperança de um novo porvir", e que tais. Gostava de cantar e ouvir o piano, e os hinos brasileiros não são tão horrendos quanto a nossa falta de nacionalismo gosta de supor.
O meu favorito era o Hino da Independência, cuja música foi supostamente composta por Pedro I. Sabemos todos que nosso primeiro monarca era mais afeito à aventuras amorosas e a domar cavalos xucros, mas enfim, de fato a letra é legado de Evaristo da Veiga, mineiro que era dono de livraria no Rio dos primeiros Oitocentos, e que era jornalista e depois dono de jornal, combativo defensor de um Iluminismo mineiro: como diríamos hoje, um Iluminismo temperado com queijo meia-cura. Nós, garotinhos e garotinhas da Aclimação, muitos nipo-descendentes, adóravamos transformar o "Já podeis da Pátria filhos" em "Japonês tem sete filhos/ o primeiro é sapateiro, o segundo vagabundo", pra horror da nossa professora.
Voltei pra casa cantarolando nossos hinos, ou o que a minha memória cata-cega lembrava deles. Cheguei e consegui uma pastinha com os hinos todos, em versões cantadas, o que me faz supor serem da Base Aérea de Brasília, de Canoas, algo assim:
Com todo o respeito, baixei os nossos hinos. Como dizia minha professora, em tempos de reabertura democrática, todos em plena voz!

Um desenhítico


Uma igreja de Ouro Preto, na memória, no computador o rabisco.

Tuesday, August 05, 2008

Sonhos, noites árabes e livros raros


Hoje eu dormi no colchão do escritório, no meio dos labores ingratos da tradução que peguei. Tão estranho, eu fui professora durante dez anos, e fazia minhas pesquisas. Agora, sou tradutora, e como disse o rapaz da Net, que veio aqui trocar meu modem, que pifou nessa grande chuva de domingo, faço home office. Dormi e tive dois sonhos: sonhei que caminhava, com conhecidos, pelo Minhocão, até que o dito terminava numa mistura de floresta e monte de entulho, e eu entrava na casa de uma família imaginária. Depois sonhei que um grande incêndio consumia meu prédio, com direito a cenas horríveis, e eu salvava o livro da tradução, meu laptop e saía correndo, em meio a pessoas bem imóveis.


Enfim. Daí depois entrei na Praça é Nossa virtual, vulgo msn, e comecei a querer ajudar o Filipe numa pesquisa sobre ilustrações do Sacode a Espada, o tiozão das ilhas, vulgo Shakespeare. Fuça daqui, fuça dali, achei uma livraria de livros raros na Tailândia (???) e eu lembrei de outro sonho que tive ( ando numa fase Kurosawa), em que eu era a maior dançarina do ventre do Egito (?????????????) e eu ficava dançando, dançando e tal. Depois eu fiquei pasma, entrei no Youtube e vi a Lucy, de fato considerada a maior dançarina do Egito, e eu dançava com ela no sonho. Lembrei de uma edição infanto-juvenil que li, quando eu era, de fato, infanto-juvenil, das Mil e Uma Noites, e achei na livraria de livros raros da Tailândia uma edição ( Rosenthal, Leonard: The Kingdom of The Pearl. London: Nisbet & Co. Ltd. 1920), nem vou falar o preço, uma fábula, mas ilustrada por um tal Edmund Dulac, vocês vejam aí em cima a história da princesa Badoure, a princesa da China, que se envolve em mil peripécias com a princesa Haia, em intrigas de corte e jóias espetaculares.
Estou pouco discreta nos meus sonhos, não reparem!

Sunday, July 27, 2008

De tudo ao meu amor serei atento

O meu primeiro poeta, assim como o de muita gente, imagino, foi Vinícius de Moraes.



A princípio, Vinícius era o tio que havia escrito as letras das músicas dos dois discos que eu tanto gostava, A Arca de Noé. Depois, na escola, durante o ginásio ( sou do tempo que o ensino fundamental era chamado ginásio, e do tempo que poetas escreviam para crianças), fui descobrindo os sonetos, os textos em prosa, o mundo Vinícius.


