A escritora nesse livro defende a seguinte tese: de que uma mulher ( e homem também, o ser humano de forma geral), para escrever, precisa de um canto seu. Precisa ter um espaço físico e psicológico para ficar ensimesmada. Não adianta, enquanto a realidade te cobra lá fora ( é faxina, é família, é conta pra pagar, é almoço pra fazer) você não tem tempo nem cabeça pra adentrar no mundo das letras.
Por vários motivos, nos últimos anos dei aulas, muitas aulas, trabalhei em livraria, em instituto de pesquisa, etcs, etcs. Desde a minha experiência em Chicago, vivo algo inédito: eu escrevo pra viver. Literalmente. Nesses meses do verão, pela primeira vez precisei atender com urgência a FAPESP e encomendaram artigos pra mim. Os da Folha Popular ( a primeira coluna sai essa semana) e outros, que mais pra frente eu aviso aonde vão sair.
É legal e ao mesmo tempo, estranho. Minha casa virou uma bagunça. Nada da arrumação perfeita que minha mãe e a Luiza davam enquanto eu estava fora o tempo inteiro. Vivia fora de casa. Só nos finais de semana reparava no quanto meu apê era uma casinha de bonecas. Agora tudo está uma grande zona de guerra. Uma amiga veio aqui essa semana e eu vi pelo olhar que ela lançou no meu escritório que tudo está uma verdadeira peroba.
Eu, que vivia nas Renner, C&A e brechós da vida tendo que me virar pra me vestir pra trabalhar, agora uso as mesmas roupas velhas de guerra. Me dei conta essa semana que preciso comprar alguma coisa, volta às aulas, seminários e congressos e eu não posso usar a mesma saia florida que já está no bico do corvo.
Por outro lado, não me aborreço mais com gente chata que precisava encontrar, com cafés intermináveis, com o trânsito, com coordenadores pedagógicos e alunos rabugentos. No fundo, quer saber? Gosto de escrever pra viver.

3 comments:
todo dia venho aqui, Paulinha.
sobre seu post de hoje,nao vale o vice-versa. tenho meu canto, mas nãos consigo escrever. a bagunça impera. nas estantes e na alma.
beijos.
maria amélia
Bom gente, gostaria de deixar claro nesse espaço que a nossa querida Panda samurai não é inteiramente responsável pela bagunça da quitanda, já que eu, futuro conjuge, me instalei por aquelas bandas e promovi algumas pequenas "reformas"... Algumas eu acho que ficaram boas, mas outras, como a tevê no escritório, foi mancada mesmo... Prometo publicamente dar um jeito nisso essa semana!
Prometido e cumprido!!!
Te adoro dudu...
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