Sunday, June 12, 2011

Roque ên roul

Como já disse aqui, neste mal parado blog, a veneranda panda campineira estudiosa do Inferno de Dante começou sua carreira de historiadora aos 13 anos, quando, intrépida, gravou em cassete uma narrativa da História do Rock and Roll, de sua própria lavra, citando Chuck, Elvis, The Beatles e o que mais pudesse citar, na sua condição de autora da periferia do gênero. Sem discos, sem dinheiro pra ir em nenhum show e apenas com a programação das rádios de Jundiaí a sua disposição, eu gostava de U2, o que correspondia ser a vanguarda do conhecimento roqueiro entre minhas amigas.

Passaram-se os anos e o rock se tornou algo esporádico na minha vida de ouvinte eclética e desordenada. Too old to rock and roll, too young to die, sabe cumé.

O último mês, acreditem ou não, passei montando aulas sobre... a História do Rock. A primeira parte foi de Chuck a Creedence, e a segunda, de The Who a Faith no More. Já o rock no Brasil ficou extraordinário: de Celly Campelo a Casa das Máquinas, e de Secos e Molhados a RPM...

Me dei conta que, durante todos esses anos, a velha panela do demônio me acompanhará para todo o sempre, mesmo eu hoje sendo uma senhora com cabelos brancos, contas em dia e trabalho sério na praça. Porque, quando ouço rock, eu sou eu mesma.





Sunday, May 01, 2011

Eu, e os amantes de Verona

Sempre choro quando leio esse trecho:


“Romeu, Romeu? Por que és Romeu? Renega teu pai e abdica de teu nome; ou se não o quiseres, jura me amar e não serei mais um Capuleto (...) Teu nome apenas é meu inimigo. Tu não és um Montecchio, és tu mesmo (...) Ó! Sê algum outro nome! O que há num nome? O que chamamos uma rosa teria o mesmo perfume sob outro nome (...). Romeu, renuncia a teu nome; e em lugar deste nome, que não faz parte de ti, toma-me toda!"
Ato I, Romeu e Julieta, William Shakeaspeare

E eles esperaram um tempo em que o amor vencerá... como eu espero, também.

A canção do filme de Zefirelli, o clássico:
http://www.4shared.com/audio/BSXzxiSf/Johnny_Mathis_A_Time_For_Us___.htm


A versão em italiano de A Time For Us, do Josh Groban:
http://www.4shared.com/audio/KqhaZbMC/Josh_Groban_-_Un_Giorno_Per_No.htm

Wednesday, April 27, 2011

Desejos



Um dos cursos que ministro esse semestre é de Arte Oriental. É a primeira vez que tenho a oportunidade de estudar Arte Chinesa, Japonesa, Indiana... tenho aprendido tanto, tantas coisas interessantes, que mesmo nos momentos de cansaço até físico por conta da maratona que virou meu cotidiano, estou animada e as pessoas dizem que estou com uma cara boa. Enfim.

Ontem, por exemplo, era uma da manhã e eu não tinha decidido o tema da aula de hoje. Depois de um mês de Arte Chinesa ( e tardes no scanner da Unicamp, porque não há um site que preste que traga imagens boas da Arte do Grande Império), resolvi então passar para o subcontinente indiano. Semana passada, investi numa Introdução ao Budismo, então passei os olhos na Wikipédia e encontrei um universo de sonho...

No centro da Índia, na região de Dekhan Norte, existem 31 cavernas, no meio da selva, decoradas com pinturas e esculturas sobre a vida de Sidarta Gautama, o Buda, datadas do século II antes de Cristo. Ficaram esquecidas, depois do século V da era cristã, e um cidadão inglês chamado John Smith as encontrou, no século XIX, caçando tigres. Desde 1983, aprendi, as Cavernas de Ajanta são Patrimônio Universal da Humanidade, tombadas pela UNESCO.