Não tínhamos em casa os LPs gravados por ele e Toquinho, mas eu sabia de algumas coisas com o Tom. O poeta, porém, falou mais alto, e em várias excursões pelas bibliotecas dos dois colégios onde estudei, Vinícius era o preferido e o eleito. Copiava, com canetinha hidrocor, nas agendas, versos vários, e Para Viver um Grande Amor talvez tenha sido um dos primeiros livros que comprei, descobrindo os sebos da cidade. Logo, porém, Vinícius começou a conviver com Carlos, o Drummond de Andrade, e com Fernando, o Pessoa, nas minhas preocupações juvenis. Adorava as antologias poéticas das apostilas, que me apresentaram Gregório, o de Matos, Tomás, o Antônio Gonzaga... até Paulo, o Leminski. Vinícius foi a porta do amor pela poesia, amor este que já me fez declamar, nos arroubos da juventude, Baudelaire na frente de um pasto, e Gonzaga na frente de um flamboyant. Enfim. Passados os arroubos da juventude, fiquei muitos anos sem ler o poetinha, porque de fato ele não é bem visto na academia.
Hoje, me deitei à tarde, com um pouco de febre, e Para Ler um Grande Amor. Fiquei até meio com raiva: Vinícius escreve tão simples que chega a ser meio pateta, chega a abusar da boa vontade do leitor intelequitual e metido. Mas depois, a gente vê as referências do homem, e lembra da trajetória: de poeta metido e intelequitual, até com tons meio fascitóides, Vinícius virou um monumento, um colosso da delicadeza. Pensei no quão árduo foi para ele ser simples. A coisa mais difícil do mundo é ser e escrever simples. A coisa mais difícil do mundo é se despir de tantas explicações racionais, pseudo racionais, irracionais e o caramba a quatro, e se tornar a gente mesmo.
Daí, entrei no http://www.viniciusdemoraes.com.br/. Já ouvira falar da generosidade dos herdeiros, em abrir tudo da obra do poetinha na internet. O site é tão delicioso quanto Vinícius; a gente pode montar nossa própria antologia, com capinha, cores e tudo, e mandar pros amigos. Como diz Vinícius sobre uma gaiola de canário e Rubem Braga, imaginem para quanta mulherzinha vocês não vão poder mostrar esse truque! Essa é uma senhora cantada virtual... Fiz a minha e já enviei, em destaque o Soneto de Florença, que foi epígrafe da minha tese.

Thursday, July 24, 2008

Back in the high life again

Tem uma música que eu gosto, há muitos anos. Do Steve Winwood, Back in the high life again.


Essa música traduz muito do que sinto, nos últimos tempos. De volta à vida. Depois de tantas perdas, hoje sinto que o saldo tá começando a positivar. Minha psicanalista dizia pra mim que era do meu feitio ver tudo sempre no negativo. Mas é aquela velha história, copo metade cheio, metade vazio...
Agora, tem outra frase que eu gosto muito. Está no Memórias de uma Gueixa, o livro, não o filme: a adversidade é como um vento forte: ela não apenas nos afasta dos lugares onde queremos ir, mas também do lugar onde estamos. Ok, ok, tudo isso é clichê da cultura de massa internacional, Adorno se reviraria do túmulo agora. Não posso evitar de ser uma pessoa meio óbvia. O fato é que depois de tantas ventanias, de tantas perdas, eu sinto que meus pés estão mais firmes, e a subida, mesmo que íngreme, compensadora: começo a ver paisagens, horizontes e possibilidades. Começo a ver, depois de tanta neblina, e estou tão feliz por isso. Fico feliz por não ter desistido, mesmo nos momentos mais difíceis, de ser eu mesma e de querer o que quero, porque é tão simples.
Ando tendo conversas significativas, e isso é ótimo, mais que perfeito. Vejo o que desejo, e não vou me culpar por isso. Quero voltar, abrir portas que fechei, ver pessoas, escancarar sentimentos. Não tenho culpa pelo que sinto, pelo que vivi e por quem sou. Não, não tenho, mesmo que alguns fiquem no desagrado. Estou de volta.

Tuesday, July 22, 2008

Tutti buona gente!

Hoje acordei com uma doce tarefa: comprar o Correio Popular e encontrar, na primeira página do Caderno C, o tiozão narigudo mais sexy da história!

Isso mesmo! Rufem os tambores! Panda in the news! Panda in the news! Eu vou escanear e pôr aqui pra vocês!

