Uma vez sonhei que estava no Inferno, abraçada ao Grande Lúcifer. Era tudo escuro e ele era peludo, pêlos longos de velho urso de pelúcia. Estava bom lá, quente e escuro, mas de repente pensei, aqui não é o meu lugar. E comecei a rezar Pai Nossos, e a cada Pai Nosso eu subia, subia um pouco mais. Me desgrudei do Caramunhão e passei a ver uma luz forte lá em cima. O Inferno era um grande poço, e eu subia, subia, à medida das orações. Terminei o sonho lá em cima, na luz.
Outra vez sonhei que tinha morrido. E estava num lugar como a Unicamp. Era igual à Unicamp, um lugar de estudo, com muita gente. Era como a Biblioteca Central, e eu consultava grandes listas, como listas telefônicas, amarelas, cheias de nomes. Procurando pelo sobrenome, vinha a lista de todas as pessoas de uma família, mortas, vivas ou a nascer. No meu sobrenome, vi uma lista e no final, o nome de dois homens, com datas vazias. Alguém ao meu lado me explicou que eram os nomes de pessoas que iriam nascer. E fiquei feliz e pensei, mas são meus filhos! E depois constatei que não, seriam meus sobrinhos, porque afinal eu já estava morta.
Mais um sonho, o último. Sonhei que o velho Instituto de Filosofia e Ciências Humanas era o prédio da minha infância. Eu subi as escadas e cheguei ao último andar. Lá, vi, à direita, o homem que amei sem ser correspondida por alguns anos, chegando, de preto, muito gordo. À esquerda, vi minha amiga querida Dani, de preto também, muito magrinha. Ela me disse: isso aqui não dá mais pra gente, essa estrutura aqui tá velha, passou, datou. Vamos embora. E me pegou pela mão e começamos a descer as escadas rápido. Meu antigo amor foi atrás da gente, e a certo momento disse, mas espera, eu ajudo vocês a descer. E nos pegou nas costas, e nos levou para fora.

1 comment:
Vc também fuma?! Não sabia! Muito bom, né?! Acho que vou comprar um mesmo... ficarei pobre, mas...
Ah, muito interessante o segundo sonho!
Bjo!
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