Enchi os olhos com as belezas de Ajanta. São tantas... vale a pena googlar Ajanta Caves. A pintura de cima, por exemplo, representa Sidarta e sua esposa. São elefantes, Budas, Bodhisattvas, arte erótica, pinturas murais a têmpera, grandes colossos de pedra, pequenas figurinhas policromadas... escadas, terraços, a multiplicidade das encarnações de Sidarta, sua iluminação e seu legado infinito. Um oceano de informações, que banhou minha praia de desejos.

Tuesday, April 26, 2011

Tá tudo explicado

Fazia tempo que não lia o Xico Sá. Li bastante o blog dele, quando este aqui dava seus primeiros passos, no longínquo ano de 2005, em Chicago. Hoje, perambulando pela página inicial do UOL, vi um post divertidíssimo dele, num blog novo que ele abriu no portal.

O cara entrevistou Paulo César Pereio num jogo de sinuca. Cito textualmente porque é uma pérola da sabedoria universal:


"-Chegou mulher bonita começa a dar merda no ambiente- Pereio admoesta a diva que flana em volta da área da sinuca.

Homem que é homem não chama uma moça à atenção, homem que é homem admoesta, mata no peito, desliza na coxa, e faz do pito uma tese dramática de catega, jamais uma cantada, tão-somente uma isca para movimentos futuros.

É o que nos professa o cara, agora já retomando a sua melhor fase no jogo depois do alumbramento com o mulherio."


Sunday, April 17, 2011

Je suis malade...

Outro dia, uma pessoa que me fez muito mal perguntou de mim para uma amiga muito querida. Essa pessoa disse, como vai a panda e tal, ela é muito competente profissionalmente, mas tem sérios problemas psicológicos, não é mesmo, etc. e tal. Minha amiga ficou horrorizada e imediatamente respondeu que eu estava ótima, e que todos nós, incluindo ela mesma e a pessoa dos infernos, temos problemas psicológicos.

De fato, os leitores vão compreender que a pandinha estudiosa do Inferno de Dante tem motivos para ter sérios problemas psicológicos, com gente falando assim de mim por aí. E gratuitamente, nunca fiz nada pra essa criatura dedicar um tempo de sua existência me ferrando e reforçando a velha fama da panda doida de pedra.

Sinto muita dor ao pensar que minha fragilidade ficou tantas vezes exposta pra tanta gente ruim, que tanto do meu sofrimento virou piada, motivo de riso sarcástico. De fato, eu tenho sérios problemas psicológicos, pensei, no meio de uma crise de choro, pensando nas coisas que só eu sei o quanto doém, o quanto sofro pelo sofrimento meu, mas principalmente dos outros.

Hoje, foi um desses dias que acordei, respirei fundo e pensei, não estou sozinha nessa, Serge Lama cantou o que eu sinto, há tantos e tantos anos atrás.
http://www.4shared.com/audio/fySdXcxS/Serge_LamaJe_suis_malade.htm

Sunday, April 10, 2011

Vermelho com chuva

Hoje fui ao velho Piratininga natal. Faz uns anos que minhas (raras) visitas a São Paulo se restringiram a compromissos profissionais, e visitas a amigos queridos. No quesito lazer, fico entre tirar fotos mentais da arquitetura paulistânica ( em breve paro com essa mania de esquecer a máquina em casa) e uma coisa que eu não consegui abrir mão, mesmo em períodos de penúria financeira: torrar dinheiro na Liberdade, comprando estojos do Chococat, canetinhas da Pucca, sabonete e maquiagem na Ikesaki e comidas em geral na Marukai. Não vivo sem meu chiclete da Hello Kitty e meu biscoito do Koala, bem como os chás medicinais chineses da loja cujo nome de fato eu nunca vou conseguir pronunciar.

Claro que a pandinha honra a tradição e come também um espetinho, um tempurá, um guioza básico na feirinha que cada vez mais entope de gente, ou pior, desce a linguagem de sinais nas moças do Shi Fu, restaurante chinês venerando do bairro onde absolutamente nada, nada, está em português, vem sempre toneladas de comida boa e que custa nada ( o imperialismo chinês, de fato, crianças, é uma coisa muito impressionante).