Friday, July 18, 2008

A um amigo florentino

" (...) Não é essa, meu Pai, a maneira de retornar à pátria. Mas se outra, vinda de Vós ou de outros, se encontrar, outra que não destrua a fama e a honra de Dante, eu me colocarei nessa a passos não lentos. Se, por nenhuma outra de tais maneiras em Florença se pode entrar, e eu em Florença não entrarei jamais. E isso, porque? As esferas do sol e das outras estrelas, não poderei talvez contemplar em outro lugar? Não poderei, em qualquer lugar sob a volta do céu, meditar sobre as dulcíssimas verdades, antes de me render subjugado ao povo e à toda cidade de Florença? E nenhum pão me faltará."
Dante Alighieri, "All'amico fiorentino", in RUSSO, L. I classici italiani dal Duecento al Quattrocento. vol. I. Firenze: G. C. Sansoni Editore, s/d, p. 267, tradução livre da dra. Panda Maria.
Nessa carta, Dante recusa voltar a Florença, sob condições que acha humilhantes, como aceitar as acusações que lhe foram feitas, segundo ele mesmo, injustamente. Agora notem, meus queridos leitores, a força da moral do tiozão: exilado, ele teve que procurar refúgio em cidades inimigas de sua Florença, trabalhar como qualquer um em situações perigosas e, segundo o Tratatello de Boccaccio ( a ser traduzido na seqüência), ainda arrumar tempo para as muitas namoradas, conviver com os filhos e escrever a Commedia! Guarda che bravo ragazzo! O resto é conversa, morou!

Sunday, July 13, 2008

Saturday, July 12, 2008

Thursday, July 10, 2008

Per me si va nella città dolente...


Um belo dia, no lascado 2007, encaminhei-me para a cidadela de Dite, ops, Unicamp, para terminar as coisas da maledetta, ops, tese, como todos vocês acompanharam assiduamente pelo Meio, ops, blog.


Fui almoçar nas velhas paragens do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. E encontrei no balcão o amigo Marcão, ajudando na lida da família. Marcão foi meu aluno no IA, no departamento de Artes Plásticas, e é filho do pessoal dono da cantina. Muitos anos de amizade, de conta pendurada, de papos e desabafos. A gente atravessara o cabo da Boa Esperança juntos, até. E num dia, numa circunstância da qual eu não me recordo, bem no estilo das coisas muito boas que acontecem com a gente de improviso, Marcão me disse que ilustraria o Dante, em minha homenagem, pra minha defesa de tese.


Fiquei comovida com o gesto de amizade, logo reforçado pelo intrépido Saul. Um dia a emoção era tanta que a panda esqueceu de puxar o freio de mão até o fim e Gerião despencou ladeira abaixo, destruindo o carro de uma professora do IEL, absorvida no trabalho de contar pros meninos as peripécias do tiozão narigudo no Inferno das égua. Enfim. E num desses dias normais, comuns, a Flávia, amiga querida e supervisora do Centro de Documentação Alexandre Eulalio, o arquivo do IEL, viu a telinha diligentemente trabalhada pelo Marcão, nos intervalos de servir pratos e conferir troco. Eram Dante, Virgílio e as Górgonas, gostosas retiradas de sites pornôs, uma grisalha em acrílico. E veio o convite, vieram Mário, Filipe, Max, André e Vivi...


No dia da tomada da Bastilha, a panda orgulhosamente apresenta Città Dolente. É uma exposição de pinturas, desenhos, escultura, gravuras, só sobre.... isso mesmo! O tiozão narigudo! As obras são inéditas, 29 obras, feitas especial e carinhosamente para nossa exposição, que consta da programação oficial do sexagésimo aniversário da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Vai ter filme, palestra, bolo de fubá... tudo que o Dante, os meninos e a Flávia merecem!


Parece um sonho... os demoninhos ganharam vida de novo, bem como Virgílio, os monstros todos, mais uma vez, desde 1320, o tiozão serve bem para servir sempre! O cartaz da expo pra vocês, estão todos convidados! Não é todo dia que os nego do Inferno voltam em cena!

