Como sempre, ando perdida em pensamentos. Mas tive que enfrentar umas coisas não muito agradáveis, pro meu próprio bem, nos últimos tempos.
Durante muito tempo, tenho que confessar que preferi ser a dama de companhia, ou a amiga engraçada, a coadjuvante nas histórias de amor, de sucesso profissional, de viagens, de algumas amigas queridas. Eu sempre dava um jeito de estar perto, de ajudar, de torcer, de desejar tudo de melhor da vida para elas. Cheguei a agir, de forma concreta, no sentido de estabelecer uma ponte entre o que elas diziam querer e seus objetivos; às vezes essas pontes eram pontes Rio-Niterói, grandes construções da ditadura militar, muito concreto e milhares de operários nordestinos socando a lenha, noite e dia.
O que ocorre é que, nos últimos três anos, essas amigas se afastaram de mim, por motivos vários. Em alguns casos, evidente que me senti rejeitada, sozinha, e injustiçada. Mas, faz algum tempo, percebi que a responsável de toda a situação era eu mesma. No final, quantas vezes eu preferi não pensar nas minhas coisas, não correr atrás do que eu queria, não encarar o que me fazia sofrer.
Um amigo queridíssimo me disse dia desses, foque nos seus sonhos e nas amizades lindas que ficaram. Sim, ele tem total razão. É isso em que consiste o pão de cada dia, a matéria da vida.
Em cima, da série fotos panda ao redor do mundo, a entrada de um sobrado em Golden Coast, na Chicago que tanto amei.
Hoje, me sinto em alguns momentos solitária, sozinha, vazia. No final, fugi tanto dos meus sonhos, e eles é que me fizeram companhia, mesmo relegados ao terceiro, quarto plano; eles permaneceram comigo todo esse tempo. Sou grata a eles, por terem me acompanhado mesmo assim, por não terem morrido, por existirem com tanta força e beleza quando me apareceram pela primeira vez. Vi num relance, numa livraria, um livro de auto-ajuda entitulado "Dá trabalho ser feliz". Sim, dá. Muito.

4 comments:
Oi Paula
Faz milênios que nao comento aqui, embora vez ou outra eu passe pra dar uma olhada nos novos posts. Menina, que tristeza é essa? que angustia é essa? que dificuldade é essa em aceitar a felicidade?
Seus sonhos nao te abandonaram, isso é o que importa. O povo é estranho, as pessoas sao neuróticas, todo mundo tem seu problema, nem todo mundo é mau, mesmo que as vezes pareçam ser.
Deixa tudo isso de lado, pq vc nunca vai entender o que levou fulano a agir estranhamente com vc,a humanidade tem problemas sérios de comunicação desde que inventaram aquele ditado que diz "pra bom entendedor meia palavra basta". Fala sério, nem um livro inteiro de explicações as vezes basta, quiçá meias palavras... ahf
Se em campinas se esgotaram as possibilidades, vai pra outra cidade, pra outro estado, e se mesmo assim nao der, vai pra outro país oras. vc é super qualificada, nao tem do que ter medo.
faça tudo o que vc tem vontade de fazer, pq o tempo passa e nao volta, isso ajuda a ser menos triste.
Um abraço,
Perere
Sim, dá trabalho e é preciso audácia. Mas você chega lá, Pandinha, aposto que sim.
Pererê querido, senti sua falta.
Eu concordo em gênero, número e grau contigo. A humanidade tem sérios problemas de comunicação.E eu tenho um problema sério, eu acho que tudo que me é dito é dito após grande reflexão, quando eu mesma não reflito tanto antes de falar. Tenho que maneirar, eu às vezes pareço um rabino do Kafka, dou importância pras palavras.
Eu tô numas de ir embora faz tempo. E já comecei a ir. É estranho, mas faz uns meses que não faço certas coisas, não falo com certas pessoas e tá me fazendo bem. Tô seguindo meu coração, minha vontade. E tá legal. Tá bem legal. Coisas novas, e eu fico muito, muito, feliz com as tuas palavras. Beijo enorme, meu amigo lendário preferido!
Ó Pictor, ó venerável. Lembrei de você seguidamente, quando estava vagando pelos bas-fonds de la antiquité, com a Catherine Salles.
É necessário audácia para cruzar os mares, com tantos piratas fenícios. Mas acredito que com força de vontade, nossas tropas chegam ao estreito de Gibraltar sem grandes sobressaltos!
Lindinha, eu tô aqui!
Post a Comment