Hoje, então, circulei pela Liberdade na maior chuva. Geralmente, eu detesto sair na rua com chuva, outro dia peguei um toró no centro de Campinas e fiquei super aborrecida. Mas não, embaixo daquela água, na Liberdade, eu estava total, e puramente, feliz.

Thursday, March 31, 2011

O retorno


E os dois vates sempre retornam às plagas do reino de Lúcifer, acompanhados por nós, que tanto os amam. O grande estudioso austríaco radicado no Brasil Otto Maria Carpeaux lia a Comédia todos os anos, começando o Inferno no dia que "il fiorentino di nascità" o inicia: na Sexta-feira da Paixão. Seguindo a tradição, então, mais uma vez nos perdemos na selva oscura...

Aí em cima, Dante e Virgílio, Canto I do Inferno, no Manuscrito Yates Thompson 36 da British Library, feito em Siena, cidade que, segundo os registros, viveu um cidadão que se dizia filho natural do poeta Dante Alighieri... bom, segundo o biográfo e amigo Giovanni Boccaccio, o viúvo de Gemma Donati fez imenso sucesso com as mulheres em seu exílio. Acredito totalmente no Boccaccio, porque 7 séculos depois o tio faria sucesso instantâneo com certas pandinhas campineiras!

Wednesday, March 30, 2011

Simples

Mês de luta. Coisas deram errado e eu tive que recomeçar, do zero, algumas vezes. Mas hoje fui tão feliz, mas tão feliz, que valeu a pena. Simples assim.

Friday, March 04, 2011

O que eu quero

Tua companhia
A luz do sol poente
Cheiro de mato, brisa
A paz, amor.

Vincent Van Gogh, Passeio ao crepúsculo. Óleo sobre tela, 49,5 x 45,5 cm. São Paulo: MASP.

Tuesday, March 01, 2011

As palavras de amor

Quando eu era pequena, a gente lá em casa tinha um Gradiente prateado, e o rádio ficava ligado o dia inteiro. As fitas cassetes, laranja, da BASF, ficavam engatilhadas pra que, quando tocasse uma canção que alguém gostasse, qualquer outro apertasse o famigerado REC junto com o Play. Claro que na confusão da Saudosa Maloca, neguinho fatalmente cortava a música dos outros, o que gerava homéricas discussões.
Mas algumas músicas, artistas, eram unanimidades. E um desses, claro, era o Queen. E uma dessas, claro, era Las Palabras de Amor.
Eu ouvi durante anos essa canção numa das velhas fitas lá de casa. E quando tocava no rádio ( o que era raro) meu coração sempre se enchia de espanto: para mim, um paradoxo de pessoa tagarela e tímida, era inconcebível falar palavras de amor. Na minha cabeça, apenas um Lord Byron seria capaz de expressar o que eu sentia no fundo do coração, e claro, na minha cabeça tais palavras, mesmo se existissem, não seriam correspondidas. E também, claro, pra mim não existia a possibilidade de um homem dizer tais palavras pra mim.
Fui crescendo e aprendi que os poetas escrevem tais palavras, o que sempre me deixou muito grata a eles. E pra mim os ingleses do Queen também eram bardos, comparáveis aos companheiros do Dante, na Florença guelfa e malcheirosa dos inícios da era moderna. Na verdade, desde que os pastores da Arcádia cantaram seus amores, todos que falam as palavras de amor estão nessa bela tradição.
Hoje, chove. Hoje, eu me perfumei, pus um velho vestido. Hoje, ainda, eu não tenho coragem de falar as palavras de amor que eu quero tanto. Mas qualquer hora dessas, eu serei capaz de dizer o que sinto, no meio de um abraço, no meio de sorriso e de lágrimas.
http://www.4shared.com/audio/8Sox1QIN/08-Las_Palabras_De_Amor.htm