Sunday, July 06, 2008

Bruxas, duendes e pandas

Nunca me afetei pelo clima new age que dominou a cena anos 90, melhor dizendo, da segunda parte da minha juventude. Nesses sofridos anos surgiram várias lojas esotéricas, vendendo roupas indianas, miniaturas de duendes em durepox e fontes de água pra gente pôr no escritório. Eu gosto de roupa indiana e até acho que as miniaturas dos duendes são simpáticas, mas meu ceticismo é bastante elevado, considerando o que o pessoal faz por aí.
Ontem, eu fui na Livraria Cultura do Iguatemi, lugar que me deixa com sentimentos contraditórios: por um lado é uma beleza um lugar desses em Campinas, por outro eu perdi a desculpa de ir passear na Paulista pra poder ver as novidades na Cultura do Conjunto Nacional. Enfim, como diria o poeta, minha alma é uma praia assolada por ventos em direções contrárias. Mas de qualquer forma é melhor ver os livros que eu não tenho dinheiro pra comprar, num sábado à noite, que ficar em casa vendo a parede. Vi uns livros da sempre simpática Márcia Frazão.
Antes que me crucifiquem, apedrejem, e me queimem viva, a simpática bruxa fluminense Márcia não ensina ninguém a contradizer as teses de Newton, de Einstein e da Física Quântica ( que são contraditórias entre si, nunca é demasiado lembrar). Só ensina a fazer bolo de fubá e tomar com chá de cidreira pra melhorar o ânimo, o que qualquer um pode fazer, e é barato e ninguém morre com isso. Realmente, bolo de fubá com chá de cidreira melhora o astral de qualquer cristão ou ateu, bem como derramar lavanda ( é, a melhor é a Johnson's, pra bebês) nos lençóis quando a gente troca a roupa de cama. Eu sempre gostei muito dessas coisas simples, como queimar um incenso, pôr Mozart, lavar roupa ou fazer biscoitos quando estou triste, mas andei tão, tão triste que nem essas coisas simples eu tava conseguindo fazer. E tava encarando tudo daquele jeito cinza e limitado quando a gente tá no bico do corvo, como se diz por aí.
É impossível prever o futuro ( mesmo que ele exista, segundo Einstein), bem como é impossível voar ( tirando a possibilidade de pegar um avião, segundo os cálculos de Newton), e é impossível impedir que coisas ruins aconteçam e que infelizmente, muitas vezes o pior aconteça. Mas pelo menos bolo de fubá com cidreira ajuda tanto a gente a levar essa vida lascada. Li umas linhas dela e me senti melhor, com mais ânimo pra cuidar da minha casa, de mim e das minhas coisas. E se existe bruxaria, o verdadeiro feitiço é esse.

