Monday, March 27, 2006

Águas passadas não movem moinho, mas a SANASA cobra

Às vezes, tantos anos passam diante da minha frente... tantas coisas. Tantas recordações. Algumas eu perdi no meio do caminho, outras se transformaram no pão de cada dia, outras incomodam tanto que ficam anos na gaveta, até um dia ressurgirem e reabrirem feridas.
Tantas coisas... mas não dá pra viver no e de passado. Quero planejar meu futuro. No sábado, meu irmão veio, de Belo Horizonte, e estava na casa da minha mãe.
Quando meu irmão nasceu, eu tinha dois anos. Ele foi o meu grande afeto na infância, era tão ligada a ele que na hora de pôr o caçula na escola, a coordenadora pedagógica do colégio aonde eu estudava aconselhou meus pais a matricularem o pequeno em outro lugar, porque senão eu o sufocaria de mimos e atenções na hora do recreio. Eu sou uma Felícia, aquela menininha psicopata do desenho animado, que ama e aperta tanto os bichinhos que os esfola vivos. Dá vergonha, eu não consigo me controlar, se gosto de alguém chego a ser meio agressiva.
Depois, na adolescência, o meu grande amigo se transformou em alguém que a princípio me odiava, e depois demonstrava uma frieza tão grande que me desconcertava. Tivemos uma fase terrível, depois que nosso pai se foi. Ele chegou a fazer coisas muito horríveis, mas depois que saiu da casa da minha mãe, meu irmão vem se tornando em alguém afetuoso, às vezes engraçado, que me surpreende. No sábado, eu combinei de ir almoçar com eles na casa da minha mãe. Estava com muita enxaqueca, e liguei pedindo uma carona. Meu irmão veio me buscar, com torcicolo e tudo, e quando eu entrei no carro, pela primeira vez em muitos anos, ele me sorriu um sorriso igual ao da infância.
Eu sei que as coisas não são perfeitas. Que a vida é difícil. Sei que sou muito equivocada, que tenho defeitos graves e que muitas vezes errei. Mas também sei que depositei muito, muito afeto, em muitas situações, com muita gente. E é engraçado, você planta aqui, colhe ali. O mundo não é tão caótico quanto parece. Um sorriso, um abraço, um olhar de boa vontade. E você ganha o dia e conquista um continente.

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