Saturday, February 26, 2011

Gincana

Semaninha difícil. Sabe, daquelas semanas que parecem gincana? Aquela gincana de colégio, em que sua equipe não tem tempo, dinheiro, união, saco, nada, pra poder cumprir as tarefas malucas boladas pelos professores pra se vingar da criançada? Pois é. Essa semana, me senti numa gincana do meu colégio, com a camiseta da equipe vermelha, correndo atrás de uma peruca preta, de um LP da Fafá de Belém e de uma receita de bolo de fubá cremoso escrito por uma avó.
A semana inteira foi permeada pela sensação de estar no lugar errado, fazendo tudo errado. Me senti deslocada o tempo inteiro.
No lado errado do espaço-tempo, no buraco errado do universo de Newton, passei a semana na minha gincana dos desesperados. Domingo, antes mesmo da gincana começar, tropecei no cadarço do tênis Conga e levei um puta tombo: consegui cortar o dedão da mão esquerda com a faca de pão, e estou até agora com três pontos adornando o dito.
Segunda-feira, foi a tarefa da peruca preta. Retomei a rotina de ir dar aula, e na primeira fase tudo estava bem. Mas... primeiro dia de aula em universidade, sabe como é, o povo quer dar trote nos bichos e daí, armou-se a confusão.
Terça-feira, foi o dia do LP da Fafá de Belém. Ou seja, o dia do nada de ruim mas nada de bom também, sempre tem um tio com um LP da Fafá de Belém perdido.
Quarta-feira, porém, foi de lascar o carbureto. Foi o dia de tentar achar a receita da avó. O problema todo reside que avó de verdade não anota receita, faz o bolo de cabeça, e daí você tenta fazer de novo ou tenta arrancar da santa velhinha a receita e nunca, nunca, nunca vai dar certo. Enfie isso na sua cabeça de uma vez por todas.
Quinta-feira, seria o dia de conseguir um autógrafo de um jogador de futebol. Tive sorte, virei a esquina e encontrei um, no seu carrão cheio de loiras. Valeu tudo.
Sexta-feira foi o dia das últimas tarefas, e de levar tudo pro ginásio. E no final, sabe, no finalzinho do segundo tempo, a equipe amarela deu o bote e roubou nosso LP da Fafá de Belém. Foi aquele Deus nos acuda, aquele "empurra o Juquinha filho da puta que ele levou a peituda embora". Cacete, dureza total.
Já no sábado, posso dizer que o LP da Fafá foi resgatado, e eu ganhei a gincana. Veremos a semana que vem. Torçam, caros leitores, pra eu achar fácil um vídeo de uma bailarina caindo, um estoque de jacas maduras e 35 pirralhos que queiram fazer uma coreografia da Gretchen.

Sunday, February 20, 2011

Vai entender


Eu sou uma pessoa muito inconseqüente. Acordo todos os dias, no meio dessa puta crise internacional ( Europa indo pro brejto, Egito em chamas, agora Líbia, Marrocos, acredito que até em Mônaco o bicho tá pegando), com uma só coisa na cabeça: a Casa da Bóia, a legendária Casa da Bóia, a loja de ferragens e afins na rua Florêncio de Abreu, no velho Piratininga natal, que tem a fachada mais ornamentada de todos os tempos. Taí em cima uma fotinha de 1920 que não me deixa mentir, a Casa da Bóia é talvez o maior símbolo dos edifícios que eu tanto amo, em São Paulo, Campinas, Rio, Paris, Buenos Aires, Piracicaba, e afins.
Meu venerando amigo Luís Fernando já me disse que se eu começar a abraçar prédio velho e me jogar no meio da rua pra impedir demolições, ele não me dirige mais a palavra. Temo que o momento da ruptura dessa velha amizade esteja próximo; só consigo pensar ( sofro, além de asma e miopia, de TOC) na Casa da Bóia. Se algum dos leitores tem uma solução para pandas que só pensam na Casa da Bóia, por favor, escrevam sem demora!

Wednesday, February 16, 2011

Justine



Justine vive em Montmartre, nos bares e restaurantes. Posa para artistas, e é também, ela própria, uma artista. Às vezes as coisas apertam e ela precisa arrumar um bico de costureira, mas logo ela aparece, toda serelepe, onde os homens das cores e das formas estão.