Thursday, July 03, 2008

A panda no corredor da morte

Comecei a trabalhar aos quinze anos. Acho que já contei aqui em algum momento; fui trabalhar no Mc Donald's da avenida Norte-Sul, aqui em Campinas. A loja, até hoje, é um inferno digno do dantesco: zilhões de clientes chatérrimos do Cambuí e da Nova Campinas, mais uns transeuntes, o dia inteiro, os sete dias da semana.
Hoje passei pelo Mac da Glicério ( aliás, num lindo sobrado meio Art Nouveau) e vi os meninos ali na labuta. As meninas que ficam no balcãozinho do sorvete são umas heroínas, porque devem atender metade da população de Campinas num dia, e a outra metade no outro.
O Mac assinava carteira e pagava um salário mínimo. Meu horário era das quatro da tarde até as nove; eu era menor e não podia passar das nove, mas de fato acabava, todos os dias, fazendo horas extras, devidamente não pagas pelo meu empregador. Na época, a loja não era franquia: nós éramos funcionários, todos, da matriz mesmo. Depois um médico cheio da grana e da pretensa humildade arrendou a franquia. Mas enfim. Entrei no emprego e me deram a incumbência de fritar as carnes do Mc Chicken, Mc Fish, as tortas, os nuggets e montar os dois sanduíches. Tudo isso é feito, até hoje, num corredor no interior da cozinha que sai da cuba das batatas: cubas lotadas de óleo vegetal, que a gente tirava com uma pá e luvas, punha nas cubas e é aquecido a não sei quantos graus centígrados. Os pães ficam numas torradeiras, e a gente tinha pistolões de maionese. Tudo era muitíssimo limpo e o povo era muito chato com todas as regras de higiene, pelo menos na minha época era assim.
O problema todo eram dois gerentes, irmãos, que pegavam as meninas e levavam pro grande refrigerador, que devia ser do tamanho do meu apartamento. As meninas que aceitavam o assédio eram lotadas no balcão. Lógico que a pequena panda já era meio da pá virada e não aceitou fazer nada no congelador a não ser pegar latões de picles pros sempre atarefados e legais colegas chapeiros, os que ficam no pior dos serviços da loja: virar as carnes dos hambúrgueres e Big Mcs. Logo, os gerentes me deixaram para toda a eternidade no corredor do Mc Chicken, carinhosamente apelidado Corredor da Morte.
Pois é, meus caros. Eu ficava sempre no corredor da morte. Agora, pensem: se o pessoal chamava minha área disso aê, vocês podem imaginar o que era minha panda vida. Só não me mandaram limpar a caixa de gordura, o pior dos serviços imagináveis de toda a humanidade. Também era sempre solicitada a limpar o chão da cozinha, o que fazia com um esfregão que era do meu tamanho e ficava num balde que tinha o meu peso. Tinha dias que eu entendia perfeitamente o Chaplin nos Tempos Modernos: uma vez, uma chata cliente pediu Mc Chicken sem maionese, e eu simplesmente não conseguia impedir o gesto de pegar o pistolão de maionese e tacar no pão. Outra vez, me pediram uma virada, como a gente dizia, de 6 por 6: ou seja, montar a capacidade máxima da área, seis Mc Chickens por vez, até que o gerente que estava na produção ( o cara que embala os lanches e controla o fluxo de pedidos pra cozinha) pediu pelo amor de Deus pra eu parar. Resultado: no nosso break, ou seja, na parada pro lanche, todo mundo comeu Mc Chicken, me olhando feio.
A panda, seguindo sua tradição, ficou muito popular com o setor povão da loja, os chapeiros e o pessoal do fechamento, uns rapazes que trampavam em n outras coisas e chegavam às onze da noite, pra fechar a loja, ou seja, os doze trabalhos de Hércules. Eram uns rapazes afro-descendentes imensos, um verdadeiro time de basquete, que a gente chamava de Globe Trotters. Vendo meu prestígio com os chapeiros e os Trotters, um dos gerentes escrotinhos do assédio sexual refrigerado resolveu me exilar no lobby, ou seja, fazer a limpeza dos salões e atender pirralhos que deixaram cair Coca-Cola no olho das suas mamães.
Lá uma vez, no quartinho das vassouras, uma caiu na minha mão esquerda, abrindo todo o meu mindinho ( tenho a cicatriz). De novo, fiz sucesso com os clientes e os Escroto Brothers me mandaram pro pior dos exílios: dar as festas de criança. Os chapeiros, os Trotters e os lobbistas tentaram dissuadir os caras disso, e me olhavam com uma pena digna dos piores momentos dos gulags soviéticos. Entendi no primeiro dia, em que tive que animar e servir em quatro festas de criança seguidas. Só me arrependo de uma coisa que fiz: num final de festa e com o horário apertado, tive que falar para a mãe do aniversariante que precisava limpar o salão. Tinha ficado pra trás um menininho cuja mãe não aparecia. A mãe do aniversariante me passou um pito por ter falado na frente do garotinho, que tremia de medo. Foi a única vez que percebi o quanto o serviço me alienava: em condições normais de temperatura e pressão, eu mando a regra à merda pra não ferir uma criança, ou quem quer que seja.
Enfim, no frigir das tortas de banana, até que me virei bem. Um colega, uma vez, revoltado, bateu nas costas de um cliente maldito com a bandeija, em pleno estacionamento, no que foi silenciosamente apoiado por todos, inclusive os Escroto Brothers ( o cara era um filhinho de papai do Notre Dame que vivia pra nos humilhar). Porque a gente podia fritar batatinha, mas não era o Ronald Mc Donald!

