Tem uma música que eu gosto, há muitos anos. Do Steve Winwood, Back in the high life again.
Essa música traduz muito do que sinto, nos últimos tempos. De volta à vida. Depois de tantas perdas, hoje sinto que o saldo tá começando a positivar. Minha psicanalista dizia pra mim que era do meu feitio ver tudo sempre no negativo. Mas é aquela velha história, copo metade cheio, metade vazio...
Agora, tem outra frase que eu gosto muito. Está no Memórias de uma Gueixa, o livro, não o filme: a adversidade é como um vento forte: ela não apenas nos afasta dos lugares onde queremos ir, mas também do lugar onde estamos. Ok, ok, tudo isso é clichê da cultura de massa internacional, Adorno se reviraria do túmulo agora. Não posso evitar de ser uma pessoa meio óbvia. O fato é que depois de tantas ventanias, de tantas perdas, eu sinto que meus pés estão mais firmes, e a subida, mesmo que íngreme, compensadora: começo a ver paisagens, horizontes e possibilidades. Começo a ver, depois de tanta neblina, e estou tão feliz por isso. Fico feliz por não ter desistido, mesmo nos momentos mais difíceis, de ser eu mesma e de querer o que quero, porque é tão simples.
Ando tendo conversas significativas, e isso é ótimo, mais que perfeito. Vejo o que desejo, e não vou me culpar por isso. Quero voltar, abrir portas que fechei, ver pessoas, escancarar sentimentos. Não tenho culpa pelo que sinto, pelo que vivi e por quem sou. Não, não tenho, mesmo que alguns fiquem no desagrado. Estou de volta.

5 comments:
Sempre acho que arroubos de otimismo indicam ilusão. Prefiro o pessimismo para me manter crítico.
O que eu sinto não é um arroubo de otimismo: é real, as coisas realmente estão melhores pra mim! Baci!
a gente acha que o problema está sempre nos outros [clichê, clichê, clichê], mas quando a gente pára de se culpar, as coisas ficam incrivelmente mais bonitas.
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arroubos de otimismo podem indicar ilusão, mas se eles são mais bonitos do que os de pessimismo, fico com eles.
Pessimismo é tão ilusório quanto ser Poliana demais. O segredo é saber equilibrar as coisas. Para cada ocasião, um sabor de chá diferente...
Parece que nessa eu perdi. Mas não é pessimismo por pessimismo. É só o necessário pra não parecer idiota. O pessimista de verdade, pra ser coerente, tem de cometer suicídio. Ou seria um tipo de pessimista de passeata.
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