Apesar da origem muito simples, ela compreende esses homens, os seus sonhos. Sabe que os lilases de Montmartre só ficam mais bonitos com eles, e para eles. Mudos, muitas vezes imersos na sua dor, ou alegres beberrões, esses homens a admiram por ser quem ela é. E hoje, pelas mãos da fada Lili, Justine vive também numa mesa de laca branca, perto do Chat Noir de Steinlen e de um verão de Monet, num bistrô escondidinho. E dentro do meu coração tão cansado, que sonha Toulouse-Latrec.

Express Yourself

Aconteceu uma coisa engraçada nos últimos tempos. Tava ali na Praça é Nossa virtual, vulgo msn, com dois amigos, falando algumas coisas que eu andei matutando. E os dois meio que deram risada, falaram assim, o que é isso, andou lendo livro de auto-ajuda, e tal.
Claro que literatura de auto-ajuda é uma das cabeças da Hidra de Lerna, pro povo que se formou em Humanas na Unicamp. Acho que é até é mesmo, junto com outras coisas como a preocupação com a aparência física, a propaganda e o Campeonato Brasileiro. Mas não, eu não me rendi à literatura de auto-ajuda. Eu cheguei à essas conclusões por mim mesma, penando muito. Talvez, se eu tivesse lido auto-ajuda, teria sido mais fácil, do que sofrer o tanto que eu sofri!
Paralelo a isso, a semana foi marcada pelo lançamento do novo single da minha ídala Lady GaGa, Born This Way. O povo logo caiu de pau matando, falando que é cópia da velha, e ótima, Express Yourself, do antológico Like a Prayer da Madonna. A própria GaGa se antecipou e explicou tudo no Leno, parece, confirmando as semelhanças entre as duas canções, super pra cima, super momento glitter... com você mesmo.
Pois é, porque é tão mais fácil a gente ter momentos glitter com o namorado, com as amigas, com os amigos, com a mãe, o filho, o sobrinho, a prima, o porteiro, mas tão foda ter com a gente mesmo. A gente mesma, quem é essa chata, cheia de problemas, feia, sem graça, sem glamour, que a gente tem que enfrentar todo dia? Tem quem prefira pagar outra pessoa pra lhe fazer companhia, só pra não ter que encarar a si mesmo no espelho. Estar sozinho? Tão sem sal. Você prefere ter um marido que te bate, um namorado que tá casado com outra, um amante que não te satisfaz, do que ficar consigo mesma, quieta, tomando chá chinês medicinal. Tudo, menos ter que ficar com a gente mesma.
E outro dia me ocorreu uma coisa óbvia. É auto-ajuda? Não sei porque nunca li, mas se for, então o Meio do Caminho vai começar a me dar dinheiro, o que não seria de todo ruim. Mas lá vai. Eu prefiro eu. Eu me amo. Prefiro tomar chá chinês medicinal, e ouvir GaGa e Madonna a todo o vapor!

Friday, February 11, 2011

O próximo amor

Quando eu amar de novo um homem, quero ser feliz. Não quero amar do jeito torto que sempre amei, sofrendo, me desvalorizando, esquecendo de mim. Quero me lembrar, quando olhar nos olhos dele, que aqueles olhos são espelhos, e não punhais.
Quero o prazer, a alegria, o encontro, o abraço, não a dor e a desesperança. Tenho que aprender a amar melhor, eu sei. E isso começa por mim: quero me amar mais, quero acreditar mais em mim, na minha beleza, nos meus princípios, na minha origem, na minha história, nos meus valores. Não estou derrotada; guardo dentro de mim a certeza inabalável da vitória, e parte da vitória pra mim será essa: eu serei amada.
Porque hoje eu tenho por mim mesma uma ternura inabalável; hoje sentei sozinha num dos meus restaurantes favoritos e pensei, estou na melhor das companhias, sou ótima companhia. Olhei para mim como quem olha pra uma velha amiga, uma pessoa querida que mora longe, mas que às vezes vem me visitar e sempre traz novidades, um pão de queijo e pede pra que eu passe um café. E a gente senta na mesa e conversa horas, fofoca, chora, ri, eu tenho certeza que irei me encontrar mais vezes, aqui em casa, na esquina, na viagem tão sonhada para Buenos Aires. E quando eu me encontrar, quando eu estiver comigo, encontrarei meu próximo amor, como se nada fosse.
http://www.4shared.com/audio/vofudmi_/Jacques_Brel_-_Le_Prochain_amo.htm