Monday, June 30, 2008

Expresso duplo sem açúcar

Tem um conto muito bonito do Calvino, nos Amores Difíceis. É a história de uma jovem, casada há pouco, cujo marido viaja, que sai com umas amigas e acaba passando a noite com um rapaz, conversando, se divertindo. Ela chega no prédio onde mora e percebe que está sem a chave do portão, e não pode, sob pena de ficar falada pela zeladora, aparecer naquele horário. Daí ela vai para um bar na esquina, está frio, ela com a aba do casaco levantada e o rapaz esquentando a máquina do expresso.
Eu tô me sentindo assim, manhã cedo e eu esperando esquentar a máquina do expresso, batendo a colher de metal cheia de pó na pia e vendo a água ferver. Eu pensei num post muito bonito hoje de manhã, quando vagava pelo frio da cidade. Gosto das manhãs bem cedo. Aqui do lado de casa tem uma padaria muito velha, que passou incólume pelas reformas que deixaram as padarias todas com a mesma cara, a cara de quem fez cirurgia plástica. Eu tinha um colega muito querido que uma vez defendeu essa padaria da minha rabugice, dizendo que ela tinha cara de São Paulo: feia, velha e eficiente. E eu não saio de lá. Tá sempre aberta, e sempre com um café bom.
O post era sobre a escrita da História: o meu pensamento vagava em alguma frase do Marc Bloch, enquanto eu olhava um novo ângulo dum velho casarão. Tô fazendo coleção de fotos das coisas do chamado Ecletismo ( final do século XIX, início do XX) de Campinas, mas tem muito casarão, e hoje eu vinha descendo pela Ferreira Penteado, quase esquina da Barão de Jaguara, e vi que esse casarão tem janelas encimadas por carinhas de leões, muito bonito mas quase arruinado obviamente. Não sei, o post estava bem claro na minha cabeça, mas depois eu cheguei em casa muito cansada, deitei um pouco e acordei com a luz fraquinha do sol batendo na porta da minha sacada, e eu fiquei olhando a luz do sol e os meus dedos, e perdi o post.
Tô batendo o pó aqui. O cheiro da máquina, do pó de café. Eu acho que alguém deveria salvar a Amy Winehouse. Dani já me disse que isso é impossível, e não sei quem me disse que ela não quer ser salva. Concordo, mas ela tem uma voz tão bonita, enquanto isso a gente tem que suportar a Mariah Carey e a Celine Dion. Sei lá. Tem quem queira salvar as baleias, eu quero salvar as baleias e a Amy Winehouse.
O post também dizia que eu não acredito em historiador que não saiba narrar bem. Faz muitos anos que eu não leio tanto quanto eu deveria, leio muito menos do que quando era mais nova. Acho que a gente que trabalha com Humanidades sempre fica tão atolado com as leituras profissionais, e a escrita, que pára de ler com o prazer e o descompromisso que deveria. Mas o pouco que eu consigo ler, eu leio romances, biografias e historiadores. Eu adoro aquela coleção velha, ainda do Círculo do Livro, A Vida Cotidiana. Pode-se dizer que as teses apresentadas estão passadas e tal, mas eu gosto de livro de História bem escrito. Às vezes você sabe, por outra coisa, que as informações ali estão um pouco arredondadas pelo autor ( como no caso do volume de Roma, do Carcopino, que aponta a decadência de Roma como produto, dentre outras coisas, da decadência de costumes das matronas), mas essa é a grandeza do historiador. O cara apresentar a sua versão, a sua narrativa, não aquela coisa chata positivista do cara querendo te convencer que achou o documento que prova sei lá o quê, sendo que documento é a coisa mais fácil de manipular.
E eu termino ouvindo Eye of the Tiger, sei lá porque me veio na cabeça a imagem clássica do Sylvester Stallone como o Rocky Balboa. Tô de volta mesmo.
"Risin' up, back on the street/ Did my time, took my chances/ Went the distance, now I'm back on my feet/ Just a man and his will to survive/ So many times, it happens too fast/ You change your passion for glory/ Don't lose your grip on the dreams of the past /You must fight just to keep them alive"

Sunday, June 29, 2008

Lavou, tá novo

Pois é. Meninos, voltei!!!!!!!!!!!!!


Pensei muito esse tempo aí. Pensei, pensei, gastei fosfato da minha pobre cabeça. E como dizia, é nóis na fita! It's now or never!


Fui tirando pétala por pétala da flor do meu querer. E sobrou uma pétala para o Meio. Para o querer bem do blog dantesco. A panda tá de volta! Arredem as cadeiras! Escutem os trombones! Rufem os tambores! Kung Fu Panda is back!

Tuesday, June 03, 2008

Despedida?