Wednesday, February 09, 2011

De quem foi

Na terça-feira, encontrei uma colega de graduação que não via há mais de dez anos. Minha turma de graduação era muito desunida. O povo teve brigas homéricas, durante todo o curso, muitas pessoas se detestavam e no final até hoje não sei porquê, mas pessoas que eu adorava simplesmente pararam de falar comigo, depois que entrei no mestrado.
Tentei entrar em contato com esses colegas de quem ainda guardo boas lembranças, pela internet. Mas foi em vão. Não consegui achar ninguém, e olha que o Orkut taí desde 2003 atazanando a minha vida. Google, Facebook, nada. Nem Diário Oficial. Desconfio que as meninas casaram e mudaram de nome, porque nunca encontrei mais nada sobre elas, depois da nossa formatura.
Os dois primeiros namorados que tive também sumiram na névoa dos tempos. O primeiro menino que beijei não, o Cláudio vira e meia aparece e me diz que tá vivo, mas os meus dois primeiros amores... não, não sei onde estão. Sei que casaram, um deles mudou de Estado, acredito que já tenham filhos. Mas mais nada apareceu.
Sempre senti muita falta dessas pessoas. Mas hoje lembrei de um trecho de A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende, onde a Clara, a personagem principal, diz que não pode achar, mesmo sendo médium, quem não quer ser encontrado. E de repente, pensei que o que importa foram as pessoas que ficaram ao meu lado todos esses anos, e me imaginei num salão, numa grande festa, com todos que foram. E pra cada um deles disse que eu os amei muito, e que era grata por tudo que vivi com eles. E eles se iam, um a um, afinal, o baile acabou.

Tuesday, February 08, 2011

L'ombra

Estou bem ansiosa. Quer dizer, eu sou bem ansiosa, mas ontem e hoje estou nos dias de ansiedade máxima. Tudo dói e eu sofro por tudo. Enfim.
Detesto estar assim, desse jeito. Há muitos anos fujo como o diabo da cruz dessa sensação de perigo iminente, dessa dor, dessa aceleração do tempo. Já fiz muita besteira nesse estado: liguei pra quem não devia ligar, falei com quem não devia falar, fiz o que não deveria fazer. Me afobo, troco os pés pelas mãos, tiro conclusões precipitadas, me desespero. Estou um barril de pólvora perto de um fósforo, o pote até aqui de mágoa. Cansada demais.
Agora, faz uns anos, aconteceu que eu arrumei um jeito de fugir desse sentimento. Esse jeito correspondia a uma pessoa, a uma situação, que me amortecia, supostamente me apaziguava e me deu a ilusão de que nunca mais eu me sentiria desse jeito. Como toda ilusão, me protegeu de fato do que eu considero a minha sombra; mas hoje sei que quem me amar de verdade não anulará isso, apenas me dará a mão quando eu me sentir assim. Abraço, hoje, minha sombra, agradeço por ela existir, agradeço todos os momentos que pra mim foram horríveis, porque neles, simplesmente, eu estava viva.

Sunday, February 06, 2011

Compartilhar

É difícil a gente se colocar por inteiro nas situações. Existe sempre o perigo da rejeição, o medo da incompreensão... enfim. Antigamente, por carência, eu acabava falando demais, mostrando demais, me ligando rápido demais. Hoje, ando rabugenta, e meio distante. Não sei se vão me aceitar assim, mas fazer o quê, é o meu jeito e quem me agüenta sabe que tudo isso é pose, no fundo eu continuo a pandinha de sempre, que adora carinho e é super sentimental.
Ando compartilhando. Tudo. Tem sido gratificante. Também, selecionei melhor com quem compartilhar. Foi duro cortar algumas pessoas e situações, mas agora o retorno tem sido tão completo que penso que, de fato, rabugice funciona melhor nos começos.
Acima, prédio da Cricoletti, na frente da Estação Ferroviária, aqui da antiga vila de São Carlos das Campinas do Mato de Dentro de Jundiaí.

Thursday, February 03, 2011

Manual de sobrevivência Panda na selva

Continuando o tema Panda e Homens.
Durante muitos anos, por questões profundas e trágicas, me envolvi em relacionamentos abusivos, de co-dependência, nada saudáveis, prejudiciais à saúde mesmo, com homens que só me fizeram mal. Me envergonho disso, claro. Outro dia desses, uma pessoa me disse que estava cansada do meu papo "Sofri muito" e que meu blog era um saco por isso. Enfim, não obrigo ninguém a me ler, no entanto um monte de gente me lê e até hoje eu não sei o motivo mas tudo bem. Não vou deixar de escrever e acho que preciso de fato encontrar as palavras pra tanto sofrimento, mas também pra tantas alegrias que eu vivi. Descobri muitas coisas sobre o lado ruim das pessoas e do mundo, mas não deixei também de ver a luz do sol, de me encantar com árvores em floração e de amar as pessoas.
Durante muitos anos, meu tormento me fez uma figura de quem se diz "é louca". De fato, eu sou muito maluca. Apesar disso, sou doida mansa, incapaz de fazer o mal pra alguém. Mesmo nos piores momentos, mesmo nos momentos em que eu vivi no lado escuro da Lua ( e acreditem, lá faz muito frio) não tive o ímpeto de matar ninguém nem de prejudicar os outros. Portanto, isso faz de mim uma pessoa de fato louca, e ao mesmo tempo rara: sei o que é conviver com muita dor e não revidar, sei o que é sentir desamor e não partir pro ódio, pra guerra.
Hoje vejo tudo muito mais colorido e legal. Me vem horas de felicidade extrema, simplesmente porque passou. O lado ruim passou. E eu recebo agora as coisas boas com tanta gratidão, me sinto plena em mim mesma; esses momentos são os melhores da vida pra mim. Antes, eles estavam embaixo dos escombros, agora, eles brilham nas minhas paredes.
Mas como passar pelas tormentas? Tem que ter sonho, tem que ter graça, sempre.

Tuesday, February 01, 2011

Pandas e Homens: Convergência Impossível?

Dri e Marcelo me convenceram, depois de uma pizza, um suco muito gostoso e várias risadas, a escrever um livro sobre curiosidades do mundo masculino. A idéia seria escrever crônicas, ao estilo da velha panda, sobre suas experiências com os machos de sua espécie. O título do post é uma brincadeira com as teses que o povo anda defendendo por aí, com títulos escalafobéticos e dois pontos, seguidos por títulos explicativos.
De fato, a pequena panda tem histórias curiosas sobre homens, bem como tem sobre Dante, Catedrais e receitas de biscoito. Esses animais aparentemente racionais já brindaram a habitante do Tibete campineiro com experiências trágicas, cômicas e tragicômicas. Algumas delas, em resumo. Já vi:
1) um homem terminar um namoro no dia do aniversário de alguém;
2) um homem terminar um namoro na semana que alguém tinha que entregar dissertação de mestrado;
3) um homem dar em cima de todas as suas amigas e achar isso natural;
4) um homem dizer que você não é atraente mas no entanto te agarrar sempre que possível;
5) um homem apostar uma caixa de cerveja que ia te beijar ( leia-se, a garota considerada a mais feia da classe) e perder,porque além de não te beijar você fechou uma janela no dedo dele;
6)um homem te dar um par de brincos de safira e um mês depois dizer que faria esse gesto para qualquer mulher com quem ele saísse;
7) um homem ser absolutamente generoso com uma menina que não o conhecia;
8) um homem levá-la para comer um filé num sábado simplesmente porque você queria;
9) um homem dar uma casinha de bonecas pra filha no Natal;
10) um homem escrever a Divina Comédia.
Elaborações posteriores em futuros posts. Aguardem a nova série Panda Sex in the City!