Aos caros leitores do Meio do Caminho,


Eu fechei o blog de novo, como todo mundo viu, por razões pessoais. Agora abro pra dizer uma coisa importante pra vocês.


Apesar do Mezzo ter sido algo muito importante na minha vida, tenho pensado seriamente em deixá-lo. A razão mais forte é que eu não sinto mais vontade de escrever. Bom, pelo menos aqui, agora. Acho que todo blog tem prazo de validade: o Meio até durou bastante, três anos initerruptos de sucesso e alegria. Não sei ainda se é isso que eu quero fazer. Mas hoje, pela primeira vez nesses três anos, venho dizer que não tenho vontade de dizer nada. Um beijo carinhoso a cada um de vocês!

Wednesday, May 14, 2008

Educação

Estava eu tirando mais fotos de Campinas do Mato de Dentro de Jundiaí, eis que senão quando eu adentro a Praça Carlos Gomes, obra e graça de Ramos de Azevedo e dos mestres jardineiros Calixto Marin e Juvenal Kirstein ( maiores informações no http://www.campinas.sp.gov.br/cultura/patrimonio/bens_tombados/processo_001_95/ ), quando de repente elegante criaturinha de penas respeita a placa, coisa rara nas terras da antiga Vila de São Carlos. Depois uma bonita menina de boné me informou se tratar de uma garça. Uma garça em pleno centro de Campinas, que respeita a placa e não pisa na grama!

Monday, May 12, 2008

De joelhos

Faz tempo que eu ando pensando em fotografar algumas coisas em Campinas.

Não morro de amores pela cidade. É cara, violenta, sem nada pra fazer e cheia de um espécime raro de gente chata: os campineiros. Enfim. Mas o fato de não morrer de amores não significa detestar e não ver nada de bom, como muitos. Tenho um carinho ilimitado por algumas coisas. E dentre essas coisas tem uns cantinhos no centro da cidade, que são de um outro tempo.
Um tempo em que Campinas, rica e orgulhosa, se dava ao luxo de nem se importar com a primeira exposição de Lasar Segall, a rigor, a primeira exposiçao de arte moderna no país. Simplesmente porque a elite daqui era muito mais escolada, viajada e quetais que a paulistana, que levaria uma porrada quatro anos depois, com Anita Malfatti. Viagens de historiador à parte, eu me comovo com algumas coisas da arquitetura, do tempo que a cidade era toda art-nouveau, e resplandecia no dinheiro do café.
Pois hoje eu estava com a máquina na mochila e idéias na cabeça. Comecei fotografando algumas coisas de perto da Estação Ferroviária, inclusive a própria, e fui descendo o calçadão da 13 de Maio. Como nunca ninguém fotografa nada nessa cidade, logo eu própria, a pandinha velha de guerra, virou atração turística, com sua mochilinha vermelha e cachecol azul.
O povo parava pra me ver e ficava observando. Fiquei meio cabreira porque sou desligada e pra me assaltarem seria um pulo. Alguns encaravam feio, achando que tava tirando fotos das mercadorias nas lojas; meninos ficaram um tempão me vendo fazer contorcionismos pra tirar foto de um singelo hotelzinho art déco, perto do Terminal Central de ônibus, que, junto com o Fórum e a Prefeitura, concorrem ao título de coisa mais feia no universo conhecido ( junta com o Shopping Dom Pedro e teríamos os Quatro Horrores da Humanidade)...
Fui descendo e clic, clic, e os populares ali. Consegui bater fotos do lindo e destruído Palácio da Mogiana, e de um sobradinho que o povo pintou de laranja apaga-a-luz. Sim, porque existem tradições campineiras que são mantidas à risca: ninguém fotografar o centro, podarem tanto a copa das árvores que acabam matando as coitadas, e gastar a cartela inteira da Suvinil e escolherem as piores cores pra pintar tudo ( vide a linda Escola de Catetes, no Chapadão, sempre em rosa bebê, o que avilta a fama já aviltada da nossa urbs).
Pois bem, na frente da Catedral Nossa Senhora da Conceição ( cuja história é interessante: dentro, do início do século XIX, fora, do início do XX: dentro, em cedro, oficina baiana que fez Senhor do Bonfim, fora, risco de Ramos de Azevedo), sai a rua Conceição, que logo ali encontra com a Barão de Jaguara. Na esquina, está um casarão, que hoje é uma farmácia. Pois bem. Quis tirar uma foto de algo que sempre me encantou; o medalhão que encima a fachada, e que fica espremido, hoje, por uma horrenda placa. Tentei do outro lado da rua e não obtive sucesso. Só que detalhe, duas da tarde de uma segunda-feira, eu no coração da velha Campinas do Mato de Dentro de Jundiaí, Ponte Preta que perdeu de novo, aquilo tava mais cheio de casamento de pobre.
Tento e só dá fio do poste, neguinho me empurrando, os negos da farmácia achando que eu tava tirando foto de prateleira de remédio ( ó Senhor, pra quê?), uma chata com um carrinho de bebê, uma multidão dos jovens da Toca de Assis, e um mendiguinho que achava tudo um barato. Vou pro outro lado, e passa carro, resolvi ir pra perto e tentar, mesmo sem muito recuo, pegar uma imagem. Nada, recuei o zoom da máquina, até que...
Sem perceber, fiquei de joelhos. Foi algo surreal, no meio daquela gente toda, eu de joelhos, mochila, cachecol, e de joelhos, na esquina da Conceição com a Barão de Jaguara, tirei essa foto aí de cima. Não é Paris, meus amores; sim, é Campinas.

Monday, May 05, 2008

O pulo de Guido


Boccaccio nos conta, no Decameron, que de certa feita o poeta Guido Cavalcanti, amicíssimo de Dante e homenageado pelo tiozão na Comédia, estava a andar por Florença, quando perto dos túmulos do cemitério foi atacado por jovens inúteis da cidade, em seus cavalos. Os jovens desocupados quiseram pegar o poeta, que cortesmente se despediu e, dando um salto e uma pirueta, saiu voando e fugiu por entre as sepulturas.

Ítalo Calvino, nas suas Seis lições americanas, que aqui no Brasil sairam como Seis propostas para o próximo milênio, dedicou um belo texto ao caso, sob o título e na qualidade da Leveza. Segundo Calvino, a marca da poesia de Guido era justamente a leveza, ou, como num poema seu, a singeleza de um floquinho de neve, de uma gota de chuva na vidraça, de uma borboleta amarela no caminho ou de um pouquinho de queijo ralado em cima do macarrão na manteiga. A leveza, segundo Calvino, era atributo dos heróis e dos deuses: basta pensar em Perseu, cavalgando Pégaso pelos ares, ou de Hermes e suas sandálias aladas. Porque a leveza não vem da superficialidade, como alguns se permitem supor: como diria Bashô, vem do pulo da rã no tanque.

Hoje eu acordei, fiz a lista dos meus afazeres, preparei um capuccino bem cremoso, e me deitei enroladinha no cobertor azul. E pensei em várias coisas, no meu trabalho e na minha vida, nos últimos anos. Pensei, com muita clareza, que meus anos do doutorado foram uma incursão num mundo de trevas, de dor, de destruição e angústia: esse Meio do Caminho tudo registrou, anteviu, e discutiu. Eu me sentia pesada, em todos os sentidos. Nunca tive o dom, meio paranóico, de ver/antever adversários, oponentes, ou meros mauricinhos de Florença em seus cavalos cheios de plumas. Me sentia pequena, insignificante, a ponto de estar sempre fora das competições, dos torneios da vida acadêmica. Hoje sei que nem tanto ao mar, nem tanto à terra: sim, continuo sendo alguém de posição muito modesta, mas que encontrou jovens florentinos pelo caminho sim. A sorte é que, no último minuto, meu último pulo me levou rumo a um novo caminho, a este novo caminho que o Meio registra também, em sua generosidade.

Numa de minhas novas tarefas, descobri algo muito lindo: um manuscrito florentino, circa 1427, do Decameron. Está guardado na Biblioteca Nacional da França, sob o tombo de Ms.Italien 63. Dá pra ver todas as ilustrações dessa maravilha no portal Mandragore, em http://www.bnf.fr/. Digitar Bocacce, se não não vai. Ficou inacabado, mas é uma jóia, e ver Boccaccio ilustrado é como ver o tiozão ilustrado: ou seja, uma panela cheia do melhor macarrão, ou uma noite de amor daquelas! Porque todos nós temos que ter um pulo de Guido.